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Cuidado com o seu gerente!

8comentários

Olha o gerente ai!“Lá vem o Navarro de novo”. Calma, eu sou um cara bonzinho. Ainda assim muitos gerentes não gostam de mim. Paciência. Eu tenho minhas metas, eles têm as deles. Eu tenho meus objetivos, eles também. Um dos meus objetivos é criar, em todos os meus leitores, uma “consciência financeira” forte o suficiente para tirá-los das mais variadas armadilhas. Percebi que, em determinados momentos do ano, o objetivo de quase todos os gerentes é justamente o oposto. Eles passam a oferecer tais armadilhas como excelentes produtos e é nessa hora que meu e-mail começa, literalmente, a “bombar”. Não, bancos não mandam e-mail. Neste caso, são suas “vítimas”.

Títulos de capitalização, empréstimos bancários, linhas de crédito, pacotes bancários exclusivos, informações da conta pelo celular, atendimento diferenciado etc. Poderia preencher todo o parágrafo com “produtos magníficos” e que supostamente farão sua vida “muito” melhor. Em tempo, é certo que existem gerentes justos, honestos e preocupados com seu dinheiro. Normalmente, e infelizmente, estes são aqueles que atendem em unidades e prédios exclusivos onde o seu cartão, e o meu, não passam. Brincadeiras a parte, cuidado!

Um diálogo vai ajudar a ilustrar um fato recente:

Gerente (G): Boa tarde Sr. Fulano, aqui é o Sr.Gerente da sua conta, do Banco Perfeito. Tudo bem com o senhor?
Cliente (C): Boa tarde Sr. Gerente, tudo bem sim.
G: Pois é Fulano, estou ligando porque gostaria de colocar o banco à sua disposição e ter a oportunidade de conversar sobre alguns produtos muito interessantes. Na verdade, sobre um produto em particular.
C: Verdade Sr. Gerente? Obrigado pela ligação, fique à vontade, agora é um bom horário para conversarmos.
G: Então. Temos uma oportunidade única de oferecer crédito aos nossos clientes, usando uma taxa muito abaixo da praticada no mercado.
C: Legal, agradeço pela gentileza Sr. Gerente, mas eu tenho quase R$ 30.000,00 em aplicações e na caderneta de poupança. Por que eu precisaria de crédito, podendo usar este meu dinheiro aplicado?
G: Sr. Cliente, veja bem. Você não precisa descapitalizar suas aplicações. Isso não é ótimo? O Sr. estará pagando uma taxa mensal de apenas 1,4%, sem a necessidade de mexer no que tem aplicado. Deixa aquilo quieto para o futuro e ainda assim garante a realização de seus sonhos. Que tal?
C: Hummm, deixa eu ver se entendi. Você quer pegar o meu dinheiro guardado na caderneta de poupança, que rende perto de 0,6% ao mês, e emprestá-lo pra mim, cobrando uma taxa de 1,4%? De novo, eu pego o meu dinheiro emprestado e ainda pago 1,4% a vocês? Parece mesmo um “ótimo” negócio. Agradeço sua ligação e sua atenção. A propósito, você deve ser um gerente recém chegado a esta agência, estou certo? Não entendo porque tantos gerentes entram e saem desta agência.
G: Ah… Eh… Sim Sr. Cliente, sou novo por aqui.
C: Pois bem, se você não sabe como um banco funciona, eu sei. Desejo-lhe votos de bons negócios. Até porque seus “bons negócios” geram bons negócios pra mim! Sucesso! Até logo.
G: A..a..até logo Sr. Cliente. Obrigado pela atenção.

Que tal? Você já recebeu ligações assim? Pois é, um excelente negócio não é mesmo? Você pega o seu dinheiro emprestado e ainda paga por isso? Não sabia disso? Acorde, isso é um banco. Entendeu porque educação financeira é importante e influencia diretamente seu fluxo de caixa? “Ah Navarro, é ruim de eu cair num golpe desses”. Golpe? Difícil? Então tá legal. Eu finjo que acredito e você finje que me engana. Ou você não acredita que as pessoas muitas vezes preferem pegar “emprestado” um dinheiro a mexer na “sagrada poupança” do filho? São milhões e milhões de brasileiros fazendo isso todo mês, todo ano, acredite!

Você tem alguma história similar para contar? Quer dar seu depoimento e deixar registrado algum episódio que o fez sentir-se um verdadeiro idiota? Mande seu testemunho para mim. Que tal alertar pessoas que, como você, também já foram vítimas das “boas intenções” deste pessoal? Dirija sua mensagem para navarro@dinheirama.com e passe adiante esta mensagem. Ah, e se o telefone tocar, esteja preparado. Outra coisa, de boas intenções o inferno está cheio né?

