Economizar não é tudo, mas é o começo!
Publicado por Conrado Navarro em 02.01.2008 na seção Educação Financeira, Finanças Pessoais, Orçamento
Eduardo comenta: “Navarro, seus artigos são excelentes, mas vejo poucas informações a respeito das pequenas quantias. Por exemplo, a Telefônica, em decisão do TRJ, está obrigada a fornecer internet banda larga sem a assinatura de um provedor (ver www.abusar.org.br). Estamos falando de uma economia de, aproximadamente, R$ 200,00 por ano. Afinal, as pequenas quantias que saem do nosso bolso são ou não são importantes? Por que?”
Olá Eduardo, seja bem vindo e obrigado pela participação. Achei o exemplo muito interessante para levantar algumas questões relacionadas às pequenas quantias que são comumente deixadas de lado pela grande maioria da população: que diferença os pequenos valores podem fazer ao longo do tempo? Será que só o aspecto financeiro deve ser levado em consideração quando novos hábitos são discutidos e praticados? Que reflexos esta consciência financeira pode trazer em sua vida cotidiana? Respostas na ponta da língua? Creio que não.
A diferença sentida no bolso
Que economizar dinheiro sempre representa benefícios financeiros, todo mundo sabe. No entanto, o principal problema nem sempre é estar atento aos aspectos intrínsecos da negociação, ao montante em si, mas no real uso do desconto alcançado ou da quantia economizada com suas decisões. Em outras palavras, é comum notar pessoas usando dinheiro economizado “do lado de lá” para o consumo imediato, de algo de que não necessita, “do lado de cá”. Alguns sabiamente dirão que isso é perfeitamente aceitável. Até concordo, mas será que economizar é só isso? Deveria ser?
Se você gosta da matemática da coisa, aproveito para citar o exemplo do cigarro para ilustrar o poder do tempo quando são discutidas pequenas quantias de dinheiro. Vamos supor que um maço de cigarro custe R$ 1,50 e que você fume um maço por dia. Por mês, você gasta cerca de R$ 45,00 para sustentar o vício. Vamos ao futuro? Para manter as coisas simples, imaginemos que decidiu (e conseguiu) parar de fumar e que a caderneta de poupança tenha um rendimento nominal de 0,6% ao mês (cerca de 7% ao ano). Em 5 anos, investindo os R$ 45,00 mensalmente na poupança, você teria R$ 3.238,41. Em 10 anos, teria R$ 7.875,14. Em 20 anos seriam R$ 24.019,31. Nada mal, não acha? Quer brincar mais com os valores? Use nossos simuladores!
Sei que, financeiramente falando, os R$ 45,00 mensais podem não representar problemas no seu orçamento. Além disso, temos que considerar a inflação para encontrar e citar a rentabilidade real. Não importa, a mensagem aqui pretende ser outra: o grande segredo está em procurar, dentro e ao lado de nossos hábitos financeiros, oportunidades de multiplicação para alcançar um objetivo maior. Claro que a motivação para isso só surge quando realmente há um objetivo sendo vislumbrado. Você tem objetivo(s) de médio e longo prazo?
O poder deve ir além da negociação
Sob a ótica da inteligência financeira, saber negociar é apenas parte do processo. Claro, parte importantíssima. Mas há mais no hábito de poupar que simlpesmente a transferência de valores de um bem para o outro. Quando deixamos de gastar mais por algo e imediatamente passamos a pensar na próxima compra, estamos apenas reiterando o enorme poder emocional do dinheiro, renegando, ainda que inconscientemente, sua capacidade de multiplicação. Não trata-se de ser sovina, mas de lembrar que as pequenas economias influenciam seu comportamento em muito mais do que você acredita.
Você pode não acreditar ou aceitar, mas suas reações diante dos pequenos valores definem grande parte de suas atitudes diante da necessidade de planejamento financeiro de médio e longo prazos. Consequentemente, suas decisões sobre investimentos futuros e orçamento doméstico podem estar sendo tomadas com base em universos temporais curtos, equivocados e sem atenção às diferenças de rentabilidade encontradas em diferentes produtos bancários e opções de investimento.
Quem cria o hábito de negociar bem e, ao mesmo tempo, preocupa-se com a multiplicação das somas economizadas tem em mãos o verdadeiro poder de transformação das suas finanças. A afirmação anterior soa filosófica demais até para mim, mas resume bem a mensagem deste artigo. Quando você investe aquilo que foi capaz de economizar, trata de realmente transformar o desejo de realizar bons negócios em benefícios reais, em dinheiro para melhores negócios no futuro.
