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Mesada, atitude e educação!

Publicado por Conrado Navarro em 16.09.2007 na seção Educação Financeira

Dinheirama - Foto geralRegina comenta: “Navarro, sou mãe e gostaria de ver alguns textos voltados para o raciocínio que envolve a decisão de instituir (ou não) a mesada. Tenho filhos em idades distintas e passo por alguns ‘apuros’ quando eles resolvem me questionar sobre os valores/critérios usados neste sentido. Há aquele que quer trabalhar e aquele acomodado com a situação. O que você tem a dizer sobre a famosa mesada? Gostaria de sua opinião. Obrigada”.

Regina, que fogueira hein? Puxa, um assunto desses merece muita atenção. Lá vou eu entrar num assunto polêmico e cheio de “verdades absolutas”. De cara, percebo que o maior problema em relação à mesada é a tal “hora certa” de cortá-la e como proceder para que isso aconteça sem traumas. Romper o fluxo de capital nunca é tarefa fácil, especialmente em um país onde existem dificuldades para que o jovem consiga seu primeiro emprego. Tenho algumas opiniões sobre o tema.

Sete anos e um celular
Pense em toda a sua família por um instante. Quantas crianças com menos de dez anos possuem celular? Quase todas, certo? Hum, mas o que isso tem a ver com a mesada? Expectativa. Ora, se uma criança de apenas sete anos recebe tamanha demonstração de dedicação financeira, qual será seu desejo ao chegar aos 16 anos? E aos 18? A educação financeira é fundamental desde os primeiros anos de vida e o uso da mesada, bem como a hora de cessá-la, é um reflexo desse aprendizado. Certa ou errada, toda ação traz pelo menos uma consequência.

Blah, não que eu seja contra uma criança andar pendurada ao seu celular (ou vice-versa). Não sou contra nada. Sou a favor da blindagem ao consumismo de moda exigido pelos filhos, especialmente quando é a família, como um todo, que merece maior atenção. O celular é apenas um exemplo de transferência de princípios e valores. Diversas outras analogias podem ser feitas a partir daqui, mas deixo essa tarefa para você.

Quando?
Será que existe hora certa para começar a dar mesada aos filhos? Provavelmente sim, mas regras neste sentido costumam ser inapropriadas e prefiro evitá-las. Alguns especialistas afirmam que o ideal é começar quando a criança aprende a somar e subtrair. Mais, costumam solicitar que até os 11 anos as crianças recebam “semanada”, justificando a necessidade de contato mais direto com a criança, de forma instrui-la sobre o uso do seu dinheiro. Me parece justo.

Atitude
Tenho um conceito muito simples de mesada: ela é um instrumento poderoso de educação financeira. Ponto. Sendo assim, não adianta usar dela para punir ou ilustrar metas a serem cumpridas. Flagradas de maneira incorreta, essas atitudes podem transformar a sua relação com seu filho em um jogo perigoso de poder. Acabou a mesada? Paciência. Prefira demonstrar (e ensinar) os requisitos de comportamento fundamentais para que ele possa receber um bônus (ou aumento) a puni-lo com o corte de dinheiro sempre que algo lhe desagrada. Atitude não tem preço, não está a venda.

Você, adulto, passa pelas mesmas provações, quer ver? Não é bom saber quais os requisitos e exigências da empresa para que você possa ser promovido? Plano de carreira é como costumam chamar esse exercício. Vencer por mérito próprio, como fruto de suas atitudes é o que há de mais gratificante. A inocência da criança e do adolescente potencializa esse prazer, mas são poucos os pais dispostos a levá-los a sério quando o assunto é a auto-estima e o estímulo financeiro. É uma pena.

Aprendendo a aprender
Seu filho precisa ser responsável pelas escolhas que faz. Se ele quer comprar algo fora do seu universo normal, primeiro precisa aprender a poupar. Ah, ele não aprende sozinho (duh!). É papai, mamãe, você terá de ensiná-lo. É um capítulo a menos da novela, um final de semana sem ir ao clube com os amigos. É assim. Participação dos pais é fundamental (outro duh!). Se o pimpolho tem mais de 8 anos, R$ 40,00 no bolso e o brinquedo custa R$ 50,00, deixe que ele negocie com o vendedor. Apenas observe. Depois, peça que ele lhe explique o que aconteceu na loja e o quais suas conclusões sobre a compra do brinquedo. Você vai se surpreender.

