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Sua formação faz mesmo diferença?

13comentários

Difícil - CuidadoAna comenta: “Navarro, tenho aprendido muito com seu blog e isso me faz levantar uma questão importante. Será que não falta no Brasil melhor formação em finanças para todas as classes, idades e pessoas? Não tive a oportunidade de entender coisas simples sobre dinheiro nem quando estive na faculdade e penso que isso é um grande erro de nossas instituições. Deveriam existir mais Navarros por ai e enquanto isso não acontece, como fazemos? Gostaria muito de saber sua opinião sobre isso”.

Ana, quero agradecer pelas palavras de apoio e tranquilizá-la de que, enquanto existirem leitoras(es) interessados em aprender e ensinar (como você), sempre haverá um Navarro disposto a facilitar esse fluxo de informação e conhecimento. Porque é isso que eu sou, um facilitador. Nada mais. E que assunto polêmico esse que vamos discutir hein? Na semana passada recebi um convite muito interessante do Cadu para falar sobre minha formação e experiência de vida como profissional e ele será a base para minhas opiniões de hoje. Cadu, espero que também goste do artigo.

Um dos problemas
Sabemos que a educação deste país carece de um momento de sensatez e de verdadeira sobriedade. Valores muito importantes têm sido consistentemente invertidos ao oferecermos ensino público superior de altíssimo nível sem que a mesma dedicação e atenção sejam dadas ao ensino fundamental. Temos ótimas universidades públicas que infelizmente não estão sendo ocupadas por quem realmente precisa delas. Estudantes de federais, isso não é uma crítica. É a realidade do país. Enfim, isso é um assunto para o Cláudio de Moura Castro e seus brilhantes colegas.

Em geral a formação não é ruim. Mas também não é acessível, nem completa.
Você provavelmente teve, tem ou terá a chance de cursar uma faculdade, ainda que com muito custo. Parabéns. Mas não se acomode ou pense que seu diploma vai colocá-lo no mercado como um talento, garantindo seu lugar ao sol. Com um diploma você é um profissional, mas não o melhor profissional. E a diferença está em quanto tempo, dinheiro e esforço você vai dedicar para aprender mais, especialmente sobre aquilo em que reconhece ser fraco e inapto.

Diferente do que você e a maioria pensam, vagas para pessoas qualificadas simplesmente não são preenchidas na maioria das empresas e concursos. A reação de todos normalmente é a de culpar o “sistema”, a falta de oportunidades para estudar e a pouca renda. Tudo bem, o Brasil não é o melhor país do mundo para estudar ou trabalhar. No entanto, o espaço que você vai ocupar no mercado de trabalho não é determinado apenas pelas condições do país, mas em grande parte por sua intenção em preenchê-lo. É o auto-engano definido muito bem pelo economista Eduardo Gianetti.

Quando o assunto é economia financeira, ai danou-se!
Triste realidade. Você foi treinado (sim, eu quis passar uma “conotação canina”) para competir e vencer. Mas você não tem a mínima idéia do que seja vencer (admita), apesar de saber muito bem o que competir significa. Claro, como foi treinado, não consegue se livrar das missões ensinadas na época de escola e(ou) universidade. E isso significa defender velhos hábitos como se fossem as práticas atuais mais inteligentes. No fundo isso significa admitir que você é fraco e que não está pronto para mudar, reinventar-se, aprender a transformar informação em conhecimento.

Sem isso, a educação financeira vai continuar sendo um tabu em sua vida. Um tabu idiota, arrisco-me a dizer. Não pense que comigo foi diferente. Frequentei as mesmas escolas e universidades que você, mas aprendi em casa e no convívio diário com colegas que, se estou sendo preparado (notaram a diferença?) para vencer, preciso investir energia para estar preparado também para lidar com o sucesso que tanto nos acostumamos a perseguir.

Dinheiro é consequência da busca pelo melhor. Afinal, tempo não é dinheiro? Quem, além de sua família, lhe ensinou a lidar com dinheiro? É meu amigo, esse é um problema generalizado, pra não dizer emblemático e epidemiológico. É triste saber que ninguém mais se preocupa com sua capacidade de investir e de criar patrimônio. Mas deveriam eles se preocupar? Onde deve começar o ciclo?

