Ações como poupança de longo prazo (I)
Publicado por Conrado Navarro em 17.10.2007 na seção Ações e Derivativos
Guilherme comenta: "Navarro, tenho notado que muitas pessoas vêm migrando da poupança para a Bolsa, apenas com base no que algum conhecido falou. Conheço gente que compra muito em ações do Bradesco sem sequer olhar a cotação do dia. Simplesmente alguém falou e acha que ela sobe até X no final do ano. Confesso que também estou começando com pensamento de longo prazo, porém, estou buscando adquirir o maior conhecimento possível para estar preparado para qualquer operação. Tenho acompanhado o pessoal do fórum do Infomoney comentar que nos últimos anos a bolsa tem sido uma maravilha para aqueles "leigos" que compram a ação, sentam em cima e esquecem lá. Enfim, cultura de poupança na bolsa. O que você pensa sobre isso? Arriscado é, pois se trata da Bolsa, mas penso que essa cultura de 'poupança com ações' é um modismo perigoso. O que você acha? Conheço gente que está investindo muito sem sequer saber o que é stop. Obrigado".
Guilherme, você levantou uma questão importante e que merece muita atenção. Será que existe um jeito certo de agir quando o investimento está em renda variável? Será que o mito não é maior que o verdadeiro risco? Eu poderia levantar muitos outros questionamentos, comuns hoje em dia, e complicar ainda mais a discussão. Deixo esse papel para você, para todos os amigos leitores que nos prestigiam diariamente. Prefiro facilitar a discussão, dar asas à polêmica e levar o tema adiante através dos comentários e do fórum Sociedade Dinheirama. Que tal?
Cultura de poupança
Ótima idéia, a cultura de poupança vai além da idéia de investir e esquecer do dinheiro no curto/médio prazo. O poupador deve aprender a pensar em seu futuro e o futuro de seu dinheiro. As questões fundamentais que devem ser levantadas são: o que eu posso fazer para aprender e entender as alternativas de investimento disponíveis atualmente? Há necessidade de uma reciclagem neste sentido? Que nível de risco devo aceitar para aplicações de longo prazo? Investir em ações, pensando na sua venda só daqui a muitos anos, é uma estratégia eficiente? Que alternativas existem para que esse ideal se concretize? Investir em ações, então, é coisa de especialista? Algumas respostas você encontra aqui, outras na segunda parte do artigo que ainda virá...
O que eu posso fazer para aprender e entender as alternativas de investimento disponíveis atualmente?
Ler, manter-se informado e em contato com profissionais e amigos que atuam ativamente sobre seus investimentos e mercado financeiro. Ponto. Hoje em dia, diante de tamanha quantidade de informação, não é difícil obter bons materiais sobre os principais produtos financeiros e alternativas de aplicação. Simplesmente não é. Não saber onde pode encontrar a resposta não é uma razão forte o suficiente para deixar seu dinheiro "do jeito que está". Pelo contrário, o desafio deve ser a motivação principal para levar seu patrimônio ao próximo estágio.
Excelentes livros, sites, podcasts, reportagens, revistas e jornais estão ao seu alcance neste momento. Especialistas estão acessíveis através de artigos, e-mail e fóruns de discussão. O interesse é seu, a responsabilidade de agir também. A nós, amigos de interesse comum, cabe a criação de um ambiente saudável para a troca de experiências e aprendizado. Aproveite seu tempo de forma mais inteligente, pense na poupança como formação de futuro, não apenas como um produto bancário. Free your mind!
Há necessidade de uma reciclagem neste sentido?
Sem dúvida. Não basta lançar mão das aplicações e esperar que a mágica se concretize. Isso não existe. Mágica no mundo financeiro é só mágica. Qualquer aplicação, seja ela de baixo, médio ou alto risco, deve ter constante acompanhamento. Tudo bem, constante é uma palavra subjetiva quando o assunto é dinheiro. Concordo. A frequência de avaliação pode ser flexível? Sim, pode, mas deve ser definida e respeitada por você.
Longo prazo não significa conferir o extrato daqui 10 anos, mas sim certificar-se de que suas escolhas o levarão até lá da forma desejada, dentro de suas expectativas. Experimente avaliar seus investimentos a cada três meses e mantenha sob controle a evolução de seu patrimônio. É fácil, rápido e facilita muito a tomada de decisão do dia-a-dia.
Que nível de risco devo aceitar para aplicações de longo prazo?
Todos os níveis, inclusive aquele que você jamais imaginou suportar: o sobe e desce da Bolsa de Valores. Poupança para o futuro, longo prazo, pressupõe inteligência financeira capaz de enxergar que, apesar da volatilidade, o mercado acionário reflete o crescimento do país e é um espelho, senão um motor, para seu amadurecimento econômico. Sim, porque as crises enfrentadas pelo país e pelo mercado de ações são passageiras (têm que ser!) e as empresas que negociam ações usam a captação para financiar seu crescimento. Simples assim.
