Saindo pra jantar fora?
Publicado por Conrado Navarro em 21.9.2007 na seção Orçamento
Leila comenta: "Navarro, gostaria de ver mais educação financeira voltada para a vida do cidadão comum. Por exemplo, eu gosto de sair para jantar com minha família, mas de uns meses pra cá venho desequilibrando o orçamento por conta de algumas 'extravagâncias'. Sei que não há um limite ou um número de exato de vezes que devemos sair, mas gostaria de melhor planejar estes momentos de forma a manter as economias e os investimentos em dia. Será que só eu tenho esse problema"?
Leila, obrigado pela visita. Fique tranqüila, você não é a única que passa por essa situação. Aliás, conta-se nos dedos aqueles que realmente mantém esse ponto em perfeito equilíbrio com o orçamento doméstico. O grande desafio sempre está em relacionar seu desejo de sair e comer uma boa comida (fora) com a necessidade de manter-se organizada em relação às suas finanças. Vou explorar algumas opiniões e dicas, normalmente muito questionadas, que uso para evitar cair em tentação. Amém.
Lugares chiques nem sempre são (tão) divertidos!
Está ai uma opinião que mexe com os brios de muita gente. Muita gente vazia, diga-se de passagem. Você precisa saber que comer onde quiser representa muito mais do que o simples ato de se esbaldar em um bom vinho ou prato. Comer bem, em um lugar chiquérrimo, custa dinheiro. Será que é chique parcelar a fatura do cartão de crédito para poder satisfazer um desejo deste tipo?
Xi, as perguntas polêmicas estão virando marca registrada do Dinheirama! Que bom, não? Cuidado para não ler ou encontrar entrelinhas que não existem. Não existem só restaurantes caros, eu sei. Comer fora não significa querer gastar o olho da cara para degustar uma boa carne, eu sei. Vamos continuar.
O segredo é quando, não como!
Como você vai pagar pelo jantar não é o problema, acredite se quiser. A questão deve ser quando você terá condições para realmente sair e se divertir. Não adianta querer sair todos os dias e depois ficar passando por problemas financeiros, adianta? Comumente ouço reclamações quando trato do assunto, especialmente porque as pessoas não estão preparadas para terem sua vida pessoal e seus hábitos cutucados por um estranho. Se quer evitar isso, passe a se questionar com mais freqüência. Quando é mais importante do que como, porque cria em você o hábito de planejar.
Sente com sua família e exponha a situação financeira da casa. Explique tudo e motive um debate sobre as necessidades básicas de cada um (e da família) e procure planejar essas necessidades de acordo com a receita livre disponível para o lazer. Será que você não está indo jantar em um lugar caro demais? Você vai mesmo passar mal se sair 50% menos? Lembre-se que quantidade não é qualidade, portanto você pode sair menos, mas se divertir muito mais!
Experimente sair melhor ao invés de sair mais!
Use a criatividade e a internet para encontrar novas possibilidades e crie, dentro de casa, expectativa para a nova experiência. Muitos casais e famílias criam o horrível hábito de ir sempre ao mesmo lugar, até que chega o dia em que eles vão porque "têm que ir" e não porque querem realmente se divertir juntos. Acontece com você, comigo e com todo mundo, mas o orgulho nos impede de admitir tal vergonhosa atitude.
Jantar em casa pode ser bom!
Já experimentou criar um ambiente gostoso para comer em casa, com a companhia da família? Dá muito trabalho, é o que você acha né? Infelizmente, a maioria pensa assim. Imagine que estes dias eu fiz uma brincadeira neste sentido:
Eu: Fulana, você sempre sai para jantar fora?
Fulana: Sempre Navarro. Minha família gosta e meu marido não gosta do trabalhão que temos para ajeitar a casa depois do jantar lá com os filhos. Convenhamos, dá trabalho mesmo.
Eu: Hum, interessante. Deixe-me ir além, acho que não entendi uma coisa. Ambos trabalham fora não é mesmo?
