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Dinheiro? Crédito? Entenda antes de precisar (II)

Publicado por Ricardo Pereira em 30.01.2008 na seção Educação Financeira, Finanças Pessoais

Dinheirama - Planejamento Financeiro e OrçamentoDando sequência ao artigo sobre as possibilidades de crédito existentes no Brasil, vamos abordar mais algumas opções de financiamento: crédito consignado, financiamento de veículos, CDC e o consórcio. A repercussão da primeira parte do artigo foi ótima e espero que o debate continue no mesmo nível.

Antes de detalhar as opções, não posso deixar de falar da elevação da oferta de crédito com relação ao PIB em 2007: 34,7%, maior índice desde 1995. É um número importante e que vem aumentando, mas ainda pequeno em relação a alguns países como Japão e Reino Unido, que possuem uma oferta de crédito superior ao PIB. Alavancagem pura.

Interessante notar que o nível de crescimento do crédito tende a aumentar com o decréscimo das taxas de juros, como acontece nos países mencionados no exemplo acima, que misturam oferta de crédito, prazo estendido e juros baixos. A economia se movimenta com mais dinamismo e o dinheiro[bb] flui de forma mais intensa. Vejamos o que cada modalidade tem a oferecer.

Crédito Consignado
Uma das modalidades mais comentadas nos últimos anos, dada sua facilidade de operação tanto para o cliente quanto para os bancos, trata-se de um tipo de empréstimo com desconto direto na folha de pagamento.

Ao optar por essa modalidade, você receberá seu salário já deduzido da prestação devida à instituição financeira. Justamente por essa característica de funcionamento, as garantias de que a dívida será paga são maiores, o que possibilita juros menores ao tomador do empréstimo.

Pode ser uma opção interessante para aqueles que possuem dívidas com juros muito altos, oferecendo facilidades de pagamento e taxas mais atrativas.

Cuidados importantes
Vale ressaltar que os juros mais baixos que os das demais operações de crédito não significam que os juros sejam realmente baixos. De fato, não são. Os cuidados mencionados para as opções básicas de crédito permanecem válidos:

  • Avalie a real necessidade do crédito, para não entrar em dívidas[bb] pelo simples prazer de consumir ou aproveitar uma promoção. Pergunte sempre “Será que eu realmente preciso disso?”;
  • Pesquise as diferentes taxas de juros do crédito consignado em diferentes bancos e financeiras. Opte por aquela que oferecer as melhores taxas e não as maiores facilidades.

Financiamento de veículos
O carro é uma das maiores paixões dos brasileiros, não é mesmo? Vimos diversas possibilidades de financiamento de automóveis surgindo nos últimos meses, com taxas e prazos diversos (até 99 vezes). Será que vale a pena enfrentar tamanho carnê?

Mantendo a nossa característica didática de escrever, o financiamento de veículos nada mais é do que o tipo de crédito oferecido para compra de veículos automotores. Esse tipo de financiamento permite que o preço à vista seja negociado com o fornecedor, quer seja ele o fabricante, uma concessionária, loja ou particular.

Note que quando existe uma garantia real, como no crédito para compra de veículos (o lastro é o próprio carro), a taxa de juros é menor e de certa forma todos se beneficiam. Como percebe, as garantias de recebimento por parte de quem esta financiando estão intimamente ligadas aos juros.

É comum encontrarmos pessoas que optam pelo constante refinanciamento de veículos. Nesta modalidade, o tomador oferece seu automóvel semi-novo, quitado ou não, e sai com um novo veículo e novo financiamento.

Cuidados importantes

  • Apesar de possuir taxas menores frente à outras modalidades de crédito, é importante analisar se a prestação não vai comprometer outras despesas essenciais;
  • As despesas oriundas da aquisição do carro não se resumem às parcelas do financiamento ou mesmo ao valor pago à vista. Carro é um bem que exige cuidados e que deve ser preservado adequadamente. Por isso, é fundamental que você possua um bom seguro, faça manutenções preventivas constantemente, use equipamentos e acessórios de boa qualidade e combustível de boa procedência;
  • Lembre-se também dos impostos. Ter um carro custa muito mais que o valor das parcelas impressa no carnê;
  • Cuidado com a TAC (Taxas de Abertura de Crédito), normalmente cobrada no momento do financiamento e que pode ser muito alta. Negocie sempre este valor;
  • O refinanciamento pode se transformar em um perigoso vício. Evite balizar suas contas pelos valores dos carnês e opte por financiar não mais que 35% do valor do carro;
  • As taxas de juros, o valor pago à vista e os acessórios sempre podem ser melhor negociados. O Dinheirama já abordou o tema em um artigo chamado “O que você não sabe, sobre o carro financiado”, escrito pelo nosso querido e competente Lúcio Costi, que dá uma panorama sobre o financiamento e a realidade por trás da compra de automóveis.

