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Almoço virou mesa de operações

14comentários

Dinheirama - Viver a vida!A cada dia que passa tenho mais medo do meu telefone celular[bb]. Apesar de muito mais antigo que o modelo que você carrega no bolso da calça, ele ainda é capaz de me surpreender. Por exemplo, nunca usei sua capacidade de navegar na Internet. De repente me pego tentando acessar o meu e-mail particular através dele. Sinto-me insultado por render-me a tão pequeno objeto. Mas esse sou eu.

Números, números e mais números!
Os jovens estão invadindo a Bovespa. No bom sentido, claro! 24,7 bilhões de reais movimentados em mais de 2,5 milhões de transações. 200 mil aplicadores colocaram ordens de compra e venda por lá. Muito? Blah, esses dados são só de janeiro. Influenciados pelos ótimos resultados dos anos passados, inúmeros investidores investem em plataformas de apoio, computadores com três monitores, serviços de consultoria sofisticados. O celular entrou na roda, dessa vez pra valer!

Onde existem números, existem oportunidades. Já pensou pegar seu celular e, debruçado sobre suas miúdas teclinhas, executar uma compra de dois lotes de PETR4? Em seguida, você decide que LAME4 já atingiu seu preço alvo e resolve vendê-la. Aperta-se em volta de seu smartphone[bb] e executa a venda. Futuro? Sonho? Pesadelo?

Sou uma pessoa relativamente “plugada”, mas que ainda procura cultivar certas características humanas. Escrevo este artigo e lanço a polêmica porque tenho a necessidade de sentir que estou vivo. Soa meio old fashion, é verdade. Então a conta está assim: noves fora, 30% de potencial, 200 mil pessoas, cinquenta e tantas corretoras com home broker igual a 60 mil possíveis investidores (clientes) comprando e vendendo ações e opções direto do celular.

Pois é, o almoço virou mesa de operações. O ticker das ações agora perdeu a graça. Ligar para o seu corretor, falar “Bom dia” ou “Boa tarde” já é perda de tempo. A qualquer hora você pode ser interrompido por um beep confirmando que sua ordem de compra foi executada. Ou talvez um alerta dizendo que uma de suas aquisições atingiu o preço alvo e deve ser vendida.

Você está no barbeiro, no restaurante, na rua ou na escola do seu filho. Não interessa onde, a loucura do mercado acionário, o frenético sobe e desce dos preços e o noticiário especializado estão com você. Beep! Beep! Você olha para o celular, realiza o lucro, mas perde o gol que seu filho acaba de fazer no time adversário. No final das contas, você ganhou ou perdeu?

Vale a pena?
Será que queremos mesmo tanta possibilidade e onipresença ao lidarmos com nossas carteiras de ações? “Sim”, você vai responder de forma punitiva e descompromissada. No restaurante, experimente repetir a pergunta ao colega de trabalho que o observa, incrédulo, enquanto você devora o celular, deixando a comida esfriar.

O limite entre a utilidade e a futilidade (repare na semelhança das palavras) está na nossa capacidade de manter vivos hábitos saudáveis, importantes para nosso crescimento pessoal. Decidi resistir. Por quanto tempo? Não sei.

Meu genuíno medo está no poder cada vez maior dos celulares, PDAs e smartphones. Não da sua capacidade tecnológica, mas da assustadora voracidade com que devoram nossa chance de interagir com o pouco que ainda não tem bits e bytes em sua composição: nossos filhos, relacionamentos e o próximo. Como sempre, devo estar exagerando, sendo sensacionalista demais. Consegui sua atenção?

Talvez, talvez…
Talvez tudo isso que escrevi seja apenas inveja (boa) daqueles que fazem tudo diretamente do smartphone. Acendem as luzes de casa, ligam o ar condicionado, ordenam a geladeira a cuspir gelo, compram e vendem a Petrobrás. Tudo da rua, do carro, do caminho. Talvez seja.

Mesmo assim, prefiro ter certeza de que, ainda que esteja tudo apagado, a geladeira sem gelo e alienado em relação a PETR4, haverá sempre algo fantástico me aguardando em casa: minha família. Com ela, tempo para curti-la e a opção de desligar o celular.

Que fique claro que não inventei nenhuma estatística ou dado mencionado neste artigo. As mobile brokers já começam a pipocar por ai. Pense bem, você pode se transformar no gatilho mais rápido da Bovespa[bb], mas corre o risco de comer comida fria. Entre você e seu dinheiro, escolha você. Está servido?

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

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  • Link Curto: http://bit.ly/AwAVvD
  • http://www.rodrifernandes.com Rodrigo Fernandes

    Isso mesmo Navarro! O celular virou um item hoje em dia essencial para o nosso dia-a-dia. É um verdadeiro faz tudo. Para o mercado financeiro está ficando cada vez mais necessário, pois está ficando cada vez mais difícil ficar na frente do computador as 7 horas do pregão.