Fulana: Sim, por que?
Eu: Nah, porque fico aqui imaginando o quanto vocês trabalham para poder ter condições de jantar fora quase todo dia.
Fulana: Agora eu que não entendi.
Eu: É simples. Vocês reclamam de ter que trabalhar em casa, fazendo algo para a família, mas não reclamam de trabalhar para os outros, ainda que precisem ficar alguns dias até mais tarde. Não parece incoerente?
Fulana: Eita, agora você me apertou...
Eu: Nada, relaxe. Pense no que eu disse e também que o trabalho difícil do dia-a-dia pode propiciar não só jantares em lugares diferentes, mas também a chance de experimentarem a delícia do jantar dentro de casa. Um novo aparato na cozinha, uma diarista de vez em quando e um bom livro de receitas são coisas que esse dinheiro pode comprar. Já a felicidade, escondida em pequenos atos deste tipo, não está à venda.
Quem sou eu para dizer onde você deve jantar?
Ninguém, absolutamente ninguém. Não sou nenhum guru das finanças, nenhum guru de auto-ajuda, você tem toda razão. Sou um ser humano normal, como você, que tem por hábito questionar os preceitos e atos institucionalizados (automáticos) de nossa caminhada. Eu duvido de tudo, mas sinto-me realizado quando as pessoas têm opinião de qualidade para fundamentar seus atos e combater, construtivamente, minhas palavras.
Jantar fora é uma delícia. Jantar fora com as pessoas que amo é melhor ainda. Agora pense: fazer você mesmo um macarrão ou pedir uma pizza, numa sexta-feira programada para um bom DVD com a companhia da namorada ou da família, não parece algo igualmente prazeiroso? Comer fora porque é "chique" ou porque sua namorada pode taxá-lo de "pão-duro" e "sovina" é, no mínimo, falta de respeito com a própria família.
Recadinho aos que gostam de polemizar: não adianta querer me convencer de que viver a vida é "isso ai" e que jantar fora todo dia, com o esforço do próprio trabalho, é o que há de mais bonito e inteligente. Não é. Antes de trabalhar para os outros, eu trabalho para meus objetivos e faço deles minhas prioridades. Janto fora direto, janto em casa direto. Muitas vezes não, nem um, nem outro. Enfim, eqüilibrar pode ser bom, pode ser chato, pode ser necessário, pode ser a diferença que falta. De qualquer forma, não deixe de jantar!
Crédito da foto para Marcio Eugenio
Conrado Navarro
Educador financeiro, tem MBA em Finanças e é mestrando em Produção (Economia e Finanças) pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: twitter.com/Navarro
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Realmente, muitas pessoas acham que gastar de forma fácil o dinheiro que lutaram pra conseguir é "aproveitar".
Quanto à formas economicas de se divertir com a familia, até escrevi sobre isso uma vez, o link tá ai no meu nome :)
Oiê, tdo bem? Acho q ajudaria ainda mais a leitora Leila fixar uma porcentagem do q ganhamos para ser gasto com essas saídas (prazerosas e necessárias), a fim de que as finanças não caiam no vermelho. Tem como fazer isso? Aproveito para dizer q para mim, sair para lazer é indispensável. E dinheiro gasto com lazer é o melhor investimento. Temos sim de pensar no futuro, mas umas extravagâncias de vez em qdo não fazem (ou pelo menos não devem fazer) mal a ninguém, nem mesmo ao suado e muitas vezes curto orçamento doméstico. Bjo grande Con, te amo.
Meu amigo Navarro, não dá nem vontade de escrever porque dessa vez, você foi completo.
Mas para não perder o habito, já que é do exercício dele que se faz o monge, deixa dar o meu pitaquinho humildemente.
Pensem numa comida deliciosa ... Eu por exemplo morro de saudade do feijão da minha avó, que hoje mantenho na memória como uma das melhores lembranças da minha infância. Quem dispensa aqui a comida que a mãe faz com todo carinho, e amor. Até hoje, a diferença no tempero segundo minha mãe fica a cargo do toque de amor.
