É proibido falar de dinheiro? Quem disse?
Publicado por Conrado Navarro em 03.05.2007 na seção Educação Financeira, Finanças Pessoais
Por onde passo e com quem quer que eu fale lá está o tabu. Falar de dinheiro de uma forma extrovertida, inteligente e subjetiva parece ser proibido! Eu hein. Você tem medo de expôr parte de seus apuros financeiros temendo represália, chacota ou deboche? Que tal se pudesse ouvir uma dica sobre investimento, patrimônio ou ferramenta de algum colega? Será que só eu valorizo isso? Falar de dinheiro significa compartilhar suas experiências e criar um canal aberto de discussão para também aprender, não acha? O filtro é importante, claro, mas deixar de ouvir e compartilhar é seguramente um erro.
Não me conformo com minha própria conclusão de que falar de dinheiro seja um tabu. Considerar o dinheiro algo tão complicado e delicado a ponto de nada comentar sobre ele pode ser a razão para tamanha pobreza. Ora, se você tem vergonha de seu próprio conceito sobre o dinheiro, de sua condição financeira e de sua capacidade de poupar, a ponto de não externá-la nem aos mais chegados, está aceitando e incentivando o sentimento de impotência diante do dinheiro que aparece em suas mãos. A consequência será uma decisão insegura sobre seu dinheiro, com grandes chances de se mostrar inapropriada (em pouco tempo).
Ninguém quer discutir aspectos importantes sobre dinheiro, mas todos querem encontrar a fórmula para ficar rico. Um paradoxo intrigante, não acha? As milhões de maneiras de ficar rico são discutidas diariamente nos lugares onde há quem se interessa pelo assunto. Os autores que se aventuram a escrever livros sobre riqueza estão fazendo algo muito simples no seu dia-a-dia: estão falando sobre dinheiro. Suas obras são comentários, opiniões e experiências por eles vividas que podem demonstrar como é relevante importar-se com dinheiro e querer aprender mais sobre ele. Os autores passam seu tempo frequentando seminários, eventos e relatam ali o que lhes parece melhor para despertar, em você, interesse no assunto. Eles sabem ouvir.
Vá além das sentenças e chavões da moda, além do óbvio e mágico segredo destes mesmos livros e procure viver mais próximo do seu dinheiro. Pergunte mais, explique mais, arrisque mais, experimente mais. Tenha uma opinião formada sobre dinheiro, suas vantagens para você e seus planos para sua administração. Opinião é o resultado mais importante que devemos perseguir se queremos dominar nosso dinheiro. Defenda seu ponto de vista com clareza, porém de forma receptiva e cordial. Prefira escutar e aprender mais com os outros que com os livros e revistas. Vale a pena.
Já notei que certas pessoas simplesmente não ficam à vontade para lidar e falar sobre dinheiro. Você é assim? Pode ser que haja um bloqueio que o impeça de pronunciar-se nestas ocasiões. Acredito nisso! Também acredito nos resultados de uma boa terapia. Estes bloqueios podem ser a causa, mas nunca a desculpa. São estes mesmos bloqueios que o impedem de investir em algo mais arriscado? Que o impedem de falar aos filhos o quanto as contas estão altas e que a mesada deve ser melhor controlada? Que o impedem de criar coragem para começar a controlar seu orçamento, criar limites e se educar financeiramente? Se o problema é você, a solução também é você.
Que tal então agendar um dia da semana para conversar com alguém sobre investimentos, dinheiro e seu poder de realização? Chame um amigo que gosta do assunto e discutam um pouco sobre o cenário atual da economia, o que os bancos andam oferecendo, os juros, as compras do mês, os descontos. Comece devagar. Crie e demonstre interesse através da leitura de periódicos, jornais, livros. Dedique-se um pouquinho todo dia a ler uma ou duas notícias sobre economia e finanças na internet. Enfim, se você não sabe falar (e bem) de dinheiro, como poderá administrá-lo (e bem)?
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6 comentários
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Navarro
Venho acompanhando seus textos há umas duas semanas e antes de mais nada gostaria de parabenizá-lo pela espontaneidade e clareza dos textos. Poucos economistas formados e até mesmo professores têm esta sua facilidade de expressão (ou melhor ainda, didática).
Quanto ao texto de hoje, gostaria de adicionar mais um item na discussão sobre o “tabu dinheiro”: A religião dominante no Brasil. O catolicismo sempre foi favorável ao lema “dar aos pobres” e o efeito disto é que a acumulação de capitais é vista com preconceito, como um pecado praticado pelos egoístas que não compartilham seus bens. Vai daí que conversar sobre suas economias pode soar aos interlocutores que você se encaixa no perfil “pecador” descrito acima. A “oposição” ao catolicismo poderia ser talvez a visão do protestantismo (praticado principalmente nos EUA) que fica para um próximo comentário (ou para o Google) para não me estender demais neste comentário.
Um abraço e parabéns novamente !
Debater sobre dinheiro/negócios/investimentos…lembra muito os “Axiomas de Zurique”! Dificil é achar um amigo que goste desse assunto….mas prometo tentar!
Valeu!
Tiuson, obrigado pelo reconhecimento e pelas palavras de apoio. Fico feliz em estar conseguindo transmitir meus conhecimentos, podendo enriquecer cada vez mais a vida de leitores como você. Sua colocação é muito pertinente e um ótimo tema para discussão.
Daniel, o livro de Max Gunther é realmente muito bom. Mas 90% das pessoas que o lêem acham que tudo ali é muito interessante, mas não fazem nada do que ele propõe ou instiga. Acham arriscado. E ficam na mesma. Ah, se é difícil encontrar amigos para falar de dinheiro, talvez seja hora de fazer novos amigos um pouquinho diferentes. Pense nisso.
Abraços a todos. Obrigado pela visita.
Conrado, grande verdade relata este seu artigo e seu pensamento. Gosto de falar sobre dinheiro mas mesmo assim encontro grande dificuldade em achar alguem para conversar sobre isso. É incrivel perceber que mais de 200.000 exemplares de PAI RICO PAI POBRE já foram vendidos no Brasil, e mesmo assim tenho certeza de que talvez essa seja a totalidade das pessoas que se interessa por dinheiro entre mais 150.000.000 de habitantes.
[...] inúmeras vezes sobre essa necessidade, mas não se mexeram para efetivamente atacá-la. Pare, discuta as finanças com seu par e defina alguns objetivos e metas para a família como um todo. Transforme o dinheiro em pauta e [...]
[...] o patrimônio muitas vezes já está estabelecido, ele é automaticamente ignorado quando uma discussão financeira aparece na mesa de jantar. Em suma, muitas vezes ataca-se o problema sem total conhecimento das [...]