Pular a navegação e ir direto para o conteúdo


Home > Economia Geral > Que tal o Regime de Metas de Inflação?

Que tal o Regime de Metas de Inflação?

14comentários

Enquanto isso lá em Brasilia...Hoje vou abordar um tema sugerido por um leitor. O que é e como se caracteriza o Regime de Metas de Inflação? Pode até parecer um assunto chato e extremamente técnico, mas vou tentar descomplicar, sem perder a riqueza de detalhes que o tema permite, inclusive analisando os resultados obtidos pelo Brasil.

Como tudo começou
O Brasil adotou o Regime de Metas de Inflação em junho de 1999 após um forte ataque especulativo. Antes, o país adotava o chamado Regime das Bandas Cambiais. Para facilitar o entendimento, perceba que, desde a criação do Plano Real, a supervalorização da taxa de câmbio e a elevação do grau de abertura externa da economia foram os pilares principais da política de combate à inflação.

Em 1999, graças ao ataque especulativo, a autoridade monetária percebeu que, em um contexto de instabilidade do sistema financeiro internacional, trabalhar com ancoragem cambial era totalmente ineficaz pois tirava do Banco Central o controle e a manutenção de sua própria política de controle da inflação, deixando o país vulnerável demais, com a possibilidade de perder o controle da taxa de câmbio nominal.

Na prática…
O Regime de Metas de Inflação resguarda o poder do Banco Central em conduzir a política monetária de forma a cumprir a meta de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para os dois anos subseqüentes. É simples assim. Há uma meta, há um resultado a ser atingido e há poder para se chegar nela.

Pelo mundo…
Não é só o Brasil que adotou o regime de metas de inflação. Países como Canadá, Chile, Reino Unido, Espanha, México e Suíça, por exemplo, já tiveram experiências com o mesmo modelo.

A experiência brasileira
No Brasil, o combate à inflação se tornou uma prioridade depois dos anos hiperinflacionários. Observando por esse ponto de vista, pensava-se evitar que esse “fantasma” pudesse retornar. Assim, o Banco Central não pensou duas vezes ao utilizar o instrumento mais contundente e de rápido efeito contra a inflação: juros altos!

Resultados
É inegável que o combate à inflação foi (e é) bem sucedido. Hoje em dia, a inflação prevista para o ano de 2007 está em torno de 4,5% ao ano. No entanto, ao analisarmos o contexto e o “preço pago” para que chegássemos até aqui, sinto-me obrigado a levantar algumas reflexões:

  • O Brasil cresceu o que poderia? Dentro dos países em desenvolvimento tivemos as piores avaliações de crescimento.
  • A pobreza de fato diminuiu? As altas taxas de juros propiciaram que pessoas com certo potencial de investimento tivessem melhores oportunidades. Entretanto, o que dizer da chamada linha da pobreza? Os investimentos sociais permaneceram parados e poucos (ineficientes) programas assistencialistas tentaram cumprir esse papel.

O que você acha?
Finalizando, o sistema de Metas de Inflação propiciou ao Banco Central uma atuação independente. Claro, não funcionária se não fosse assim. O seu papel é justamente cuidar e garantir o cumprimento das metas propostas, não pesando, necessariamente, as questões sociais do país.

Uma questão ainda permanece depois desses anos todos: Será que o controle rígido da inflação, já em patamares baixíssimos, não acaba engessando o potencial econômico da nação? Países como China e Índia optaram por metas não tão rígidas e cresceram anualmente praticamente o dobro do Brasil nos últimos 10 anos.

Qual sua opinião? Controle rígido da inflação ou busca incessante do crescimento econômico? Os dois? Está ai um tema muito interessante para um longo debate por aqui. Vamos lá? Quem começa?

————
Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston Garantia e edita a seção de Economia do Dinheirama.

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Ricardo Pereira

Mais informações

Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

Leia todos os artigos de Ricardo Pereira

  • Enviar por E-mail
  • Link Curto: http://bit.ly/AwtDA8
  • Filipe de Nassau e Braga

    Olá a todos, não sou economista, nem tinha idade o bastante para saber diferenciar os grandes problemas da época da hiperinflação. Porém, acredito que a mudança drástica no percentual da taxa mais conhecida do país (acredito eu), permitiu uma mudança considerável na forma de viver da população que permitiu uma melhoria no padrão de vida. Eu me lembro muito bem da minha mãe fazer compras enormes no supermercado, em virtude da variação dos preços em pouco tempo. Hoje, ela mesma compra pouca coisa e pesquisa os preços calmamente, não havendo a necessidade de um estoque de mercadoria para evitar um prejuízo financeiro. Pequenas mudanças como essa, na minha opinião, forçam uma concorrência justa de preços, e aumentam o interesse do consumidor em outros índices que antes só interessavam aos economistas. Concordo que o crescimento do país ainda é pequeno, mas vemos que os números estão se tornando favoráveis à nós. A queda na taxa de juros, por exemplo. Não sei se falei algo de errado, mas na minha opinião, o controle inflacionário foi sim um grande ponto na história econômica do nosso país.

