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Risco-país? Ah sim, já ouvi falar!

12comentários

Dinheirama - Foto geralRenato comenta: “Navarro, eu nunca entendi direito esse negócio de risco-país. O que ele representa e como devemos encará-lo em nosso dia-a-dia? Há algum indício de que ele vá melhorar ou piorar e será que isso influencia na economia do cidadão comum? Como? É tão complicado assim? Obrigado pela força”.

Renato, obrigado pela visita. O grande barato do risco-país é mesmo todo esse “bafafá” criado pela mídia. É muito comum encontrarmos manchetes tipo “Risco-país sobe pelo terceiro dia consecutivo” ou “risco-país em seu nível mais baixo desde 2006”. Pra falar a verdade, a coisa é um pouco (muito) confusa. São muitas variáveis técnicas envolvidas em um ícone tão abstrato. Minha missão? Descomplicar.

O que o risco-país representa?
O risco-país sinaliza o grau de confiança ou desconfiança dos investidores financeiros na capacidade dos países emergentes em saldar suas dívidas externas. Como a macroeconomia lida com ‘n’ variáveis (indicadores econômicos e sociais), este grau de desconfiança é bastante hipotético.

Já sei, hipotético é uma palavra evasiva e genérica. O risco-país também é. O fato gerador destas desconfianças não precisa acontecer necessariamente no Brasil para que a taxa se eleve. Um exemplo foi a recente crise do sub-prime, ocorrida no setor imobiliário-financeiro norte-americano, que elevou em mais de 20% o risco-país.

Um pouco de história
Este índice surgiu em 1992 quando o banco norte americano JP Morgan criou o EMBI+ – Emerging Markets Bond Index. O banco venderia títulos destes países emergentes em troca do pagamento da dívida externa através do Sistema de Amortização Americano, pelo qual um país paga os juros (chamados cupons) de sua dívida externa anualmente e ao final paga o total do financiamento (chamado valor de face).

O Portal Brasil tem uma visão inteligente e esclarecedora sobre o risco-país:

“Tecnicamente falando, o risco país é a sobretaxa que se paga em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do Tesouro dos Estados Unidos, país considerado o mais solvente do mundo, ou seja, o de menor risco para um aplicador”

Em outras palavras, o risco-país sinaliza o quão perigoso (ou não) é investir em determinado país. Os principais fatores que afetam o Risco Brasil são:

  • Capacidade de pagamento das dívidas externas e internas;
  • Inflação;
  • Câmbio;
  • Crescimento do déficit ou superávit publico;
  • Situação da previdência social;
  • Taxas de juros.

Trocando em miúdos…
Se esses fatores pesam negativamente, o risco país aumenta e, conseqüentemente, aumenta a desconfiança dos investidores estrangeiros no Brasil. Dessa forma, eles crêem que se não podemos cumprir com nossas obrigações, não seremos capazes de oferecer o retorno esperado em seus investimentos. Isso gera queda da entrada de capital no país, o que não é bom. Países com políticas econômicas austeras e de visível preocupação com a dívida externa apresentam risco-país menor, o que significa segurança para os donos da grana lá fora. Para nós, mortais, esse parágrafo basta.

E lá na frente?
Em 2014 acaba o prazo de financiamento da dívida brasileira. E ai? Bom, ai já é outra história, outro artigo. O Brasil vem honrando seus compromissos com regularidade, mas ninguém pode garantir que ele irá pagar direitinho a dívida total. Eu particularmente acredito na renegociação e, quem sabe, um ‘empurrãozinho’ do pagamento para mais adiante. Algo light, sem FMI e cia. Você entendeu o que é risco-país? Deixe sua opinião.

Nota: Ana Paula Grillo, administradora de empresas, colaborou com o texto. Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

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  • Link Curto: http://bit.ly/xnuZFw
  • Angela

    Paulinha,
    Clara e objetiva. Parabéns, adorei o artigo! Escreva mais!
    Conrado,
    Seu blog cada dia mais interessante, hein… Parabéns!

    Abraços!

  • Thiago

    Claro e Objetivo [2]
    Muito bom… conheci seu site ontem e estou adorando os textos e artigos.

    Parabéns!

  • Kalishnikov

    Olá pessoal,

    Estou aprendendo sobre o mercado e quero usar um simulador. Eu só conheço o Em Ação, mas ele é muito ruim. Alguém poderia me indicar outras opções?

    Muito obrigado!

  • Krop

    Kalishnikov: Eu tbm “brinco” no emacao.folha.com.br.
    No início achei horrível, hoje sou mais complacente. Até que não é tão ruim (perto de outros terrores que vi por aí..) Tem aglumas corretoras e outros sites que tem simuladores de carteiras. Você compõe uma carteira “virtual” e vai “vendendo” e “comprando”. Depois ele te dá o rendimento, etc… Mas não são tão completos como o emacao. Outra coisa legal do emacao, que não vi em nenhum outro, é a capacidade de você comparar o seu desempenho com o de outros participantes..