E garanto para vocês pagaria qualquer valor para poder ter essas possibilidades todos os dias.
Caindo para a questão mais financeira, se for em um restaurante requintado, que muitas vezes os pratos não completam nem mesmo uma boa garfada, a possibilidade de ter sua conta estourada, ou até mesmo criar aí mais um ítem pro rotativo do cartão é muito grande.
Sair e conhecer lugares diferentes é algo necessário para todos, mas para isso, se programe, defina suas prioridades e o seu planejamento financeiro deverá ter um valor destinado para esse momento de lazer. Se controle e dentro desse valor escolha os melhores pratos.
Outro dia ouvindo uma comentário do Prof. Marcos Silvestre justamente sobre o prêmio abordado, ele e um amigo foram almoçar num restaurante da moda, e na ponta do lápis como ele gosta de dizer, gastaram em torno de R$ 80 (duas pessoas) é bom mencionar que a comida estava muito boa.
Após alguns meses, ele convidou o mesmo amigo e esposa para um jantar na sua casa, e repetiu o mesmo prato que gastou no restaurante, pegou na internet a receita e mãos a obra. Resumo da ópera, gastou aproximadamente metade do preço, e com um jantar para 4 pessoas.
Amigos, o controle orçamentário é duro é arduo mas sabendo usufruir das coisas boas da vida, nós vamos perceber, que elas não são caras, pois elas não tem preço.
Bom, esse papo todo me deu fome, e vou aproveitar o assunto e preparar meu jantar.
Bom final de semana à todos !!!
Ih, Navarro! Aqui em casa sou em quem lava as louças e ADORO sair pra jantar para não ter que fazer essa tarefa.
Mas me policio para não gastar mais que o aceitável nessas "escapulidas". Mas você tem razão. Um programa caseiro é insubstituível, é muito gostoso e aconchegante. Eu e minha esposa temos uma rotina de sair para jantar ao menos uma vez por fim de semana. Será que estamos saindo por ter que sair? Confesso que tenho que repensar alguns conceitos.
Mas uma coisa está clara: só gasto depois que ME paguei e que paguei todas as contas. Não estouro o orçamento pela diversão...
Muito bom esse argumento de que jantar em casa "dá trabalho". Usarei-o no futuro :)
Concordo plenamente, Navarro.
Abraços,
Muito bom o texto. E acreditem, não existe comida melhor do que a feita pela gente. Por melhor que seja o restaurante, não adianta, sempre acontecem problemas na produção dos alimentos. É muita quantidade, fica impossível os alimentos serem manipulados com o mesmo cuidado que a gente tem. Sem falar na má índole de alguns seres humanos, que no seu "fracasso" de vida morrem de ódio dos que vivem melhor do que eles e acreditem, se vingam deles nestas horas. Pode parecer chocante, mas muito funcionário "sacaneia" a comida da gente por raiva do patrão ou outra coisa. É a verdade. Já vi isso acontecer e já ouvi relatos desses caras várias vezes. Como não gosto muito da idéia "o que não mata engorda, cada vez vou menos ao restaurante e fico cada vez mais em casa com minha esposa, às vezes cozinho eu, às vezes ela (modéstia à parte cozinhamos muito bem). E economizamos muito com isso, já que neste blog o assunto principal é o dinheiro. Gostamos de lazer, é claro, gastamos em outras coisas também, talvez suplérfluas mas que apreciamos, mas na hora do "rango", o daqui de casa é bem melhor, rs. Abraços.
Olá Navarro e leitores!!
