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Dinheiro: indecisão também é decisão!

11comentários

Construir o futuro!Armando comenta: “Navarro, não sei se já parou para refletir sobre o valor que as pessoas dão ao seu dinheiro. Qual deve ser a verdadeira importância do dinheiro na vida das pessoas? Qual é sua visão sobre a filosofia de vida neste sentido? O que julga fundamental? Dinheiro é fundamental? Sei que acabo de te colocar em uma grande enrascada com essa pergunta, mas já percebi que é disso que você gosta. Que tal falar sobre isso”?

Armando, o assunto é pra lá de polêmico. Enrascada? Estou frito, isso sim. O mais importante dessa questão é a relação (delicada) entre você e seu dinheiro. Conhecimento é fundamental, mas não é tudo. Alguns movimentos subjetivos, tipo atitude, humildade, inteligência emocional e disciplina, são tão ou mais importantes que a informação que você encontra nos jornais ou na internet. Dinheiro, de uma vez por todas, não é tudo.

Dinheiro é importante?
Ele sempre está presente, não adianta querer negar sua relevância. O dinheiro é troca. É algo palpável e corresponde ao valor dado, pelos outros, ao nosso trabalho e dedicação. Dinheiro também é referência, pois trata-se de uma representação numérica do valor que vemos nos bens e produtos que nós podemos ou queremos comprar. Não é assim? Concluo, portanto, que dinheiro é importante.

O erro óbvio!
A maioria das pessoas admite que lida mal com suas finanças. Qual a saída, eu pergunto? Quase 80% das pessoas revela que, se ganhassem mais, os problemas diminuiriam bastante. Mentira. Quantos dos seus objetivos de vida não correspondem ao consumo de alguma coisa? Reformulando a pergunta, quanto de seu tempo você passa gastando, negociando ou falando de dinheiro? Muito, não importa sua renda ou classe social. O dinheiro está, literalmente, na “boca do povo”.

O problema não é, nunca foi e nunca será o salário baixo ou o pouco dinheiro disponível, mas sim a atenção que você dá a ele. É algo óbvio, elementar. Ah sim, concordo que vivemos num mundo que, freqüentemente, provoca a ilusão em vez da realidade. Felizmente, justificar não resolve. A lente necessária para transformar a ilusão em realidade chama-se educação financeira.

Filosofia de vida
Está ai um outro grande tabu. Vai o Navarro arrumar confusão. Há pouco tempo, encontrei alguém que discorda do meu jeito de gerir meu dinheiro. Na ocasião, o nobre cidadão alegou ter “outra filosofia de vida”. Até ai, tudo bem. Vai daí que eu ousei falar um “não entendi”. Ai veio a clássica resposta “você não entenderia mesmo, deixa pra lá”. Gente, ignorância financeira não tem nada a ver com filosofia de vida. Ainda bem.

As pessoas gostam de falar (e fazer) sobre o que é fácil. Gostam de futilidades, baboseira e conversa de bar. É um tal de rodar “no automático”, sem dar importância ao que pode ser trabalhoso ou minimamente diferente, que mais parece uma nação de zumbis. Zona de conforto, conhece? Então aprenda uma coisa: quando se trata de educação financeira, a zona de conforto pode ser um grande buraco. Advinhe quem comanda a pá, cavando sem parar? Você. Ops, guarde a pedra, vou ficando por aqui.

Decisão é tudo. Dinheiro não.
Qual foi a última vez que você realmente parou para avaliar seu relacionamento com seu dinheiro, suas receitas, despesas e(ou) investimentos? Again, isso não tem nada a ver com filosofia de vida ou princípios éticos e morais de conduta. Não tem a ver com religião. Tem a ver com você e o valor que você dá ao seu dinheiro.

Como sempre, eu falei, falei e não falei. Dinheiro pra mim é fundamental e importante. Eu sei onde quero chegar. Considero, pois, ter uma boa filosofia de vida, seja lá o que isso signifique. Pronto, falei! Agora permita-me um momento de reflexão: respeito muito o poder que temos sobre nossas decisões. Faço questão de lembrá-lo de que indecisão também é decisão. A vida, meu caro leitor, continua. As consequências surgem. E ai? Por que parou?

