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A Selic caiu! O preço das coisas não! Ué?!

13comentários

Juros e TaxasCecília comenta: “Navarro, estou intrigada e curiosa para saber qual será o reflexo da queda da Selic ocorrida nesta semana. Muito se fala nos jornais, na televisão sobre a melhora para o país, mas sinto que no bolso dos consumidores essa queda não tem efeito nenhum. Estou certa? Qual o panorama neste sentido? Podemos esperar que a redução facilite nossa vida nos empréstimos, nos preços de produtos e no dia-a-dia do comércio? Aproveito para parabenizá-lo pelo blog. Sua didática e credibilidade dão aos leitores uma referência. Sua disponibilidade nos tranquiliza. Que o projeto viva por muito tempo”.

Oi Cecília. Uau, adorei seu comentário, a lógica de seu raciocínio e as palavras de apoio e reconhecimento. Fico feliz em poder colaborar e trabalho para que o projeto dure bastante. A taxa Selic é um assunto muito interessante e que costuma gerar deliciosos debates. Apresentarei algumas estatísticas de uma recente pesquisa, que seguramente facilitarão o entendimento deste ponto. Antes, vou comentar um pouco sobre o significado da Selic e sobre seu atual patamar. Muita gente não sabe o que é a Selic e qual seu valor atual. É verdade. Que tal mudar este cenário?

SELIC é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, SELIC é um sistema eletrônico que permite a atualização diária de diversos investimentos de bancos e instituições financeiras, possibilitando maior transparência e controle sobre as reservas. No uso mais comum, a Selic representa a taxa de juros usada na remuneração dos Títulos Federais (Tesouro Direto por exemplo), podendo ser usada também como base para os juros praticados pelo mercado. Por isso o nome de taxa básica de juros.

Mas você sabe por que ter a Selic mais baixa é interessante para o país? É simples. Quando os juros caem, há um natural desinteresse dos investidores pelos Títulos Públicos, fazendo com que o dinheiro, que seria usado para estes papéis, passe a ser usado no mercado financeiro e em outras aplicações de maior rentabilidade. Isso cria uma mudança sadia no fluxo de capital (dinheiro) e mais empresários conseguem abrir empresas e estas suas empresas conseguem captar mais dinheiro, de forma mais fácil e mais barata.

Você não percebe que países desenvolvidos possuem um forte e atuante mercado de ações? Nestes países, onde a taxa básica de juros é baixa, a população precisa buscar aplicações rentáveis e, por isso, investir em ações é um ato quase que cotidiano. As empresas beneficiadas por este dinheiro conseguem crescer mais, gerar mais empregos, fortalecer as exportações etc. É um círculo virtuoso. É bom lembrar que maior retorno também significa maior risco. As ações são importantes para o país, mas é preciso ficar de olho aberto! Disciplina e um bom sistema de investimento são fundamentais!

Pois é, Selic baixa é bom! A propósito, a taxa Selic atual é de 12%. É importante notar que em setembro de 2005 a Selic era de 19,75%. Em janeiro de 2006 ela era de 17,25%. A queda vem acontecendo de forma consistente e metódica, isso é fato, mas ainda não estamos prontos para a verdadeira comemoração. E me arrisco a comentar as razões:

1) O país caminha rapidamente para o investment grade, que é uma forma internacional de reconhecer o país como bom pagador de suas dívidas e como um país que honra seus compromissos, sejam eles nacionais ou internacionais. É um rótulo importante e que atrai muito capital estrangeiro, e de forma constante. No entanto, ainda não temos tal reconhecimento. A previsão é que ele chegue em 2008 ou 2009.

2) Ainda somos o país com maior taxa real de juros. A taxa real (descontada a inflação) projetada para os próximos 12 meses é de 8,3% ao ano. Em segundo lugar vem a Turquia (7,6%), seguida de Israel(5,2%), Austrália (3,9%) e China (3,6%). Isso significa que o país ainda é “caro” para seus habitantes e investidores.

3) Ainda não se vê o efeito total da queda da Selic, especialmente no bolso do pequeno investidor e da população de baixa renda. Segundo um estudo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), a taxa média de juros cobrada da pessoa física é de 134,48% ao ano. Isso dá uma diferença de mais de 900% em relação aos antigos 12,5% da Selic. Agora com a Selic em 12%, a média estimada deve cair para 133,44% ao ano, uma queda de pouco mais de um ponto percentual. Ou seja, é pouco, muito pouco. O colega Lúcio Costi Ribeiro já havia chamado a atenção para este ponto.

4) O spread bancário, diferença entre a taxa que o banco obtém dinheiro e a taxa que ele cobra ao emprestar, ainda é muito alto. Os bancos conseguem taxas cada vez mais baixas, tanto aqui quanto lá fora, mas não repassam o reajuste ao cliente que faz uso do empréstimo.

Sem dúvida, a queda na Selic é boa para o país e para seus fundamentos econômicos. A idéia por trás do movimento é muito inteligente, mas a onda de efeitos pode demorar a chegar. Apenas para efeitos de ilustração, veja algumas taxas de juros atualmente cobradas no Brasil: Financeiras cobram, em média, 265,28% ao ano. Cartão de Crédito, 222,86% ao ano. Cheque especial, 145,73% ao ano. Taxa para empréstimo à pessoa jurídica, 62,52% ao ano. CDC bancário, 44,75%. A Selic, repetindo, está em 12% ao ano.