Venho acompanhando esse site fazem dois meses...resultado:viciei! :)
Vim só pra deixar todo mundo com um pouquinho de inveja pois ninguem lembrou de comentar se tem (atualmente) algum mestre da cozinha em casa. Melhor ainda se este é "mestre" em fazer comida com TUDO que há na geladeira. Sim, cozinhar o restinho de feijão com um bocado de frango de ontem e uma pitadinha de amor também é uma arte e basta dar uma breve "goglada" na internat para achar muitos e muitos sites e blogs especializados nesta tarefa. Se o assunto é economizar, taí a minha dica! RestoDontê !
grande abraço a todos
voce poderia deixar um crédito para o artigo que saiu a 2 dias falando exatamente sobre isso:
http://www.thesimpledollar.com/2007/09/20/the-simple-dollar-guide-to-eating-out/
coincidencia??
Carlos, obrigado pela visita e pela indicação do material do The Simple Dollar. Meu texto não se baseia neste artigo e são poucas as semelhanças contextuais, acredito que deva ter percebido. O tom agressivo de seu comentário não é necessário, o Dinheirama não é um site de plágio ou de roubo de idéias. Jantar fora é um assunto cotidiano e que levanta diversas opiniões, aqui ou lá fora. Espero que releia os textos e perceba as diferenças de enfoque, de forma a deixarmos de lado a hostilidade. Um abraço.
Carlos,
Espero também que perceba que o tema foi proposto por uma leitora...
Plágio? Na economia e nas finanças todos os temas se repetem. Não há como fugir disso. Eu mesmo estou tendo problemas em publicar meu blog http://pordinheiro.wordpress.com/ para não parecer uma cópia do Dinheirama.
Se fosse assim então meu blog é inteirinho plágio de sites grandes. CSS, usabilidade e acessibilidade são temas pouco falados, mas já foram falados.
Não esquenta com isso Navarro, blog que é bom sempre tem um troll e um paraquedista perdido nos comentarios :)
O importante é que mais uma pessoa, entrou no dinheirama mesmo que com uma opinião controversa. Espero que volte mais vezes pois o campo é farto de noticias, exemplos e coisas interessantes que o farão observar que no mundo financeiro não existe plágio e sim inovação. Aliás, e você Carlos, teria uma boa receita caseira para nos enviar ?
Forte abraços a todos ...
Adoro comer fora, mas sei que se fizer isso sempre, meu orçamento estoura. Minha esposa cozinha mto bem, então sempre compro coisas legais no mercado e ela faz aqui em casa. Por ex., pizza é algo que ela faz mto bem e sai em conta. Sempre que me indicam uma pizzaria considerada boa, saio meio insatisfeito pq sei que a pizza da minha esposa não deixa nada a desejar. Ontem o quilo da picanha argentina estava por 20 reais. É possível gastar uns 40 reais e fazer uma comida legal p/quatro pessoas.
Muita gente frequenta lugares pq é modismo. Só vão lá pq tem muita gente indo. No final a pessoa está sem grana e nem curtiu tanto assim.
[...] Saindo pra jantar fora? [...]
Gosto de comer fora, não vou tirar o meu da reta. A questão é que, além de estourar o orçamento, acaba sendo enjoativo. A menos se varie constantemente de restaurante, a gente acaba enjoando dos temperos usados.
A melhor solução para variar e, de quebra, poupar um pouco o orçamento, é decretar uma folga para a esposa e me enfiar na cozinha. Gosto de cozinhar, deixo tudo limpo quando saio e algumas vezes invento uns pratos diferentes. E aqui é que mora o "risco do negócio": pode agradar ou sair uma porcaria... Mas é divertido. E, se levarmos em conta o texto do Freakonomics citado, é realmente lazer, e não produção doméstica.
[...] salário às 18:01 por Arthur Gouveia Recentemente o Navarro publicou um artigo no Dinheirama sobre jantar fora. O artigo gerou uma série de comentários a favor e contra o conteúdo do artigo. Jantar fora é [...]
Acho importante sair para se dirvetir sempre que po$$ível . Muita gente acha que só os finais de semana foram feitos para sair e se divertir. Venho aqui com uma dica, sair durante a semana é muito bom, geralmente é mais barato e tem muitas promoções, e sem contar que agente não precisar ficar um tempão procurando uma vaga para estacionar o carro.