Vários leitores chegam até o Dinheirama buscando maiores detalhes das modalidades existentes de previdência privada, fomentando dúvidas e comentários sobre a dupla PGBL e VGBL. No começo de abril, publiquei um artigo sobre o PGBL. Agora é a vez de explorar um pouco o universo e as características do VGBL. A análise não trará nenhuma receita para que você possa encantar-se por um ou por outro. Sabendo diferenciá-los, sua decisão terá fundamento e isso basta para um futuro mais tranquilo. A propósito, VGBL significa Vida Gerador de Benefício Livre.
Você precisa de previdência privada? Essa é uma pergunta importante e que requer reflexão. Previdência é sinônimo de tranquilidade no longuíssimo prazo, portanto não pense que ela vai deixá-lo rico ou transformar seu patrimônio. Este parágrafo é parecidíssimo com o do artigo sobre PGBL. É quase uma cópia e isso tem uma explicação: decida-se por um plano, deste ou daquele tipo, sabendo o que ele pode lhe oferecer. Tome cuidado com suas expectativas. Fica a frase do amigo e leitor Eduardo: “Previdência privada é uma forma de acumulação de capital para o longo prazo (10 - 20 anos)”.
Por que optar por um VGBL? Qual a principal diferença em relação ao PGBL?
No plano VGBL não há possibilidade de dedução do Imposto de Renda, o que o torna uma opção interessante, e mais indicada, para as pessoas físicas que fazem a declaração simplificada do IR. Profissionais autônomos normalmente preferem este modelo. Algumas particularidades também costumam atrair clientes ao VGBL:
- Os recursos disponíveis em um plano VGBL não são contabilizados em inventários (caso de herança), o que permite que os honorários pagos aos advogados sejam menores, uma vez que estes profissionais cobram uma porcentagem da herança como honorário.
- Aplicações em VGBL são impenhoráveis. Isso significa que estes recursos não podem ser bloqueados automaticamente pela Justiça.
Como fica a questão do Imposto de Renda no caso do VGBL?
Neste tipo de plano, a tributação do IR incide apenas sobre os rendimentos obtidos no período de aplicações e acontece no momento do recebimento dos benefícios. Ou seja, não há tributação durante o período de acumulação. Esta é a principal diferença para o PGBL.
Posso transferir meu dinheiro para outra instituição?
Sim, desde que os planos tenham características similares.
Notei que o banco quer cobrar uma taxa de administração muito alta (mais de 5%). Isso pode ser negociado? Que cuidados devo tomar com estas taxas bancárias?
Tome todos os cuidados possíveis. Comece por questionar todas as taxas envolvidas e peça que o banco explique as razões para valores desta dimensão. Questione. Atente para o fato de que as taxas são negociáveis, informação esta que quase nenhuma instituição faz questão de comunicar. Além da taxa de administração, ainda existe a taxa de carregamento, que é cobrada a cada depósito. Procure por produtos que tenham taxas atraentes e aprenda a inclui-las em suas contas.
O mercado cobra, em média, 4% de taxa de administração (anual) e 3% de taxa de carregamento (em cada depósito). Pode parecer pouco, mas lembre-se que estamos falando de 20, 30 anos. Acredite, isso pode fazer a diferença. Mais do que isso, o resultado final pode decepcioná-lo. Não há garantia de rentabilidade, mas as taxas serão certamente cobradas. Sempre. Alguns planos oferecem taxas de administração que podem reduzir ao longo dos anos. Atenção redobrada nestes casos. Estes produtos normalmente cobram taxas de administração muito mais altas no início e taxas de carregamento mais altas que as do mercado.
Há algum risco neste tipo de plano?
Um plano de previdência oferece dois riscos básicos, independente se na modalidade PGBL ou VGBL. O primeiro risco diz respeito à solidez da seguradora. Se ela quebrar, você pode demorar um pouco até que possa colocar a mão em sua aposentadoria. Há a possibilidade de, nem com a ajuda da Justiça, conseguir seu dinheiro de volta. Então lembre-se de que é possível transferir de uma operadora para outra, e a qualquer momento, desde que os planos sejam similares.
O segundo risco nos leva ao inesperado. Se você morrer enquanto acumula capital, seus beneficiários receberão o saldo acumulado, depois de descontados os impostos. Se você morrer enquanto já desfruta do benefício, são dois os cenários possíveis:
- Se a opção no plano for por renda vitalícia, seus beneficiários não colocam a mão no dinheiro. Isso porque o plano foi calculado com base na sua expectativa de vida, quando da assinatura do contrato. Morreu, o contrato se encerra.
