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O Dinheirama é um site sobre economia, finanças pessoais e educação financeira, mantido por Conrado Navarro, que tem como objetivo fazer com que você administre melhor seu dinheiro e aumente o seu patrimônio.

Educação financeira e qualidade de vida

Publicado por Conrado Navarro em 19.09.2007 na seção Educação Financeira

Juros CompostosArthur comenta: “Navarro, vi um artigo interessante no Infomoney que fala sobre “educação financeira sustentável”. O texto demonstra que o foco não deve ser o acúmulo de dinheiro como fim, mas como meio de ter uma melhor qualidade de vida. Além disso, devemos nos preocupar com o uso do dinheiro no consumo consciente e sustentável. Qualidade de vida? Consumo consciente? Boas palavras para mais um (bom) artigo”?

Arthur, como vai? Você tem razão, está ai um assunto bastante discutido (e polêmico) nos dias de hoje. Qualidade de vida é um aspecto muito pouco valorizado e compreendido, já que suas interpretações são tidas subjetivas e pessoais. O que é qualidade de vida para você? Somos obrigados a ter a mesma visão? Claro que não. É justamente essa possibilidade de discordar que cria, em muitas pessoas, uma blindagem quando o dinheiro interfere em seus hábitos tidos como necessários para manter sua “boa” rotina de vida. Será que dinheiro e qualidade de vida são tão pessoais assim?

Parece fácil
Ainda esta semana, em um texto publicado pelo leitor Marcos Oliveira, o Dinheirama tratou de questionar o leitor sobre a satisfatória maneira de usar seu dinheiro. O artigo do Infomoney traz a opinião de Aron Belinky, secretário-executivo da Ecopress, transcrita abaixo:

“O objetivo é mudar o pensamento de acumular cada vez mais dinheiro para a idéia de viver cada vez melhor. O importante é que a pessoa priorize a satisfação ao consumo. Viver bem não significa comprar mais um celular ou outro carro, e sim aproveitar a vida. Ter mais dinheiro não significa ser mais feliz ou ter mais qualidade de vida. O importante é planejar-se para ter o suficiente, sem consumir com exagero e desperdício”

Sua visão é conservadora, correta, mas os resultados e as reações diante de suas palavras não são (e nunca serão) unânimes ou previsíveis. Alguns podem encarar as palavras como uma opinião evasiva e simplista, outros podem concordar e agir de forma semelhante. As dicas não parecem, ao mesmo tempo, eficientes e vagas? A subjetividade do tema me motivou a levantar algumas questões.

Aspecto cultural
A institucionalização de alguns aspectos morais da sociedade é capaz de transformar completamente uma sociedade, é fato. Transformar certas atitudes e preceitos em hábitos nos leva ao passo contrário do questionamento e da capacidade de reinventar o cotidiano. Por aqui, potencializou-se no decorrer dos anos a necessidade de ostentação. Sem hipocrisia, o latino tem bagagem cultural mais que suficiente para comprovar o que estou dizendo. Gostamos daquilo que pode ser considerado exclusivo ou que nos diferencia dos demais à nossa volta.

Patrimônio no Brasil se compreende em quantos carros, móveis e imóveis você possui. Pior, o brasileiro quer possuir esses bens ainda que seus pagamentos sejam arrastados durante anos, num ciclo completamente automatizado. Isso, caro leitor, não é construir patrimônio. Pense que essa estratégia envolve diversos custos e que, para manter tal raciocínio vicioso, você precisará estar sempre se vendo assalariado ou com uma fonte fixa de renda. Não sou contra o emprego, sou contra a acomodação. Onde fica a qualidade de vida?

Qualidade de vida é patrimônio!

Seu maior patrimônio é você mesmo. Pronto, ridicularizei o conceito de patrimônio. Tudo bem, estou pronto para as críticas. Sua família, claro, tem papel fundamental e é parte de seu crescimento. O carro do ano, a casa na praia e o armário cheio de roupas só poderão ser considerados bens patrimoniais se, e somente se, você os tiver sem que sejam levantadas dúvidas morais e de ética dentro de casa. Você quer ter algo para sentir-se feliz, não quer?

Qualidade de vida é ter o que você merece, mas também ter responsabilidade e preparo para poder sempre correr atrás do que merece. Qualidade de vida é gastar seu dinheiro com você, desde que você não entre em conflito com você mesmo. É comprar quantas calças, carros e apartamentos você quiser, desde que você faça isso por você, para você. Que papo de maluco, hein?

