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E minhas aplicações, será que vão bem?

Publicado por Conrado Navarro em 19.3.2007 na seção Educação Financeira, Orçamento, Poupança

No post anterior discutimos um pouco sobre seus conceitos e crenças para com o dinheiro e algumas armadilhas do comércio. E o seu dinheiro já aplicado? Será que ele realmente está em um bom fundo ou rendendo o melhor que poderia? Antes, quero falar um pouco sobre o gerente de banco, essa figura importante em quem muita gente confia de olhos fechados.

Seu gerente do banco não tem a menor obrigação de direcioná-lo para os melhores investimentos. Ele o fará, se e somente se, você demonstrar conhecimento mínimo sobre economia, taxas de juros, benchmark de rendimentos, taxas financeiras e de administração etc. Isso vamos discutindo aos poucos. O que quero deixar claro é que ele tem suas metas dentro da instituição e elas não incluem deixá-lo rico. Incluem vender mais capitalização, mais seguro, mais cheque especial, mais empréstimos, financiamentos etc. Isso dá dinheiro pro banco pra valer. Fazer você ficar rico entra numa prioridade bem menor.

Dito isso, vamos entender melhor dois termos importantes quando falamos de rendimentos em fundos de investimento e aplicações financeiras: taxa SELIC e Benchmark.

Você sabe o que é taxa SELIC? A sigla significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Hein, como assim? Pois é, vamos manter as coisas simples por enquanto, deixando o "economiquês" de lado. A taxa SELIC é o juro usado quando emprestamos dinheiro ao governo, ou seja, é quanto a mais ele nos paga por alguma quantia que passamos para ele. Mas como assim? Comprando títulos públicos. Seu fundo de investimento compra estes títulos e você também pode comprá-los (vamos falar de Tesouro Direto no momento oportuno). Se você emprestar R$ 100,00 hoje para o governo, com a taxa atual de 12,75% aa, você teria no final de 12 meses, R$ 112,75. Esta é a aplicação de menor risco hoje no Brasil. Ora, é mais fácil um banco quebrar ou o Governo como um todo? Um banco claro.

E Benchmark? O que isso significa? É fácil. Você aplica em determinado fundo e quer saber se seu dinheiro está "rendendo bem", certo? Como saber? Com o que comparar? Ai entra o benchmark, que será o seu fator, ou índice, de comparação. Comumente vejo as pessoas compararem a rentabilidade de suas aplicações com a Caderneta de Poupança. Isso é um equívoco uma vez que ela rende menos do que a aplicação de menor risco existente, que seria um título público atrelado à SELIC, como vimos no parágrafo anterior. Certo?

Então você deve comparar seus investimentos, pelo menos, à taxa SELIC. Dizemos então, que seu benchmark será a taxa SELIC. Se o seu fundo, subtraída a taxa de administração, demonstrar rentabilidade próxima à taxa SELIC ou maior (desejável), ótimo. Senão, comece a pensar nisso, você está deixando de ganhar um dinheiro fácil.

Durante a semana trataremos de assuntos interessantes e usaremos exemplos e materiais didáticos interessantes para facilitar ainda mais a assimilação destes conceitos. Um abraço.

Imagem de Conrado Navarro

Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças e é mestrando em Produção (Economia e Finanças) pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: twitter.com/Navarro

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2 comentários

  1. Imagem do comentarista
    Nagano

    Esse site é mais q um gerente, é mais q um professor de econômia, show de bola, é o melhor site, talvez o único, q da informações tão preciosas.
    Parabéns Navarro.

  2. Imagem do comentarista

    Depois de ler dezenas de artigos aqui do site, encontrei a primeira idéia que diverge, ainda que por detalhe, da minha. O benchmark “ideal”, para o poupador, não seria um título público atrelado à inflação, ao invés da taxa SELIC?

    Penso que, para quem quer correr risco (virtualmente) zero, a melhor aplicação seria aquela que anula os riscos inerentes à inadimplencia do credor, e também à perda do poder de compra. A inflação, ainda que estabilizada pelo plano real, existe, sempre existirá, e é mais instável e menos previsível do que a tava SELIC. Dizendo de outra forma: o poupador que preza pela segurança do seu capital estaria ainda mais protegido de eventos desfavoráveis inesperados [uma disparada na inflação demoraria a ser controlada, e a resposta da taxa SELIC poderia ser demorada e sem a mesma intensidade].

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