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O coração vai ao shopping

Publicado por em 12.11.2007 na seção Finanças Pessoais

Inteligência financeira na hora de alugar seu imóvel!Por raras vezes, a imprensa se afasta do seu papel não declarado de defesa do capital, que é quem afinal a financia com a compra de anúncios, e se põe ao lado de outros interesses menos assistidos. Dois exemplos mais ou menos recentes ilustram isso. Semanas atrás, a Gazeta Mercantil publicou uma entrevista com o economista[bb] da Unicamp Júlio Gomes de Almeida sobre o risco que o país corre com o excesso de crédito para o consumidor. Conhecido da imprensa por ter sido presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Empresarial (IEDI) e por uma passagem ligeira pela Secretaria de Política Econômica do Ministério do Planejamento, ele acredita que a situação não se sustenta mais do que cinco anos.

O outro exemplo notório foi dado pelo jornal O Estado de São Paulo no último domingo (11 de novembro), com uma página e meia sobre o lado do consumidor nesta história. A matéria trouxe estatísticas, exemplos de gente que não cai na balela dos preços altos e uma entrevista com o economista e filósofo Eduardo Gianetti. Aliás, tudo que está na matéria pode ser resumido no título do livro mais recente de Gianetti: "O Valor do Amanhã", que virou série no dominical Fantástico, da TV Globo e que, diz a matéria, será vendido em DVD (vai para minha prateleira assim que chegar nas bancas!).

O argumento da obra é que a relação entre a forma como lidamos com nossas finanças tem a ver com o que queremos e esperamos do futuro de cada um de nós. Vale à pena ler o livro! E para quem quiser economizar uns trocados para guardar para o futuro, uma boa notícia: comprei o meu num sebo, por uns R$ 10 a menos que o preço das livrarias. Na entrevista da página B17 do Estadão, como o jornal é conhecido entre seus leitores, Gianetti[bb], que, assim como Almeida não celebra a expansão do crédito, usa palavras fortes como:

"Querem faturar em cima da ignorância do cidadão"

Sobre os juros embutidos nos preços à vista e a falta de esclarecimento ao consumidor pelos comerciantes ele denuncia:

"O consumidor de baixa renda é explorado e manipulado por uma prática que nós não podemos tolerar"

E complementa com chumbo grosso, usando verbos como omitem, sonegam e empurram. Aliás, o consumidor também não é poupado:

"Está se indo com muita sede ao pote"

As opiniões de Gianetti estão comprovadas na prática. Na página anterior, a repórter Márcia De Chiara traduz uma pesquisa sobre o que Gianetti aponta como níveis perigosos de endividamento das famílias[bb]. Os número levantados pelo Programa de Administração do Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP), e pela consultoria Canal Varejo atestam que:

  • Na baixa renda, quase 60% estão endividados.
  • 72,5% parcelam compras.

Como o objetivo do Provar é trabalhar para o varejo, a pesquisa se preocupou em descobrir a realidade do consumidor de baixa renda no que beneficia o setor. Patrícia Vance, que coordenou o trabalho, analisou para o Estadão que:

"A loja antecipa um sonho de consumo ao aprovar o crédito para a compra de mercadorias"

E, sem olhar para a situação das finanças do consumidor, mais adiante acrescentou:

"A baixa renda vai ao shopping, mas não compra como poderia"

Neste ponto, a matéria toca no cerne da tese de Gianetti, que desafia o leitor a refletir se vale à pena consumir já (e arcar com os juros) ou se é melhor tirar proveito dos juros, guardando e investindo o dinheiro[bb] para consumir depois.

A declaração aponta que a segunda alternativa ainda passa longe da cabeça da baixa renda brasileira: para 46% dos entrevistados, a confiança depositada pelos lojistas é o principal sentimento despertado quando conseguem aprovar o crédito. Ou seja, ainda se compra muito com o coração.

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Lúcio Costi Ribeiro é gaúcho, jornalista e mora em Brasília, além de adorar a cidade! Começou a estudar finanças para cuidar do próprio bolso, gostou e resolver escrever sobre dinheiro. Já fez boletins enviados para mais de 2 mil rádios do país e agora escreve sobre como a imprensa trata o pequeno investidor. Ah, tem fama de pão-duro, mas jura que apenas gasta menos que os outros.

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Imagem de luciocostiribeiro

4 comentários

  1. Imagem do comentarista
    Kata

    Iniciativa como o DINHEIRAMA contribuem para a educação financeira etc... Certamente se mais pessoas tomassem o conhecimento economico para si, seríamos uma verdadeira potência... Questionaríamos os preços (principalmente financiamentos), e teríamos uma faca para pressionar o mercado a ser mais competitivo e digno! Sem contar que a pressão em cima da alta "carga tributária" poderia ficar mais forte... Imaginem uns 100 milhões de brasileiros lá no planalto querendo derrubar tudo? ehehe A idéia utópica disso, ao menos ajudaria na mudança de mentalidade! O povo precisa de instrução financeira urgente!

    O Dinheirama está prestando um serviço muito importante nesse sentido! Agora é esperar que todos possam ter acesso a internet e a informação desse porte possa ser expandida!

    Parabéns pelo post e pelo site!

    Abs,

    Kata

  2. Imagem do comentarista

    A matéria da Agência Estado foi publicada no Portal Exame!

    Existem famílias com quatro empréstimos simultâneos!!!!! Haja ignorância financeira...

  3. Imagem do comentarista
    Lúcio Costi Ribeiro

    Kata e Artur,
    Obrigado pelos comentários!
    A gente tem mesmo que pressionar pelos nosso direitos mesmo. E um dele é pagar preços decentes. Não tenham dúvidas que os comerciantes, por exemplo, brigam com seus fornecedores para baixarem o custo dos produtos que vendem para nós a preços altos. Cabe a nós pressionarmos os comerciantes para pagarmos preços mais baixos. Dias desses fiz uma compra que daria mais de R$ 50 numa farmácia. Depois do choro e da troca de pelso menos um produto de marca pelo seu genérico, a conta ficou em pouco mais de R$ 30.
    Só não concordo com a idéia de "derrubar tudo"! Me pareceu um pouco truculenta. Acho que temos outras formas de pressão mais eficientes.
    Abraços,
    Lúcio

  4. Imagem do comentarista
    João

    Interessante!
    Cliquei no link "O Valor do Amanhã", que me levou à página do Submarino onde o livro do Gianetti pode ser pago em três parcelas, "sem juros" é claro!

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