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Orçamento, onde sangrar?

Publicado por Conrado Navarro em 20.3.2007 na seção Educação Financeira, Orçamento

Roberto pergunta: "Navarro, estou adorando seu blog e seus comentários. Eu tenho um pouco de dificuldade em identificar e me controlar no que se refere ao dia-a-dia e orçamento mensal. Sei da importância disso mas não sei por onde começar. Preciso de uma luz. Pode me ajudar?"

Oi Roberto. Obrigado pelo incentivo e pelas palavras sobre o blog. E obrigado por preocupar-se com seu orçamento e com seu dinheiro. O primeiro passo você já deu e agora precisa apenas motivar-se a gerenciar seu fluxo de caixa (sim, no começo é um pouco chato) e então desenvolver disciplina suficiente para sempre analisá-lo e, principalmente, respeitá-lo.

Creio que aqui cabe uma explicação sucinta sobre despesas e receitas. Temos a falsa impressão de que sabemos exatamente para onde nosso dinheiro está indo, e isso é muito perigoso. Para facilitar este trabalho, procure olhar suas despesas como sendo fixas ou variáveis. Como exemplo, um aluguel é uma despesa fixa. Um curso de curta duração é uma despesa variável. Aqui vale uma dica: procure sempre reduzir suas despesas fixas, além de sempre mover um custo desta categoria para as despesas variáveis. E depois, analise se ela é realmente necessária.

A idéia é deixar seu orçamento enxuto e a primeira tarefa é classificar suas despesas, como dito acima. E depois disso você precisa mensurar, em termos percentuais, como estão suas despesas. Ou seja, quanto de sua receita você gasta com habitação? Quanto para transporte? E assim por diante. Seguem algumas idéias para sua classificação:

  • Habitação: aluguel, condomínio, água, luz, gás, limpeza doméstica, financiamento da casa própria etc.
  • Saúde: consulta médica, plano de saúde, dentista, farmácia etc
  • Alimentação: padaria, supermercado etc
  • Lazer: viagens, bares, férias, hobbies, cinema etc
  • Despesas pessoais: roupas, telefone celular, academia, presentes etc
  • Despesas financeiras: taxas de banco, juros etc
  • Impostos: IR e CPMF
  • Poupança: quantia que você deve guardar e reinvestir mensalmente. Encare-a como uma despesa, assim como a coloquei. É a sua garantia de um futuro melhor, acredite!

Agora você deve estar se perguntando sobre qual seria a porcentagem ideal de gastos com cada uma destas categorias, certo? Não existe um consenso ou regra que funcione para todos, mas uma coisa você deve ter em mente: o percentual de poupança (dinheiro guardado ou reinvestido) deve estar entre 10% e 30% de sua receita líquida total. Sempre.

Com isso creio que já tenha uma melhor noção de como organizar-se no dia-a-dia. Ainda é importante lembrar que seus gastos devem ser anotados sistematicamente e classificados dentro das categorias que você criou. E entre estas categorias nunca deve ser usada a palavra "Outros". Seus gastos precisam ser encaixados dentro de categorias que tenham significado. Organize suas despesas, seja em papel ou planilha, e vai perceber claramente onde está o gargalo. As ferramentas você já tem. Abaixo deixo um modelo de controle de despesas, apenas como demonstração:

Modelo de Orçamento

Imagem de Conrado Navarro

Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças e é mestrando em Produção (Economia e Finanças) pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: twitter.com/Navarro

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4 comentários

  1. Imagem do comentarista

    [...] já controla seu fluxo de caixa mensalmente? Sabe o que é orçamento? Não? Sua indisciplina para gastar o trouxe até aqui, [...]

  2. Imagem do comentarista

    [...] Planilha de Orçamento - Divisão das despesas no fluxo de caixa mensal. [...]

  3. Imagem do comentarista

    [...] Passo 1 - Conhecer seu verdadeiro eu Essa tarefa pode parecer fácil, mas não é. Quando você se propõe a entender as suas reais necessidades e a analisar seus custos fixos e variáves de vida, muitas surpresas podem aparecer. Nessa hora, duas reações são muito comuns: ou você percebe que algo está errado ou você encara com descrédito a tentativa de policiar-se, fundamentando-se em algum principio furado (”Esse é meu estilo de vida” é o mais cômico). O resultado desse exercício será a motivação necessária para computar suas receitas e despesas, criando um modelo inicial de orçamento. [...]

  4. Imagem do comentarista

    [...] tudo e motive um debate sobre as necessidades básicas de cada um (e da família) e procure planejar essas necessidades de acordo com a receita livre disponível para o lazer. Será que você não está indo jantar em um lugar caro demais? Você vai mesmo [...]

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