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Eu, você e o Subprime!

23comentários

Imóvel - Comprar ou alugar?Renan comenta: “Navarro, seu blog é show, parabéns! Olha só, a venho acompanhando essa crise nas Bolsas, nos Estados Unidos e em todo mundo e confesso: não estou entendendo muita coisa. O negócio é economês demais e na hora pensei em você, o nosso tradutor oficial dessa língua difícil. O que realmente precisamos entender dessa coisa toda? E essa história do Banco Central que injetou dinheiro nos bancos? Como isso tudo vai influenciar a vida de um cidadão comum que investe em fundos e em ações”?

Renan, obrigado pela visita e pelas palavras de apoio. Quanta responsabilidade essa de “traduzir o economês” hein Renan? Como sempre, aceito o desafio e vou tentar explicar a crise em poucas (e fáceis) palavras, usando alguns exemplos bem simples e alguns comentários extraídos de jornais colecionados durante a semana. De todo modo, a crise é importante e influencia muito o ritmo de nossos negócios, especialmente na Bovespa. O mínimo que podemos fazer é entender como isso pode acontecer.

O que é o bendito Subprime?
Todo empréstimo deve ser classificado quanto ao risco inerente ao tomador do dinheiro e sua capacidade de honrar com os débitos. Quando você empresta algum dinheiro, pensa sempre se vai recebê-lo de volta facilmente, certo? O banco e o mercado fazem a mesma coisa. Assim, existem três classes de risco para os empréstimos:

  • Prime – Crédito classificado como de primeira linha, dado a pessoas com histórico de bom pagador;
  • Subprime – Empréstimo avaliado como de risco maior de entrar em inadimplência por ser concedido a pessoas que não conseguem comprovar capacidade de pagamento, têm histórico de inadimplência ou não são pontuais, entre outros motivos;
  • Default – Créditos em atraso com negociação para recuperação

Tá, mas e daí?
E daí que os americanos comuns compraram muitas casas no início da década porque os juros estavam em queda e era uma excelente chance de terem sua casa própria. Mas eles queriam aproveitar o bom momento da economia e decidiram refinanciar suas casas, ou seja, hipotecaram o imóvel e pegaram dinheiro vivo na troca. Esse dinheiro foi gasto no consumo, na economia como um todo. O aumento do fluxo de capital gerou mais linhas de crédito e muitos americanos passaram a fazer a mesma coisa. O número de casas construídas cresceu muito, o crédito para isso ficou mais fácil e o preço do imóvel, obviamente, caiu. Mas em pouco tempo a demanda fez com o que os preços novamente começassem a subir.

Como muita gente acabou renegociando seu imóvel na hora errada (elevados preços), o empréstimo realizado acabava por valer mais que o imóvel hipotecado. Imagine que um americano refinanciou sua casa no valor de US$ 300 mil, saiu com essa grana na mão e agora sua casa vale US$ 250 mil. Ele está devendo US$ 50 mil a mais. A maioria deles acaba entao optando por desistir do pagamento do financiamento e permite que a casa seja tomada pelo banco. Lembre-se que este grupo é o subprime, que já não tinha um bom histórico de pagamento de seus compromissos financeiros.

Os bancos emprestaram dinheiro sem pensar nisso?
Os bancos afrouxaram a análise dos clientes na abertura de crédito, facilitando o acesso ao dinheiro, porque acreditavam na economia e na manutenção dos preços dos imóveis. Sim, deram dinheiro fácil. Do outro lado, muitos investidores compraram recebíveis relacionados a estas hipotecas. A rentabilidade destes fundos está relacionada ao reflexo do pagamento da linha de crédito subprime. Muito risco, muito retorno. Mas deu errado, o banco hoje tem menos dinheiro que o necessário para ressarcir esses investidores, porque micou com hipotecas sem valor.

Problema de liquidez
Percebendo o problema, muitos investidores decidiram sacar o dinheiro destes fundos imobiliários que aplicavam em CDO – opção financeira que aplica em imóveis nos EUA. O banco não tem, em caixa, o dinheiro disponível para que tanta gente possa sacar seus montantes. Surge a chamada crise de liquidez. São duas as saídas: ou os bancos bloqueiam o saque, como fez o francês BNP Paribas, ou tomam dinheiro emprestado do Banco Central, como fizeram alguns bancos nos EUA e Europa. Ambas as saídas demonstram que há um problema com o fluxo de capital.

Mas isso começou nos EUA. O que a Europa e o mundo têm a ver com isso?
Os bancos internacionais aplicam em diversos produtos do mercado americano. Fundos daqui e da Europa também têm posições nestes fundos imobiliários. Se os cotistas de lá correram para salvar seu dinheiro, o mesmo aconteceu na Europa e no mundo. As cotações das Bolsas internacionais caem porque os bancos, tendo que honrar seus compromissos com estes cotistas, vendem diversas ações. Além disso, o temor de que a crise persista faz com que investidores prefiram aguardar o desfecho de tudo para então voltar a negociar ações. Eles vendem, ainda que barato, e ficam de fora.