Crédito da foto para Marcio Eugenio

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

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  • Link Curto: http://bit.ly/ykVFdq
  • Ana Paula

    Belíssimo artigo! Adorei!

    Beijos…Te amo!

  • Valdinei

    É isso mesmo Navarro. A massa gosta de permanecer na zona de conforto e justificar os seus fracassos, ou ainda pior, encontrar culpados para estes (o governo, o emprego, o pais, o sol, a chuva…). Como eu li em um livro muito interessante, as pessoas fazem comparações equivocadas sobre o dinheiro dizendo: “O dinheiro não é mais importante do que o amor!”. Como assim? Cada um tem a sua importancia em sua devida area, o amor é muito importante, mas não paga contas no fim do mes…Mas assim ,usando este tipo de auto enganação, eles se mantém firmes em sua zona confortável, afinal, pra que mudar? Daria muito trabalho…

    Acho que me empolguei no comentário…rs

    Parabens pelo artigo… muito bom!

  • Arthur Gouveia

    Uau! O que foi que aconteceu? Onde está o “hedge”, “stop loss”, média móvel, VGBL!

    Grande Navarro, de consultor financeiro a guru filosófico. Vou ler o artigo mais algumas vezes pra ver se entendo melhor.

    Brincadeira. Grande artigo. Dinheiro não é questão de “filosofia de vida”. Se assim fosse, desperdiçar seu tempo, sua saúde, sua vida também o seria.

    Vale adequar o dinheiro que você tem à vida que você leva ou adequar a vida que se leva ao dinheiro que se tem? Ih, acho que também filosofei…

  • Carmen

    Meu filho.
    Este artigo vai ser motivo de muita reflexão e pouco comentário, o que e perfeitamente normal, uma vez que trata do assunto tão delicado que é a postura que devemos ter diante do dinheiro.
    Parabéns pela profunda simplicidade, bastante incomum na sua idade.

  • LD

    Parabens Navarro. Excelente texto, gostei especialmente dos paragrafos “Filosofia de vida”.

    Continue com o bom trabalho!

  • http://www.fazedordesite.com Rodrigo Fante

    Sinceramente muito bom, eu mesmo antes de casar fazia parte da turminha da zona de conforto, precisei mudar de pais, casar, sair das casa dos pais tudo ao mesmo tempo para acordar que na vida, ou nos fazemos por onde, ou vamos girar sempre tentando morder o próprio rabo, como fazem os cachorros e no final ainda abanar o rabinho feliz, mesmo que estejamos literalmente na vala.

    Seu blog não canso de dizer esta cada vez melhor!

  • Lúcio Costi Ribeiro

    Navarro,
    Vou discordar em parte. Acho sim que nossa relação com o dinheiro tem ligação com o estilo de vida que levamos. O Aurélio, netre várias definições, diz que estilo é “maneira de tratar, viver, procedimento, conduta, modos”. Ou seja, tem relação direta com escolha pessoal. Quem escolhe lidar com o dinheiro de maneira, digamos, perdulária ou sem controle está fazendo uma escolha. O consumo imediato é sim, por definição, um estilo de vida. Assim como, “não decidir”, como você cita no texto, “é decidir”, é escolher.
    Para tanto, aí é que está o nó, ao meu ver, é preciso que que a pessoa sinta a necessidade da mudança. Nosso estilo de vida está ligado a experiências passadas positivas ou não. Mudanças no estilo de vida exigem sensibilização. Informação não basta. a escolha está no que fazer do que sentiu (realização, satisfação ou frustração, perda; para ficar em lguns exemplos). Há quem se afunde em dívidas e, frustrado, escolha acreditar que é assim mesmo. Outros, passam a acreditar que uma atitude mais preventiva, como conhecemos. Certa vez, conversei com um camarada que criticava muito a escolha dos previdentes de adiar o consumo em nome da poupança e do investimento. Para ele, vale a diversão e a satisfação imediata. Quem não deve, não têm é o lema dele. E segue falei com seu estilo de vida.
    P.S.: A propósito, o meu blog e o serviço de rádio Dinheiro em pauta estão fora do ar. Um dia volto!

