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Quer ganhar mais? Comporte-se!

14comentários

Quer ganhar mais?Adriano comenta: “Navarro, parabéns pelo site e pela disposição, não deve ser fácil responder a tantas perguntas e ainda assim manter-se criativo e bem humorado. Vou abusar. Minha questão relaciona-se com o dinheiro de forma indireta, mas acaba por transformar minha vida em uma grande corrida pelo ouro. Sinto que posso ganhar mais onde trabalho, mas não sei se essa é uma boa linha de raciocínio. O comportamento influencia no quanto ganhamos? Que consequência isso tem no nosso dia-a-dia financeiro”?

Oi Adriano, seja bem vindo. Obrigado pela visita e pelas cordiais palavras de motivação e reconhecimento. Aprendo muito com cada pergunta e isso me mantém sempre atento e focado neste trabalho. Sinta-se em casa. Sua questão é muito interessante e envolve muita atenção. Comportamento é fundamental em todas as áreas de nossa vida e influencia diretamente nossas atitudes e decisões. Ele pode ser a diferença entre dois profissionais com formação semelhante, porém em posições opostas no quadro de pessoal.

Em geral, inovamos muito pouco
Muitos brasileiros ainda têm a visão, cafona, do emprego para toda vida. O comportamento geral é de acomodação. Entre a estabilidade do emprego e o desafio de um novo trabalho, de uma nova chance em outro lugar, o que você prefere? A pergunta é simplista, é verdade, mas ainda assim a adesão maior será pela estabilidade. Vivemos constantemente acuados em nossa zona de conforto e “rosnamos” sempre que alguém vem tentar nos tirar de lá.

Não satisfeitos, criamos raízes profundas neste buraco e a cada dia fica mais difícil sair. Inovar é algo relativamente simples. Você tem muitas idéias interessantes durante o dia, sabia? Pelo menos é o que diz Michael Porter:

“Boa parte das inovações são triviais, dependendo mais da acumulação de pequenos insights e melhorias do que de um único e grande avanço revolucionário”.

Você não precisa encontrar a saída perfeita para um grande problema. Prefira enxergá-lo através de uma ótica mais simples. Afinal, se ele é um problema é porque tem uma solução. Claro, porque se não tem solução não é problema (duh!). A falta de inovação inibe a criatividade e acabamos por deixar a proatividade de lado. Agindo de forma reativa, tudo que recebemos é um simples reflexo daquilo que deixamos de fazer. Por consequência, culpamos e cobramos os outros pelos nossos erros. Da próxima vez, invente uma desculpa melhor, ok?

Será que fazemos nossa parte?
Permita-me uma correção: não existe nossa parte. Tudo o que você faz ou deixa de fazer é por você e para você. Atenção, não confunda comportamento e atitude com egoísmo. Quem não sabe que é essencial aprender um novo idioma para galgar posições mais expressivas na empresa ou no mercado? É, todos sabem. Quem realmente transforma este fato em ação? Poucos. Quem não sabe que que uma formação cultural diferenciada pode abrir muitas portas? De novo, todo mundo sabe. Quem investe tempo nesta simples tarefa? Muito poucos.

Fruto de um país onde tudo se consegue com um “jeitinho especial”, nos acostumamos a procurar as saídas mais fáceis, mais curtas. Um atalho é sempre bem-vindo quando sabemos onde ele vai dar. O curioso é que na vida temos o privilégio de saber onde queremos chegar e temos todos os atalhos sempre à mão. Ou você não tem um objetivo profissional, de vida? Ou você não tem toda a capacidade de investir tempo e esforço em sua formação, em seus interesses?

Tudo por dinheiro
Nunca vamos receber aquilo que julgamos justo por nossos serviços. Nunca. Sabendo disso, a maioria das pessoas prefere fazer só parte do que poderia fazer, defendendo-se com o argumento de que recebe só parte daquilo que gostaria de receber. Viu como o comportamento faz toda a diferença? Os melhores profissionais que você conhece já trabalharam de graça ou deixaram de lado o preço de um favor. Pergunte a eles, é verdade.