A balança é frágil e também não se pode derrubar de uma vez a taxa Selic e os juros dela dependentes. Isso geraria uma onda de consumo que elevaria rapidamente nossa inflação. Como assim? Com os preços mais baixos e o crédito mais fácil, a população sairia às compras em ritmo frenético. Os comerciantes, claro, subiriam seus preços. Simples assim. A Selic deve continuar baixando, talvez em ritmo mais lento daqui pra frente. Não importa. No momento, vale aprender o que ela é capaz de fazer.

Espero que o artigo tenha esclarecido as dúvidas sobre a Selic e seus efeitos no país. Que tal Cecília? O Brasil é um país de regras fiscais e econômicas complexas, portanto se ficar rico já é difícil, aqui a coisa fica ainda pior. Portanto, aproveite cada oportunidade de entender o básico da economia e de suas armadilhas. Até a próxima.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

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  • http://www.fatorw.com Walmar Andrade

    Excelente artigo Navarro, bastante didático sobre a Selic. Agora a Cecília não deve esperar redução tão cedo… o dólar mesmo está baixíssimo e não vemos os preços dos produtos caírem. Quando aumenta o dólar não é bem assim…

  • http://blogboombust.blogspot.com Wagner Fontoura

    Olá Conrado,
    Mais claro e didático impossível. Parabéns e obrigado!
    Grande abraço,
    Wagner Fontoura
    BOOMBUST

  • Diego

    Nossa, ótima explicação
    Já recomendei o blog para alguns amigos

    Parabéns

    Diego

  • http://www.webnatal.com/blog Yalli Oliveira

    Há tempos que estava querendo saber o real significa da Silic. Realmente foi uma boa aula… obrigado mais uma vez por passar esses maravilhosos ensinamentos para a comunidade virtual.

    Abraços

  • http://reinehr.org Rafael Reinehr

    Direto ao ponto. Preciso e didático. Gostei muito e virei “explorar-te” nos próximos dias. Tenho uns trocos sobrando e quero ver onde “pulverizo” eles…

  • http://www.agenciadoradio.com.br/dinheiroempauta Lúcio Costi Ribeiro

    Excelente a desmistificação que fizeste da Selic, Navarro! E obrigado pela citação!!!

  • Marcelo

    A história do castelo de cartas (no link “ficar de olho aberto”) é assustador. Mostra que bolsa não é pra qualquer um. Navarro, se a perda é mesmo inevitável, o melhor conselho para o leigo não seria se afastar da bolsa o quanto mais puder? Abraço.

  • http://www.letrademedico.com.br Eduardo Oliveira

    Grande artigo!!! Uma queda brusca da Selic é realmente muito perigosa para a economia. Pode afastar os investidores de títulos públicos brasileiros que ainda hoje são fundamentais para que o governo feche suas contas. Mesmo com superávit primário, apresentamos déficit operacional, ou seja, arrecadamos mais do que gastamos mas precisamos pegar dinheiro emprestado para pagar os juros do dinheiro que pegamos emprestado antes. Isso só vai acabar quando o governo resolver realmente economizar o que parece ser o oposto do que está ocorrendo agora. Vamos torcer para que um dia essa bola de neve pare de crescer.

  • http://www.livrosif.com Cristian Weiser

    Só uma pimentinha extra para alegrar nossa rebeldia contra os incorretos que governam este país:

    Voces notaram que a Selic caiu, o preço dos produtos não e pior, os rendimentos bancarios baseados em taxas de juros pre-fixadas (selic dentre outros indicies) cairam pra valer.

    =[ Brasil !

  • kelly

    oi…entrei por acaso nesse site e me interessei..preciso fazer um trabalho de economia…e tenho varias duvidas.. oou melhor nao consigo fazer uma analise…
    quero saber mais…
    taxa de selix baixa reduz juros….. esse tema é do meu trabalho.,.. me ajude como faço???
    obrigada

  • VANESSA SANTOS

    A inflação brasileira esta em alta, devendo fechar aproximadamente em que percentual(%) ao ano pelo indice do IPCA???????

  • Alexsandro Kuhn Gonçalves

    A inflação brasileira esta em alta, devendo fechar aproximadamente em que percentual(%) ao ano pelo indice do IPCA???????

  • waldivino

    oi, gostaria de saber sobre selic, ja que os saites q eu pesquisei fala de uma taxa onde eu nao entendo nada, o q é exatamente esta taxa

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Quem já falou do Dinheirama?

Conheci o Dinheirama justamente numa fase "transitória" de minha vida... num momento onde estou em processo de total metamorfose e mudança de frequência mental. O Dinheirama está sendo pra mim uma carta de frequências, ajudando a sintonizar minha mente onde ela nunca esteve, no oceano de conhecimento da Educação Financeira, mar que nunca tive oportunidade de navegar no sistema educacional tradicional. Só devo agradecer!

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