Atitudes (simples) assim evitam que o pimpolho arrisque-se no cheque especial ou caia na armadilha do crédito fácil quando atingir a maioridade. A culpa não é da televisão, das revistas ou dos colegas. A educação financeira dos filhos é responsabilidade dos pais, da família (já sei, estou sendo repetitivo demais). As palavras ensinsam, mas só o exemplo arrasta, portanto preste atenção ao que você faz. Alegar falta de dinheiro para comprar um mimo no passeio de domingo e entrar em um financiamento de um carro novo, logo na segunda, é um exemplo (comum) do que estou falando. Ninguém faz isso, não é mesmo? Aham.

Hora de parar
Geralmente o problema surge quando os pais dão uma mesada muito alta ou cobrem o filho de presentes “extra-mesada”. A mesada precisa ter um objetivo e seu filho um dia vai precisar trabalhar, certo? Portanto, cuidado com o exagero na hora de bancar as aventuras do rebento. Deixe ele perder a viagem com os amigos porque a mesada acabou. Perder? Seu filho sabe o que isso significa? Esse é o erro crítico que antecede a discussão sobre a hora certa de cessar os depósitos. O especialista Marcos Silvestre dá sua opinião:

“É interessante subtrair da mesada o dinheiro que seu filho recebe com trabalhos pontuais ou estágios. Por exemplo, é possível reduzir 5% da mesada, a cada três meses, depois que o filho sai da faculdade”

O apoio incondicional dos pais deve ser eterno, a mesada não. Isso deve estar claro tanto para você, pai (ou mãe), quanto para você, filho. Vivencio casos típicos de pais que, sem saber como contornar a falta de preparo do filho em relação ao trabalho e seu fracasso em relação à educação financeira, bancam seus pupilos por muitos anos, colocando-os em pós-graduações aqui, cursos de extensão lá, viagens ao exterior etc. Parece que o problema não existe, que está tudo certo.

“Ele está se preparando para o mercado de trabalho” é o que escuto freqüentemente. Trabalho? Alguém acha mesmo que esse jovem vai querer trabalhar? Já já ele “reconhece” que o tal curso não lhe trouxe benefícios e resolve pular para outra faculdade, outra profissão. Por que não conhecer o Canadá e ficar um ano estudando inglês? Pulando daqui e de lá ele vai mantendo seu padrão de vida, sustentado pela família, sem a menor preocupação com a energia que mantém seu computador ligado ou com as compras que abastecem seu almoço. Que valor esse jovem dá ao trabalho, ao dinheiro?

PS: Antes que alguns pais, irados, discordem de tudo e apelem para o “você ainda não tem filho, vai ver como é difícil”, peço que reflitam sobre suas atitudes e permitam que um filho agradeça sua família pela formação que recebeu. Obrigado mãe, obrigado pai.

PS2: Antes que alguns filhos, irados, discordem de tudo e apelem para o “eu realmente não me encontrei ainda e esses cursos são para que eu possa experimentar diferentes áreas”, peço que experimentem trabalhar e permitam que um filho, como você, comemore sua independência financeira.

Crédito da foto para Marcio Eugenio

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18 comentários
  1. Imagem do comentarista
    Ana Paula

    Navarro,

    Adorei o artigo. Muito bem escrito. Concordo muito com ele.

    Lembro das minhas semanadas quando criança e mesadas, e também da minha primeira conta corrente aos 15anos. Era conta conjunta com meu pai, a mesada era o suficiente para pagar as despesas que toda mulher tem, sair pelo menos uma vez por semana (duas vezes seria complicado) e guardar um pouquinho para um investimento mais caro (roupa nova, festa, presente). O mais engraçado é que apesar de tudo isso, também emprestava dinheiro para meu irmão e minha mãe e quando eles me pagavam, eu não gastava, guardava.

    Acho que aprendi a lição direitinho e gostei tanto que formei em Administração.

    Era diferente de minhas amigas que tinham que perdir dinheiro para o pai todo fim de semana para sair ou mesmo ir ao salão.

    Acredito que a mesada, além da educação financeira, também é um estimulo para a confiança entre pais e filhos.

    Beijos. Te amo!
    Paulinha

  2. Imagem do comentarista
    Krop

    Eu não tenho filhos ainda. Mas um dia quando os tiver pretendo instigar as suas características empreendedoras desde cedo.

    Planejo dar-lhes uma “mesada”, mas também planejo eventualmente criar dificuldades artificiais (espero que sejam só artificiais, eheh) para o pagamento delas. Isso para que o “fedelho” aprenda não só a cuidar do seu “queijo”, mas também saber procurar outros “queijos” e estar preparado para a evetual falta deles.