Quando realmente caiu a ficha?
Fiz uma pergunta muito simples aos meus pais ainda nos primeiros anos de faculdade: “Estudei sempre em colégio particular, universidade paga, mas isso é justo? Por que investir tanto quando existem possibilidades mais baratas e de qualidade semelhante”? A resposta foi o pontapé para o sentimento de zêlo e humildade que hoje carrego: “Acostume-se com o que há de melhor e vai entender que para que possa usufruir sempre do bom, terá que primeiro aprender a conquistá-lo e a multiplicá-lo, corre o risco de seu amanhã ser pior que o seu agora. Eu não quero agradá-lo, você estuda onde estuda porque quero que seja o melhor no que faz. Um dia vai entender que não há dinheiro nenhum no mundo que pague por esse sentimento de cidadão formado e preparado para a vida”.

Foi a lição mais profunda de auto-estima que já recebi em minha vida. E também de inteligência emocional. E é aqui que queria realmente chegar. Sou analista de sistemas por formação (quem diria hein!?). Consultor, amigo e feliz por opção. Estudei bits e bytes, banco de dados, programação. Fiquei fera no relacionamento com o PC. Mas só isso não resolveria meus problemas. Qualquer um pode chegar à essa conclusão. Eu cheguei. Mais do que viver plugado, eu queria poder fazer disso uma razão para colaborar com as pessoas, servir. E vencer.

Mais do que bem empregado e com a vida tranquila, estou satisfeito com o que construi e durmo sossegado porque o dinheiro que ganho é uma simples consequência do que eu sou e conquistei. Pude aprender a respeitar cada centavo e cada esforço de meus pais para que eu vivesse bem e sempre com o melhor. E onde há respeito, há reciprocidade. O dinheiro passou a me respeitar e juntos crescemos. Você há de concordar, essa é uma equação muito simples.

Falta alguma coisa?
Navarro - Paz e AlegriaEstou quase terminando um MBA Executivo numa das melhores universidades do país, tenho uma excelente família, namorada, trabalho. Ganho bem, tenho um bom patrimônio. Sou feliz, tenho tudo que quero. Mas ainda falta muito. Falta poder ver o mesmo empenho de sua parte, de meus amigos e de alguns familiares. Empenho no sentido de deixar um legado intelectual e cultural muito maior do que a quantidade de zeros na conta ou algum patrimônio físico qualquer. Saber lidar com dinheiro vai muito além do valor de sua casa e de quantos carros você tem na garagem. Isso não é mais sinal de bonança ou inteligência financeira. Corrigindo, nunca foi!

Ufa. Chega Navarro!
Ser o melhor profissional e uma pessoa boa, gentil e humilde é uma questão de opção. Aprender a aprender é uma questão de opção. Aprender a servir é uma questão de opção. Todos temos opções, oportunidades diárias de crescer. Com esse espírito, garanto que dinheiro nunca será o problema. Nunca. Sonhador demais? Utopia de um blogueiro qualquer? Falta do que fazer? Pode ser que sua interpretação dessa mensagem seja bem diferente da razão pela qual a escrevi, mas tenha certeza de que escrevê-la me fez uma pessoa ainda melhor e mais rica!

Minha cara Ana e meu amigo leitor, procurei não comentar ou criticar nossa política para a educação. Sou dos que enxerga o copo sempre meio cheio. Acredito que a diferença quem faz somos nós e que aprender a lidar com dinheiro é tão fácil quanto andar de bicicleta, embora não pareça. Digo isso porque até hoje não sei me equilibrar bem numa bike e ainda assim me arrisco por ai em algumas voltas. Faço o mesmo com meu dinheiro.

PS: Eu me revolto com quem chama uma reunião, contato ou evento de treinamento. Quem treina é animal. Aos educadores que lêem esse blog, favor mudar esse hábito. Grato. Ah, todos devíamos mudar diariamente nossos hábitos.
PS2: Também odeio a palavra hábito!

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

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  • http://wallace.wordpress.com Wallace

    hahhahaha adorei

    só que o link para mudança de hábitos está quebrado..