Ufa. Acho que entendi.
Tudo tem explicação. Em economia também é assim. A diferença são as consequências. Existem algumas outras variáveis que influenciam esse atual problema (enfraquecimento do dólar, déficit fiscal e de conta corrente nos EUA etc), mas prefiro deixar apenas este texto introdutório sobre a questão. Vamos debater o tema? Publiquem suas dúvidas e mais eplixações sobre na área de comentários ou entrem em contato direto comigo. Espero que todo o cenário possa agora parecer mais claro, embora não menos perigoso.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

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  • http://www.lapfinder.com/blog/ Fernando

    Onde alguns enxergam o perigo, outros vêem uma oportunidade. Essa crise veio em ótima hora. Eu estava completamente vendido e só esperando o momento certo de voltar ao mercado. Eu gosto de ver a queda da bolsa como uma promoção de ações. Uma ótima hora para ir às compras.

    Ah, sobre o meme, eu não esqueci não viu Navarro. Semana que vem eu viajo e então vou tentar fazer isso este final de semana e deixar o post programado lá no primeiro milhão.

    []‘s

  • Pingback:   Eu, você eo Subprime! by prestamos.vahalo.com

  • Marcelo

    Navarro, eu tenho uma dúvida. Parece que não se sabe exatamente quais instituições serão atingidas pela crise do subprime (pode ter algum banco “escondendo” estar com problemas nessa área). Como ninguém sabe ao certo quem será atingido, o mercado fica ainda mais nervoso, temeroso. É verdade isso? Assim sendo, fica mais difícil saber até onde será o fundo do poço da Bovespa ou se ele já chegou? Grande abraço.

  • Navarro

    Fernando, valeu pelo comentário. Fico esperando então o post do meme, obrigado pela consideração. Faça uma boa viagem.

    Marcelo, obrigado pela visita. Não há como esconder problemas neste sentido se pensar que existem fundos que investiram nestes papéis hipotecários. Assim, se o banco possui este produto, seus investidores notaram rapidamente a queda na rentabilidade e o movimento de falta de liquidez ocorreu. O que pode acontecer é notar reflexos desse problema em outros setores da economia. É impossível desenhar o fundo do poço para a Bovespa numa situação assim, especialmente porque temos muito capital estrangeiro por aqui. Estes tendem a sair em momentos como esse e a cotação pode cair ainda mais. Veja bem, pode. Uma coisa é certa: ainda teremos muita volatilidade no mercado nos próximos dias. É acompanhar de perto para ver no que vai dar.
    O Alessandro também deu algumas informações interessantes sobre o caso. Acesse:
    http://www.iniciantenabolsa.com

  • http://www.cadudecastroalves.com/ Cadu de Castro Alves

    Caramba, Navarro.

    Sexta passada, mal cheguei do trabalho, estava passando uma notícia sobre isso no Jornal Nacional. Conversei um pouco com o meu pai sobre isso e pedi algumas explicações a ele. Entendi mais ou menos o que ele falou, mas esse seu post veio a calhar.

    Um grande abraço!

    Ps.: o Romário chegou aos mils gols esse ano. Agora é o Dinheirama rumo aos mil assinantes? Hehehe! Parabéns!

  • http://deleted Carmen.

    Meu filho, ontem mesmo eu estava conversando sobre isso com meu primo e ele disse para eu sugerir a você que escrevesse um artigo sobre o tema, mas nem foi preciso porque você já veio com este texto simples e perfeito.
    Lendo atentamente, o que parecia tãããããão complicado até que é bem fácil de se entender com esta explicação.
    Tenho certeza de que muitos dos seus leitores estão revendo seus conceitos sobre a forma como tratar seu dinheiro e suas decisões acerca de investimentos financeiros.
    Em breve essa blogosfera, seja lá o que isso signifique, vai estar dividida em antes e depois do seu blog.
    Parabéns pela dedicação e atenção com seus leitores e que Deus continue abençoando-o sempre.
    E aí, Rafael Arcanjo, como é que eu não vou elogiar o meu filho, heim?
    Um abraço para todos os pais pelo seu dia.

  • http://www.lapfinder.com/blog/ Fernando

    Essa eu não vou poder deixar de comentar. Ouvi dizer que sucesso é quando sua mãe, que não tem idéia do que é internet(não parece ser o caso), entra no seu blog e deixa um comentário.
    :P

    Parabéns Navarro por mais essa conquista. ;)

  • Navarro

    Cadu, valeu pela visita! O assunto é realmente interessante e eu havia recebido inúmeros e-mails pedindo para “traduzi-lo” de forma simples. Que bom que o artigo ficou interessante. Dinheirama rumo aos 1000 assinantes sim senhor. Bacana né? A força de amigos como você foi, é e sempre será fundamental. Obrigado.