Muito além dos centavos…
Como já discutimos, os reflexos positivos vão além do extrato bancário e da economia em si. Os aspectos humanos, sociais e emocionais do dinheiro são os verdadeiros responsáveis por nossas conquistas financeiras, não canso de dizer. O quanto podemos economizar é apenas um dado, não uma atitude e serve apenas como insumo para sua decisão. Economizar é ótimo, mas melhor é saber lidar com as variáveis envolvidas para transformar essa economia em algo que realmente agregue valor à sua vida.
Como costumo fazer, fugi um pouco da questão matemática, numérica e racional. Todas as minhas palavras representam apenas minha sincera opinião e uma resposta ao questionamento de um leitor. Se você enxergou no artigo muitas possibilidades e oportunidades, ótimo! Assim fico contente com minha própria opinião sobre economizar, sabendo que a economia nas palavras não significou apenas uma rápida leitura. Profundidade com economia, é disso que você precisa na sua vida financeira.
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8 comentários
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Conrado, ótimo artigo e perfeito momento. Começar 2008 bem com as finanças!!
Beijos…
Paulinha
Acho muito importnte planejar como usar suas economias, enfim não as encontramos em árvoree ou coisa parecida. Lembro-me quando pequena, minha mãe me dizia a matamática tem que dar certo a soma tem que contar os centavos… não entendia bem esses dizeres da mamãe, mas quando ela disse: um real mais um real são dois reais era a (minha economia) e um real menos um real eu não teria economia alguma, assim staria zerada, ou seja sem economia… então passei a entender e fazer valer esse aprendizado e assim, ensino tb aos meus três filhos que hj são ótimos investidores! (e fazem a matemátca dar certo e vão sempre somando) gasto só o básico e necessário mesmo ! e aprendeam ser pacientes e esperar a hora certa para tudo e tb para gasta…háháhá.
bjs.. creu
Excelente explicação. Lembrou o avô de um amigo meu, que dizia sempre: “Um real mais um real, são dois reais. Dois reais mais dois reais, já são quatro”.
E é nas pequenas coisas que a gente realmente começa a economizar.
Artigo com aspecto prático muito grande. Apropriadíssimo para o momento, aproveite o inicio do ano, monte seus projetos e coloque em prática todo o potencial de economizar e criar um patrimomino que lhe permita viver muito bem, hoje e no futuro.
Parabéns Navarro.
Acredito que meu melhor investimento em 2007 foi ter descoberto o site dinheirama. Lidar com o dinheiro é um grande tabu entre as pessoas e a questão abordada trata de forma inteligente o poder das pequenas quantias. Acredito que não se trata de ser sovina, mas educar-se a ponto de formar um “conjunto” de pequenas economias a fim de poupar e investir no futuro. Como dizia meu avô: “há um jacaré dentro de nós, se vc perguntar se ele prefere um bife hoje ou 100% (dois bifes) amanhã, ele quererá o bife de hoje, então controle o seu jacaré”.
Olá Conrado e leitores do Dinheirama.
belo artigo, você conseguiu deixar bem claro que dinheiro não é apenas “dinheiro” -aquele papel que vale alguma coisa, ou moeda, conseguiu mostrar que ele pode nos agregar muitos valores pessoais.
Abraços Família Dinheirama!
Muito importante a cada momento fazermos enconomia, assim podemos fazer algo mais sobre nossa vida… nosso futuro, e se você tem algum site cadastrado em hospedagem gratuita para enconomizar uma boa grana, sei que é muito bom so que sua url fica muito grande e para facilitar indico o site http://www.br30.com para voce diminuir sua url é um serviço gratuito e sem propaganda seu site ficará assim: http://seunome.br30.com assim fica mais facil decorar e voce continuará enconomizando seu dinheiro com hospedagem dos seus sites.
Amigos,
Achei muito interessante todas as matérias que li no site hoje.
Acho que o grande vilão de uma vida financeira saudável, se dá pelo fato de as pessoas na maioria das vezes, comprarem coisas por impulso, sem se quer pararem para pensar, se realmente precisam desse ou de outro produto.
O exemplo da telefônica, citado pelo leitor é muito interessante, pois algo semelhante aconteceu comigo.
Eu tinha TV à cabo e pagava R$ 100,00 por mês, porém em Setembro de 2006, notei que estava pagando por algo que não me fazia falta, e que muitas vezes não tinha tempo de desfrutar. Agora façam as contas e vejam quanto deixei de gastar.
Abs