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

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  • Link Curto: http://bit.ly/A1Nh3R
  • Tiuson

    Navarro
    Acredito que pra este post todos tenham uma história pra contar (poucos é que terão coragem/estômago para admitir e escrever aqui).
    Antes de começar a minha, gostaria de esclarecer que relacionar com banco pra mim está entre os maiores sacrifícios que tenho a fazer (seja pessoalmente indo à agência ou pelo telefone para descartar “produtos fantásticos” e cartões de crédito), sendo assim, costumo ir ao banco somente pra sacar dinheiro (sempre no auto-atendimento) e – uma vez a cada 5 anos aproximadamente – pra retirar outro cartão (disto não tenho como escapar).
    Infelizmente no ano passado precisei dirigir-me àquele banco que cuida (do seu e do meu) FGTS pra sacar esta grana a que tinha direito. E, já adivinhou, né ? A gerente dificultou de todas as formas a retirada, oferecendo 1001 produtos, parecendo que eu estava retirando o dinheiro dela e não o meu.
    Resultado: A única salvação que encontrei para que ela pudesse fazer meu DOC e eu não precisasse mais voltar àquele inferno foi aceitar um título de capitalização que por sinal, me foi vendido com informações incorretas sobre a valorização do mesmo – como é de praxe.
    Este ano, precisei retirar o resto que sobrou do caso acima e que estava aplicado em ações da Vale em outro banco. Neste, o problema foi outro: a fila de espera pra ser atendido. Sempre tinha uma “atendente” querendo vender uma daquelas 120 razões para que eu deixasse meus parcos ganhos em Previdência Privada, Seguro de Vida e outros produtos bastante rentáveis (para o banco). Mas desta vez consegui resistir aos “ataques” sem ser atingido. Ouso dizer que foi um ato de bravura digno de condecoração.
    Espero que agora possa ter tranqüilidade pelos próximos 5 anos (pensando bem, pelo cartão aqui, só mais 2) sem me encontrar pessoalmente com estas pessoas generosas que querem apenas vender-me o paraíso.

  • Carmen

    Oi Navarro, que coisa chata, eu estava achando o meu gerente tão bonzinho por ter me ligado oferecendo exatamente um empréstimo a 1,4% ao mês sem “precisar me descapitalizar” que estava até indo hoje lá na ag6encia, coisa que nunca faço, para a agradecer pela atenção da ligação dele e agora vem você, com esse abuso de conhecimento, me tirar a ilusão…
    Mas o fato é que estamos tão carentes neste país, onde os políticos e seus cupinchas vendem a dignidade em pacotes promocionais que agregam a impunidade como acessório indispensável, que nos sentimos importantes quando alguem nos toma por tolos e idiotas.
    Coitado do meu gerente, ter que pagar um “mico” desses deve ser uma coisa triste.
    - Ô seu gerente, da próxima vez faça como aquele bandido que, ao tentar extorquir uma analfabeta, percebendo que a pobre não tinha nem um tostão para pagar o “resgate” do filho supostamente sequestrado, acabou a ligação consolando a pobre mãe e ainda pedindo a ela que rezasse por ele, já que ela estava limpando a Igreja.
    Pense nisso e termine sua ligação pedindo desculpa por ter que fazer esse papel ridículo. Assim você estará executando seu trabalho e poupando o cliente de sentir mais vergonha por viver num país tão miserável, governado, mandado e desmandado por essa gente corrupta e indecente.
    Parabéns Navarro. Isso acontece principalmente quando a gente não confia que nossos filhos sejam capazes de fazerem por sí e mantemos a tal poupaça para o rebento, mesmo que fiquemos arrebentados.
    P.S. Não é o meu caso, que meus filhos são talentosos e prudutivos.

  • fernanda

    Hum… tem duas coisas que me envergonho de ainda não ter conseguido fazer:
    - Não pagar a anuidade do cartão.
    - Não discutir a diminuição de tarifas junto ao banco (apesar de sempre manter o pacote mais enxuto, mesmo quando oferecem outro “melhor”).

    Agora, pelo jeito que narrou o Tiuson, eu vou me incomodar muito quando for resgatar meu fgts daqui uns dois anos…

    Sugestão de pauta – pros e contras e cuidados de uma conta conjunta.

  • http://wttp//:www.blogboombust.com Waner Fontoura

    Vou começar uma campanha para que vc tenha um quadro no Fantástico igual ao do Dr. Dráuzio Varella… seria muito bom ter esse nível de instrução em rede nacional – é sério!

    É mesmo um contra-senso os (des)serviços que os bancos nos prestam com essas estratégias de fazer dois furinhos na jugular dos pobres incautos (nós) e sugar o sangue (e o dinheiro) dos infelizes! Estaca no coração, alho, crucifixo e Conrado Navarro neles – rs! E quem de nós não tem histórias assim pra contar?

    Parabéns e obrigado pela prestação de serviços de verdade aqui no Dinheirama (quando eu crescer quero ser igualzinho a você). Grande abraço, companheiro! Sucesso!

  • http://valeriofarias.wordpress.com/ Valério Farias

    Tudo bem Navarro,

    Aqui em casa, minha mãe recebeu um telefonema de um gerente jogando o papo de que ela era uma das escolhidas do banco para receber sugestões de aplicações devido o bom desempenho da conta e etc.

    O problema foi o que ele ofereceu (Título de Capitalização) onde o dinheiro de minha mãe ficaria prezo por pelo menos 3 anos, com o risco no final de receber menos do que o que foi investido.

