Título do livro: Os Axiomas de Zurique
Autor: Max Gunther
Editora: Record
Páginas: 160
Preço: R$ 24,90
Apostar para ganhar
Esse é o lema do livro. Max parte do princípio de que nenhum ganho, seja ele financeiro ou não, acontece sem que seja colocado em risco algum capital material e(ou) emocional. Para ganhar muito, precisa-se arriscar muito, é fato. Os Axiomas, criados por um grupo de investidores liderado pelo pai de Max, nos leva a uma reflexão sobre os conselhos dados pela grande maioria dos especialistas. A maioria ensina a diversificar, planejar no longo prazo, diluir o risco. Max , prefere especular.
“Ao primeiro contato, os Axiomas são um pouco assustadores. Na realidade, contradizem alguns dos mais estimados clichês da indústria do aconselhamento financeiro. A maioria dos especuladores suíços bem-sucedidos dá pouca atenção aos conselhos convencionais sobre investimentos. O sistema deles é melhor”
Os Axiomas, a polêmica e o dinheiro no bolso
O livro traz doze “Grandes Axiomas”, divididos por categoria, repletos de opiniões fortes, bons exemplos e muitos desafios. Selecionei alguns Axiomas e algumas passagens interessantes, confira:
O Risco. O autor quer que arrisquemos mais, que os investimentos financeiros tragam mais emoções e preocupação. Quem se preocupa, o faz porque está vivo. Só assim, segundo comenta, podemos enriquecer.
“A maioria das pessoas agarra-se à segurança como se fosse a coisa mais importante do mundo. Se o seu principal objetivo na vida é fugir das preocupações, então você nunca deixará de ser pobre. E vai morrer de tédio. Tampouco ficará rico de salário. É impossível. A estrutura econômica mundial está montada contra você. Logo, a menos que você tenha pais ricos, a única maneira de sair da pobreza - sua única esperança - é submeter-se a riscos”
A Ganância. Esse ponto é óbvio, mas pouco praticado. É comum vermos pessoas acreditando sempre na alta, depois de uma alta, depois de outra alta. É importante aprender a realizar logo os lucros, sem querer advinhar ou esperar pelo topo.
“Não se pode saber de antemão quanto vai durar um período de ganhos. Pode durar muito tempo. Pode. Como não consegue avistar o pico, cabe-lhe presumir que esteja próximo, e não longe. Entre no negócio sabendo quanto quer ganhar; quando chegar lá, caia fora”
A Esperança. As coisas nem sempre vão bem, certo? Brasileiros que somos, sempre acreditamos que tudo vai melhorar e que os problemas irão se resolver (sozinhos). Esperança nos negócios e no dinheiro pode não ser uma estratégia inteligente, certo Max?
“Pode contar como certo que mais ou menos a metade das suas operações especulativas irão pro brejo antes de você alcançar a linha de chegada. Nos seus palpites sobre o futuro, vai errar a metade; a metade das suas opiniões sobre as forças econômicas serão equivocadas; a metade dos conselhos que ouvirá serão maus. Quando o barco começar a afundar, não reze. Abandone-o. Aceite pequenas perdas, para se proteger das grandes”
As Previsões. No mundo todo, não faltam especialistas que julgam o futuro. Muitos ganham (bem) para isso. Como evitar que as previsões gerem maus negócios? Impossível?
“O mundo do dinheiro é um mundo de eventos humanos. Não há metodo, não existe ninguém capaz de prever eventos humanos. Como uma suposta capacidade de enxergar o futuro tem um certo apelo hipnótico, é fácil deixar-se fascinar por um profeta de sucesso. O especular de sucesso não baseia suas jogadas no que, supostamente, vai acontecer; ele reage ao que realmente acontece”
A Mobilidade. É comum vermos investidores criarem raízes, se apegarem a determinados negócios, ativos e estratégias. Vemos isso acontecendo muito com imóveis. O autor alerta:
“Numa operação que não deu certo, não se deixe apanhar por sentimentos como lealdade ou saudade. Jamais hesite em sair de um negócio se algo mais atraente aparecer à sua frente”
A Religião e o Ocultismo. Aqui a polêmica se estende e o livro fica, definitivamente, excelente! Max nos leva a crer que misturar religião com negócios não traz resultados práticos interessantes. Você concorda?
