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Imóveis versus Fundos Imobiliários

20comentários

Imóvel - Comprar ou alugar?Guilherme escreveu: “Se for possível, gostaria que expusesse para nós leitores sua opinião sobre os fundos imobiliários. Quais as vantagens em relação ao imóvel em si? Como funcionam? É uma opção interessante para quem ainda acredita que imóveis são bons investimentos para o longo prazo? Obrigado”.

Guilherme, obrigado pela visita. Suas perguntas são muito interessantes e representam mais lenha na fogueira criada pelo tema “imóveis”. Particularmente, adoro uma boa polêmica. O tijolo, só por ser algo palpável e resistente (será?), não garante vida longa ao seu imóvel. Ou melhor, ao seu bolso. Fundos imobiliários têm características que evitam a dor de cabeça da administração do imóvel, mas costumam exigir altos aportes iniciais.

O que é e como funciona um fundo imobiliário?
Seu funcionamento não difere dos demais tipos de fundos, onde também há captação de recursos para investimento. No fundo imobiliário, esses recursos são usados na criação de empreendimentos imobiliários, novos imóveis ou no aluguel de bens deste tipo. Neste fundo podem constar um ou mais imóveis, parte de imóveis, seus direitos etc. Algumas de suas principais características são:

  • Deve ser, obrigatoriamente, administrado por uma instituição financeira;
  • A aplicação em bens imobiliários deve ser de, no mínimo, 75% do patrimônio acumulado pelo fundo;
  • Não há resgate de cotas. Para reaver seu dinheiro, ou parte dele, o investir precisa vender suas cotas, ou parte delas, para outros cotistas. Em casos mais radicais, ele pode contar com a dissolução do fundo, com respectiva venda de seus ativos.

Por que imóveis versus fundos imobiliários?
Nem todo mundo tem dinheiro (e energia) suficiente para se aventurar na construção, compra ou administração de um imóvel. Não sei se eu tenho. O fundo imobiliário permite que você receba uma renda mensal, equivalente ao aluguel de um imóvel próprio, sem que você precise atuar ativamente no gerenciamento da obra ou na gestão do(s) inquilino(s).

Essa renda entregue pelo fundo varia de acordo com a renda proveniente de seus ativos, estejam eles em construção, alugados ou arrendados. A comparação entre imóveis e fundos imobiliários deve levar em conta a sua disposição frente aos desafios que cada oportunidade apresenta. Veremos mais abaixo que ambas oferecem riscos semelhantes.

Sérgio Belleza Filho, consultor de investimentos responsável pelo site Fundo Imobiliário, deixa sua opinião:

“Sobre a administração dos imóveis, quando você compra cota de um fundo imobiliário, alguém faz isso por você. No caso, a Instituição Financeira que administra o Fundo. A grande maioria tem ativos alugados para grandes empresas e o fundo imobiliário é uma forma do investidor, com pouco dinheiro, comprar imóveis diferentes e de alto padrão”

E a rentabilidade média? E o imposto de renda?
Ainda segundo o consultor Sérgio, a rentabilidade média dos fundos imobiliários é de 1% ao mês, valor muito mais alto que os 0,7% praticados no aluguel de imóveis residenciais. Fundos cujas cotas são negociadas em Bolsa e contam com mais de 50 cotistas possuem isenção de imposto de renda sobre os rendimentos obtidos por pessoas físicas. Ah, nenhum cotista pode deter 10% ou mais das cotas do fundo, ou terá que pagar imposto.

Mas nem tudo são flores…
Ainda que o fundo apresente caracteristicas mais “tranqüilas” ao seu dia-a-dia, podem existir casos de inadimplência cujo impacto pode diminuir sua rentabilidade mensal. Não é diferente do que acontece com quem tem uma casa ou sala comercial e um inquilino que não paga em dia seu aluguel. As proporções mudam, o problema não. Com as proporções, crescem também os prejuízos.

Para investir em um fundo imobiliário, procure uma corretora ou instituição financeira, mas lembre-se de que entrar nessa é como entrar em uma empresa. Conheça o objetivo do fundo, os imóveis em que ele aplica seu dinheiro, seus gestores e fique sempre de olho. Não se assuste com a frase “fundos de ações negociados em Bolsa”, isso são pormenores operacionais de responsabilidade da instituição.

O artigo não diz o que é melhor, apenas apresenta mais uma alternativa interessante de investimento. Que tal?

