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O 13o. salário, o Natal e o ano que vem!

Publicado por Conrado Navarro em 07.12.2007 na seção Educação Financeira, Orçamento

Usando melhor o 13o. salárioTeresa comenta: "Navarro, estamos nos aproximando da virada do ano e já vivendo uma época de maiores gastos com presentes e dívidas. Milhões de brasileiros receberam o 13o. salário e, como eu, estão em dúvida sobre como usá-lo de maneira inteligente/proveitosa. Será que poderia nos dar algumas dicas neste sentido? Como usar corretamente a grana do 13o e ainda assim poder gastar um pouquinho com alguns presentinhos de Natal? Tks."

Teresa, seja bem vinda. Você tem razão, nessa época a economia se aquece de maneira impressionante. Segundo cálculo do Dieese - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - estamos diante de um ingresso de R$ 64 bilhões em nossa economia, advindo do pagamento do 13° salário. A estatística se refere ao mercado formal e não leva em consideração a bonificação em dinheiro[bb] recebida no mercado informal e pelos profissionais liberais. Este valor injetado na economia é 9% maior se comparado com o montante do ano passado.

Necessidade de planejamento
Costumo compartilhar um pensamento simples em minhas apresentações: quem planeja bem seu ano, não precisa pensar exclusivamente no que fazer com o 13° salário. O ideal é pensar no fluxo de dinheiro ao longo do ano, não só no extra que surge repentinamente. Em outras palavras, o extra recebido no final do ano deve ter objetivo definido muito antes de aparecer em sua conta corrente. O planejamento é a chave.

Não trata-se de engessar suas finanças, mas de criar e manter um orçamento decente e que funcione. Alcides Júnior, professor de Mercado Financeiro da Trevisan, completa:

"Como a pessoa normal, que não é igual ao homem racional utilizado como parâmetro na escola econômica tradicional, gosta de cometer algumas loucuras, então entre uma e outra é necessário planejar bem os gastos para poder dispor de recursos para as próximas loucuras. Quem planeja melhor acaba economizando mais e, portanto, tem mais recursos para eventuais gastos extravagantes que são, sem dúvida, os que trazem mais satisfação"

Consciência e prioridade!
Convencido da necessidade de detalhar seu fluxo de caixa futuro, é chegada a hora de discutir quais devem ser as atitudes diante do extrato polpudo de dezembro. Preparei, com base em trabalhos de consultoria e pesquisas junto a outros especialistas, uma lista de prioridades que devem ser respeitadas no uso do décimo terceiro salário:

1. Saia do cheque especial. Se você mantém ativa uma dívida de cheque especial, esse é o momento certo para quitá-la. Use o 13° para sair do cheque especial, nem que para isso seja necessário consumir toda a quantia recebida. Aqui não tem discussão, argumento contrário ou efeito colateral. Cheque especial é perigoso, caro e problemático. Fuja dele;

2. Acerte de uma vez as dívidas de cartão de crédito. O crédito rotativo do cartão de crédito está, como o cheque especial, entre os modelos de crédito que mais cobram juros. De novo, ainda que o décimo terceiro salário seja todo consumido para sair das dívidas do cartão, use-o sem dó;

3. Procure liquidar os financiamentos e empréstimos em aberto. Evite o pagamento de juros durante o ano que se inicia e procure quitar suas dívidas de financiamento usando o 13° salário. Ah sim, se não puder livrar-se de toda a dívida, livre-se do máximo possível. Veja, só assim você pode garantir um fluxo de caixa mais "líquido" e a possibilidade de ter dinheiro para poupar/investir;

4. Programe e reserve parte do 13° para as despesas de janeiro do ano seguinte. Contenha o ímpeto consumista e lembre-se da matrícula da faculdade que vence no início do ano. Guarde dinheiro para o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e para as férias. Lembre-se que o ano acaba, mas as responsabilidades futuras não.

Mas e o Natal?
Lembre-se de que todos os compromissos citados anteriormente foram assumidos intencionalmente por você. Logo, são vencimentos que devem ser honrados com o mesmo empenho dedicado às compras de Natal. Evitar novas dívidas deve ser seu objetivo principal, por uma simples razão: você já excedeu sua capacidade de pagamento ao entrar no cheque especial, parcelar o cartão de crédito e exagerar nos empréstimos. Você quer resolver a situação ou agravá-la ainda mais?

Aos que já estão em dia com suas despesas e já pensaram nos gastos de janeiro, deixo minhas considerações:

  • Aproveite para reavaliar suas reservas de emergência. De repente, é hora de contribuir mais para com a reserva e colaborar para o maior conforto da família em uma eventual necessidade. Uma sobra no 13° pode facilitar esta avaliação e permitir que o colchão financeiro seja devidamente repensado.
  • Aproveite para diversificar seus investimentos. Coloque em prática o objetivo de ingressar no mercado de ações, seja através de um fundo ou corretora, usando parte do décimo terceiro.
  • Enjoy. Faça uma viagem com a família, compre os presentes de Natal[bb], troque o computador[bb]. Você, leitor disciplinado financeiramente, que já investe mensalmente parte de suas receitas e mantém seu orçamento sempre atualizado, merece!

Por último, uma nova dica de Alcides Júnior, da Trevisan:

"Para aqueles que forem às compras, é preciso ter paciência para decidir onde e qual produto comprar. Pesquisas feitas por especialistas mostram que a diferença de preço entre um vendedor e outro ainda é muito grande. Aqueles que sabem o que e onde comprar costumam economizar bastante"

Espero que todos tenham um final de ano repleto de muita paz, saúde e dinheiro! Seguimos firmes em nosso propósito de colaborar com a educação financeira[bb] de cada um de vocês, sempre com muita alegria e entusiasmo. Conte sempre com o Dinheirama. Sempre.

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Imagem de Conrado Navarro

Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças e é mestrando em Produção (Economia e Finanças) pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: twitter.com/Navarro

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3 comentários

  1. Imagem do comentarista
    Michel

    "Aos que já estão em dia com suas despesas e já pensaram nos gastos de janeiro, deixo minhas considerações:"

    Se as pessoas que passam por aqui seguem as dicas, os macetes e já tem uma boa base na sua educação financeira, podemos pular para o "lado-bom-da-coisa".

    Abraços Família Dinheirama.

  2. Imagem do comentarista
    Teresa

    Navarro, muito obrigado pelas dicas. Adorei a abordagem simples e a linguagem acessível, marcas registrada deste espaço. Fique contente de ver minha pergunta publicada. Valeu mesmo! Vou procurar seguir suas dicas e divulgar o seu blog/site. Até a próxima.

  3. Imagem do comentarista

    Há algum tempo eu li que no Japão não era hábito a troca de presentes de fim de ano. Ao contrário, costumava-se dar no ano novo algum dinheiro de presente aos mais jovens, simbolizando um desejo de sucesso e prosperidade. Além disto, é (ou era) normal que os bancos e financeiras ficassem abertos até mais tarde nos últimos dias do ano, para que as pessoas pudessem quitar suas dívidas e iniciar um ano de prosperidade. Tudo bem, as coisas estão mudando por conta da pressão cultural externa, e hoje existe um aumento de consumo no final do ano. Mas a tradição japonesa não deixa de ser válida e merecedora de que a levemos em consideração. O que não é nada diferente das sugestões que o Navarro apresentou neste artigo.

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