Um exercício simples
Imagine que você passa por um apuro inesperado, um problema grave, que exige de você uma profunda reflexão acerca de suas posses, qualidade de vida e objetivos. Pense que seus pais ou seus filhos ficaram doentes, precisarão se mudar para um tratamento específico e você tem que ajudá-los. Que tipo de patrimônio você precisa neste momento? Casas, carros, roupas? Será que empregabilidade, inteligência financeira e educação não parecem “bens” muito mais úteis agora? A vida é um exercício constante de aprendizado, mas felizmente só aprendemos aquilo que queremos.

O que você quer?
Estou aqui enchendo você de palavras e opiniões, mas esqueci de fazer uma pergunta básica: você quer aprender a viver melhor? Reserva de emergência, investimento de longo prazo, plano de aposentadoria, planejamento financeiro e orçamento são palavras que assustam seu conceito de vida inteligente? Pode ser que qualidade de vida seja apenas uma sensação e que, mesmo sem garantias de um amanhã sossegado, você esteja feliz e de bem consigo mesmo. E amanhã? Bom, sobre o amanhã vejo duas verdades claras. Ele é imprevisível. Ele chega.

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

12 comentários
  1. Imagem do comentarista
    Arthur Gouveia

    E aí, Navarro. Mais um assunto polêmico para tratarmos aqui no Dinheirama. Bem, como fui eu quem sugeriu o artigo, acho que sou suspeito para comentar.
    Acho extremamente importante pensarmos não apenas na riqueza, na acumulação de dinheiro. Concordo que seu maior patrimônio é você mesmo (ficou filosófico agora, hein) e que consumir para impressionar ou para não se sentir “inferior” às outras pessoas é uma PÉSSIMA idéia.

    Eu adoto esse comportamento. Compro para mim, sem olhar para os lados, pensar no que os outros estão pensando. Agora, acho importante consumir hoje pensando no amanhã. Que mundo deixaremos para nossos filhos e netos? Comprar uma TV de plasma só pra impressionar ou porque o vizinho tem ou porque sou viciado em novidades? Acho bobagem. Não dá pra comprar tudo o que o mundo produz e criar tanto lixo e desperdício.

    Bem, não quero transformar essa “conversa” em um papo ecológico, mas acho que é possível consumir hoje sem prejudicar o amanhã…

    Forte abraço.

  2. Imagem do comentarista
    Navarro

    Oi Arthur, obrigado também pelo comentário. Propositalmente, evitei falar do desperdício, imaginando que o tema surgiria naturalmente nos comentários. Você já lançou o tema e acho que qualidade de vida também passa por responsabilidade social e coletiva. Esse artigo vai trazer visões interessantes de mais leitores, tenho certeza. Forte abraço.

  3. Imagem do comentarista

    Concordo em ter plano de saúde, previdência, reserva de emergência e manter investimentos para ter liquidez.
    Como comentei no artigo passado, se depois de fazer tudo isso, pagar as contas, você ainda quer matar seu lado consumista com uma TV de Plasma e tem dinheiro para isso, sem criar novas dividas.
    Vai la e se satisfaça, embora eu prefira muito mais fazer uma viagem e conhecer novos lugares, e posso fazer isso? claro que sim, com planejamento e sem afetar minhas necessidades básicas, e minhas necessidades básicas vão alem da alimentação, eu acredito que antes de pensarmos no hoje temos que pensar no amanha.
    Eu entendo que muitas pessoas mal tem dinheiro para chegar no final do mês, mas para os que tem dinheiro para pagar um ADSL isso me cheira mais a mal administração do orçamento doméstico do que realmente falta de dinheiro.

  4. Imagem do comentarista

    [...] Educação financeira e qualidade de vida [...]

  5. Imagem do comentarista

    É tão simples usar o dinheiro, e não ser usado por ele…
    Demora, mas é possível ter um imóvel que custe o valor contratado, e não prestações que triplicam ou quadruplicam seu valor nominal…]
    E o carro zero, é tão melhor que um com um ou dois anos de uso? Mais caro, com certeza é…
    E se perder o emprego, dá para viver quanto tempo até conseguir o próximo?
    Tem muita coisa para a gente pensar. Mas antes de todas, é preciso vencer o preconceito que nos é incutido com relação a guardar o dinheiro para uso futuro.