    Parabéns pelo site, sou leitor assíduo dela desde muito tempo. Apesar de me interessar muito pelo jargão e as palavras do “economês” até então não havia conhecido um terreno tão fértil para o aprendizado.

  • Adauto Nogueira

    Olá amigos do Dinheirama.
    Vocês estão se especializando em contribuições inimáginaveis para nós simples leitores em busca de informações úteis. Acho que o sistema de metas de inflação cumpre o papel de controlar a inflação a risca. Amanhã mesmo tem nova decisão do COPOM e tudo indicia que se cortará a taxa selic em 0,25%. O mercado crê que vai parar por aí, por um bom tempo, pois justamente a inflação começa a rondar, e o pavor causado no BC será refletido nas taxas de juros.
    Essa discussão, tem tudo para animar mais ainda o Dinheirama… Navarro e Ricardo meus parabéns !!!

  • Ingrid Hartman

    Acredito que por mais penoso que seja, inclusive levando em consideração as questões sociais, o Brasil necessitava de um basta na hiperinflação. Hoje em dia sabemos, mais ou menos como criar um orçamento e planejar nem que seja no médio prazo, gastos etc.
    Condordo com o Adauto, vocês foram muito felizes em trazer esse debate a tona.

  • Alessandra Cicarelli

    Nossa, nunca entendi tão bem economia, quanto agora. Não me recordo tanto desse período de super inflação, mas me recordo de como era triste ver meu pai rancando os cabelos para dar conta das despesas de casa. Hoje é mais fácil controlar, é mais fácil ter noção de quanto o dinheiro vale de verdade.

  • Ana Paulo Ventura

    Olá Navarro, faz tempo que acompanho os debates acalorados aqui no Dinheirama. Gostaria de parabeniza-lo pela presença do Ricardo, com essa visão mais técnica cheia de economia, que agregou muito às nossas discussões. Não tenho acesso no trabalho à internet, por isso as vezes chego em casa cansada, leio o Dinheirama, mas não comento, mas não posso deixar de comprimenta-los por nos trazer leitura de tão alto nível.
    Parabéns, e não deixem a peteca cair, precisamos de vocês.

  • http://endinheirado.wordpress.com Arthur Gouveia

    Uau! Todo mundo que comenta por aqui tem nome e sobrenome, e é cada sobrenome hehehe. Desculpem, mas foi irresistível…

    Quanto ao regime de metas de inflação, é fundamental para o país. Trabalho com consultoria no gerenciamento de empresas e sei o poder de uma meta. Lembram do apagão elétrico em 2001? Lembram da solução? Uma meta de economia de energia…

    Quanto ao “afrouxamento” das metas para buscar um maior crescimento, é algo que talvez já esteja sendo feito. O governo tem uma meta que andam dizendo por aí é um valor central, mas já se fala em uma banda ao redor desse valor. Agora, é algo meio arriscado. Permitir uma inflação um pouco mais alta buscando um crescimento maior é quase que um “tabu”. Falar em liberar um pouco a inflação é algo inimaginável para um povo traumatizado com as remarcações de preços dos anos 80.

    Acho que precisamos amadurecer mais um pouco. A uns cinco anos se dizia que a inflação não voltaria mais pois o povo aprendeu a pechinchar, a brigar pela manutenção dos preços, mas hoje com o crédito fácil, com os juros em queda e aumento da renda, acho que o povo está com o espírito consumista em alta e qualquer deslize, tome lá a inflação de novo.