“É improvável que entre os desígnios de Deus para o Universo se inclua o de fazer você ficar rico. Se depende de Deus, ou de qualquer outra força ou entidade sobrenatural, para alcançar a fortuna, há grandes probabilidades de que, um dia, você abaixe a guarda e perca tudo”
O Otimismo e o Pessimismo. O autor não acredita muito nessas coisas. Para ele, a racionalidade e a atitude de hoje tendem a trazer melhores resultados.
“Otimismo significa esperar o melhor, mas confiança significa saber como se lidará com o pior. Jamais faça uma jogada por otimismo apenas. O profissional não tem otimismo. O que ele tem chama-se confiança, que nasce do uso construtivo do pessimismo”
O Planejamento. Esqueça o longo prazo! Ao menos, essa é a proposta do livro. Não concordo com essa visão imediatista e especulativa demais, mas confesso que os argumentos balançam. Eqüilibrar parece ser a melhor coisa a fazer num país como o Brasil.
“Planejamentos a longo prazo geram a perigosa crença de que o futuro está sob controle”
Toda polêmica é boa
O livro ensina muito, traz a experiência de um profissional tarimbado e que fez muito dinheiro com seus métodos. E vem do país onde o dinheiro parece brotar de árvores, a Suíça. As dicas são valiosas e o material muito bem escrito e compilado. Comprá-lo certamente fará você enxergar o mundo financeiro de uma forma diferente.
Avaliação final
Ficar rico é sinônimo de arriscar. “Arriscar para ganhar”, completa Max. Especular não é uma palavra comum no cotidiano da maioria dos brasileiros. No entanto, se fizermos uma reflexão levando em conta os profissionais bem-sucedidos que conhecemos, uma surpresa será inevitável: em algum momento, todos tiveram que arriscar seu dinheiro, seus desejos, seus sentimentos. Será que somos todos capazes de fazer o mesmo? Compre o livro e tente responder essa pergunta. Notas:
- Linguagem e narrativa: 9
- Exemplos práticos: 8
- Temas abordados: 9
- Preço: 8
- Média: 8,5
A leitura vale cada minuto de atenção, pode ter certeza. O livro está entre os mais vendidos e isso não aconteceu por acaso. Leitura obrigatória para os que desejam se aventurar em negócios mais arriscados, “Os Axiomas de Zurique” traz a Suíça dos banqueiros para a sua realidade. Recomendo!


















Valeu pela recomendação
Meu filho,
Antes de tudo quero que você saiba que leio diariamente seu blog e cada vez me orgulho mais de você.
Seu comentário final acerca do livro levou-me a uma reflexão que considero da maior importância registrar aqui: se eu levar em conta os pais bem sucedidos na educação de seus filhos que eu conheço, uma constatação revela-se inevitável e não é surpresa nenhuma: todos amam seus filhos de forma incondicional e em todos os momentos souberam ser firmes e impor limites.
Parabéns por tudo que você tem feito na vida e, principalmente, pela pessoa maravilhosa que você é.
Eu te amo!
Será que se preocupar vale a pena? Será que especular faz bem para o bolso, para o país e para a saúde? Será que no longo prazo os retornos não são melhores? Existe uma coisa chamada taxa de corretagem que pode matar os especuladores que compram e vendem ações alucinadamente. Sou um ferrenho defensor do investidor. Sou um ferrenho crítico do especulador. Sou um grande apostador no longo prazo. Resultado: com uma resenha FANTÁSTICA assim já penso em comprar o livro para ver o outro lado. Assim acho que poderei criticar melhor (hehehehehe).
Ainda esta noite pretendo abordar em meu blog uma forma interessante de investimento no longo prazo com baixo risco. Uma abordagem completamente (!!!) diferente desta que o livro prega.
Como o Navarro adora uma polêmica, resolvi dar meus pitacos por aqui! Um abraço a todos. Parabéns mais uma vez Navarro!
Já li e recomendo muito. É bom um livro que saia dos tradicionais conselhos dos manuais financeiros. Conseguindo aplicar as dicas, as chances de retorno aumentam bastante. Mas é preciso saber conviver com o risco.
Li o livro, mas não é para todos que recomendo. Ele é muito bom principalmente para traders e especuladores em geral, mas para o investidor médio, que poupa para investir ou que não tem aquela bolada pra perder e voltar ao mercado no outro dia, eu não recomendo. O sistema apresentado pelos axiomas são arriscados demais na minha opinião. Eu particularmente, odeio o risco, faço de tudo para minimizá-lo. Claro que sempre existe algum, mas mesmo depois de ler o livro prefiro correr riscos que posso calcular.