- Se a opção no plano for por renda dentro de um período determinado, seus beneficiários receberão o dinheiro até o que prazo contratado termine. Eles também podém sacar o valor de uma só vez, sempre descontando os impostos.
Com mais este artigo, você tem mais subsídio e conhecimento para decidir-se. Lembre-se do fator racional antes de assinar qualquer contrato deste tipo. Muitas vezes o banco apela e faz uso de armadilhas emocionais que podem induzi-lo a assinar um plano sem nem conhecê-lo em detalhes. Nem preciso dizer quem é o grande “beneficiário” neste caso, certo? Conte comigo e tenha uma boa aposentadoria.


















Conrado, mesmo possuindo um plano de previdência privada, acho que devemos analisar bem antes de adquirirmos um. Ou pelo menos devemos calcular se não existem possibilidades mais atraentes de investimento para a aposentadoria.
Digo baseado em dois aspectos.
Primeiro a rentabilidade de um plano de previdencia é pequena comparada a outros investimentos. Segundo, a taxa de carregamento, na maioria dos casos, é abusiva !
Calculando, podemos concluir que a rentabilidade de um plano acaba sendo muito ruim.
Se o indivíduo possui uma certa disciplina, acredito que a compra de uma empresa de primeira linha no mercado, pode se tornar mais atraente. Além da rentabilidade superior (no longo prazo) o investidor ainda pode se beneficiar com os dividendos, juros sobre capital, etc.
Vale a pena pensar nisso.
Abs
CHRistian
poxa, vi o post ontem e quando eu entrei ach oque você tirou ele do ar ehehhe vou ler agora…
[...] conhecer mais sobre os tipos de planos de previdência disponíveis no Brasil? Acesse o artigo sobre VGBL ou sobre [...]
Eu sou um analfabeto financeiro. Para mim, só existe renda fixa e poupança. Sou completamente avesso a risco, mais do que a máxima tempo é dinheiro, acredito que dinheiro é tempo, e o tempo é o bem mais escasso do mundo, portanto não posso arriscá-lo. Dito isso, só vejo restrições nesses planos de previdência. Tenho bastante disciplina. Se eu programar depósitos mensais equivalentes ao gasto no plano num fundo de renda fixa, por exemplo, revendo periodicamente os investimentos, não acaba dando na mesma? No final de 30 anos eu vou ter um principal do qual posso obter os rendimentos. Não estou preso a contrato longo e a liquidez é maior, se acontecer uma tragédia. Os ganhos dos planos de previdência são muito maiores?
Afinal, qual a vantagem? Será que não é só para quem não tem disciplina?
Sou aposentada por invalidez, pelo INSS, por motivo de doença grave (neoplasia). Sou isenta de pagar IR sobre a minha aposentaria do INSS. Atualmente, pago uma aposentadoria complementar particular, a qual vou receber daqui há alguns anos.
Quero saber se, quando eu for retirar estes depósitos eu também serei isenta do pagamento do IR? Como e onde poderei receber melhores esclarecimentos?
Obrigada,
Marta, se não me engano os rendimentos com previdência privada NÃO estão isentos de recolhimento de IR. Acho que o imposto é recolhido diretamente na fonte. Entre em contato com seu banco para ter maiores informações. Tente receber essa informação por escrito…
Fiz uma aplicação em VGBL há dois anos atrás, com juros variando entre 1,28% ao mês, achei lucrativo, a partir de junho de 2007 o juros começou a cair e está igual os juros da poupança, descontando os 15% que terei que pagar de imposto de renda, a renda está menor do que se o dinheiro estivesse na poupança,seria aconselhável retirar deste investimento e voltar para a poupança ou aguardar mais um pouco para ver se o juros volte a subir?
eu tinha uma poupança achei que nao estava rendendo nada optei por entrar nessa de VGBL -CDI (Previdencia Privada) hj tenho mais dinheiro so que os lucros menor do que a poupança me arrependi no fundo da alma pensei que fosse so eu que tivesse a sensaçao de estar lucrando menos sera que compensa voltar para poupanca O QUE FAZER ?????
[...] Previdência Privada (PGBL ou VGBL): contribuições mensais que, em prazo estipulado, renderão em fundos de diversificadas estratégias. O PGBL ainda oferece possibilidade de abatimento na declaração do IR (até 12%) sobre o total de sua renda bruta. Se você faz a declaração anual de IR, do modelo completo, pode ser uma boa opção. O Dinheirama tem um artigo sobre PGBL e outro sobre VGBL. [...]
