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A culpa é minha? Do sistema? De quem?

Publicado por Conrado Navarro em 12.4.2007 na seção Educação Financeira, Orçamento

Se ficamos doentes, a primeira tentativa é, quase sempre, a auto-medicação. O médico só é procurado se ela não surtir efeito. Ainda assim, relutamos em concordar com o diagnóstico e, na maioria das vezes, procuramos outro médico. O ser humano é assim, tão dono de si que nada pode ser pior que perder o auto-controle. E se o problema não fosse de saúde, mas de dinheiro? "Opa, o dinheiro é meu e eu faço dele o que bem entender". A auto-medicação nestes casos pode ser desastrosa e perigosa.

Por que não procurar ajuda? Se o problema persiste, como no exemplo médico anterior, por que razão insistimos em comprometer cada vez mais nossa saúde financeira e nosso fluxo de caixa? Já me responderam: "É a vergonha Navarro. Você não sabe o que é gastar mais do ganha e se ver culpado por isso todo final de mês". Vergonha? Então sugerem que eu tenha dó? Você, dono do dinheiro, não tem absolutamente nada de vítima nesta situação. E tem que admitir que precisa de ajuda. "Mas Navarro, a culpa não é só minha".

Precisa de ajuda?Os planos não se concretizam, os objetivos não se completam, os sonhos ficam cada vez mais distantes e a culpa é sempre "do sistema", como comumente ouço. Ou o salário é baixo, ou são muitos os impostos, ou são poucos os benefícios, ou os preços ficam cada vez mais altos etc. Ou todos juntos. Mas então, qual a solução para viver seu dia-a-dia de maneira a chegar onde quer, se você não precisa mudar? Talvez mudar de país? Ou admitir que precisa de ajuda, ou pelo menos de disciplina, para organizar-se, viver de acordo com sua realidade e ainda assim poder economizar de modo a criar "gordura" para os tempos difíceis e para um futuro melhor?

A responsabilidade pelo que você é, vai ser, ter ou conquistar, é sua. O meio pode (e deve) influenciar mas a decisão final é só sua. Poupar, investir, pedir dinheiro emprestado, financiar, usar cheque especial, pagar à vista e diversas outras atitudes podem ser a diferença em admitir, para si mesmo, que sua saúde financeira precisa, ou não, de ajuda. E que pra ela ser diagnosticada, você precisará abrir mão do papel de vítima e passar a se considerar um agente. Acredite, há quem prefere continuar vítima. E ai, a culpa é minha? Do sistema? De quem?

Imagem de Conrado Navarro

Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças e é mestrando em Produção (Economia e Finanças) pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: twitter.com/Navarro

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5 comentários

  1. Imagem do comentarista

    O problema maior de se gastar mais do ganha é que sempre nos habituamos ao salário, subindo o padrão de vida ao aumentar o salário. Ou seja, se a pessoa vive com R$ 500, ela acha pouco. Se ela vive com R$ 1000, também acha pouco.

    E temos ainda o "acho que vai dar...", que gastamos valores que deveriamos esperar um pouco mais, mas damos um peitaço.

    Também acredito que quando a coisa ficou feia, temos que fechar a carteira e pensar 2, 5, 10 vezes antes de gastart. Já vi pessoas que deviam 8 vezes seu salário e com família pra sustentar se levantarem dessa forma.

    Sucesso com o blog.

  2. Imagem do comentarista

    Creio que o maior problema da maioria das pessoas é, independente de quanto ganha, sempre gastar tudo. Não economizar. As emergências sempre surgem e os problemas junto.

    Como disse o Felipe, nunca é suficiente, quanto mais ganho, mais gasto.

    Aproveitando o espaço Conrado, você poderia disponibilizar uma planilha de fluxo de caixa e de orçamento doméstico para gastos futuros. Só uma idéia. Abraços e parabéns pelo blog.

  3. Imagem do comentarista

    Show de artigo! Falou tudo!

    Infelizmente, a maioria do pessoal sempre vai pelo caminho mais facil: achar uma desculpa e não assume a posição de heroi da sua propria vida.

  4. Imagem do comentarista
    Fabio

    Navarro, isso foi um tapa na cara, porém um tapa bem vindo, por mais que saibamos tudo isso que foi dito, nos recusamos a aceitar e vamos empurrando com a barriga...

    Gostei da idéia das planilhas do nosso amigo Issamu. Tenho muitas dúvidas quanto a custos fixos e variáveis de uma empresa.

    Valeu!!!

    Abração

  5. Imagem do comentarista

    Como o Felipe falou: aumenta o salário e o sujeito já quer aumentar o padrão de vida logo em seguida.

    Tem que aumentar o padrão aos poucos, fazendo com que sempre sobre algo. Simplesmente empatar não leva a lugar algum.

    Mas aí vem a pressão social: manter status, freqüentar os mesmos ambientes (às vezes caros) que os colegas de trabalho, etc. Tem empresa que não permite que diretor use carro mais simples. Com essa mentalidade, não se chega a lugar algum mesmo.

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