  • http://reflexoeseperdadetempo.blogspot.com Enio Luiz Vedovello

    “Dinheiro não traz felicidade”, “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no céu”, “O importante é ter saúde”, “Dinheiro só traz problemas”, “Credo! Só pensar em juntar dinheiro é doença”…
    Existem muitas frases feitas que servem de muleta para quem não quer encarar de frente a realidade financeira.
    Dinheiro não traz a felicidade? Não, não traz. E nem é sua função trazer. Mas a recíproca não é verdadeira. Não é porque não tem dinheiro que a pessoa será feliz.
    Manter como único objetivo de vida o acúmulo de dinheiro, chegando ao cúmulo de faltarem itens básicos pode ser sintoma de algum problema, sim. Não sei, não conheço profundamente psiquiatria e psicologia para avaliar.
    Mas saber usar seu dinheiro para conseguir seus objetivos, saber planejar seus gastos de modo a nunca estar com saldo devedor no cheque especial, não pagar juros desnecessários e ainda sobrar uma reserva para alguma emergência não é crime. Não é pecado. Não é errado. E, se viver administrando seu patrimônio com sabedoria não é a felicidade, ao menos afasta outras preocupações que certamente o impediriam de chegar a ela.
    A propósito, felicidade e inconseqüência são coisas completamente diferentes.

  • Ismael

    Navarro:

    Concordo com boa parte do que escreveu.

    Convenhamos: existem mesmo muitas maneiras de lidar com o dinheiro. Há pessoas mais ou menos gastadoras. Há pessoas indiferentes. E isto não tem nada a ver com a organização das finanças.

    A questão nem é tanto o quanto se gasta mas como se administra o que não se gasta.

    Eu acredito na poupança de longo prazo, não numa poupança temporária para “emergências”. Acredito que as pessoas devem construir e zelar pelo crescimento de um patrimônio sólido ao longo de suas vidas.

    Sobre estilo ou “filosofia” de vida, tenho uma opinião particular sobre o assunto: é irrelevante. Pessoas frugais nem sempre são ricas, pessoas gastadoras nem sempre são pobres. Pode até acontecer o contrário. Aliás, conheço casos de ambos os lados.

    Como você disse, o problema não é o salário baixo ou o pouco dinheiro disponível. O problema é como o dinheiro é administrado. Nós, muquiranas, temos mais facilidade em administrar patrimônio. Alguns gastadores também são bons nisso.

    PS: Desculpe-me pelo longo comentário. É que me empolguei. No mais, parabéns pelo blog, está cada vez melhor!

  • Carlos Gardel

    Essas questão filosófica sobre dinheiro é algo complicado. Entramos no campo do conflito entre necessidade X desejo. Comer é uma necessidade. Ir sempre ao restaurante mais caro passa a ser um desejo, principalmente quando outras coisas importantes são deixadas de lado. Por ex., conheço pessoas que pagam DEZ reais em 2 bolas de sorvete, mas a geladeira está vazia. Por outro lado, conheço um cara que ganha 6 mil reais brutos por mês, não tem família e não paga aluguel. Pois esse cara se veste com roupas das mais baratas e come em lugares cuja comida é horrorosa. Acho que devemos manter uma relação saudável com o dinheiro. Ter uma poupança é algo importante. Saber comprar, fazer pesquisas (ainda mais na era da internet), é algo que faz sua renda multiplicar. O que não se pode fazer é torrar o que se ganha e lá na frente ter que viver com uma aposentadoria mixuruca e depois ficar reclamando do governo.

  • luciana karla

    Caro Navarro, o dinheiro é importante sim , mas não podemos viver só de aculmulo de riquezas, pois nada nesta vida veio pra ficar, afinal vamos morrer um dia, e não podemos de forma alguma deixar que a ambição tome conta de nossas vidas, pois em partes dinheiro não compra felicidade, pois se o fosse tenho certeza que as pessoas não teriam motivos para se suicidar, ou viver numa vida miseravel e com odio no coração.

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