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Carnaval, investimentos e a economia

Publicado por Ricardo Pereira em 01.02.2008 na seção Economia Geral

Dinheirama - Estrada para o futuro!Os brasileiros têm no carnaval uma válvula de escape. São pelo menos quatro dias de paz, onde esquecemos dos problemas, sejam eles financeiros, físicos ou profissionais. A alegria e a diversão tomam conta do país e os números só se fazem presentes na hora da apuração das notas do desfile das escolas de samba.

Até ai, nenhuma novidade! A diversão é fundamental e fugir um pouco dessa rotina massante do dia-a-dia pode ser muito útil. O grande problema é achar que no Brasil, assim como muitas vezes fazemos com as finanças da família[bb], o carnaval é o ano todo. O resto do mundo não vai parar e por isso quem cuida e zela do bem estar financeiro não pode descuidar. Tempo perdido não é pago por dinheiro nenhum do mundo.

Taxa Selic
O tom cauteloso da ata do Copom, de olho nos riscos inflacionários, atraiu os olhares dos analistas. Eles acreditam que o conteúdo do relatório, divulgado nesta quinta-feira (31), sinaliza que a Selic pode subir caso haja necessidade. Alguns analistas já começam a levar essa perspectiva de maneira mais concreta. Profissionais da corretora Arkhe ressaltaram a possibilidade do Banco Central elevar os juros, considerando que o Copom se utiliza da política monetária para estabilizar os preços, e fazem uma recomendação:

“Caso a inflação mostre resistências no primeiro semestre, seria mais prudente elevar os juros e conter as expectativas do mercado para inflação em 2009 com mais eficiência”

A verdade é que ainda é cedo para saber o que o BC irá fazer, mas a sinalização de alta inflacionária nos primeiros meses do ano já preocupa. Para os analistas da corretora Schahin, que manteve suas projeções em 11,25%, uma elevação da Selic ainda não é o movimento mais provável, mas é preciso reconhecer que com os seguidos indícios de avanço da inflação, o risco de aperto monetário se elevou.

Janeiro não deixará saudades
Janeiro de 2008 foi 5º janeiro de pior rentabilidade para o Ibovespa, que depois de passar meses na liderança do ranking de investimentos, despencou para o último lugar do mês, com 6,88% de prejuízo. A Bolsa paulista[bb] foi desbancada pelo ouro, considerado um porto seguro em momentos de maior turbulência no mercado financeiro, como o atual. O metal, cujo ganho ficou em 7,02%, foi o único que rendeu acima da inflação, de 1,09% no mês.

Os fundos de renda fixa tiveram rentabilidade de 0,87%. Em seguida aparecem os fundos DI, considerados superconservadores, com ganho de 0,71%. A tradicional caderneta de poupança ficou em 5º lugar, com ganho de 0,60%.

Mudanças na poupança
O governo acaba de alterar a forma de correção da caderneta. A mudança é positiva para o poupador. Como todos sabem, a poupança tem uma variação positiva de 0,5% + TR. Em alguns momentos, a TR apresentava variação negativa, forçando a poupança à uma correção abaixo do 0,5%.

Agora, quando o cálculo da TR for negativo, para fins de correção de caderneta de poupança, o valor usado será de 0%, não sendo então a correção menor do que os 0,5%. Isso significa que, por exemplo, em meses como fevereiro (mês com poucos dias) a poupança renderá, pelo menos, 0,5%.

Perspectivas
A remuneração dos investimentos não deve mudar muito nos próximos meses. Afinal, a expectativa é de que a turbulência no mercado financeiro[bb] continue por mais algum tempo. Os analistas, no entanto, não sabem dizer até quando. Alguns acreditam que dure todo o primeiro semestre, outros apostam que perdure até março.

De alguma forma, todos concordam que o mês de fevereiro será marcado por grande volatilidade nos mercados. É importante virar o mês com os olhos bem abertos aos índices da economia norte-americana e aos resultados financeiros e contábeis das grandes corporações, que podem sinalizar um desaquecimento um pouco mais forte ou a já tão temida recessão.