Já estava com vontade de comprar o livro… esta otima resenha só aumentou minha certeza!! =D
Marco,
Acho que qualquer livro é recomendado a todos. Talvez alguns investidores de longo prazo, como eu, ao lerem o livro terão ainda mais certeza de suas opções e estratégias.
Acho perigoso comprar um livro e sair aplicando o que está escrito, sem ter segurança do que está fazendo.
Um abraço.
Eu vejo assim: todo investimento é uma especulação. E existem especulações de curto e longo prazo.
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O Marco disse que odeia o risco e faz tudo para minimizá-lo. Eu também não gosto. Os axiomas são uma maneira de administrar o risco: “Se o barco começar a afundar, não reze, caia fora.”
O importante e descobrir que tipo de pessoa você é, se é um investidor ou se é um especulador. Para uma pessoa que não esteja muito bem entrosada com o meio, este livro pode ser um início meio pesado, mas para aquele que sabe que é especulador, é uma boa leitura.
Eu recomento o livro “O Investidor Inteligente - Um Guia Prático de Como Ganhar Dinheiro na Bolsa” de Benjamin Graham para aqueles que são investidores.
No fundo, todo investidor é um especulador. Não vejo muita distinção entre uma coisa e outra. Mesmo o investidor de longo prazo não sabe o que irá acontecer no futuro.
Acho que todos os axiomas são importantes, principalmente para os iniciantes, porque nos protegem de erros comuns, como o de se apegar a um investimento crendo que o futuro compensará as perdas presentes.
O livro de Max Gunther não é um manual de receitas. É como Pai Rico Pai Pobre: faz pensar. Acho que é o que nós, brasileiros, mais precisamos: uma mudança de mentalidade.
A propósito, o blog está cada vez mais interessante. As discussões que rolam por aqui estão muito produtivas. Também faz pensar.
Grande abraço
Peter, que bom encontrar você aqui no Dinheirama. Seu comentário tanto aqui quanto em meu blog são extremamente ponderados e pertinentes. Valeu pela dica do livro. Me considero mais um investidor do que um especulador.
Ismael, será que todo investidor é um especulador? Será que quem aplica suas economias em uma empresa esperando ajudá-la a investir e crescer esperando ser remunerado através de dividendos é realmente um especulador? Que bom que podemos discordar, concordar, criar polêmicas e debater. Que bom que o espaço disponibilizado no Dinheirama e as pessoas que o visitam sejam de nível tão elevado. Que bom que o Navarro nem precisa mais passar por aqui, o Dinheirama já está andando sozinho e ficando maior que o dono.
Valeu Navarro!
Arthur: todo investidor é um especulador, sim.
Vou usar suas palavras: “Será que quem aplica suas economias em uma empresa esperando ajudá-la a investir e crescer esperando ser remunerado através de dividendos é realmente um especulador?” Com certeza, é! Que garantias esta pessoa tem de que a empresa irá crescer ou que lhe irá pagar dividendos compensadores? O cidadão aplica seu dinheiro em um papel esperando obter retornos incertos e desconhecidos. Ele pode se dar bem, mas pode se dar mal. É por isso que eu considero especulação, independente de ele comprar o papel de manhã e sair de tarde ou daqui a dez anos.
E é por isso que estou reforçando a importância das orientações de Max Gunther. Eles nos abrem os olhos a respeito deste detalhe: se uma operação vem dando prejuízo, é melhor assumir o erro, entender o que aconteceu de errado e partir para outra.
O problema é que especular é um palavra muito feia no Brasil. Pra mim, especular é esperar um determinado resultado no futuro com base em informações que tenho no presente. Para especular, não preciso ter dinheiro. Especular é pensar. Quando coloco dinheiro na jogada, aí já não é mais só uma especulação. É um investimento. Se vou perder ou lucrar vai depender de estar certo ou errado.
Desculpem, dessa vez eu falei demais…
Prometo ser breve na próxima. Não precisam concordar comigo. O debate é importante e enriquecedor (até mesmo no sentido literal da palavra, eheh!).
Abraços,
Oi pessoal, estou por aqui e acompanhando a discussão diariamente. Excelente essa troca de experiências. Fico muito feliz de poder proporcionar, através do Dinheirama, tamanha atividade.
