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Quanto custa a desinformação?

18comentários

Tome conta de seu dinheiro!Arthur escreveu: “Navarro, li no Infomoney uma matéria interessante e intrigante. O título da matéria é ‘Se o dinheiro da sua carteira parece evaporar, a dica é simples: ande sem dinheiro’!. Não sei se é totalmente uma boa idéia. Atualmente as pessoas estão tendo maior acesso ao dinheiro de plástico e isso, às vezes, pode ser pior. Em outra matéria na Folha achei o resultado de uma pesquisa: 74% dos consumidores de baixa renda não conhecem taxas de juros! Acho que a situação está ficando “perigosa” para quem não se controla. Se tem dinheiro na mão, gasta, se não tem usa o cartão sem saber das taxas! O que você acha”?

Arthur, suas conclusões são bastante precisas e verdadeiras (infelizmente). Vou comentar um pouco sobre as duas notícias de forma a criar um paralelo entre a desinformação e os gastos com “besteirol”. Uma coisa é fato: gastar é muito, mas muito mais fácil que poupar. O aprendizado necessário para gastar dinheiro é quase que instantâneo e é algo que todos se dedicam de coração. Aprender a poupar e a investir é um pouquinho mais trabalhoso, embora seja igualmente prazeiroso e importante.

Emoção e dinheiro
O pontapé inicial para o gasto supérfluo é sempre um sentimento ou pensamento puramente emocional. Sempre. Quando nos deixamos levar pelo coração, o bolso sempre termina prejudicado. Não, eu não sou um homem de gelo, totalmente desprovido de sentimentos ou emoções. A questão aqui é outra: não há problema algum em sentir raiva, mágoa, frustração, amor, desde que estes momentos não sejam usados para justificar a compra de um bem. Isso é um erro clássico, perigoso e infantil.

A busca pelo prazer é atitude natural de todo ser humano. Mas diferente do prazer alcançado quando se conquista um objetivo, o prazer ao comprar algo na hora do impulso dura pouco, muito pouco. Mais precisamente, ele dura até a chegada da fatura do cartão de crédito ou do dia de pagamento do carnê. Você sabia que a grande maioria das pessoas se endividam com a compra de objetos, bens e produtos completamente desnecessários? Aposto que sabia.

A vítima entra em ação
Contra todos os “Navarros da vida”, existe a auto-defesa, a desculpa, a justificativa. Prefiro usar o termo auto-engano, criado pelo economista Eduardo Gianetti. A grande maioria das pessoas não assume a responsabilidade de suas finanças, preferindo colocar a culpa em mim. Veja bem, não estou reclamando. Afinal de contas, essa atitude também me traz excelentes oportunidades de trabalho. Navarro, o avarento, agradece.

O dinheiro de plástico
O cartão de crédito é a grande saída para os problemas de liquidez de uma família ou profissional. Não deveria ser. Você não tem dinheiro hoje, mas tem o crédito sempre, não é assim? Que sempre que nada. O cartão de crédito não é vendido como um facilitador, mas sim como um instrumento (muito bom por sinal) para ganhar dinheiro. Que ele facilita, não tenho dúvida.

Como faria para qualquer outra ferramenta, defendo um bom treinamento antes de “fritar” o cartão pela primeira vez. Como qualquer outra ferramenta, você corre o risco de se machucar. Ou você acha que eu, que pago em dia minhas faturas, sou um bom cliente para a operadora que utilizo? Nah, comigo eles não ganham nenhum centavo. Diretamente não. Claro que a margem do produto comprado através do cartão já traz embutida a taxa paga pelo estabelecimento à bandeira, mas não é esse o foco da discussão. Também nunca paguei anuidade. Navarro, o rebelde, recomenda que você aja da mesma forma.

A desinformação
Os dados mencionados na pesquisa trazida pelo Arthur são realmente assustadores. Se74% das pessoas não sabe o que é taxa de juros, muito provavelmente 95% desse universo paga juros, todo santo mês, para grandes lojistas, bandeiras de cartão de crédito, financeiras e bancos. Não me espanta que essas empresas estejam enormes, com caixas gordos e lucros cada vez maiores.