    Concluindo: vamos deixar o povo se acostumar a ter dinheiro, consumir de tudo em longas prestações, aprender que isso é um erro, ler o Dinheirama e o Endinheirado (merchandising), se educar financeiramente. Aí, daqui a uns quatro anos podemos pensar em deixar a inflação chegar mais perto dos 6% ao ano…

  • http://dinheirama.com Ricardo Pereira

    Nossa Arthur você têm razão, nossos leitores com sobrenomes de peso, isso só nos dá mais ânimo em continuar divulgando nossos ideais de planejamento financeiro.
    A inflação hoje passa ser de contexto bem amplo, hoje por exemplo, até o câmbio baixo contribui para aumentar a competividade dos produtos importados e segurar o preço dos produtos nacionais, por isso não vêmos na prática o BC intervir na questão do Real valorizado, temos interesses inflacionários por trás disso.
    Mas, concordo com você o pior que poderia acontecer no país seria a volta da inflação, e de maneira sustentável aos poucos vamos conseguindo abaixar os juros, investir e ver o país e as empresas crescerem.
    Parabéns pelo Endinheirado !

  • Paulo F. Gomes

    Olá amigos do Dinheirama, poxa vida muito legal o artigo. Principalmente porque há algum tempo eu tinha feito o tema como sugestão. Isso, é o que transform o Dinheirama em um evento único na Internet. Obrigado.
    Quanto ao artigo, para variar muito bem escrito e fundamentado. Eu particularmente, tenho uma visão muito mais desenvolvimentista, que o BC e o pessoal que deixou comentários. Acredito, que poderiamos mirar uma meta de inflação um pouco maior, talvez perto de 5,5% ou 6%, as possíveis perdas causadas pela inflação, poderiam ser facilmente absorvidas, com o crescimento econômico que o país alcançaria, com geração de novos postos de emprego, negócios novos conseguidos pelo aumento do poder econômico da população. Como o Ricardo, mencionou a China e a Índia fizeram dessa forma, e sendo o Brasil um país em desenvolvimento, o controle inflácionário deveria andar de mãos dadas com a necessidade de crescimento.

  • http://reflexoeseperdadetempo.blogspot.com Enio Luiz Vedovello

    Excelente texto, Ricardo, descomplicou bem o assunto.
    A minha opinião sempre foi pelo meio-termo. Com controle, podendo apertar mais se necessário. Mas que permita um crescimento econômico baseado em dinâmica de mercado, aqui incluído o aumento da oferta de empregos e de salários e o consequente aumento de consumo causado por poder aquisitivo real, e não pela facilidade em comprar tudo em 48 vezes com “juros baixos”.

  • Felipe M Cypriano

    Não sei como foi a hiperinflação.

    Mas, seguindo a linha de T.Hark Ever no livro Os Segredos da Mente Milionária. “Qual sua opinião? Controle rígido da inflação ou busca incessante do crescimento econômico? ”

    Resposta: Ambos!

  • Pingback: O caminho dos juros, a inflação e a explosão do crédito | Dinheirama - Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos

  • http://yahoo. nesio oliveira silva

    Gostei do que falou sobre metas de inflação, contudo como ela é formada? existe algum índice, Selic ou cambio que somado influencia em sua formação? Posso por exemplo pegar dados de inflação passada ex: 1990 à 2000, somá-los, dividí-los pelo mesmo tempo e achar um valor que posso estimar como meta de inflação para o periodo seguinte?
    obrigado.

  • Pingback: A Taxa Selic e o lobby dos juros altos no Brasil | Destaques | Dinheirama - Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos

  • Pingback: Investimentos mais rentáveis que a poupança em tempos de inflação alta | Dinheirama – Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos

  • E-book: Educação Financeira Infantil – PDF

    E-book: Educação Financeira Infantil - PDF

    R$ 9,90
    Comprar
  • E-book: Educação Financeira: um estilo de vida – PDF

    E-book: Educação Financeira: um estilo de vida - PDF

    R$ 9,90
    Comprar
  • Kit Livros “Vamos Falar de Dinheiro?” e “Ter Dinheiro Não Tem Segredo” – FRETE GRÁTIS

    Kit Livros "Vamos Falar de Dinheiro?" e "Ter Dinheiro Não Tem Segredo" - FRETE GRÁTIS

    R$ 49,90
    Comprar
Livro Crash Livro Investimentos Inteligentes Livro Aprenda a Investir Coleção A Revolta de Atlas Livro Saga Brasileira Livro Bilionários por Acaso

Quem já falou do Dinheirama?

Adquirimos virtudes quando primeiro as colocamos em ação, assim como fiz em relação a encarar de frente minhas dividas, quando tomei a decisão de seguir muitas das orientações aprendidas com o blog.

Paty

Parcerias Exclusivas

Ueba

Disclaimer

Toda e qualquer decisão tomada após a leitura deste blog é única e exclusiva responsabilidade do leitor