    Espero que essas “crises” artificiais os faça aprender a lidar com as dificuldades e aprender que nas dificuldades pode-se encontrar ótimas oportunidades.

    Quanto aos estudos a partir da faculdade, planejo financiá-los com uma taxa de pai para filho(a). Mas só depois de discutir sobre o seu planejamento durante e para depois de formado. Acho importante pensar em termos de planjemanto a partir dos 16 anos aproximadamente. E mais do que planejar antecipadamente, é fundamental acompanhar a conquista das metas intermediárias. Talvez isso faça a escolha da faculdade ser mais consciente…

    Parece um pouco rígido, cruel? Não acho.. Cruel eu acho é deixá-los completamente à vontade (ié totalmente perdidos) como tenho visto acontecer com muitos jovens por aí… Acho uma pena o que os pais fazem com eles.. Sempre “financiando” seus “estudos” no exterior, trocas de faculdade, etc.. Vejo muito disso… E esses jovens não têm a mínima idéia de como as coisas funcionam de fato.

    Krop.

  3. Imagem do comentarista

    Eu não tenho filhos ainda, mas posso falar da experiência de filho.
    Nunca tive mesada, mas meus pais sempre souberam dizer não quando eu era muito pequeno, até uns 10 anos.
    Depois amoleceram, dizem que a idade trás esse sentimento, não sei, mas eu até aquele momento já tinha passado por varias frustrações de brinquedos, viagens que quis e não consegui, já tinha visto vários apertos e coisas que meus pais faziam para me dar o pouco de conforto que conseguiam.
    Depois que eles conseguiriam uma boa situação, mesmo assim, eu sempre me senti mal de pedir algo, de depender, eu sabia o quanto eles tinham lutado para ter o que tinham e não me achava no direito de exigir algo.
    Logo comecei a trabalhar cedo e procurar meu sustento, sinceramente não só financeiramente, mas carater, honestidade, em tudo, só tenho a agradecer meus pais, pois formaram uma pessoa que se orgulha de ser auto sustentável, estável, e muito honesto.
    Defeitos claro tenho muitos, mas os pilares estão ali sólidos para seguir a jornada da vida, e saber e ver nos olhos deles que estão felizes e realizados com o que criaram me motiva ainda mais a seguir seus passos e conceitos e ser ainda melhor, os aprimorando com ideais próprias que criamos durante nossa experiência pessoal.

    Para alguns pode parecer um comentário egocêntrico de alguém que se acha, mas o que quero passar na realidade
    é a enorme sensação de gratidão e amor que sinto pelos meu pais pela educação e atenção que sempre recebi.

  4. Imagem do comentarista
    Arthur Gouveia

    Tive “semanadas” quando muito jovem. Me lembro de receber e gastar tudo imediatamente em bobagens. Depois cresci e a mamata acabou. Parei de ganhar meu dinheirinho sem esforço toda semana. Não foi traumático, nem me lembro como foi, só sei que de repente não estava mais recebendo…

    Depois de crescer, passei a pedir dinheiro para minhas “necessidades”. Nunca fui de sair, de esbanjar, mas ainda assim, às vezes, ouvia um “não”.

    Durante a faculdade logo dei um jeito de ganhar meu próprio dinheiro e, então, parei de pedir.

    Recebi mesada, portanto, durante um curtíssimo período de minha vida. Acho que isso foi importante para eu perceber que o dinheiro nem sempre está disponível e que a “fonte” às vezes seca…

  5. Imagem do comentarista

    Essa questão da mesada é difícil. Eu creio que, quando tiver um filho, irei parar de dar mesada para ele quando ele arranjar um trabalho. Ou ainda, irei parando de dar a mesada aos poucos se ele não arranjar nenhum trabalho, de forma a incentiva-lo a arranjar (isso antes do término da faculdade pois estágios tem aos montes por aí).