    Mãe, que delícia contar com sua participação cada vez mais ativa. Estou amando! Obrigado pelos elogios e tenha certeza de que isso é espelho de toda sua dedicação durante toda minha vida. Te amo!

    Fernando, que comentário bacana. Pois é, minha mãe adora a Internet mas descobriu os blogs e seu poder há pouco tempo. Estamos adiantados num projeto para que ela possa blogar e vai ser um tremendo sucesso! Receber o carinho dela publicamente é motivo de muita alegria e orgulho para mim. Pessoas como você, incentivador desde o primeiro minuto, são e serão fundamentais. Obrigado pela força de sempre. Conte sempre comigo. Grande abraço.

  • http://deleted Carmen.

    Viu Fernando?

    Eu e o Conrado estamos adiantados num projeto para que eu possa blogar, seja lá o que isso signifique, e, se ele diz que vai ser um tremendo sucesso, pode acreditar.
    Depois de receber o elogio dele publicamente, o que me deixa cheia de orgulho, tenho que criar mais uma definição de sucesso, especialmente para o Fernando.

    Sucesso é quando você faz o seu filho pagar o maior mico diante de seus quase 1000 leitores e o filho ainda elogia e agradece!

  • http://www.chrinvestor.com CHRistian

    O que mais me surpreende nessa historia toda é a fome de consumismo do americano. Financiar a casa própria se entende, afinal de contas quem não quer a sua ?sair do aluguel sem dúvida é um luxo que todo mundo deseja.
    Agora, usar a casa para pegar emprestimo !?!? ainda mais para um consumismo superfluo e não para uma necessidade básica…!
    Não dá pra entender ! Mas essa é a cultura americana, cheia de exageros !

    Parabéns Conrado, excelente artigo.

    Abraços
    CHRistian
    http://www.chrinvestor.com

  • http://reflexoeseperdadetempo.blogspot.com Enio Luiz Vedovello

    Excelente texto, Navarro. Não apenas entendi a crise nos EUA como, de quebra, finalmente entendi por que uma diarréia do rei da Namíbia pode derrubar a Bovespa…

  • Marcelo

    Navarro, excelente artigo, mas vc deixou passar uma perguntinha q foi o que me fez ler o artigo todo até o final, rsrsr… pois já estava +/- entendendo o que anda acontecendo com a conseqüência do desespero consumista dos americanos.
    A pergunta do Renan foi: “Como isso tudo vai influenciar a vida de um cidadão comum que investe em fundos e em ações?”
    Pois este também é o meu caso e desde o começo dessa loucura por lá, cada dia tem menos dinheiro no meu fundo de ações!
    Vc acha q devo tirar a grana por eqto até as coisas se acalmarem ou é uma atitude precipitada visto a variação e o risco que são normais nesse tipo de investimento?

  • Navarro

    Marcelo, Enio, CHRistian, obrigado pela visita!

    Marcelo, quanto aos fundos de ações a dica é não apavorar. Fundos deste tipo normalmente representam intenção de longo prazo por parte de seus cotistas, portanto se o seu plano é usá-lo só no futuro, deixe a volatilidade passar sem mexer em seus investimentos. Abraço.

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  • Cássia

    Navarro,

    Não conhecia seu blog, realmente é muito bom.
    Você faz com que assuntos complicados se tornem fácil de ser compreendido.

    Mas sobre o subprime, continuo sem saber quais os reflexos da crise associada a este mercado para
    o Brasil.

    Obrigada!

  • CLARICE

    RESPONDA POR FAVOR
    QUAL O PAPEL DO BANCO CENTRAL PARA RESTABELECER O EQUILIBRIO ECONÔMICO NO SUBPRIME?

  • Arnaldo Junior

    O que a Crise do EUA pode influenciar na Economia Brasileira?

  • Lilian

    Navarro, finalmente eu consegui entender a crise americana, pois você foi simples e objetivo, sem usar “Economês”.A minha dúvida é com relação a compra de imóvel aqui no Brasil (com financiamento).Será que, com a atual situação de instabilidade, será arriscado assumir uma dívida longa como a de um financiamento imobiliário ?

  • Jonas de Oliveira Lima

    É lamentável que o sistema financeiro americano tenha sofrido esse abalo sismico sentido pelas bolsas das principais economias do mundo.O que fará o Banco Central a Americano para evitar que essa crise hipotecária americana continue a ter os seus refelexos negativos no mercado interno americano e nos principais mercados externos do mundo,vez que a crise imobiliaria que atingem os Estados Unidos da América não passa a ser um problema mais só dos americanos, porém também de outras economias, visto que desvaloriza às ações também nas principais Bolsas de Valores desses mercados, gerando assim retração de investimentos pelos investirores e pod sua vez desencadeando uma recessão de grande magnetude nas principais economias do mundo.

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O Dinheirama é assinado por todos os meus funcionários, dado a importância dos temas, como este no caso, que provoca mini-workshops muito produtivos. Tanto à carreira de cada um dos participantes como da própria empresa. Parabéns a todos.

Alberto Goulart

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