    Sempre tem algo mais a se fazer e por que não comprar alguns lotes de ações ou opções na fila do banco ou no intervalo de uma caminhada?! Mas o que me motivou a escrever aqui foi a facilidade de se operar via iphone. Principalmente se você estiver em um estabelecimento com rede wireless. Esse sim dá gosto de operar no mercado financeiro!!!

    Grande abraço
    Rodrigo Fernandes
    http://www.rodrifernandes.com

  • Ana Paula

    Uau! Que show de artigo!
    Parabéns!

    Beijos… te amo!
    Paulinha

  • Edgar de Souza

    Muito bom este artigo, e, realmente, as vezes me pego fugindo do meu plano de investimentos e caindo na tentação da especulação.

  • http://www.fry.blog.br Lucas Fry

    E cada vez mais as pessoas esquecem que dinheiro é para ajudar na nossa vida e não atrapala-la ainda mais. De que adianta juntar tanta grana para chegar no final de uma vida, olhar para trás e não haver nada do que se orgulhar ou ter saudade, apenas um monte de dinheiro para comprar remédios e sem nenhum amigo para poder compartilhar suas alegrias e verdadeiras riquezas. É triste.

  • Reinaldo

    Ontem mesmo eu estava querendo vender ações da Vale no final do meu expediente de trabalho. Eu tinha que sair do trabalho e, ao mesmo tempo, queria aguardar o momento certo para vender as ações.
    O jeito foi agendar no homebroker para vender caso chegasse ao valor X.
    Se eu tivesse operando pelo celular, eu iria comer comida fria todo dia… rs
    Operações de compra/venda de ações ou acesso a internet pelo celular definitivamente não passa pela minha cabeça.

  • http://dinheirama.com Ricardo Pereira

    Parceiro, essa técnologia em alta mostra que o mercado dá sinais de que novas oportunidades surjam, inclusive nas ações das próprias empresas de telecomunicações, ou daquelas que fazem programas de celulares para tudo e para todos os gostos, deste games até home cel brokers…

    Tenho um smartphone, mas sinceramente nunca nem pensei em testar, a internet acessei uma vez , quando chegou a conta prometi não fazer mais essa loucura.

    Mas, como promessa é dívida e eu não quero saber delas, quem sabe um dia os preços estejam mais convidativos e até por questões de mobilidade acabe mordendo a língua.

    Abração

  • Michel Cabelho

    Simplesmente TOP!

    Sem comentarios Navarro, Abracos.

  • Carmen.

    Meu filho,

    Adorei o artigo mas fico até sem saber o que falar…
    Imagine um aparelhinho tão pequeno com esse abuso de poder… Caramba!

    E eu que pensava que celular seria apenas telefone móvel, heim?????

    Parabéns pelo artigo e pela postura.

    Continue sempre assim.

    Beijos.

  • http://www.dinheirama.com Arthur Gouveia

    Como diz o slogan de uma certa operadora de telefonia celular “Use a nossa tecnologia para viver melhor”.

    Se você fica 24h por dia operando na Bovespa, na Ásia e na Europa, quando não está ao computador está ao celular ou usando os dois ao mesmo tempo, cuidado. Pode ser que quando você olhar para o lado, esteja sozinho.

    Poucas coisa são mais irritantes do que “Opa! Peraí… Uau! Só uma olhadinha… Não posso perder essa… O que era que você estava falando mesmo… Peraí, tá subindo… Só mais um pouquinho e já voltamos a conversar… Vai vai… Ué, cadê ele???”

  • http://www.chavedomundo.com Alexandre de Oliveira

    Tenho pensado seriamente em fazer um curso sobre investimento em bolsa de valores, visto que estou me formando este ano em Administração, gosto de estratégia e será um atrativo; posso até montar uma agência de consultoria, hein.

  • Pingback: Investindo na bolsa. A toda hora. Em qualquer lugar. Você quer mesmo isso? | Um investidor iniciante na bolsa de valores

  • Fabricio

    Interessante seu ponto de vista, mas sem dúvida alguma os mobile brokers são uma mão na roda para quem não trabalha na frente de um computador e usa um tempo livre, seja no trânsito ou qualquer momento (desde que não vire um vício destruidor de amizades) para investir na bolsa.

    p.s: A corretora onde invisto (Ativa) recentemente lançou esse serviço (mensalidade de 30 reais)

  • myla

    acho q vc e sua esposa tb, deve ser, têm “sede d céu, fome d estrelas e uma vontade louca d mastigar violetas” – um pedido, d roseana murray.

    cara: um dos melhores artigos já escritos aqui.
    parabéns!!!!!!

  • http://www.faesb.com.br Oséias Rosa Junior

    Parabéns Navarro.. venho lendo seus artigos alguns eu posto outros acaba não dando tempo.
    Mais este não poderia de deixar as minhas congratulações!
    Um dos melhores artigos que ja li, em um mundo cheio de possibilidades e tentações.. uma visão de quem sabe e consegue ver que números são bons, mais estar com a família é otimo!
    Parabéns.

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@Dinheirama, vocês sempre tem assuntos sérios, pertinentes e exclusivos, parabéns!!!

Cássio Rosas

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