  6. Imagem do comentarista

    A educação financeira precisa começar do berço.
    Sem querer transformar-nos em Super Nanys das finanças, o diálogo com os filhos deve ser uma constante, mas a eduação financeira não deve se basear apenas na mesada.
    A mesada é mais um dos instrumentos que ajuda, mas se não observada certas necessidades pode atrapalhar mais do ajudar.
    Proponho que para que a mesada seja “deposita”, se crie uma conta correnta ficticia e os pais sejam os administradores, ou se preferirem chamar sejam o banco.
    A criança ou investidor em última instância decidirá o que fazer com o dinheiro. Caberá entretanto aos pais, ou gestores aconselhar os “investidores” o que fazer e o preço de cada ação comprada e investida.
    Mas não se para por aí, essa mesada tem que vir por retribuição por merecimento, um livro lido, uma boa ação, boas notas, bons exemplos.
    Tudo que vem muito fácil vai muito fácil, temos que mostrar isso, mas eles precisam descobrir que a educação financeira é um presente muito maior que uma mesada.

    abraços,
    Ricardo

  7. Imagem do comentarista
    Arthur Gouveia

    Uau, Navarro! O Dinheirama está se tornando um ponto de encontro de vários especialistas em finanças. A cada comentário temos quase um novo artigo!

    Parabéns ao Navarro que com seus artigos tem atraído tanta gente cheia de opiniões para colaborar. Parabéns aos comentaristas que têm enriquecido muito os artigos postados no Dinheirama.

  8. Imagem do comentarista
    David

    Tem gente que dá mesada pra filho na faculdade? Por isso vemos essa crise moral. Se seu filho tem mais de 16 anos, dê casa, comida e roupa. Se ele quiser mais alguma coisa, mande-o trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro. Funcionou pra mim, e funciona pra milhões de pessoas que não vivem nesse mundo de “pós-graduação bancada pelos pais” e um “ano no Canadá pra aprender inglês”.

  9. Imagem do comentarista

    Navarro,

    Acho que mesada para alguém que tem 20 anos nas costas, é uma tremenda vergonha. O que adianta o camarada sair da faculdade com 23, 25 anos, e nem saber o esforço para conquistar um dinheiro? Como o David mencionou logo à cima, é por isso que o Brasil está nessa crise interminável.

    Atualmente o sucesso, nas mais diversas áreas, é conquistado com a somatória de ação e informação (estudo), portanto, não vale nada ter a melhor faculdade do país se não tiver nenhuma experiência (ação).

    Parabéns pelo artigo e sucesso do blog.

  10. Imagem do comentarista
    Navarro

    Paulinha, linda, obrigado pela força e pelo testemunho. Você é muito especial. Te amo! Beijos.

    Krop, educação financeira é fundamental e se sua estratégia tem como objetivo formá-lo neste sentido, é válida. Não existe certo ou errado, então fico feliz de perceber que muitos se preocupam com isso mesmo que ainda não tenham filhos. Valeu pela força de sempre. Abraço.

    Rodrigo, parabéns pelos pais que tem. Parabéns pelas atitudes diante das adversidades. Não me admira que seja um vencedor. Sucesso meu amigo e obrigado pelo testemunho.

    Arthur, o caminho é mais ou menos esse mesmo. Além da educação financeira, crianças e adolescentes precisam errar e precisam passar por certos apuros. Você aprendeu. Eu aprendi. Todos podem aprender. E obrigado pelas palavras e pelo apoio, os comentários certamente são aulas financeiras da melhor espécie, estou adorando isso aqui.

    Bernardo, você tem razão, a questão é pra lá de polêmica e por isso achei legal trazê-la para o Dinheirama. Sucesso.

    Ricardo, como sempre suas observações são precisas, objetivas e muito claras. Temos visões muito semelhantes. Sinta-se em casa. Sempre.

    David, tem sim muita gente que continua bancando os filhos, ainda que saiba que isso não é o ideal. Faltou educação financeira no passado e os pais procuram (inconscientemente) compensar com uma proteção exagerada. O problema não é tão simples, por isso levantei a questão. É preciso cautela nos julgamentos, mas sim há alguns problemas neste sentido. Obrigado pelo comentário, sinta-se em casa.

    Filipe, essa foi uma das questões que procurei abordar. Será que a mesada não acaba sendo um instrumento de controle ou mesmo de reparação? O tema é delicado, esses comentários estão agregando muito ao tema, estou achando ótimo. Valeu pela força. Abraços.

  11. Imagem do comentarista
    Ênio Alves

    Boa tarde Navarro, apesar de ser meu primeiro comentário, confesso que já li todos os posts de seu blog desde que conheci o Dinheirama.

    Essa questão de mesada é realmente complexa. Não é só dizer que o filho na faculdade não merece mais receber mesada, há muita coisa a ser levada em conta.