    Se fosse vc tentava superar a 1ª (má) impressao do emacao. E aos poucos você vai entendendo melhor e descobrindo algumas coisas interessantes…

    Ah, se descobrir algum outro simulador divulga aí para o pessoal…

    Abraço.
    Krop.

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  • Priscila Saito

    Cada dia que acesso esse blog, as informações que recebo são entendidas de uma forma tão simples….

    Caro Navarro, acredito que é o único tradutor de economês! Pelo menos, o meu!

    Parabéns!!

  • http://dinheirama.com/blog/sobre Conrado Navarro

    Olá Priscila, obrigado pela visita e pelas palavras de apoio e reconhecimento. É um prazer poder ajudar com as “traduções”. Sinta-se sempre em casa e ajude a divulgar o blog. Abraços.

  • sankeik

    Valeu muito suas palavras sobre risco Brasil, me ajudaram intensamente para compreender esse bicho papão, gostaria de saber como pergunta, qual a situação que encntra-se o individamento internacional do Brasil nesse atual momento? obrigado sankeik….

  • Ivatson bueno

    É com muita alegria que expresso o quanto foi útil a leitura que fiz, e confesso que aumentou o meu conhecimento e enriqueceu o meu vocabulário, porque eu nunca antes tinha visto falar de Risco país, por isso
    gostei muito do que foi comentado.

  • Joana Verardi

    Olá Conrado,

    Seus artigos são claros, objetivos e atuais.

    Porém, não deveria deixar de mencionar que, Risco-País e EMBI+ não referem-se ao mesmo índice, conforme segue:

    O que é o risco-Brasil?
    O risco-Brasil é um indicador que busca expressar, de forma objetiva, o risco a que investidores estrangeiros estão submetidos quando investem no País. No mercado, o indicador mais utilizado para essa finalidade mede o rendimento médio de uma carteira hipotética, constituída por papéis emitidos pelo Brasil no exterior, frente ao
    rendimento dos títulos do tesouro norte-americano de prazo comparável (que são considerados livres de risco). Quanto maior o risco, menor, a priori, a capacidade de o País atrair capital estrangeiro. Em conseqüência, maior é o prêmio com que seus instrumentos de dívida devem remunerar os investidores para compensá-los por assumir esse risco.

    Esse indicador é o EMBI+?
    Não. O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus), calculado pelo J.P.Morgan Chase, é um número-índice que mede o retorno que os papéis que compõem a carteira hipotética mencionada na resposta anterior asseguraram ao investidor desde a sua composição até o presente, ou até a data de referência. Para a maioria das carteiras desse indicador, a data-base (um número-índice igual a 100) é 31 de dezembro de 1993, quando foi iniciado o cálculo do EMBI+. O risco-país, como já descrito, é a taxa de retorno atual da carteira hipotética desse país, descontandose o rendimento dos títulos do tesouro norte-americano (treasuries); é o chamado spread over Treasury dessa carteira. O risco-país procura capturar o risco soberano “puro”. Como parte dos papéis dos países emergentes oferece garantias ao investidor (caso de alguns Bradies1, garantidos por títulos do tesouro norte-americano), esses papéis recebem tratamento específico, de forma a neutralizar o impacto do colateral no risco. Assim, o risco-país é o spread soberano médio dos títulos da dívida externa na carteira do EMBI+, ponderado por seu valor de mercado. Atualmente, a carteira do EMBI+ Brasil compreende 19 papéis emitidos pelo país no exterior, incluindo o A-Bond e dezoito diferentes denominações de bônus globais, com vencimentos entre 2008 e 2040.

    FONTE: http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus/FAQ09-Risco-Pa%C3%ADs.pdf

    Abraços!

  • Tainah Espíndola

    Olá, sou estudante de Relações Internacionais da federal de Uberlândia e tenho uma dúvida sobre o Risco-País. Gostaria de saber, porque o Risco-País cresceu significativamente àpartir de 2006, saindo de 193 nesse mesmo ano e chegando a 418 em 2008, sendo que as reservas internacionais aumentaram também significativamente desde 2006 e a balança comercial decresceu. Isso contraria as teorias macroeconomicas. Penso que algum fator externo deva ter causado tal acontecimento, no entanto, qual fator seria esse? Consigo pensar na entrada do euro na economia ou até mesmo nos grandes juros oferecidos pelo Brasil, mas o ultimo vem decrescendo. Se possível, ficaria muito grata se respondesse minha dúvida. Desde já, obrigada.

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