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Aconteceu no Dinheirama – 02.11.2007

Publicado por em 02.11.2007 na seção Economia Geral

Construir o futuro!Leitores do Dinheirama, chegamos ao final de mais uma semana. Destaque para o ranking mundial de competitividade, no qual o Brasil registrou uma queda de 6 posições. Também noticiou-se muito o problema do gás no Rio de Janeiro[bb] e da falta de planejamento da Petrobrás para lidar com o tema. O Aconteceu no Dinheirama está no ar, em sua terceira edição, com as novidades e notícias interessantes desta semana. Confira, opine e mantenha-se informado.

Brasil é o 72º país no ranking de competitividade
Na última quarta feira (30/10) foi divulgado o resultado de uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial sobre a competitividade global. Após o estudo com 11 mil executivos em 131 países, o resultado foi que o Brasil está em 72º lugar atrás de Chile (26ª), Porto Rico (36ª), México (52ª) e Colômbia (69ª). Dentre os emergentes, os mais competitivos são China (34ª) e Índia (48ª), seguidos de Turquia (53ª) e da Rússia (58ª). Ainda bem que, como no futebol, estamos à frente da Argentina (85ª).

No ano passado o Brasil ocupava a 66ª colocação. De 2006 para a avaliação atual houve uma mudança na metodologia de pesquisa. Se fosse utilizada a mesma metodologia de 2006, a posição do Brasil seria a 68ª. Uma pequena piora em relação ao ano passado. De acordo com a economista sênior do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, Irene Mia, nossos indicadores mostram uma falta generalizada de confiança nas instituições públicas, atribuída à falta de ética e à ineficiência burocrática relacionadas ao Estado.

Ainda assim, o Brasil apresenta algumas vantagens como o amplo tamanho de seu mercado doméstico, sua facilidade em absorver e adaptar tecnologias do exterior e, especialmente, o grau de sofisticação do setor empresarial e sua capacidade de inovação.

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Petrobrás e a crise do gás (ou da falta dele, ou da falta de planejamento)
Na última terça-feira (30/10), 89 postos de combustíveis no Rio, além da algumas indústrias, ficaram sem o abastecimento de gás natural realizado pela Petrobrás. De acordo com a empresa, a redução de 17% do fornecimento de gás natural para SP e RJ deveu-se ao fato de que os concessionárias Comgás (que atua em São Paulo), CEG (Companhia Estadual de Gás, que atua no Rio de Janeiro) e CEG-Rio (que atua no interior do Estado fluminense) estavam retirando volume maior do que o estabelecido em contratos. Desta forma, a Petrobrás viu-se "obrigada" a reduzir o fornecimento, a fim de manter o abastecimento das termelétricas.

Ai começou a confusão. A justiça emitiu liminar ordenando que o abastecimento de gás fosse restabelecido. A Petrobrás afirmava que ainda não tinha sido informada oficialmente. Após o recebimento da liminar, o abastecimento foi normalizado no Rio. O governo fluminense diz que pretende aumentar os impostos incidentes sobre o gás destinado às termelétricas. A Petrobrás afirma não ter capacidade de atender a toda a demanda por gás natura e que deve reajustar os preços. Tudo isso depois de a Petrobrás anunciar, na segunda-feira, que pode voltar à Bolívia para operar mais um campo de produção de gás.

Em resumo, houve uma grande bagunça no estado do Rio de Janeiro. Em São Paulo? Poucas notícias. A mais relevante foi que o estado possui um plano de contingência para a falta do combustível. Será que a crise é falta de investimento? Ou será que é mesmo falta de planejamento ou de vergonha? Será que enfrentaremos um novo apagão como o de 2001? Será a falta de infra-estrutura que segura nosso crescimento?

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Federal Reserve diminui, pela segunda vez seguida, a taxa de juros dos EUA
Na última quarta-feira (31/10), o Fed (Banco Central norte-americano) reduziu a taxa de juros (FFR - Fed Funds Rate) para 4,5%, o menor nível desde o início de 2006. Esta redução visa impedir que a crise do subprime ultrapasse o limite do mercado financeiro e afete a economia real[bb].