  • http://www.valongueiro.blog.br André Valongueiro

    Esse é o Navarro!

    Grande lição, grande artigo, grande blog. Parafraseando um comentário que você deixou no meu blog ontem: “certamente um dos melhores(artigos) que já li por aqui”.

    Mais uma vez, parabéns!

    Grande abraço!

  • http://www.cadudecastroalves.com Cadu de Castro Alves

    Sensacional, Navarro!

    Superou (e muito) as minhas expectativas. Foi além do que eu desejava, mas foi excepcional!

    Você perguntou se faltou alguma coisa. Faltou fazer os seus convites. Se o começo está nesse nível, imagina o que vem por aí?

    O Walmar me disse que vai postar o dele, provavelmente, na próxima semana. Estou esperando ansioso!

  • Pingback:   Olá, mundo! by Cadu de Castro Alves

  • Carmen

    Oi meu filho,
    estou orgulhosa de você, principalmente porque você assimilou muito bem as noções de limites que foi motivo de meu empenho em sua educação.
    Estou certa de que educar um filho é um ato de extremo amor, criar é façil, mas só educa quem ama e sabe impor limites sem medo de perder o amor do filho.
    Sua generosidade, humildade e dedicação são muito claras em todas as suas atitudes e isso o diferencia em suas atividades profissionais e em sua vida pessoal.
    Parabéns para mim, que mereço ser sua mãe.
    Esse sucesso é só o começo, esteja certo disso.
    Eu te amo.

    P.S. Não precisa publicar porque eu já falei tudo isso pessoalmente para você, mas mãe é mãe, ou seja: o maior mico quando se trata de elogiar os filhos.

  • http://www.chrinvestor.com CHRistian

    Conrado, nem sei o que te dizer…

    aliás não sei se elogio o filho ou a mãe !
    Quer saber, o filho eu já falei várias vezes, então deixa eu comentar o comentário da mamãe.

    Sra. Carmem, para quem é pai a pouco tempo como eu, essa sua frase:
    “Estou certa de que educar um filho é um ato de extremo amor, criar é façil, mas só educa quem ama e sabe impor limites sem medo de perder o amor do filho.”
    é uma verdadeira lição !

    Estou vivendo na péle a difícil tarefa da educação. Obrigado pela orientação.

  • http://pvilla.com Pedro Villalobos

    Mais um ótimo artigo, Navarro. Eu acho que as pessoas se focma demasi em conseguir um diploma e esquecem de aprender o que precisam para a carreira que querem seguir, isso foi um dos meus motivos para sair da faculdade e me dedicar à minha carreira, estudando o que é útil, não o que vai me dar um papel falando que eu sou qualquer coisa.

    Ah, também odeio a palavra hábito, mas às vezes ela é bem necessária eheheh

  • http://investclube.blogspot.com Pedro

    Olá amigo, legal seu blog !
    Se tiver interesse podemos trocar links !

    Um grande abraço

  • Pingback: Cadu de Castro Alves

  • http://google Mary Barros

    O valor maior que recebeste foi gratuito a vida, a capacidade de aprender e a maior recompensa estas a compartilhar com esse universo da tecnologia. Parabéns e que Deus continue ricamente te capacitando para disseminar seus conhecimentos gerando riquezas para ouros cidadãos. Amei sinceramente o bem maior nas pessoas são os valores intangíveis. Abraços!!!!!!!!!

  • Joe Silva

    Caro sr. Navarro,
    Gostariamos de sua opiniao sobre nossa intencao de voltar a viver no interior de Minas depois de 20 anos vivendo nos EUA. Temos um casal de filhos pequenos e queremos que eles aprendam a falar portugues corretamente. Temos um pouco de dinheiro e estamos digamos, desgastados c/ a era Bush e o materialismo Americano. Tb. ja somos cidadaos dos EUA.

    Muito Gratos!

  • André Luiz

    Simplesmente ótimo, voltarei sempre para aprender mais!

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Cynara Peixoto

Não tenho como negar. O Dinheirama é o melhor blog que leio. Tem muitos bons, mas ele é o melhor!

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