Quem compra no crediário acha que a empresa está sendo legal, facilitando porque ele é uma pessoa bacana. Enquanto você usa a emoção para comprar, financiar e levar o carnê para a casa, a loja usa a inteligência e a matemática para mantê-lo feliz e satisfeito. Fechou a venda? Próóóóximooo! Francamente, algum vendedor (de alguma grande rede) já foi visitá-lo depois da compra do produto? Ligou para perguntar se está tudo bem? E mesmo assim você ainda volta lá e compra mais coisas, sempre em “suaves prestações”. Suaves para você, extremamente rentáveis para eles e para mim.

O que eu acho?
Falei, falei e não falei nada. Desculpe Arthur, eu tenho essa mania. Eu acho que o Infomoney foi muito correto em suas observações. Quem não tem condição de sair para dar uma volta na praça, sem gastar com algo completamente desnecessário, tem mesmo que fazer questão de “esquecer” sua carteira em casa. Estes e os que não fazem a menor idéia do os juros significam, devem, obrigatoriamente, passar mais tempo por aqui e correr atrás de conhecimentos financeiros básicos.

O problema da desinformação é sério por duas razões:

  1. As pessoas não querem aprender. Ser ignorante é muito cômodo e resolve quase todos os problemas que temos na vida. Quando eu tento, pacientemente, explicar que o pagamento parcelado traz consigo juros, recebo um belo carimbo de “estraga prazer” pelas fuças. Impressionante como as pessoas, nitidamente tomadas pela emoção, tentam justificar a compra do produto e ainda arranjam espírito para me xingar. Eu ainda insisto (duh!?).
  2. Falta iniciativa. Quem pode ensinar e conhece o assunto geralmente tem preguiça. Não há educação financeira nas escolas e a primeira vez que vamos falar de dinheiro é na faculdade. E olhe lá. Os pais não se preocupam tanto quanto deveriam e a sociedade só sabe cobrar. Resta a capacidade de buscar, por conta própria, os bons materiais e conselhos. E eles são poucos. Fico, sinceramente, muito triste.

Chega!
Se você não sabe gastar dinheiro, deixe-o no banco ou em casa. Mas lembre-se de que cartão de crédito também é dinheiro e, como tal, também deve ser deixado na gaveta. Que tal assumir sua verdadeira responsabilidade e, como o Arthur, indignar-se diante de uma situação tão decepcionante? Antes de aprender a gastar seu dinheiro, aprenda a ganhá-lo de forma inteligente. O segredo não é saber gastar, mas saber deixar de gastar.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

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  • Arthur Gouveia

    Grande Navarro! A cada dia fico mais fã do Dinheirama! Quanta agilidade! Enviei o email pela manhã e, à noite, vi o post. Muito obrigado em nome de todos os que querem aprender um pouquinho mais sobre finanças.
    Parabéns pela análise. Não tinha pensado dessa forma, é pura falta de informação. Informação sobre os juros, sobre educação financeira, sobre controle das emoções, sobre a economia do país.
    Bem, felizmente eu estou na parte da população que fica indignada com dados como os que enviei a você e não na parcela sobre a qual a pesquisa fala.

    Forte abraço e continue com o bom trabalho. Espero te ajudar a ajudar os que buscam informação financeira.

  • GUILHERME

    Boa Navarro, ótimo artigo.
    Para variar vou deixar uma pergunta aqui… Como vc faz para deixar de pagar anuidade do cartão de crédito? Geralmente eu consigo um bom desconto, mas nunca a isenção da tarifa.

    Um abraço,

    Guilherme

  • Navarro

    Arthur, muito obrigado pela colaboração e pelo comentário. Estarei sempre por aqui disposto a colaborar. Sua sugestão foi muito interessante e espero que participe sempre. Grande abraço.