    Peço permissão para utilizar o meu exemplo. Para receber a mesada, meu pai, desde os 10 anos, cobrou planilha de gastos mensal, sendo obrigatório constar rubrica para lazer, e investimento, e a entrega do numerário era condicionado a boas notas, sendo que a nota máxima, gerava bônus, creditados na poupança, que era a fonte do dinheiro extra, o resgate era sempre a menor, me estimulando negociar o preço com o vendedor.

    Aos 16 anos, consegui entrar na faculdade pública, e na verdade, a “mesada” aumentou, afinal meus gastos com xerox, ônibus, livros, almoço, etc, aumentaram, e a planilha teve que engordar, mas sempre cortando a gordura (supérfluos).

    Absurdo? Creio que não. Na verdade ele era meu “empregador/investidor”, confesso que na visão do “pai pobre”: estude para ter segurança. Ao fazer isso, ele não me permitia trabalhar, pois sabia que ao ingressar no mercado de trabalho, a última coisa que eu faria seria estudar, e conseqüentemente, menor a minha preparação e remuneração.

    Estudos comprovam que quanto maior o nível de estudo, maior a remuneração. Recebi mesada, e curso de pós “financiado” até 1 ano após formado, quanto então ingressei em uma renomada banca de advogados e fui aprovado para lecionar em faculdade particular.

    Ou seja, ele incutiu planejamento no dia-a-dia, e ensinava para que serve o dinheiro, e que se acabasse, só mês que vem: “o cobertor é curto meu filho, quando cobre a cabeça, descobre os pés, e vice-versa!”.

    Mesada não importa o valor, e sim avaliar as necessidades e estimular o planejamento, organização, direção e controle.

    Saúde e paz a todos.

  12. Imagem do comentarista

    Maneiro seu blog.
    Também tenho um sobre sucessos da Sessão da Tarde. Dê uma olhada.
    http://www.ex-filmes.blogspot.com

    Vlw

  13. Imagem do comentarista
    Emanuelle

    Oi minha coisa linda. Bom, vou xeretar pela 1ª vez aqui… Concordo com vc qdo diz q o assunto é muito polêmico e cheio de “receitas certas”. Eu recebi mesada muito tempo, até mesmo durante a faculdade. Fiz estágio, mas o q eu ganhava, aplicava. Para minhas despesas só gastava o $$$ q o pai mandava… Lembro da 1ª conta corrente, sendo que eu achava q o saldo q aparecia no extrato do dia demonstrava o q eu realmente tinha na conta, esquecendo de conferir se já tinham sido compensados todos os cheques emitidos… Fui pro vermelho várias vezes achando q minha mãe tinha depositado dinheiro a mais … Sem noção ou é impressão? Lembro ainda q numas férias eu quis trabalhar numa locadora e a mãe não deixou, dizendo q, como eu estava de férias, deveria curtir, pois trabalho não era para curar tédio e sim coisa séria, q uma vez iniciado não era para parar mais. Assim, apesar de ter sido um pouco mimada (tendo em vista alguns comentários já feitos no blog), fui na verdade privilegiada, pois mesmo recebendo mesada até me formar, aos 21 anos, sempre fui alertada do esforço dos meus pais para poder arcar com as despesas e das vantagens de saber lidar com o dinheiro e saber poupar. Hoje, aos 31, sou juíza (desde os 28), independente, nunca fui bitolada nem explorei meus pais, tenho exata noção do preço das coisas, não faço desaforo com $$, aplico parte do salário e ainda quero fazer um investimento para minha primeira filha, de 3 meses. E com certeza darei mesada para ela e os outros filhos q por ventura tenha. Bjo enorme e tenho orgulho ENORME de ser sua irmã. Deus me privilegiou demais nessa vida. Vida longa meu querido. Amém.

  14. Imagem do comentarista
    Carmen

    Oi gente, eu sou a mãe desses dois sucessos absolutos, Conrado e Emanuelle.
    Não me atreveria a ditar fórmulas para ninguem, mas gostaria de dizer que sempre ensinei meus filhos a gostar do que fosse o melhor em todos os sentidos.
    Penso que para uma pessoa valorizar o dinheiro ela precisa saber usá-lo para as coisas boas da vida e nisso incluí carro aos 18 anos, que dei para cada um, roupas de marca, bons sapatos, viagens e cursos no exterior, tudo com muita responsabilidade.
    Tenho certeza de que cada um dá para os filhos na proporção que pode, inclusive mesada, que dei até o fim da faculdade.
    No meu caso o investimento valeu muito a pena porque os dois são cidadãos conscientes de seus deveres e agora são eles que pagam todas as contas da casa.
    Acho que o mais importante é ensinar ao filho que ele vai ter que batalhar para continuar tendo o que têm enquanto são os pais que bancam, e isso eu consegui ensinar direitinho para os dois.
    Sei que o assunto MESADA gera muita polêmica, porque em alguns casos só faz aumentar a insensatez do jovem, mas considero de extrema importância os pais confiarem nos filhos e estarem dispostos a orientar, impor limites e, sobretudo, corrigir quando necessário.
    Para finalizar, repito que nunca fui amiga dos meus filhos, eu sou a MÃE deles com muito orgulho.