  6. Imagem do comentarista

    Minha dica pra evitar desperdícios: deixe o cartão de crédito em casa, bem guardado. E principalmente o de sua mulher, hahahaha. :P

  7. Imagem do comentarista
    Carlos Gardel

    Não devemos ser escravos do dinheiro. Eu, por exemplo, adoro o sorvete Hägen Daeinz (é assim que se escreve?), mas isso não significa que eu compre um pote por dia. Devemos economizar sim, mas não viver de forma miserável. Estava em Paraty outro dia, e queriam me cobrar 3 reais + 10% em um café espresso. O que fiz? Deixei de tomar. Do que adianta morar em uma super casa e ter um carrâo, porém comprometer toda a renda pagando o financiamento e não ter dinheiro para ir a um bar na esquina e tomar um chope? Ok, alguém vai dizer que o apto é um patrimônio e o chope um desperdício. O que eu quero dizer é que curtir a vida é importante. Não adianta ter um patrimônio grande e ver a vida passar sem aproveitar.

  8. Imagem do comentarista
    Navarro

    Quanta opinião bacana pessoal. Poxa, muito obrigado pela consideração ao deixarem seus comentários e pelas sinceras palavras. O aprendizado vem dessa troca de experiências e sinto-me realizado de poder desfrutar dessa amizade com vocês. Considero-me apenas um facilitador e aprendo muito mais com vocês do que vocês comigo. Vamos continuar o debate, está excelente. Qualidade de vida é algo subjetivo demais ou nós é que complicamos? Humm, os dois? Abração.

  9. Imagem do comentarista

    Navarro, ao propor o artigo eu imaginava que as opiniões seriam muito mais contestadoras. Achei que todos iriam falar que devemos sim acumular patrimônio, que dinheiro é importante, que devemos lutar para enriquecer e etc.

    Fico muito feliz ao saber que muitos pensam como eu, que o dinheiro é um meio para termos uma vida melhor e não um fim em si só.

    Acho que grande parte desse pensamento claro sobre qualidade de vida se deve também ao Dinheirama que nos ensina a ganhar dinheiro, gostar dele sem viver em função disso.

    Forte abraço!

  10. Imagem do comentarista
    Erico Baltazar

    vai ver isso é muito relativo… quem nunca pensou “isso é que é qualidade de vida” com um cigarrinho na mão depois de uma…

  11. Imagem do comentarista
    Leonardo Nickson

    No capitalismo, o “rico” é aquele que possui capital. É a pessoa que vive em função do acúmulo de dinheiro, que vê em tudo uma oportunidade de “fazer” grana. Se partirmos do pressuposto que dinheiro é bom e todos gostariam de ter sobrando, por que uma grande parte dos brasileiros parecem se contentar em viver com pouco dinheiro? Será que as oportunidades de enriquecer parecem tão distantes ao ponto de parecer impossível abrir um négócio e granhar grana?? Será que falta uma mentalidade burguesa no nosso querido país Latino-americano historicamente submisso às ambições capitalistas de Países como a inglaterra ou os E.UA? Será que há no Brasil uma ética Religiosa que classifica o acúmulo de dinheiro como algo ruim e a simplicidade como um valor a ser praticado?? Será que falta é uma educação que mostre o Sistema como ele é e incentive a prática capitalista, que pressupõe a criatividade, a iniciativa, a inteligência, que preze pela individualidade de idéias e não pela massificação? Será que a própria cultura geral brasileira prefere o comodismo ao invés da busca por uma condição melhor de vida??

  12. Imagem do comentarista
    Maikon

    Sobre o que você falou Leonardo, eu adoro estudar sobre educação financeira - aliás, temos que estudar sobre o assunto mesmo, já que as escolas e muitas vezes nossos pais não podem nos dar a devida visão desse assunto - e é comum encontrar em livros a afirmação de que a auto-disciplina para economizar e/ou investir é a coisa mais difícil de se exercitar ao longo de nossas vidas. Acredito que esse comodismo ou até mesmo relaxamento de nossa parte é um problema de todo mundo capitalista, e não só do Brasil.
    Eu particularmente acho divertido investir meu dinheiro. Normalmente ele se transforma em mais dinheiro e me dá possibilidades de reinvestimento e também de retirada de parte disso para aumentar o que? Minha qualidade de vida ^^

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