Aliás, você sabia que, nos últimos 20 anos, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, fechou em alta 14 vezes? Ah, sabia que o índice cresceu a uma taxa média de 205% desde 1988? Que tal? "Mas Navarro, não vai continuar assim". Reclamar e ser pessimista é sempre mais fácil e cômodo. Pare com isso. Se não vai ficar em 200% pelos próximos 20 anos, que fique em 25%, 30%. Não está bom? Abra o olho, preste atenção e lembre-se de incluir ações em sua carteira de investimentos de longo prazo. JÁ!
Algumas questões ainda ficam em aberto:
- Investir em ações, pensando na sua venda só daqui a muitos anos, é uma estratégia eficiente?
- Que alternativas existem para que esse ideal se concretize?
- Investir em ações, então, é coisa de especialista?
Irei respondê-las na sequência deste artigo, a ser publicada no decorrer da semana. Enquanto isso, que tal dar a sua versão para cada uma das perguntas? Lembre-se, ao dar seu parecer, que as dicas aqui focam o longo prazo. Guilherme, não dei uma resposta exata ao seu questionamento, mas acredito que as perguntas e o jogo de idéias proposto pelo artigo já é capaz de levá-lo a pensar nas alternativas viáveis ao seu raciocínio. Estou certo? Leia também a segunda parte do artigo.
Crédito da foto para Marcio Eugenio.
Conrado Navarro
Educador financeiro, tem MBA em Finanças e é mestrando em Produção (Economia e Finanças) pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: twitter.com/Navarro
Mais sobre Conrado Navarro Outros textos de Conrado Navarro

























Excelente artigo. Parabéns mais uma vez Navarro.
Na ExpoMoney do mês passado, assisti uma palestra(do Marcelo Grande) que acredito que foi umas das mais produtivas lá. O tema: "Fazendo sua previdência na Bolsa de Valores".
Todos sabem que previdência é pra longo prazo. Bolsa de Valores também. Por quê não unir o útil ao agradável.
Abraço a todos.
Os investimentos em renda variável hoje com juros baixos, são uma considerável forma para um aumento significativo de patrimônio. É claro, que não devemos limitar ou destinar todo nosso potencial de investimentos nele, mas não podemos descartar, por medo ou por acreditar que só especialistas podem se enveredar por esse caminho.
Assim, repitindo o que meu amigo Navarro escreveu, corra atrás de informações, troque experiências com outros investidores, tá assim de gente buscando e cooperando com quem está iniciando.
A idéia é que quanto maior for o número de participantes, mais forte fica a Bolsa, mais confiável os mecanismos, as taxas baixam enfim ... só temos a ganhar.
Outro ponto abordado, com dinheiro não se brinca!
Essa é uma regra básica, e apartir do momento que se passa a ter ações de uma empresa, você se torna sócio. Passe a acompanhar com mais carinhos os demonstrativos financeiros e contábeis das empresas, ou até dos concorrentes dela... desenvolva gosto por eles. As empresas, hoje disponibilizam na sua quase maioria, profissionais e áreas para dar suporte aos investidores, os chamados RIs (Relação com os Investidores) ligue, envie e-mails, vá até a empresa, conheça melhor onde seu dinheiro está sendo colocado. E, outra dica importante, continue a acompanhar o Dinheirama.
Abraços,
Acho que comprar e sentar em cima é uma ótima estratégia. Li bastante sobre isso e acredito que seja excelente! Tô com fome, com sono e vou pegar um vôo em algumas horas. Depois dou meus palpites na Sociedade Dinheirama...
A estratégia de comprar ações e esquecê-las, para mim, simplesmente não funcionou há alguns anos. Tudo bem, admito que foi antes da turbulência financeira que o país atravessou, mas foi traumatizante.
Hoje, finalmente, estou arriscando mudar um pouco o meu perfil conservador de investimentos, e tentando algo em termos de ações. Mas já não penso em "esquecer". Ao contrário, tenho acompanhado de perto as variações, tentando observar tendências além de uma pequena alta ou queda diária.
Interessante. Confesso que pra mim, que fui criado numa visão de que bolsa de valores é "cassino", foi bastante difícil aceitar a idéia de aplicação em ações. Mas também não sou tão bobo ao ponto de ver tabelas com rentabilidades fabulosas na minha frente e não me interessar pelo assunto. Com muita leitura, informação (o Dinheirama me ajudou muito nisso), criei "coragem" de aplicar uma porcentagem de meu dinheiro em renda variável. Comecei com fundos de ações e estou satisfeito. Penso em longo prazo. Durante a queda de julho e agosto acho que consegui me dar bem, retirei uma parte dos investimentos, não tive prejuízo. Depois reapliquei uma parte e outra deixei em CDB esperando uma nova oportunidade para entrar com mais. E daqui a um tempo espero eu mesmo fazer minha carteira. Abraços a todos.
