09 abr Aposentadoria

Um pouquinho de PGBL

Algumas dúvidas são muito comuns quando o assunto é previdência privada, especialmente em se tratando do PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre). Reservei três dessas dúvidas e as comentarei aqui neste artigo, com o objetivo de melhor informar os amigos leitores para que hajam mais e melhores argumentos numa eventual decisão que envolva investimentos e […]

por Conrado Navarro
há 7 anos

Algumas dúvidas são muito comuns quando o assunto é previdência privada, especialmente em se tratando do PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre). Reservei três dessas dúvidas e as comentarei aqui neste artigo, com o objetivo de melhor informar os amigos leitores para que hajam mais e melhores argumentos numa eventual decisão que envolva investimentos e aplicações.

Antes, quero deixar uma mensagem que surgiu de uma troca de e-mails com o Eduardo, um leitor muito participativo. Ele soube definir muito bem o papel da previdência privada: “uma forma de acumulação de capital para o longo prazo (10 – 20 anos)”. Perfeito Eduardo. E a previdência fica por ai. Quem quiser multiplicar seu patrimônio ou ficar rico vai ter que arriscar um pouco mais.

Vamos aos pontos importantes:

Quais as alíquotas de IR retidas quando do resgate em um plano PGBL?
São dois os produtos PGBL disponíveis:

  1. O tradicional, onde haverá retenção de IR na fonte à alíquota de 15% (sobre todo o valor) no momento do resgate e você terá de calcular, na declaração de ajuste anual do ano seguinte, mais um possível pagamento ou restituição, dependendo de seus outros rendimentos;
  2. O PGBL com tributação regressiva, em vigor desde janeiro de 2005, que estipula tributação somente na fonte, não havendo necessidade de se fazer o ajuste na declaração anual. A alíquota neste caso existe em função do prazo da aplicação, como vemos a seguir:
  • Prazo igual ou inferior a 2 anos: 35%;
  • Prazo superior a 2 e igual ou inferior a 4 anos: 30%;
  • Prazo superior a 4 e igual ou inferior a 6 anos: 25%;
  • Prazo superior a 6 e igual ou inferior a 8 anos: 20%;
  • Prazo superior a 8 e igual ou inferior a 10 anos: 15%;
  • Prazo superior a 10 anos: 10%;


Ouvi falar que há a possibilidade de se deduzir todo o montante aplicado no PGBL quando da declaração de IR anual. Isso é verdade? Como fazer os cálculos?

Aqui é normal a confusão. Não se deduz todo o montante. Do total anual dos aportes feitos para o plano PGBL, até o limite de 12% de sua renda bruta é que poderá ser deduzido do IR a pagar. Ah, e só se beneficia da dedução quem faz a declaração completa do IR. O cálculo pode parecer um pouco estranho e há uma ferramenta no site da CAIXA que pode ser muito útil. Para acessá-la clique aqui.

Alguns bancos apresentam taxas de administração que caem conforme o período investido. Isso é seguro? Com o que devo me preocupar neste caso?
Excelente pergunta. Você já ouviu falar da taxa de carregamento? É uma taxa que os bancos cobram para aplicarem seu dinheiro no fundo desejado. Ou seja, a cada aporte mensal uma parte do dinheiro é tomada para cobrir custos do banco. Você precisa saber se o seu plano PGBL tem ou não esta cobrança. Imagine que essa taxa seja de 2,5%, isso significa que a cada R$ 100,00 depositados, comporão sua conta R$ 97,50 e não os R$ 100,00 que você depositou. Faça esta conta para valores maiores e para longos períodos e vai perceber que pode perder um bom dinheiro. Além disso, há a taxa de administração, normalmente cobrada anualmente e que anda sempre na casa de 4% – 5%. A saída é procurar pelos bancos onde esta taxa seja mais baixa. E por último, há a taxa de saída, que normalmente é igual à CPMF e que é aplicada sobre o valor do resgate. Todos os planos cobram esta última taxa.

Conclusão
A decisão, de conhecer melhor e aplicar ou não nestes planos, é sua. Quanto mais informação e conhecimento puder adquirir, melhor! Nunca deixe nas mãos de outra pessoa a decisão de sua vida daqui a 10, 20 anos. Seja previdência privada, investimentos em fundos ou ações, para ficar em poucas opções, informe-se e decida segundo seu julgamento e conhecimento. Senão pode ser que lá na frente você se arrependa. E, quase sempre, será tarde demais. Um abraço.

Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros "Dinheiro é um Santo Remédio" (Ed. Gente), “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), autor do blog "Você Mais Rico" do Portal EXAME e colunista da Revista InfoMoney. No Twitter: @Navarro.

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  • http://www.palomaris.com/damisoginia Carlos E. Bonini

    Gostei muito do blog, Conrado. Até já te linkei!

  • http://adulteen.net Neto

    Parabéns pelo blog. Já estou incluíndo na minha lista de blogs para leitura diária.

  • Carla

    Oi Navarro, adorei.
    Agora será que você pode falar sobre VGBL?
    Qual é a maior diferença?
    Obrigada.

  • Pingback: Agora um pouquinho de VGBL : Dinheirama - Investimentos, educação financeira, ações

  • http://www.letrademedico.com.br Eduardo Oliveira

    Optei pelo PGBL por dois motivos: 1º, acumular capital a longo prazo. 2º (e mais importante), planejamento tributário. No meu caso, os 12% descontados da base de cálculo do imposto de renda fazem uma grande diferença: Calculo exatamente o que depositar para fechar o ano em 12% (pode se dar aportes a qualquer momento, não precisam ser mensais). Isso garante que eu receba ao final do ano, 27,5% de tudo que depositei, como restituição de imposto de renda. Claro que quando eu for resgatar o plano, em 10, 20 anos, pagarei IR, mas a alíquota será de apenas 10%. Fora que a restituição pode ser investida em aportes no próprio plano… Mas cada caso é um caso. Vale a pena calcular e pesquisar bastante antes de optar por Previdência Privada.

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  • Luciano

    Tenho um plano PGBL e o pessoal do banco me comentou o seguinte: Considerando que os fundos de renda fixa continuem rendendo se 10 a 12% ao ano, vale a plena sacar o montante do plano antes de iniciar o pagamento do 1º benefício e aplicar este montante em fundos, levando em conta, alem do fator rendimento, o fato que, em caso de morte, após o pagamento do 1º beneficio, todo o dinheiro do fundo fica com o Banco. É isso mesmo?

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  • Jussyê

    Prezado,
    como funciona a dedução dos 12%?
    Sei que é do rendimento anual, mas como é isso?
    Quais as vantagens?

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  • Reinaldo

    Tenho um PGBL; resgatei parte dele e no ato do resgate foi descontado a alíquota de 15% do IR. Dúvida: se eu reaplicar o mesmo montante, no mesmo ano calendário, posso restituir esses 15%?
    Obrigado.

  • Ana Claudia de Castro Dolejal

    Gostaria de saber a diferença de taxa de administração para taxa de carregamento.
    A taxa de adm é cobrada no ato da contratação e nos aportes adicionais e a de carregamento é no valor das parcelas mensais?
    Gostaria de me interar sobre o assunto…vou trabalhar em uma seguradora e vou comercializar planos de previdência privada de várias instituições, cerrtamente terei treinamento mas ja queria ir sabendo de alguma coisa pra não dar bola fora….ok…aguardo !

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  • edgard

    gostaria de saber quais as vantagens e desvantagens de se fazer uma poupança e depositar determinada quantia, durante longo periodo, em comparaçao com o plano de aposentadoria privada.

  • Ricardo

    Tenho uma dúvida qto a taxa liquida de rendimento mensal do PGBL quando comparado com os fundos de renda fixa. Neste último caso o rendimento declarado pelos bancos é o bruto, ou seja sem impostos. No caso do PGBL o rendimento informado é líquido ou bruto? Esta claro para mim que na época do resgate haverá uma taxa de 10% (regime regressivo).

  • joao carlos

    tenho um plano PGBL e durante o ano fiz varios resgate, e cada resgate tive que pagar 15% no ato da retirada, e segundo o banco, quando for declarar tenho que pagar mas 12.5% que soma um total de 27.5, esta certo ou não.
    Obrigada.

  • Roberto

    Fiz um pgbl por indicação da gerente, e pelo visto fui muito mau instruido, penso isso por que não declaro imposto de renda, sou isento, e agora que precisei resgatar, tomei aquela mão boba do governo, 15 % do sócio indesejado. Será que por ser isento, há alguma forma de reverter essa situação? Obrigado.

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  • Josué Chaves

    Conrrado gostaria de saber sua opinião sobre aplicações no FIC-FGTS. vale a pena aplicar?

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