Agora meu pitaco: especulação é algo que, mais hora menos hora, estará presente na vida do investidor comum. Quem investe, especula. O simples pensamento “ah vou deixar mais alguns dias porque essa empresa tem bom histórico” ou “esse fundo me traz bom retorno, vou esperar até o começo do ano” já traz embutida uma esperança especuladora. Claro, estou sendo simplista. Acho que não existe especular OU investir, mas sim investir, especular, ganhar ou perder. Abraços.
Grande Navarro.
Para mim a diferença é clara. Buffet antes de comprar ações de uma empresa, analiza os lideres que estão no negócio (ligando pra eles ou marcando reuniões mesmo!), entevista funcionarios, estuda as estratégias, os numeros e o futuro do negócio. Ele compra A EMPRESA, como nosso amigo citou.
Agora um especulador compra papéis, muitas vezes nem sabe quem eh o CEO da empresa, simplesmente analisa um gráfico e partir disso tira suas conclusões. Isso é especular (não necessáriamente, jogar, ou dar palpite) Acredito que existe ciência e sabedoria mesmo por trás do ato de especular, mas definitivamente não é a mesma coisa que investir.
Marco: eu entendi o ponto de vista. Sua explanação está perfeita. A distinção que você e o nosso amigo Arthur colocam é que o investidor está sempre inteirado dos negócios da empresa, aguardando resultados de longo prazo e o especulador está preocupado apenas com a variação do preço de seus papéis, esperando resultados no curto prazo. Legal. Mais bem explicado impossível. Nessa alegoria, Buffet é investidor, George Soros é especulador (viram como entendi? Rsrs).
Meu ponto de vista não anula o de vocês. Dessa vez eu vou colocar de uma forma diferente, vamos ver se a explicação vai ser feliz.
Qual é o objetivo do investidor? Obviamente, obter um retorno sobre seu capital total. Retorno de quanto? Depende de sua ambição: 10, 20, 30% ao ano? O investidor decide. Esta será sua meta.
Ocorre que o investidor não tem condições de prever o futuro. Então o máximo que ele pode fazer é monitorar seus resultados atuais. Se a meta é ganhar 15% e no meio do ano sua carteira já está perdendo 30%, há algo errado no paraíso. Como o investidor é prudente, tratará de encarar a realidade e rever sua posição antes que as coisas piorem.
O investidor está sempre especulando porque acredita que no longo prazo os ganhos compensarão o risco de aplicar no mercado de capitais. Ele reúne informações e tenta escolher as melhores empresas para investir. Informação ele pode ter muita; certeza mesmo, nenhuma. Por isso, investir é especular.
Isto é teoria, claro. O investidor pode olhar o balanço da empresa e calcular o retorno por ação. Pode saber que a tendência da ação é de alta. Mas como diz aquela frasezinha de todo prospecto de fundo mútuo: “rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura”…
Finalizando:
Não estou dizendo para aplicar em papéis desconhecidos apenas porque estão subindo, nem para entrar e sair da bolsa toda hora. Eu tenho uma estratégia de investimentos de médio prazo, que posso mudar se achar que não estão me trazendo resultados satisfatórios ou se achar que é arriscada demais (arriscado pra mim é algo que tem muita chance de dar errado). Como diz Max Gunther, “no que se refere a dinheiro, tudo que precisa, em matéria de planejamento a longo prazo, é da intenção de ficar rico.”
Pra mim, a discussão foi frutífera principalmente por uma coisa: descobri que o impacto da palavra “especulador” é muito forte. Vou passar a usá-la menos. :p
[...] perdas evita que você incorra em grandes decepções, já nos ensina Max Gunther, autor do livro “Os Axiomas de Zurique”. Se você é daqueles extremamente competitivos, que não aceitam perder nem em uma partida de [...]
ainda nao li este livro, mas eu o tenho aqui no meu computador.o problema de ler no compt eh q fica uma ;leitura cansativa, alem de fazer mal a vista…
vou tratar de comprar este livro
Ei Navarro…..posso recomendar um livro por aqui?
ou melhor, TRES!
aqui vai:
1- Reminescencias de um especulador financeiro
2- O Monge e o Executivo
3- Como fazer amigos e Influenciar Pessoas (Dale Carnegie)
se ja tiver a resenha aqui no site por favor me mostre, mas se nao tiver, sugiro que faca…… sao otimos livros!!