Uma hipocrisia doente
Não adianta querer levantar o exemplo do Fulano que trabalha tanto que mal consegue tempo para dormir. Ou ainda falar daquele que não tem dinheiro para fazer um curso de línguas. Estou falando de você. Estou falando daquele sujeito que estudou em escolas tidas como inferiores e mesmo assim entrou e hoje estuda em uma universidade federal. Estou falando daquela garota que atravessa 10 quilômetros todo dia para estudar e ainda ajuda os pais com os afazeres domésticos. Estes não reclamam do que não têm.

É muito fácil assistir aos indicadores de desemprego na televisão e fazer disso uma desculpa. “A situação está ruim amor, mas eu vou arrumar um emprego logo, prometo. Ah, pega uma cerveja pra mim”. É muito fácil culpar o chefe pela sua falta de empenho. É muito fácil culpar o seu funcionário pelo fraco desempenho de seu departamento. Desenvolver habilidades é cansativo. Corresponder às expectativas é cansativo. Integrar-se ao meio sociocultural onde vive é cansativo. Competir é cansativo. Ser criativo é cansativo. Ufa. Escrever sobre isso é cansativo. E você, está cansado? Do que mesmo?

Você quer mesmo ganhar mais?
Comporte-se como um digno merecedor de atenção e respeito. Faça aquilo que você prega nas conversas entre amigos. Aja como aquele seu eu que fala diante dos filhos. Seja consistente. Pare de reclamar daquilo que você não sabe fazer e coloque-se humildemente à frente de uma eventual nova missão. Prontifique-se. Não sabe? Aprenda! Nunca fez? Sempre há uma primeira vez! Não vai receber nenhum tostão a mais por isso? Atitude não tem preço. Para os que querem voar, não há peso capaz de segurá-los. Para os demais, basta a lei da gravidade.

Os seus problemas são seus problemas
Não sou nenhuma autoridade em atitude. Não sou psicólogo ou autor de livros de auto-ajuda. Não sou psiquiatra ou guru motivacional. Sou um profissional como você. Talvez eu nem seja assim tão criativo ou inventivo. Talvez eu não seja uma pessoa bem-sucedida se tomados os seus padrões para tal. Talvez. Me responda: que poder este mesmo texto teria se fosse escrito pelo profissional que você mais admira? Viu como o problema está dentro de você? Fui.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

  • Pingback: domelhor.net

  • Canedo

    Pronto Navarro. Já pode escrever um livro de auto-ajuda.

    A propósito, excelente texto. Muito motivador ;)

  • Ismael Lima

    Se continuar com esta produtividade, o dia em que o Navarro resolver escrever um livro, ele já terá um pronto.

  • http://www.mundodastribos.com Paulo Lima

    Muito bom Navarro,

    Esse texto vai de encontro ao que as pessoas realmente gostaria de saber…

    Se gostariamos de ter uma posição melhor do que temos hoje, temos que fazer por merecer…

    Desafio? Vão ter e muitos.
    Desconforto? Toda mudança gera um desconforto.

    Ficar na zona de conforto, ou com medo do que tem a vir? Então é melhor nem tentar, fique onde está que será melhor…

    Se pensar nas pessoas que admiramos, é maravilhoso ver onde estão hoje, mais já paramos para ver o quanto ela se dedicou e o quanto de desafios ela passou para atingir o sucesso atual ?

    Para finalizar, se estamos onde estamos e ainda reclamamos só existe um culpado nessa história… nós mesmos !

    []s

  • http://www.hitechlive.com.br Helton Kuhnen

    Quero 3 edições, rs…
    Muito bem Navarro, realmente você deveria procurar uma editora – OU NAO – .
    Abraço.

  • http://www.codigofonte.net Emmanuel Alves

    Temos que ver também o outro lado (do chefe), pois as vezes o nosso chefe pensa que ganhamos muito bem, por que nunca reclamamos.

    Uma vez um outro chefe meu soltou a seguinte quando eu perguntei sobre aumento: “Você nunca reclamou que estava ganhando pouco e eu só via a produtividade caindo, como você queria que eu aumentasse seu salário?”

    Temos que gostar do que fazemos para que possamos estar sempre inovando, pois a procura de coisas novas nos faz gostar mais ainda da nossa profissão, ao menos é assim comigo.

    Acho que não é só o comportamento que deve ser considerado importante para aquele que almeja um aumento de salário, diversos outros fatores devem ser considerados, exemplo: sua facilidade em aprender coisas ou de ser “desenrolado”.