Para quem um dia pssar pelo Blog. Recentemente fiz uma simuação numa planilha de um fundo de renda fixa desses de baixo aporte (R$ 200 reais por aplicação) e que (infelizmente) normalmente tem taxa de administração alta (4,5% no caso). Foram 360 aportes (30 anos). Tenho aplicado as rentabilidades desse fundo durante os 3 últimos anos.
Em outra planilha, fiz os aportes a um plano de previdência durante 30 anos (360 aportes), descontando as taxas de carregamento e também usando as rentabilidades dos últimos 3 anos também.
Ao final, apurei os montantes acumulados e fiz os devidos descontos de imposto sobre a rentabilidade e, no caso do VGBL, ainda a questão do IR, pois aquilo na hora da retirada fica constando como renda sua e deve ser declarado na DIRPF posterior para ajuste.
Mesmo havendo desconto de 27,5% na DIRPF posterior ao ano do saque, o montante acumulado via o plano de previdência foi maior. Basicamente por dois motivos:
a) IR sobre rentabilidade que cai para 10% depois de 10 anos de formação do fundo (em relação aos aportes mais antigos).
b) O fundo ao qual os aportes ao VGBL foram feitos tinham uma parte lastreada em mercado de ações (20%), com a boa performance desse setor nos últimos 3 anos acabou influenciando bem a rentabilidade anual do VGBL.
Enfim, seria muito interessante que alguém de dispusesse a fazer estudo semelhante, pois posso ter falhado em algo.
Fundo conservador(renda fixa)
Fundo moderado(composto)
Fundo agressivo( açoes)
Pelo que andei lendo, saiu no prejuizo quem deixou o Plano aplicado em fundo conservador e saiu lucrando quem optou por aplicar em fundo moderado e agressivo.
Ola, gostaria de saber se o imposto de renda que vou pagar quando eu retirar o dinheiro aplicado em VGBL é de todo o dinheiro ou só do que ele rendeu?
No banco dizem que é só do rendimento e o contador onde fiz a decleração do imposto de renda diz que quando eu retirar o dinheiro vou pagar imposto do rendimento e tambem do que eu tinha quando apliquei,sendo que esse dinheiro já era meu e estava na poupança. Porque tenho que pagar de novo sendo que eu já tinha. Então seria melhor ter deixado na poupança.
Junio, você vai pagar:
a) IR sobre rendimento como um fundo qualquer.
b) E quando começar a sacar, na declaração de imposto de renda posterior vai ter que declarar também que aquele saque, no ano, fez parte da sua renda. O programa da declaração irá calcular o imposto a pagar somando este saque com outra fonte de renda (outra previdência).
Portanto, se você continuar na tabela de isenção de IR, então em tese, a tributação é só no rendimento mesmo.
Mas se você por exemplo, já tem uma renda X que vem do INSS ou outro plano de previdência, os recebimentos desse outro plano de previdência vão pesar e provavelmente te jogarão para dentro da tabela onde há sim incidência de IR.
Como o ajuste do IR é a posteriori, talvez você consiga minimizar a incidência do IR com as deduções (velhice = despesas médicas, filhos na faculdade, etc.).
Concordo que fica parecendo bi-tributação mesmo. Por isso quem acha que vai ter renda razoável na velhice e sempre entrar na tabela onde há cobrança de IR sobre as rendas recebidas durante o ano, vai ter que fazer um PGBL mesmo, para ao menos postergar a tributação. Se você tiver certeza que não vai entrar com tudo na faixa de recolhimento do IR, vai tranquilo.
Ao meu ver, o VGBL portanto fica mais para quem vai receber, em valores atuais, uns 2 a 3 mil reais por mês, isso já somado com qualquer outra previdência/fonte de renda. Mais que isso é sensato migrar para PGBL logo.
*****DICA PERIGOSA*****
PS: existe uma outra possibilidade de interesse pelo VGBL. O fulano saca a grana, e como o pagamento do IR sobre a percepção da renda é a posteriori (só na declaração seguinte essa renda é declarada e calcula-se o imposto a pagar) poderia, em tese, fugir do país com o dinheiro sem recolher esse imposto.
Boa Tarde,
Estou adotando um plano de previdência pravada VGBL, entrei em contato com a instituição ( Prudential ) onde eles propoem um seguro de vida muito mais rentavel e sem dedução de impostos e carregamentos como no VGBL. Qual a melhor opção adotar este seguro de vida da Prudential onde os mesmos aplicam em titulos do governo a longo prazo ou na previdencia privada. Obrigado!!!!
Muito interessante esta interação que o site proporciona!
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