CDC – Crédito Direto ao Consumidor
O CDC é um financiamento destinado à aquisição de bens duráveis e serviços. Pode ser obtido no estabelecimento vendedor que geralmente mantém convênio com uma ou várias instituições financeiras, como bancos ou financeiras. É comumente conhecido como crediário e muito comum em grandes lojas de departamento, supermercados e varejistas.

Cuidados importantes

  • Quando optar por esta modalidade de financiamento, esteja atento aos anúncios de “taxa zero” ou taxas de juros muito baixas, pois é muito provável que o preço à vista do bem ou do serviço esteja embutindo os juros;
  • Evite os cartões de facilidades para pagamento, oferecidos pelos vendedores das lojas, que oferecem benefícios tais como parcelamentos extensos e melhores condições de pagamento;

Consórcio
O consórcio nada mais é do que uma forma de criar reserva financeira programada para a compra de um determinado bem. Essa modalidade de acesso ao mercado de consumo baseia-se na união de pessoas físicas e jurídicas, sempre coordenada por uma administradora de consórcio para aquisição de bens, com atribuições mensais dentro de um período pré-estabelecido.

As contribuições são pagas ao grupo e destinam-se a contemplar seus integrantes com créditos que serão utilizados na compra do bem, por meio de sorteio ou lance. No consórcio não existem juros embutidos nos valores tratados, mas lá nas “letrinhas miúdas” do contrato estarão descritas a taxa de administração, taxa para o fundo de reserva e a contratação de seguro, operações comuns principalmente quando o bem é um imóvel.

Cuidados importantes

  • Esteja certo de que as parcelas caberão no seu bolso, caso contrário haverá desencaixes em seu fluxo financeiro;
  • O valor do consórcio é inferior aos demais tipos de financiamento, é fato. Entretanto, se sua intenção é ter o bem imediatamente o consórcio pode não ser tão interessante, já que você terá que desembolsar cerca de 30% do valor do bem em um lance ou torcer pela sorte de ser sorteado nos primeiros meses;
  • Procure ler atentamente o contrato de adesão ao consórcio e informe-se sobre as taxas mencionadas na explicação da modalidade;
  • Consórcios são oportunidades interessantes de adquirir bens materiais quando não se tem pressa, mas lembre-se que neste sentido economizar e investir[bb] pode garantir maior capital ao final do período.

Finalizamos aqui nosso artigo com o básico sobre os tipos disponíveis de crédito. Nossa intenção foi contribuir, em um primeiro momento de forma elementar e rápida, com a sua formação financeira cotidiana. Só assim você poderá aprender a usar o crédito de maneira consciente. Agora que apresentamos as modalidades, podemos partir para artigos mais aprofundados, com exemplos práticos de cada opção. Claro, vale lembrar, já estão disponíveis simuladores e artigos neste sentido.

——
Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
Quem é Ricardo Pereira?
Leia todos os artigos escritos por Ricardo

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

8 comentários
  1. Imagem do comentarista
    Vinícius Cordeiro

    E o leasing?

  2. Imagem do comentarista

    Vinícius, o leasing não é considerado puramente uma operação de crédito, mas sim de serviços, por se tratar de uma mistura de aluguel e crédito. Assim, optamos por não colocá-lo no artigo, evitando confusão. Dentre nossos artigos futuros, já temos acertada a publicação de algo sobre o leasing. Obrigado pela participação. Abraços.

  3. Imagem do comentarista
    Aureo Vilas Boas

    Boa tarde,
    gostaria muito que comentasem a respeito da cobrança das taxas de emissão do boleto quando se faz uma compra a prazo,muitos contratos embutem isso nas parcelas (o q o cdc diz sobre isso e como fazer para se proteger dessas armadilhas). E tb uma explanação sobre a lei que q diz sobre cobranças abusivas (na qual o dinheiro deve ser devolvido em dobro).
    Acho que tb seria de muita utilidade orientar as pessoas sobre os anuncios em postos de gasolina na qual o valor ao ser pago em $ é diferente do valor ao ser pago em cartão de credito (abusivo e ilegal).o que devemos fazer nesses casos !
    Como vcs podem perceber as dúvidas sao muitas…rs
    obrigado pela atençao e sucesso.

  4. Imagem do comentarista
    Michel Cabelho

    Olá Navarro, eu particularmente não gosto de fazer compras “picadas”, gosto de juntar o montante, negociar um bom desconto e comprá-lo à vista.

    mas acho que se for o caso de comprar um carro ou algum outro bem de consumo durável, eu optaria pelo consórcio, claro que avaliando bem a letras miúdas de nota no rodapé da página.