Lá, o Congresso diz que o corte pode facilitar a expansão da economia norte-americana. Por aqui, o Ibovespa[bb] atingiu o 42º recorde do ano - acima dos 65 mil pontos - e o dólar desabou abaixo de R$1,74. Tudo indica que o movimento de queda dos juros nos EUA deve cessar. Veja recente comunicado do Fed:

"O Comitê julga que, depois desta decisão, os riscos de alta inflação se equivalem, aproximadamente, aos riscos de desaceleração do crescimento"

Mesmo com a interrupção da redução da FFR, os negócios no mercado brasileiro se tornam bastante atraentes em comparação com os EUA. Isso deve manter o fluxo positivo de dólares para o Brasil neste final de ano e em 2008.

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Aconteceu no Dinheirama! Semana que vem tem mais! Até lá.

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Arthur Gouveia é Consultor de Empresas especializado em Gestão e Estatística. Conheceu o Dinheirama e, desde então, aplica as dicas dos editores e comentaristas em seu cotidiano, buscando aumentar seu patrimônio líquido. Atualmente edita a seção de Notícias e é editor responsável pelas dicas e opiniões de nossos leitores.

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Crédito da foto para Marcio Eugenio.

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6 comentários

  1. Imagem do comentarista

    Assuntos muitos interessantes e até certo ponto preocupantes.
    A questão da abastecimento de Gás é um caso sério não é Arthur? Veja que desde os problemas com a Bolíva há já algum tempo, era evidente que isso acabaria chegando ao consumidor, principalmente porque a demanda aumentou rapidamente em pouco tempo. Faltou sim planejamento e direção na questão. E é apenas um dos primeiros problemas que vamos enfrentar nas questões relacionadas a energia. Se mantivermos o percentual de crescimento na casa do 5% ao ano, já em 2.009 não teremos estrutura para suportar o consumo elétrico.
    A burocrácia nas liberações de licenças ambientais, a falta de vontade do governo e do congresso em enfrentar o assunto são sintomas de como é preocupante o tema.
    O corte do FED em 0,5% na taxa básica de juros nos EUA foi um sinal claro de que o subprime ainda causa calafrios aqui e principalmente lá fora. Os balanços dos bancos de investimentos estão aí para mostrar a força da crise, que ainda pode perdurar.
    Não acredito em inflação nos EUA principalmente porque o consumo está controlado. O grande problema é que o fim do ano chega, e o consumo aumenta, principalmente de petróleo e energia por causa do inverno. O preço do petróleo alto, é sinal de preocupação e o grande vilão na história.
    Com relação a competitividade brasileira, o que podemos falar, não é mesmo? Carga tributária alta e ineficaz, burocrácia que previlegia as práticas de corrupção e leis ineficazes e pouco claras. Precisa de mais alguma coisa, para saber porque estamos tão mal na pesquisa?

  2. Imagem do comentarista

    Estou adorando essa série de posts!

    Parabens!

  3. Imagem do comentarista

    Allan, obrigado pelo apoio. É muito gratificante saber que o trabalho realizado por todos no Dinheirama está de acordo com as expectativas dos leitores.

    Ricardo, realmente a crise do gás está mostrando o quanto o Brasil está distante de uma infra-estrutura adequada para suportar um crescimento mais intensivo. Isso invalida qualquer discussão sobre maior liberdade quanto à inflação em benefício de maior crescimento. Será que o Brasil tem condições pra crescer???

    Um desdobramento da crise do gás pode ser vista no site da Folha: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u342458.shtml

    Alguns empresários querem processar a Petrobrás por 'overbooking de gás'...

  4. Imagem do comentarista

    [...] finanças pessoais. Não, não vou concorrer com o Arthur Gouveia, que, com muito talento, resume o noticiário da semana. Mas sempre que ler algo que acho que valha à pena comentar a respeito vou mandar pro Navarro e [...]

  5. Imagem do comentarista

    [...] finanças pessoais. Não, não vou concorrer com o Arthur Gouveia, que, com muito talento, resume o noticiário da semana. Mas sempre que ler algo que acho que valha à pena comentar a respeito vou mandar pro Navarro e [...]

  6. Imagem do comentarista

    [...] disso, uma melhor logística permite aos países em desenvolvimento ampliar sua competitividade - veja a situação do Brasil - e obter mais benefícios com a globalização. Conectar-se ao mundo, essa é a ordem da [...]

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