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

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  • Link Curto: http://bit.ly/x4OpAy
  • Daniel Costa

    E eu pensava que “fundos imobiliários” era coisa de outro mundo, ou que precisa de um alto investimento! Vlw Navarro. Tô cadastrado! hehehehe

  • http://brunosette.blogspot.com Bruno Sette

    Gostaria de conhecer na prática esse tipo de fundo.

    Quais instituições financeiras o oferecem? tem algum site que a gente possa conhecer melhor esses fundos?

  • Navarro

    Daniel, obrigado pela visita. Nem sempre as coisas são tão complicadas como parecem. Abraço.

    Bruno, a maioria das corretoras tem esse produto. Deixo disponíveis alguns links para te ajudar:

    Hedging Griffo
    http://www.hedginggriffo.com.br/fundos_fora/imobiliario.asp

    Coinvalores
    http://www.coinvalores.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=298

    Cartilha do investidor CVM
    http://www.cvm.gov.br/port/protinv/caderno6.asp

  • Ana Paula

    Olá Daniel, comentei a mesma coisa com o Navarro hoje. Pensava que os Fundos Imobiliários fossem bem diferentes do que realmente são. Com a leitura do blog, deu para clarear as idéias.

    Navarro, obrigada por disponibilizar mais conhecimento para todos! Love you!

    Paulinha

  • http://www.sobreadm.wordpress.com Gustavo Periard

    Faaaal navarro!!
    po soh hoje pude vir conhecer a nova casa do dinheirama!!!
    muito bom hein cara?? bem diferente do anterior!!
    aprovado!!!

    abração e muuuito sucesso pra nós!! hehee

  • Arthur Gouveia

    Navarro,

    Grande artigo. Só fiquei com algumas dúvidas. O que você chama de “altos aportes iniciais”? Esse adjetivo é meio subjetivo. Pra mim, R$10.000,00 já é bastante alto! E quanto às taxas de administração? Vale mais entrar em um fundo desse do que a preocupação de administrar o imóvel além de para uma taxa pra mobiliária??

    um forte abraço

  • Navarro

    Paulinha, obrigado pelo comentário querida! Sua presença por aqui é fundamental. Te amo!

    Gustavo, obrigado pela visita e pelo apoio. Que bom que gostou do novo layout. Sucesso parceiro.

    Arthur, obrigado pelo comentário. Os aportes variam de R$ 5.000,00 a R$ 70.000,00 nos fundos imobiliários mais comuns. Mas existem alguns (poucos) de R$ 1.000,00 e outros de R$ 100.000,00 ou mais. A taxa de administração pode ser cobrada de duas formas: uma forma é uma taxa sobre o patrimônio ao ano (algo perto de 0,35%). Outra é cobrar uma taxa média de 3% sobre o rendimento. Os fundos distribuem 95% do lucro aos quotistas (por lei). Abraço.

  • Rodrigo Fernandes

    Bastante interessante a isenção de IR, hein? Deste modo, o 1% ao mês é 1% líquido ao mês, correto?
    um abraço,
    Rodrigo

  • http://www.fundoimobiliario.com.br Sérgio Belleza Filho

    Caro Navarro,

    Parabéns pelo artigo, que achei sem querer, quando estava “fuçando” por aí!!!

    Obrigado pelas citações e conte com minha ajuda no tema, se precisar.

    Um grande abraço e meus sinceros parabéns pelo Blog!

  • Bueno

    Fundos imobiliarios só valem a pena para quem é rico. Para quem pode desembolsar no mínimo R$100k e ter um rendimento de 1% mais ou menos favorável. Abaixo disso existem outras opções menos trabalhosas e mais acessíveis ao pequeno-burguês.