    Guilherme, valeu pela visita. Eu acho que comentei sobre isso em um dos outros artigos sobre cartão de crédito. Eu simplesmente falo que vou cancelar o cartão e falo que estou com pressa. Fico eu azucrinando a operadora e não o contrário. Vou até o final com a idéia de cancelar e de repente eles oferecerem anuidade grátis. That’s it. Abraços.

  • Carmen

    Oi meu filho, muito legal seu artigo sobre as armadilhas da emoção na hora de se gastar dinheiro.
    Realmente a gente tem que manter sob controle aquele bicho papão que insiste em nos dominar as mãos a cada vez que vemos uma novidade e que, implacavelmente, nos assalta quando menos esperamos, até chegarmos em casa com aquele tremendo mico debaixo do braço e a pesada fatura no bolso.
    Acho que a sabedoria consiste em se admitir que dinheiro é bom e aprender a gostar dele, sem hipocrisia. Quem gosta, respeita.
    Se todos soubéssemos dar ao dinheiro o seu devido valor, seria mais fácil a convivência com ele e quem não fez alguma bobagem por impulso, que atire a primeira pedra.
    Iniciativas como a sua, de mostrar quanto pode custar a desinformação, são de grande utilidade.
    A partir de agora, acho que muita gente vai correr para cá antes de ser tomada pelo monstro do consumismo.
    Parabéns.

  • http://www.oitopassos.com Tonobohn

    Eu ainda acho a dica da Infomoney uma boa. E é exatamente o que eu faço todo dia. Deixo o dinheiro no banco. Se eu tiver com 20 no bolso, esses 20 vão logo logo em besteiras. Alguma revista que não precisa comprar, bolacha ou um lanche fora de horário.

    Se estivesse sem o dinheiro, mesmo com o cartão, não gastaria. E com essas poucas economias por dia, no fim do mês a diferença chega na casa das centenas de reais.

    Quanto ao cartão de crédito, é uma pena ainda haver tanto desinformação, mesmo nessa era digital onde o conteúdo é de tão fácil acesso.

    Abraço!

  • Simone Romao

    Boa tarde Navarro !
    Eu não pago mínimo dos cartões de crédito, sempre pago o total. Ontem, quando recebi minha fatura, fiquei indignada com a taxa de juros no rotativo para o próximo mês: 15,11%. Isso é muita grana, isso é abusivo demais. E as pessoas, na maioria, não tem noção de quanto isso vale. Simplesmente pagam um valor menor que o total e nem sequer sabem os juros aplicados.
    Sinceramente, acho que o governo, Procon, sei lá quem, deveria interfir nesses abusos de financeiras.
    Obrigada pelas dicas, estou sempre acompanhando e tentando ajustar minha vida financeira. Um grande abraço.

  • Navarro

    Mãe, obrigado por mais um comentário perfeito! Se cada vez mais cedo pudermos nos preocupar com a tentação, mais cedo alcançaremos a tão sonhada independência financeira.

    Tonobohn, obrigado pela participação. Você tem toda razão, pena que a maioria dos brasileiros não é como você. Continue assim e traga sempre suas opiniões e testemunhos ao Dinheirama. É uma honra vê-lo comentando por aqui. Grande abraço.

    Olá Simone, obrigado pela visita. Você tem toda razão ao indignar-se com as taxas cobradas pelas operadoras. Agora imagine que pelo menos 45% das pessoas financia suas faturas nestes termos. Já pensou? Eu que agradeço pelas palavras e continue sempre comentando. Abraço.

  • Simone Romao

    45% ? as operadoras devem estar rindo à toa. Imagine.

  • Maria Cristina Minelli

    Não faz muito tempo que estou aprendendo. Mas estou me livrando das dívidas. Só que já estou meio cansada de ser chamada de “mão de vaca”, “portuguesa”, “unha de fome”, etc.. Já chegaram a me dizer que eu estou com problema na cabeça em ficar anotando tudo o que gasto. Eu vejo agora quanta besteira eu já fiz comprando, comprando, comprando.
    E, Navarro, você há de convir comigo que basta a gente por o pé pra fora de casa e já começam os apelos para a gente gastar. Aliás, até dentro de casa, são os telefonemas de banco oferecendo dinheiro, cartão. Lojas oferecendo coisas para comprar, gente pedindo donativo. Ufa! É duro escapar disso tudo todos os dias..