Commodities e a balança comercial
Interessante notar que esses dias de turbulência não foram suficientes para elevar o preço do dólar, que caiu e ficou em penúltimo lugar no ranking de investimentos, com perdas de 0,9%. É verdade que a moeda americana está se desvalorizando em boa parte do mundo.

De certa forma, temos um indicativo de que a fuga de capital não foi tão forte como já foi em momentos de crise observados no passado, além de dar certo alivio inflacionário. Essa questão do dólar é importante, principalmente levando em consideração que boa parte de nosso crescimento se deu pelos ótimos resultados da balança comercial nos últimos anos.

As exportações brasileiras decolaram a partir de 2003. O presidente Lula gosta de atribuir esse resultado à sua diplomacia e suas frequentes viagens. Se fosse verdade, entretanto, seria preciso admitir que todos os governantes tiveram a mesma idéia, pois todos os países emergentes expandiram suas vendas externas nos últimos cinco anos. E muitos até mais depressa que o Brasil.

Como os demais, o Brasil pegou a onda de um espetacular crescimento da economia global. Todo país que tinha alguma coisa para vender encontrou compradores. E o Brasil, com muito mérito, tem muitos produtos para oferecer (de carnes a aviões). Essa grande procura internacional imediatamente se refletiu na alta do preço das commodities, minérios e petróleo, o que de quebra sustentou o crescimento acelerado de nossos duas maiores empresas: Vale e Petrobras.

Crise? Onde? Como?
Dois países, dois gigantes, puxaram essa onda. São eles os Estados Unidos, o chamado shopping center do mundo e a China, a grande fábrica mundial. Alguns analistas acrescentam a Índia, o call center. Essa combinação favoreceu os emergentes em geral, que encontraram mercado para produtos de consumo, matérias-primas para movimentar as fábricas e alimentos para as milhões de pessoas que foram se incorporando ao mercado.

O próprio crescimento acelerado dos emergentes, China à frente, diminuiu o peso relativo da economia norte-americana na escala mundial. Mas os EUA continuam sendo o centro do grupo, representando algo como 25% do PIB mundial.

A crise do mercado de imóveis pode contaminar toda a economia, impactando diretamente no comércio mundial. Baixa procura e alta oferta significam diminuição de preços das commodities, o que para nós seria péssimo, afetando o saldo de nossa balança comercial e comprometendo boa parte da política econômica.

Aproveitem bastante o carnaval e utilizem o tempo livre para aprimorar o conhecimentos e curtir aqueles que amamos, nossos principais incentivos para crescermos e amadurecermos cada vez mais. Até a próxima.

Esse artigo foi escrito tendo como fontes o jornal Folha de S. Paulo e o portal Infomoney.

——
Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para Marcio Eugenio.

2 comentários
  1. Imagem do comentarista
    Robertinho

    Excelente artigo Ricardo. A linguagem acessível e as explicações rápidas dão excelente panorama do momento e nos ajudam a viajar para o carnaval mais informados.

    A mudança na poupança vem em boa hora, eu mesmo estava preocupado com o mês de fevereiro. Entrei recentemente em um fundo de ações, aproveitando a baixa toda, pensando no longo prazo. As dicas e comentários têm feito muito bem às finanças de minha família. Todos agora podemos dizer que entendemos um pouquinho de economia (risos).

    Mais uma vez, parabéns ao Dinheirama. Valeu turma! Abs.

  2. Imagem do comentarista

    ótima avaliação do período de janeiro,

    Acredito que a repercussão de mídia desta pré-crise financeira mundial foi tão forte aqui no brasil em razão da participação maior do pequeno investidor na bolsa. De repente muita gente acostumada à estabilidade da poupança passou a aplicar na bolsa, atraída pelo potencial maior de rentabilidade.

    Só esqueceram que bolsa inclui muita flutuação, risco, e exige uma educação financeira muito maior.

    Vamos ver como esse enxame se comporta.

    Grande abraço, e parabéns pelo artigo.

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