    O título deste artigo deveria ser “Quer ganhar mais? Comporte-se e inove!”

    Abraços.

  • Carmen.

    Oi meu lindo!
    Mais um excelente texto do melhor filho do mundo!
    Só quero dizer que a acomodação no que se chama de “estabilidade do emprego” precisa ser revista com a maior urgência poque não existe há muito tempo. Com a competitividade em alta os profissionais estão se tornando cada vez mais descartáveis.
    Hoje em dia é preciso encarar com coragem o desafio de uma nova chance profissional e pessoal em outro lugar e para isso o auto-conhecimento é indispensável.
    Saber quem é você, pode indicar se você está no lugar certo e se merece tudo o que tem.
    Se você prestar atenção pode descobrir que a zona de conforto criada pela tal estabilidade, inclusive de emoções, está cada vez menor e mais ameaçada de extinção.
    Devemos pensar nisso e ficar atentos às oportunidades que surgem a cada momento e às necessidades de quem amamos.
    Nosso objetido principal deve ser sempre sermos felizes e, para isso, atitudes como aprimorar constantemente nossos conhecimentos, lutar pelas nossas idéias, agradecer a Deus por nossas conquistas e continuar sempre nosso caminho, não importando se ultrapassarmos a zona de conforto são da maior importância.
    Do lado de lá tem um mundo novinho em folha esperando por nós.
    Agora, o mais importante, e me desculpem os racionais de plantão, é o AMOR.
    Por mais que eu me esforce não consigo valorizar as grandes conquistas profissionais sem considerar, acima de tudo, o AMOR.
    Ah! o AMOR. São só quatro letrinhas, mas quantas emoções!!!!!!
    Sem querer tirar o foco do assunto, que tal você escrever sobre a importância do amor na vida da gente?

    ais

  • http://www.wilsoniwano.com Wilson Iwano

    Wow. Muito bom esse texto. Tem certas atitudes no texto que infelizmente fazem parte do meu cotidiano. Sei que o blog é sobre economia, mas você podia escrever um texto sobre procrastinação, afinal perdemos muita grana com isso. Valeu!

  • http://valeriofarias.wordpress.com Valério Farias

    Gostei muito do texto, cujo princípio é que além de assumir o próprio dinheiro devemos principalmente assumir a própria vida, ninguém melhor do que nós mesmos para demonstrar onde queremos chegar e tentarmos alcançar de uma forma consciente, sem cair na armadilha da zona de conforto, ou do status, e sim resgatando valores como prestar sempre que possível serviços sem necessariamente ter algo em troca, respeito pelo trabalho do colega e simplicidade nas ações.

    Estou gostando muito da participação de Carmem, mãe de Navarro, dando um clima familiar e sempre com opiniões relevantes.

    É o toque feminino complementando os artigos.

    Um abraço e parabéns

  • Navarro

    Adorei os temas propostos e prometo escrever alguns artigos sobre eles (investir em educação, procrastinação etc). Obrigado a todos pela intensa participação.

    Valério, o que seria de mim se não fosse minha mãe? Essa figura fantástica, dona das mais absolutas qualidades e que muito me influenciou e influencia. Ela é minha inspiração.

    OBRIGADO MÃE!!!!

  • Líbene Fernandes

    Meus parabéns Navarro..

    E deixo esse com relação a todos os outros posts que também já li, sempre muito bem escritos, e demonstrando preocupação em passar idéias legais.

    Essa é uma questão que todos sabem, mas nem sempre refletem em busca de soluções e principalmente, partem para ação.

    Parabéns e vida longa ao site.

    Sucesso.

    Líbene

  • http://riffsesolos.blogspot.com Diego Matias

    Ufa! Cara, que texto! Vou imprimí-lo e ler todas as vezes que pensar em deixar algo de lado por preguiça ou acomodação (não são a mesma coisa?).

    Essa foi uma das minhas leituras mais motivadoras!
    Obrigado!

    Em tempo: Estou doido pra vê-lo estrear no Papo de Homem. Até mais!

  • Navarro

    Libene e Diego, obrigado pela força. Os votos de confiança são essenciais. Fico feliz que o texto tenha sido útil.

    A estréia no Papo de Homem está programada para Setembro. Vai ser muito legal mesmo Diego. Abraço.

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