E a previdência privada? | Dinheirama

22 mar Aposentadoria

E a previdência privada?

Eduardo sugere: “Navarro, uma boa pergunta é: entre os 10% a 30% que você sugere sejam remetidos a alguma forma de poupança, poderíamos considerar um tipo de Plano de Previdência Privada”? Por que não Eduardo? Qualquer investimento feito no seu futuro vale a pena. Mas existem alguns fatores que você precisa entender e considerar quando […]

por Conrado Navarro
há 7 anos

Eduardo sugere: “Navarro, uma boa pergunta é: entre os 10% a 30% que você sugere sejam remetidos a alguma forma de poupança, poderíamos considerar um tipo de Plano de Previdência Privada”?

Por que não Eduardo? Qualquer investimento feito no seu futuro vale a pena. Mas existem alguns fatores que você precisa entender e considerar quando o assunto é previdência privada. Disciplina e um pouco de conhecimento podem mostrar horizontes mais rentáveis do que a previdência, especialmente no longo prazo. Mas isso não a torna um “produto ruim”. De maneira alguma.

Em primeiro lugar, acredito ser louvável preocupar-se em ter uma boa aposentadoria. Deveríamos todos ter esta preocupação e tratar de investir mais neste sentido. A previdência privada tem uma vantagem, especialmente se levado em consideração o perfil de alguns “gastadores”, de debitar a quantia diretamente de sua conta corrente. Portanto, é prática e requer menos conhecimento. O cliente recebe um extrato mensal com tudo muito bem explicado. Portanto, é fácil de administrar.

O outro lado é que esta facilidade e praticidade possuem um custo. E normalmente este custo não é baixo. As taxas de administração cobradas nestes planos são altas, muitas vezes em torno de 3%, e isso diminui bastante seu rendimento líquido e seu patrimônio no longo prazo. Além disso, dependendo da modalidade do plano, você terá que recolher IR sobre todo o patrimônio acumulado (PGBL) e não apenas sobre os ganhos (VGBL). Outro fator que deve ser levado em consideração é a solidez da instituição que lhe oferece o plano. Será que ela vai estar entre nós , e em condições de lhe ajudar quando você for “se aposentar”?

Um aspecto importante, tanto em previdência quanto em investimentos em geral, é a capacidade de seus rendimentos futuros excederem a inflação (rentabilidade líquida – inflação acumulada), garantindo seu poder de compra e o padrão de vida que deseja no final das contribuições. Ninguém quer chegar ao final da vida e descobrir que seu dinheiro não compra o que comprava anos atrás, ou ainda viver pior do que vivia quando ainda trabalhava.

Aqui o objetivo é discorrer de forma rápida sobre a previdência privada. Entraremos em mais detalhes em posts posteriores, onde falarei da diferença entre VGBL e PGBL, suas vantagens e desvantagens. A decisão de entrar ou não num plano de previdência é muito pessoal, mas deve ser tomada com base em números e argumentos que justifiquem seu investimento. Entrar apenas porque o gerente oferece é besteira.

Um adendo muito interessante e útil de nosso blog parceiro Acerto de Contas, aqui representado pelo jornalista Marco Bahé: Queria agora entrar nesse debate sobre a Previdência Privada. Passei uma época pensando em ingressar num plano. Procurei várias opções, fiz e refiz os cálculos. Minha conclusão: não vale a pena. As taxas de administração (você falou em 3%, mas algumas chegam a 5%) inviabilizam esta modalidade de investimento. Sem falar que o resgate antecipado é altamente penalizado. Faço apenas uma ressalva. Recomendo a previdência privada para quem trabalha numa empresa que oferece contrapartida como estímulos. Ex.: para cada real investido pelo empregado, o empregador entra com outro real.

Valeu Marco, sua opinião é fundamental. Aos que não conhecem o blog Acerto de Contas, vale a visita. Tudo sobre economia (de forma compreensível), política e atualidades. Abraço pessoal.

Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros "Dinheiro é um Santo Remédio" (Ed. Gente), “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), autor do blog "Você Mais Rico" do Portal EXAME e colunista da Revista InfoMoney. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro
  • http://www.letrademedico.com.br Eduardo Oliveira

    Existem quatro detalhes que você não comentou e que me fizeram investir em previdência privada:
    1) A possibilidade de se optar por alíquotas regressivas de IR. A renda que hoje você tributaria a 27,5%, daqui a 10 anos pagará apenas 10% de IR.
    2) No PGBL, você paga sim, no resgate, alíquota de IR sobre todo o patrimônio acumulado (essa alíquota pode ser regressiva conforme explicado anteriormente), mas anualmente, você deduz do imposto de renda tudo que investiu em previdência. Na prática, fazendo os cálculos corretos, quem ganha o bastante para cair na alíquota mais alta de IR (27,5%), acaba recebendo de volta (ou deixando de pagar) anualmente, 27,5% de tudo que investiu em previdência privada. Considerando que esse dinheiro pode ser reinvestido e que em 10 anos você pagará apenas 10% de IR sobre ele, a longo prazo o ganho é muitas vezes maior do que em qualquer outra aplicação com o mesmo nível de segurança.
    3) A previdência privada pode ser usada como forma de acumulação de capital a longo prazo (10, 20 anos), não necessariamente só para aposentadoria.
    4) As taxas cobradas pelos bancos (alguns deles) também são regressivas. A CEF por exemplo, começa com uma taxa de 5% (exorbitante), mas ela vai caindo conforme o montante de capital acumulado. Após 100 mil reais, a taxa é 0%, isso mesmo, zero.

    Então, nesse caso específico, existe ainda algum investimento (com o mesmo risco), melhor?

  • http://www.letrademedico.com.br Eduardo Oliveira

    Pra resumir, acho que a Previdência Privada pode não parecer tão interessante do ponto de vista da rentabilidade. Mas se você considerar que pode utilizá-la para organizar seu planejamento tributário, calculando quanto investir mensalmente, quanto aportar anualmente para fechar em exatos 12% da renda bruta e utilizar todo o benefício fiscal, não há nada melhor.

  • Carlos Alberto

    Gostaria de tirar uma dúvida, tenho 2 planos de previdência para meus filhos de benefício defenido(antigo) Brasilprev, aonde cobram um carregamento de 9% e garantem IGPM +6%. Seria interessante migrar para um PBGL ou VGBL com uma tx.adm 1% a 2% de renda fixa ou multimercado com tx.adm 3%. E ainda informaram que terei que pagar o INSS dos meus filhos a partir dos 16 anos de idade, que absurdo. Será que com tudo isso é melhor continuar com a previdência ou aplicar em fundo de ações?

  • Margarete Denzin

    Também tenho plano de previdência para meu filho – Brasilprev há 9 anos. Já migrei para o VGBL e fiz um novo plano na modalidade VGBL. Minha grande dúvida também é: devo continuar com o plano de previdência ou aplicar em fundo de ações??
    Agradeço muito se puder me ajudar.

  • Maria Ribeiro

    Tenho 55 anos , trabalhei a vida todo e não tive registro em carteira .Sómente este ano consegui um registro em carteira . Hoje penso em fazer um plano de previdencia privada , sei que é um pouco tarde , mas melhor tarde do que nunca. Quero aplicar 1.000,00 ao mes , será que é viável ? Tenho uma saúde boa, acho que vou aguentar pelo menos os 10 anos , para me aposentar com 65 anos. O que vocês acham ?
    Agradeço a susgestão.

  • PAULO

    CARO AMIGO
    A MUITOS COMENTÁRIOS SOBRE PREVIDÊNCIA PRIVADA
    SENDO QUE SÓ LEVAM EM CONTA RENTABILIDADE E TAXA
    E SE ESQUEÇEM DE VÁRIOS BENEFÍCIOS QUE OS PLANOS OFERECEM

    TAXA TODAS AS (APLICAÇÕES) PAGAM ATÉ MAIORES QUE PLANOS DE PREVIDÊNCIA

    VAMOS CURTIR O PRESENTE MAS DE OLHO NO FUTURO (PAPAI CHEGOU LÁ)

  • http://www.insiter.adm.br Eng. Pedro P. Kudlinski (MBA)

    Antes de entrar em qualquer plano de previdência privada, antes de arriscar todo seu passado, presente e futuro, bem como, da sua família, sugiro a leitura o livro digital intitulado “Previdência Privada” (www.insiter.adm.br). Eng. Pedro P. Kudlinski (MBA)