  • http://www.fundoimobiliario.com.br Sérgio Belleza Filho

    Não concordo, Bueno. E a BOVESPA tem cerca de 20 opções de investimento super acessíveis ao pequeno investidor que me ajudam no argumento. Nela são negociadas cotas de fundos imobiliários (FII) com preços (Base: pregão de 09/01/09) que vão de R$ 0,84 (FII Continental Square Faria Lima – código FLMA11) a R$ 1.785,00 (FII Almirante Barroso – FAMB11). Como vc pode ver, usando o exemplo da cota de maior valor no momento, com menos de R$ 2.000,00 voce pode se tornar um dos donos do prédio onde a Caixa Econômica Federal tem sua sede na cidade do Rio de Janeiro. Quem adquiriu estas cotas em seu lançamento, em 2003, teve uma valorização, portanto, de quase 80% no período, além de ter uma renda atual mensal, por cota, de cerca de R$ 15,20 que hoje representa, para aquele investidor, 1,5% (isenta de IR se este investidor for pessoa física). E para quem comprar esta cota hoje? Ele pagaria R$ 1.785,00 e receberia os mesmos R$ 15,20, portanto seu rendimento seria de 0,85%. Acho que este é um bom exemplo e que ilustra bem a vantagem dos FII. E, assim, como o FAMB11, há quase duas dezenas de opções, mais ou menos arriscadas, à disposição na BOVESPA. Dentro de mais alguns dias meu site http://www.fundoimobiliario.com.br será relançado, com seu conteúdo voltado a esclarecer estas dúvidas, além de várias novidades que estamos preparando. Um abraço!

  • Marcos

    Senhores,
    Sem qualquer responsabilidade, mas qual ou quais fundos imobiliarios que se destacam em rentabilidade e liquidez hoje?

  • http://nãotenho Cristina Leite

    Olá a todos. Hoje, dia 12/05, saiu no Valor Econômico um artigo informativo sobre os fundos, vale a pena ler. Gostaria de mais informações sobre como é a remuneração dos fundos imobiliários, parece que com a queda dos juros, acabará se tornando opção interessante. Hoje quais são os fundos disponíveis? Alguém sabe dizer

  • Sérgio Belleza Filho

    Comentando as duas últimas mensagens (a do Marcos em 29/04 e a da Cristina hoje, dia 12/05):

    Os Fundos Imobiliários brasileiros são formados, em sua maioria, por imóveis geradores de renda frequente, tais como shopping centers, edifícios comerciais, hospitais, galpões, etc. A renda destes fundos é distribuída mensalmente aos cotistas, em dinheiro (a legislação obriga a distribuir semestralmente, no mínimo. Mas os fundos focados em investidores pessoas física colocaram em seus Regulamentos de Operação a obrigação mensal de distribuição dessa renda).

    Existem cerca de 20 fundos imobiliários voltados às pessoas físicas em negociação secundária na BOVESPA. No momento não há nenhum fundo em fase de lançamento, mas há um, o CSHG Brasil Shopping, que está com processo de aumento de capital em análise na CVM. Deve ser aprovado brevemente. Mais informações sobre este fundo no link http://www.cshg.com.br/cshg/fundos_fora/imobiliario.asp

    Voltando aos fundos cujas cotas podem ser adquiridas na BOVESPA, há opções para todo o tipo de risco e gosto: quer ser sócio do edifício-sede da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro? Basta comprar cotas do FII Almirante Barroso (código FAMB11B). Prefere um fundo com “emoção”? O ABC Plaza Shopping, o West Plaza e o Higienópolis são fundos que são proprietários de participações nos shoppings, que têm sua renda formada pelo resultado do aluguel de seus espaçoes menos as despesas de funcionamento. Mais detalhes vcs encontrarão em meu site FUNDO IMOBILIÁRIO – Investimento Concreto http://www.fundoimobiliario.com.br .

    Abraço à todos!!

  • PETER DAMIAN PETKOFF

    Tenho cotas de 06 fundos imobiliários diferentes, gostaria de saber se o IR de 20% cobrado na fonte é sobre a diferença entre os valores de compra e venda, pois essa dúvida não consegui sanar.
    Se possível, esclarecer simulando uma operação de compra e vendas.
    Atenciosamente.

  • Pingback: Imóveis: a preferência nacional « Thiago Dias

  • Rosana

    Oi, Conrado
    Recebi um comunicado sobre a renúncia do administrador do Fii Pqdp e a substituição por outra empresa.
    Passou da Ourivest para a Brazilian Mortgages Companhia Hipotecária.
    Gostaria de saber se isso é bom ou ruim.
    Se o fundo é bom, a administradora não vai querer abrir mão dele, não é mesmo?
    Achei isso muito estranho…
    http://br.advfn.com/noticias/Fii-D-Pedro-pqdp-agc-03-11-2010-14h-1a-Conv-1_44886848.html
    Obrigada,

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  • Andréa

    Através desse blog consegui, tirar algumas dúvidas e tive uma direção de como proceder em relação a uma situação que estou passando com um banco. Achei o site do B.C. e me comuniquei on line com eles na ouvidoria. Excelente a comunicação desse blog que pode ajudar outras pessoas a tirar suas dúvidas. Obrigada.

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Cássio Rosas

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