  • Navarro

    Maria Cristina, obrigado pela visita. Não se importe com o que as pessoas falam de você. Reflita um pouco sobre o patrimônio que tem e conquista a cada dia. Muita gente me chama de avarento, mas eu não ligo. Acham que o blog é para ensinar os outros a serem “pão-duros”, “mão de vaca” etc. Pessoas como você percebem o que pretendo fazer com o blog e sabem respeitar seu dinheiro. Gaste dentro de suas possibilidades, sabendo quais são suas REAIS possibilidades. Seus colegas não sabem o que é isso.

    Sim, é difícil resistir e é isso que eles querem. Não há mal em comprar um mimo, gastar num jantar ou com algum produto que queira. O problema é comprometer-se com o que não pode ter, na hora que não pode ter. Seja forte. Abraço.

  • Líbene Fernandes

    Ótima questão levantada pelo Arthur e como sempre um artigo muito bom, e direto ao assunto. Parabéns Navarro.

    Também sou adepto do “anotar tudo” Maria, ou pelo menos tudo o que consigo, é impressionante o círculo que existe nos fazendo gastar e gastar.

    Abraços a todos.

    Líbene

  • Arthur Gouveia

    Olá a todos! Quem bom que minha sugestão produziu tanta discussão. Fico muito feliz em ajudar. Quanto ao “anotar tudo” já fiz isso e além de tudo lançava em um software de gestão de finanças. O problema é que eu ficava meio chateado quando não conseguia encontrar onde gastei aqueles R$1,45 que impedem a conta de fechar. Tudo bem, às vezes a diferença era de mais de R$10,00, mas na maioria das vezes eram alguns centavos ou reais. Minha categoria “Diversos” estava ficando, de grão em grão, um pouco inchada com o passar dos anos.
    Hoje não tenho mais todo esse controle. Reduzi minhas despesas fixas renegociando com operadoras de telefonia e de cartão de crédito (também não pago anuidade) e evito os gastos idiotas ao longo do dia. SOU PÃO DURO SIM E DAÍ! Hehehe! Hoje não anoto todos meus gastos, mas a conta tá sempre no azul e ainda sobra um pouco pra investir. Fiz um orçamento a alguns meses e vi que está tudo sob controle. Continuo não anotando tudo. Será que estou errado?

  • Líbene Fernandes

    Arthur, pelo que vc disse, não está “anotando” mas tem o controle de tudo, acho isso o mais importante, e mais complicado também.

    Legal isso de não pagar anuidade no cartão, já estou vendo isso também, não tinha me tocado ainda.

    Abraços

    Líbene

  • http://www.codigofonte.net Emmanuel Alves

    Pois é! Eu concordo plenamente com o que você fala Navarro: para não gastar é só “esquecer” a carteira ou tirar o dinheiro dela.

    Isto acontece muito comigo, por mais que não possa gastar, quando tenho dinheiro na carteira eu gasto! É impressionante. Sempre aparece uma “coisinha” para comprar ou alguma besteira para consumir e o nosso querido dinheiro sai voando.

    O meu maior problema hoje são os cartões. Por mais que pague as faturas em dia e completas (pagando o total), sou acostumado em sempre usar os cartões, mesmo quando tenho dinheiro na carteira.

    Acho que vou começar a “esquecer” os cartões em casa ehehehe

  • http://www.weblocal.com.br Web

    Iniciativas como a sua, de mostrar quanto pode custar a desinformação, são de grande utilidade.
    A partir de agora, acho que muita gente vai correr para cá antes de ser tomada pelo monstro do consumismo

  • Navarro

    Web, obrigado pelo apoio e espero vê-lo por aqui mais vezes. Sinta-se em casa. Um abraço.

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