  15. Imagem do comentarista
    Arthur Gouveia

    Parabéns D. Carmem. O Navarro sem dúvida foi bem educado financeiramente. Tive que batalhar para comprar meu 1º carro aos 25 anos, não fiz curso no exterior, não tive ou tenho roupas de marca, minhas duas pós graduações tive que bancar com meu salário. Com isso valorizo cada centavinho que ganho, mas o Navarro aprendeu que tudo o que teve foi dado com muito amor e com esforço dos pais.

    Mantenha-se firme e ajude seus filhos na educação de seus netos.

    Um abraço.

  16. Imagem do comentarista

    Nunca ganhei mesada, mas quando fiz 16 anos, o dinheiro que meus pais me davam quando eu pedia, não dava mais para pagar as minhas necessidades: roupas de marca, sair com amigos, etc. Sempre que pedia mais, eles me mandavam procurar um emprego. Então aos 17 anos consegui meu primeiro emprego, a bolsa estágio era uma mixaria e eu sabia que parar ganhais mais, eu teria que investir. E o meu investimento foi em educação, com o pouco que ganhava, consegui pagar um cursinho de manutenção de micros e tirar minha carteira de motorista.
    Aos 20 anos consegui comprar meu primeiro carro, e o que sobrava do salário dava mal mal pra pagar a gasolina nos finais de semana. Aos 24, conclui a faculdade de computação, paga com o dinheiro do meu trabalho durante o dia. E logo depois de formado, passei em um concurso do governo federal. Hoje graças a Deus, tenho o meu carro zero e consegui comprar o meu AP.
    Agradeço aos meu pais por terem me negado dinheiro naquela época.

  17. Imagem do comentarista
    Cristina-sp

    Eu também nunca recebi “mesada” na minha vida. Muito pelo contrário: a lei na minha casa era: começou a trabalhar, tem que ajudar em casa. Sabem o que eu fazia aos oito anos? catava latinha e vidro para vender, para ter algum dinheiro para comprar doces. Ia no mercado para o meu irmão e ele me dava umas moedinhas.. Sempre procurei alguma coisa para fazer e ganhar alguma coisinha. Comecei a trabalhar sério aos 14 anos (registrada). Fiquei 10 anos sem estudar (depois do colégio - 2º grau), pois meu salário não dava para pagar faculdade. Nem sonhando. E ainda assim, eu ajudava em casa. Depois eu consegui passar num concurso, entrei na faculdade. Hoje sou Funcionária Pública Federal e assistente de juiz, tenho meu ap, meu carro zero e algum dinheirinho na poupança. Agora que tenho o que queria (carro e casa), vou passar a investir melhor do que a poupança. E ainda pago convênio do pai e da mãe. Eles me davam: comida, casa e roupa lavada. Acho que consegui fazer isso render muuuuuito. Mesmo sem mesada, trabalhando de dia e estudando à noite. Se eu tiver um filho e ele quiser dinheiro terá que fazer alguma coisa e ponto final.

  18. Imagem do comentarista

    Muito bom, como sempre, este seu texto, Navarro.
    Ao contrário do meu xará acima, eu não recebi mesada dos meus pais, o que me levou a procurar alguns “bicos” para conseguir algum dinheiro extra desde cedo, e a começar a trabalhar formalmente a partir dos 14 anos.
    E, por não ter tido a experiência, também errei em não dar mesada aos meus filhos, mas desde cedo eles aprenderam a administrar alguns pequenos presentes em dinheiro, para que pudessem comprar algo no futuro. Sempre foi muito gratificante ver a alegria deles ao entrar em lojas populares e escolher presentes de natal para toda a família, que iriam “pagar com seu próprio dinheiro”.
    Hoje, os três trabalham, administram seu dinheiro, pagam boa parte das despesas (o que me causou um tremendo alívio no orçamento) e ainda poupam.
    Só espero poder fazer com que meus netos, no futuro, tenham uma mesada, para aprender ainda melhor a lidar com a situação.

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