Grande Navarro! Melhor do que dar uma resposta exata a mim, é nos levar ao debate e à reflexao sobre o tema. Quem vive somente de poupança, penso que é porque tem preguiça ou medo de se informar sobre alternativas de investimento. Diversificar os investimentos e buscar o máximo de conhecimento sobre cada um deles é fundamental. Eu estou aplicando em um Fundo de Investimento da Geração Futuro, e apliquei em algumas ações de BlueChips a longo prazo. Enquanto isso, estou estudando e me informando bastante sobre o mercado de ações, para em breve passar a fazer alguns traders a curto prazo também. Enfim, a busca pela informação nos leva a diversificar e potencializar nossos investimentos. O importante é nunca se acomodar em algo só porque tem medo ou preguiça de conhecer as alternativas.
Obrigado pela resposta! Estarei sempre no fórum disposto a aprender e debater sobre questões como essa.
Navarro, seu blog é ótimo e faz um bom tempo que eu aprendo com ele.
Estou querendo investir na bolsa, mas não tenho uma idéia de quanto dinheiro devo reservar pra isso.
1. Quanto você recomenda para um investimento inicial?
2. Investir tudo em ações de uma mesma empresa ou em várias ações de várias empresas?
3. Onde investir quando a quantidade de dinheiro for pequena (lembrando que estamos falando de um investidor iniciante)?
Maurício, recomendo que poste sua pergunta no fórum aqui do Dinheirama. Lá não só o Navarro, como muitos outros poderão te ajudar. O endereço é http://www.dinheirama.com/forum Abraço.
Meu pitaco:
- Investir em ações, pensando na sua venda só daqui a muitos anos, é uma estratégia eficiente?
Ô! Principalmente se a empresa for grande, sólida e lucrativa.
- Que alternativas existem para que esse ideal se concretize?
Para quantias menores, fundos de investimentos. Para quantias maiores, corretoras!
- Investir em ações, então, é coisa de especialista?
Não. A não ser que você mesmo seja o especialista. Rs.
Opinião minha: alguns setores da economia são mais lucrativos que outros. Algumas empresas são mais eficientes que outras. Isso muda com o tempo. O que hoje é um ótimo negócio pode não sê-lo amanhã. O barato é que o próprio mercado sinaliza quando as coisas vão mal e permite sair rapidamente de uma posição antes que ela se complique mais.
[...] de longo prazo. Assim, classifiquei e escolhi sua pergunta para compor a segunda parte do artigo “Ações como poupança de longo prazo”, cujo objetivo é levantar alguns pontos sobre o uso do mercado de ações como fator preponderante [...]
PArabens!!!!gostei muito da criação e desenvolvimento desse site!!!
http://www.nextcriacaodesitesesistemas.com
[...] investimentos. De que adianta investir se não dá pra curtir? — Estou usando a Bolsa como uma poupança de longo prazo. Abro mão de curtir hoje pra poder curtir muito mais no futuro. — Ah, quer saber Max, deixa pra [...]
[...] ao universo acionário de 2008, assim prefiro apenas manter minha opinião e recomendação: as ações são uma ótima alternativa de poupança de longo prazo. Este ano será marcado por grande volatilidade, mas acredito que os resultados finais serão de [...]
[...] em ações deve ser uma atitude de longo prazo. Expliquei, com todas as manhas possíveis, que longo prazo é mais do que a maioria das pessoas pensa que é. Portanto, se você colocou suas economias na bolsa, só posso lamentar. Displiscência nunca [...]
Ao universo acionário de 2008, assim prefiro apenas manter minha opinião e recomendação: as ações são uma ótima alternativa de poupança de longo prazo.
[...] A mensagem é clara e repetitiva: em renda variável, devem ser usados os recursos financeiros não comprometidos no curto prazo, de forma que oscilações possam sejam sofridas sem que haja pânico ou tentativa de resgates. Aquele dinheiro para trocar de carro no ano que vem deve estar quietinho em um título público ou produto de renda fixa, não no mercado de ações. Já parte do que você pretende angariar ao se aposentar (quando quiser parar de trabalhar) pode e deve estar em investido em ações. [...]
[...] mercado, sugiro que fique de fora desta alternativa. No entanto, se prefere usar o investimento em ações como forma de poupança para o longo prazo e instrumento de diversificação onde serão aplicados recursos destinados para o futuro, seja [...]