    Abraços Família Dinheirama

  5. Imagem do comentarista
    Samurai

    Aureo,

    em relação a cobrança do boleto, isso realmente não pode, e você pode ver como se precaver a isso nessa reportagem do IDEC: http://www.idec.org.br/rev_idec_texto_online.asp?pagina=1&ordem=1&id=18

    Em relação a devolução em dobro, acredito que esteja falando do CDC. Note que o art. 42 parágrafo único do CDC não fala nada sobre abusivo. Ele diz que o que foi PAGO indevidamente deve ser devolvido em dobro. Caso o cara faça uma cobrança errada mas o usuário do serviço não pagou ainda e reclama a conta, nada tem que ser ressarcido, pois não foi PAGO. Veja como é a redação desse artigo (http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L8078.htm):

    Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.

    Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável.

    Em relação a última dúvida, não sei se é ilegal ou abusivo. Essas duas palavras (ilegal e abusivo) vem sendo utilizado a rodo ultimamente. Outra palavra que o pessoal anda usando muito é que determinada coisa é inconstitucional. Mas o que é abusivo? O que é abusivo pra um não é para o outro, e por aí vai. O que é inconstitucional? A maioria que fala isso nunca leu a constituição! Mas, enfim, o fato é que não sei se é ilegal, pois a empresa está dando só um desconto, seguindo uma regra aplicável a todo mundo, ou sseja, não dá nem pra alegar que é discricionário. Enfim, mas esse eu não sei se é ilegal.

  6. Imagem do comentarista
    Samurai

    Michel,

    o consórcio é um ótimo negócio para quem é contemplado logo no início, ou para quem já tem uma quantia para dar um lance. Pense bem ao entrar num consórcio!

  7. Imagem do comentarista

    Aos amigos que tem duvidas sobre o leasing e aos que escreverão sobre essa modelidade, peço que levem em consideração o comentário que fiz aqui: http://dinheirama.com/blog/2007/11/20/comprar-um-carro-em-ate-99-prestacoes/

    Transcrevo abaixo (desculpem pelo longo texto, mas passei maus bocados e prometi a mim mesmo que iria orientar as pessoas para que não sofressem o mesmo, além de acionar o banco J. Safra judicialmente):

    Artigo EXCELENTE! Uma coisa importante que eu aprendi por experiência própria que deve ser levada em consideração: no caso do leasing como já dito, o veículo não é seu. Ele é do banco, o que num caso de furto faz com que você dependa do banco para resolver todo o “pepino”. Vou contar meu caso e que sirva de variável na hora de outros colegas comprarem um carro:

    Leasing não permite o adiantamento de parcelas, ou seja, aquele contrato é uma sentença. Você é obrigado a pagar até o final parcela por parcela. É um sistema perfeito para o banco, pois eles não abrem mão dos juros e ainda por cima o bem é deles. Quando tive meu veículo furtado, após 6 meses de te-lo comprado (0KM), minha primeira atitude foi procurar o banco para quitar o financiamento. Imaginei que com o dinheiro do seguro seria suficiente. Vamos aos números:

    -o valor do veículo comprado era de R$35.900,00
    -Financiei R$32.900 em 60 meses
    -Havia pago 6 parcelas totalizando quase R$5.000,00
    -Quando solicitado ao banco o valor da quitação me informaram um montante de aproximadamente R$34.000,00.

    Ou seja, eu devia ao banco R$1.100,00 a mais do que o valor financiado, sendo que já havia pago R$5.000,00!
    Obviamente procurei informações sobre outras alternativas e o banco me informou que era possível fazer uma substituição de garantia, ou seja, eu poderia comprar um veículo de valor igual ou superior ao que foi furtado e substitui-lo no contrato. Agora, perceba a armadilha em que me meti:

    1-Seria um absurdo quitar o financiamento pagando juros futuros;
    2-Como já foi dito no artigo, o carro desvaloriza demais nos primeiros 12 meses, ou seja, meu veículo que paguei R$35.900,00 valia pela tabela FIPE 6 meses depois apenas R$31.000,00.

    Além desse rolo todo, ainda por cima para fazer qualquer transação do processo de substituição de garantia você depende do banco para tudo, pois ele é o dono do veiculo furtado. Sendo assim, você não tem autonomia nem para retirada do cheque na seguradora e ainda por cima te tratam (como é muito comum no Brasil) como se você fosse um bandido. Você é culpado até que se prove o contrário e nessa toada o processo demorou quase 2 meses…

    Pense bem antes de adquirir um financiamento desse tipo. De repente vale a pena fazer um CDC e ter a posse do veiculo e ter a possibilidade de adiantar parcelas. É só uma experiência e um aprendizado importantes que resolvi compartilhar. Se você já tem o leasing tome todas as precauções para não ser roubado. Redobre os cuidados, pois aquela máxima imbecil “se tem seguro tudo bem” não cabe aqui.”

  8. Imagem do comentarista
    Cacau

    Bom Dia,

    Estou pensando em compra uma Ducato para trasporte escolar gostaria de receber algumas dicas. Obrigada

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