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Eu, eu mesmo e meu dindin!

9comentários

Blah!Cida diz: “Navarro, tenho lido muitos artigos na internet sobre o comportamento diante do dinheiro e das opções de investimento e confesso estar confusa. Fala-se muito sobre pensar como um rico, agir com inteligência, pensar no futuro etc. Soa como um blá blá blá danado isso pra mim. Esse pensamento faz parte de minha própria arma contra o que deveria saber? Acho que estou precisando de algumas perguntas difíceis para ver se realmente entendi. Desculpe a franqueza.

Cida, a resposta para o seu problema de dinheiro parece ser o autoconhecimento. Parece papo de guru, de vidente, eu sei. Mas o autoconhecimento é a chave para conseguir gerenciar a si mesma e poder diferenciar impulso de necessidade e opinião de julgamento. Você tem razão quanto ao blábláblá que lê por aqui e por ai. Infelizmente nem só de palavras pode ser criada a fortuna, embora elas sejam poderosas aliadas. Não adianta eu escrever se você lê com desprezo ou arrogância. Tenho meus dias assim e costumo usar algumas perguntas* infalíveis para colocar a cabeça no lugar. Experimente respondê-las por escrito (seja sincera).

  1. Por que o dinheiro é algo que me afeta tanto? Quem ou o que influenciou (influencia) tanto minhas atitudes em relação ao dinheiro?
  2. Até que ponto o dinheiro interfere na minha vida profissional, nas minhas decisões sobre carreira ou empregabilidade?
  3. Minha auto-estima está ligada a quanto eu possuo em valores financeiros? Isso é bom?
  4. Qual o papel de dinheiro dentro de minha casa?
  5. Que imagem as pessoas têm de meus valores de vida?
  6. Tenho coragem de expôr minha situação econômica atual a um consultor financeiro ou especialista sem ficar envergonhado?
  7. De quanto preciso para viver uma vida equilibrada e tranqüila?

Mais blábláblá né? Desculpe, foi inevitável. Procure traçar algum paralelo entre seu referencial de riqueza e suas atitudes. Se você não acredita em textos assim, peço que acredite então em você e em sua capacidade de realização. Não importa o quanto você ainda não sabe, mas sim o tamanho de seu interesse para ainda aprender. Para que o exercício fique completo, escreva sua opinião sincera sobre:

  • Investimento: o que é isso pra você? O que significa investir?
  • Desperdício: qual o seu conceito para essa palavra? Ela está presente em seu dia-a-dia?
  • Consumo: como você lida com o consumo?
  • Necessidade: o que você classifica como necessidade?
  • Economia: isso faz parte de seu cotidiano?

Isso soa a livro de auto-ajuda Navarro…
Calma. Dinheiro tem muito a ver com auto-estima e psicologia. Essa relação é um tremendo desafio e, ainda assim, decidi me aprofundar neste terreno. Não fica rico só quem quer, mas quem se prepara. E não estou falando de estudar economia. O que faz toda a diferença é mesmo a inteligência emocional, o bom senso e a capacidade de discernimento. Isso se reverte em novos conceitos sobre finanças que, por sua vez, se transformam em hábitos financeiros inteligentes.

As perguntas e as opiniões que você acaba de escrever no papel são um retrato simplificado do seu eu financeiro. Esse é você com R$ 1 ou R$ 1 milhão na conta bancária. Notou algo que não lhe agrada no perfil que acaba de traçar? Você pode melhorar. Há algum ponto forte que mereça ser valorizado? Você tem que comemorar.

Há quem encare este exercício com indiferença, julgando-o uma grande besteira. Há quem goste. Normalmente quem não gosta também não sabe nada sobre juros, algo básico que está presente no dia-a-dia de todos nós. Quem gosta se preocupa em entender a aplicação positiva e negativa dos juros. Não se espante ao perceber que os interessados e entendidos recebem juros. Os demais, pagam.

*As perguntas foram adaptadas da obra “Questões Fundamentais da Vida” de A. Roger Merrill e Rebecca R. Merrill.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

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  • gustavo

    Olha, Navarro, a leitura fica muito mais fluida com o novo formato! Está ótimo!

    Mas nada impede que, de vez em quando, vc coloque um elogio nas perguntas, hehe.

    “Faz parte!”

  • Navarro

    Oi Gustavo, legal te ver por aqui novamente. Na verdade esta pergunta da Cida estava nesse formato, não supri nenhuma palavra. hehehe. Dosarei de forma sadia os comentários, permitindo-me também alguns elogios. Agradeço pelo feedback e pela visita. Volte sempre. Grande abraço.

  • http://riffsesolos.blogspot.com Diego Matias

    Estou me tornando leitor assíduo. ótimo blog, parabéns!

  • Navarro

    Oi Diego, obrigado pela visita e pelo apoio. Sinta-se em casa e assine o feed. Grande abraço.

  • http://www.newtonwagner.net/blog Newton Wagner

    Navarro, acho que essa dúvida é uma questão de conceitos mesmo. Quando pensamos que devemos investir, fazer o dinheiro trabalhar, nos libertarmos da escravidão do dinheiro, fazemos tudo isso por que achamos que esse é o certo.

    Explicar isso pra alguém que larga um bom emprego e vai morar em uma cidade do interior pra ter tranquilidade deve ser quase impossível.

    Então se a nossa cara amiga acha que é tudo bla-bla-bla, é por que talvez ela não sinta necessidade de buscar a tal independência financeira que virou moda hoje em dia.

    E parabéns pelo blog.

  • Navarro

    Newton, você tocou num ponto importante. A qualidade de vida deve sempre ser um dos pontos-chave na definição de novos desafios, mas isso não impede que o dinheiro seja tratado como ferramenta para a liberdade. O que quero dizer é que independente de onde se more ou de quanto se ganhe, os únicos responsáveis pela independência e liberdade financeira somos nós e cabe a nós querer buscá-la ou ignorá-la. Não é porque é moda que é bom ou ruim. Seu comentário é ótimo para a discussão. Como dosar a realidade de cada um com seus objetivos financeiros? Isso não é fácil, mas precisa ser encarado. Ignorar conceitos financeiros com desculpas evasivas não resolve, por isso quis focar neste aspecto com a Cida. Valeu pela colaboração. Grande abraço.

  • Carmen.

    OI GENTE,
    PEGANDO O GANCHO DESTE COMENTÁRIO DA CIDA:

    “Fala-se muito sobre pensar como um rico, agir com inteligência, pensar no futuro etc. Soa como um blá blá blá danado isso pra mim…”

    Gostaria de dizer que, na minha opinião, o mais importante de tudo com relação ao comportamento diante do dinheiro não é pensar como um rico mas, sim, acreditar no ue se pensa.
    Só quem acredita muda a atitude diante da circunstância, seja qual for.
    É mais ou menos como um pensamento cujo autor não me recordo:
    Você não pode evitar a dor, mas pode escolher o tamanho do sofrimento.
    Fazendo uma analogia com o assunto, eu arriscaria dizer que você não pode evitar as dificuldades financeiras, mas pode escolher o tamanho das consequencias.
    Um abraço.

  • Márcia Cristina

    Navarro, começei a pouco tempo ler sobre seus artigos, mas confesso que estou viciada. Ótimo o seu blog, recomendo a todos que querem se tornar investidor como eu que consultem. Um abraço!

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