    A sorte é que eu falei pra ela que quando o telefonema fosse sobre finanças bancárias passasse pra mim que eu resolveria.

    Ela passou e eu falei que não estava interessado no produto e perguntei sobre algum produto que ele estivesse usando. Foi aí que apareceu as propostas mais interessantes como o fundo de ações da vale do rio doce. Mas mesmo assim recusei, pois decidi primeiro investir em conhecimento para fazer minhas escolhas com consciência e na medida do possível sem precisar confiar em fundos que as vezes os gastos passam de 2%.

    O detalhe final é muito interessante: Esse gerente era amigo da família a mais de 10anos e mesmo assim nos ofereceu um pacote que seria altamente lucrativo para o banco e péssimo para nós.

    Conclusão: duvide, duvide, duvide sempre. Quando o gerente está oferecendo produtos ele não está exercendo o papel de amigo e sim de representante do dono do banco. As vezes ele poderá ser flexível a ponto de oferecer opções úteis para você mas na dúvida o melhor é recusar.

    Um abraço a todos.

  • http://valeriofarias.wordpress.com/ Valério Farias

    Ôpa Navarro,

    Recebi ontem um telefonema mostrando as vantagens de um seguro de vida, em que não iria interferir nas outras aplicações financeiras que eu estivesse fazendo, etc, etc.

    Ela usa uma estratégia de associar a imagem familiar ao produto:

    “você gostaria de agendar pra que mês ser descontado o primeiro pagamento, para garantir a segurança dos seus familiares que com certeza são muito importantes na sua vida. ”

    Eu simplesmente falei pra ela que eu não estava interessado no produto, o que não significa de forma alguma que eu não me preocupe com minha família.

    Um simples investimento em renda fixa como CDB e Títulos do Tesouro Direto se for bem Gerenciado, creio que seja muito mais interessante para a saúde geral da família do que fazer um seguro de vida que estará tirando dinheiro do meu bolso no curto prazo, e financiando a saúde da família inteira do dono do plano.

    Navarro se possível fale em algum post futuro sobre seguro de vida, mostrando seus pontos positivos e negativos. Falei aqui mais pelo meu perfil de investidor no qual o seguro de vida não se encaixa, mas não tenho nível de detalhes para dizer até que ponto é bom ou ruim.

    Um abraço a todos.

  • http://naotenho Carlos Roberto Silva

    Sou bancario. Nao sou gerente.Os bancos sempre existirao quer queiramos ou nao. Ao contrario de muitos gerentes ofereco produtos que SEI QUE O CLIENTE VAI GANHAR COM ISSO e nao os especificos para cumprir metas.

    Apliquei na Vale do Rio Doce R$1.200,00 e por 04 anos esse valor se transformou em R$ 9.600,00. Em conta poupanca ou outras aplicacoes dariam no maximo uns 4.000,00. A Vale já é uma das mais importantes siderugica do mundo.

    Nao se pode usar, no momento, o FGTS mas em dinheiro vivo a partir de 100,00 reias qualquer pessoa pode aplicar na Vale.

    O que eu ganho com isso ? Simplismente provar que somente criticar nao resolve tudo mas propor soiucoes e dar opcoes eh melhor ainda.

    DICA: Se você tiver a partir de 100 reais para aplicar e NAO FIZER ESTA PERDENDO DINHEIRO! Nao se preocupe que nao vou dizer para voce ir ao banco A ou B.

    O que vc precisa saber é : MESMO QUE O GERENTE TENTE LHE OFERECER OUTRO PRODUTO DIGA COM FIRMEZA QUE VOCE QUE APLICAR SOMENTE NA VALE.

    Obs: O dinheiro tem LIQUIDEZ IMEDIATA( ele NAO VAI FICAR PRESO) o prazo maximo para vc sacar eh de apenas 05 (cinco) dias úteis.

    Outra dica: NAO SE PREOCUPE se disserem que as acoes da Vale caira. O MERCADO QUER QUE VC TIRE O DINHEIRO DE LA PARA QUE APLIQUE EM OUTRAS COISAS do INTERESSE DELES.

    Espero que tenha ajudado em algum esclarecimento

    e-mail:hot.silver@hotmail.com

  • Cláudio

    Peço um pouco de atenção.
    Capital de Terceiro é mais barato do que Capital Próprio, claro, em raros os casos.

    Exemplo:
    Quem vai iniciar um empreendimento e possui rendimento de 0,8% líquido (ex. CDB negociado) e pega empréstimo à 1,2%, vale a pena refletir pois pode não tratar-se de abuso. Para isto, vale calcular o tempo de retorno do investimento/empreendimento e o prazo do empréstimo e comparar com a possibilidade de juntar dinheiro e começar seu empreendimento com 100% recursos próprios, muita das vezes ficando depois sem capital de giro.
    Acredito que nem sempre é de todo mal esta “oferta” do gerente visto que temos uma “carta na manga” para barganhar juros menores, se isto vai ser bom ou não, vai depender da finalidade deste recurso.

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