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Existe relação entre dinheiro e imaginação?

6comentários

Construir o futuro!Fábio comenta: “Navarro, você já ouviu faler em inverter o ônus da prova? Pois é, eu faço isso há muito tempo: vejo aquele dinheiro que eu guardo todo mês (a economia que se multiplica nos investimentos) como uma “dívida”. Assim, ficar “sem dinheiro” passa a ser uma coisa boa. Penso que poupar e criar patrimônio é também uma arte que requer muita inteligência e imaginação. Você concorda? Gostaria que comentasse um pouco sobre a relação entre dinheiro e imaginação. Afinal, é preciso imaginação para ter dinheiro ou dinheiro para ter imaginação?”

Fábio, obrigado pela visita. Achei fantásticas as suas colocações, especialmente porque fundamentam-se em duas alternativas muito mais simples e eficientes que a matemática financeira[bb] encontrada atualmente na literatura disponível: a força de vontade, a humildade e a criatividade. A gestão eficiente de nosso dinheiro fica mais divertida (e interessante) quando decidimos insistir no poder dos processos criativos, você tem razão. Em que medida devemos misturar o dinheiro neste modelo?

É preciso ter imaginação para ter dinheiro ou dinheiro para ter imaginação?
Uau, que pergunta! Imaginar a relação entre dinheiro e imaginação parece um desafio grande demais, mas prometo tentar deixar registrada minha humilde opinião. Confesso acreditar que “ter dinheiro” é algo bastante subjetivo, ainda que valores e moedas possam ser plenamente quantificados. Por incrível que pareça, saber quem tem mais ou menos nunca foi a questão realmente importante para mim.

A imaginação, ainda que igualmente subjetiva, é uma ferramenta mais universal, disponível e menos egoísta. Todos podemos sonhar, crer em um futuro melhor, desenhar nossos objetivos vindouros. Com imaginação podemos aproveitar melhor nosso dinheiro[bb], fazê-lo multiplicar-se com mais facilidade. Quem usa a criatividade como companheira tem sempre dias surpreendentes. Mas será que o dinheiro é capaz de trazer algum benefício quando usado em conjunto com nossa imaginação? Passam pela minha cabeça algumas perguntas:

  • Quanto de dinheiro você acredita ser suficiente para viver feliz?
  • Será mesmo possível ter tudo aquilo que desejamos?
  • Que influência teve, ou tem, o dinheiro em sua personalidade?
  • Qual o verdadeiro poder que o dinheiro exerce em sua vida?
  • Será que dinheiro é fundamental? Para que? Quando?

Responder aos questionamentos acima propostos é, intencionalmente, uma tarefa difícil e bastante delicada. Não raro, são poucas as ocasiões em que paramos para pensar no quanto o dinheiro influencia nossas decisões e hábitos. Não se assuste se nenhuma das perguntas o levar até uma resposta convincente.

Felizmente, questões subjetivas não possuem respostas certas. Vindo de um blog de finanças pessoais, isso pode soar um pouco fora de propósito, mas talvez esteja ai a razão para nos preocuparmos mais com a imaginação e menos com o dinheiro.

Uma conta corrente recheada pode oferecer inúmeros convites à imaginação, mas será que imaginar é só isso? Creio que tratar da necessidade de dinheiro para exercer o processo criativo não é algo justificável sob o ponto de vista de resultados. Dinheiro não tem nenhuma relação direta com a imaginação. Ao menos não da forma como buscamos encontrá-la.

Minha visão otimista e humana, bastante divergente da exatidão de algumas mentes mais brilhantes e talvez de sua expectativa para com este site, me diz que imaginar é mais. Imaginar é transformar um desejo em uma visão e criar, consciente e incoscientemente, atributos pessoais para alcançá-la. Imaginar é transformar a intenção, o sonho, em força de vontade, em realização. Imaginar é estimular a criatividade, é ir além daquilo que gentilmente nos entregam de “mão beijada”. Imaginar é criar a sua versão da história.

Imaginar é um exercício!
Note que todo o emaranhado de palavras usado neste artigo veio de minha capacidade de criar, do exercício criativo diante do desafio proposto pelo nobre leitor. A motivação principal para o texto surgiu da necessidade de imaginar como se dá a tal relação entre dinheiro e imaginação. Mas será que tal discussão realmente tem cabimento? Sinceramente, não sei.

Não consigo imaginar uma vida bem vivida sem imaginação e criatividade[bb]. Desafiar o marasmo e dar chance ao caos podem ser os grandes trunfos de quem realmente sabe diferenciar-se no cotidiano. Situações comuns e chavões normalmente nos orientam quando estamos sem rumo, mas são nossas próprias mudanças de direção que constroem a verdadeira graça da vida. O dinheiro ajuda, repara, conforta, mas nem sempre convence nossa consciência.

Repare nas histórias de sucesso de muitos empresários e profissionais que admira. A capacidade de inovar os levou diante de caminhos diferentes, mas igualmente prósperos. Eles souberam imaginar, criar o ambiente propício para seu sucesso e colocaram em prática seus planos. O dinheiro, uma consequência, não foi a fonte de inspiração para seus projetos, mas a recompensa por tanto esforço e dedicação.

Uma polêmica sem fim!
Apesar da relativa facilidade em lidar com palavras, admito não ter a resposta para o desafio do dia. De forma intencionalmente inconclusiva, quero deixar aqui uma reflexão sobre o meu trabalho junto do Dinheirama, que obviamente resume meus sentimentos em torno dessa discussão:

  • Será que criar um blog sobre finanças pessoais, ler diversas obras sobre o tema, especializar-me através de um MBA e dedicar-me a responder inúmeras dúvidas por e-mail é uma forma criativa de ganhar dinheiro? Aqui podemos perceber o papel fundamental do dinheiro no processo criativo. Algo me diz que não é tão simples assim. Soa artificial, incoerente, arrogante demais.
  • Ou será que, a cada novo passo e dia à frente deste projeto, tudo o que faço é aprender mais, cultivar mais e melhores amizades e relacionamentos profissionais e, com isso, criar oportunidades outrora consideradas impossíveis? Soa mais natural, inteligente e realizável? Repare agora que o dinheiro não surge como parte da equação, mas certamente existe porque a imaginação se encarregou de respeitá-lo. E assim sou, aqui e ao vivo.

Imaginação é ter várias respostas para uma mesma pergunta. A imaginação tem o dom de criar o dinheiro, mas o dinheiro nunca será capaz de comprar imaginação ou criatividade. Ambos estão ligados, mas cabe a nós saber priorizar e tirar deles o verdadeiro proveito que oferecem! Deixem suas opiniões sobre o tema e tenham todos uma ótima semana.

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

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  • Link Curto: http://bit.ly/yWtEwK
  • Daniel Böhler

    Olá Navarro, tudo bem?
    Belo texto! Gostei muito das suas divagações sobre essa relação dinheiro x imaginação. Parabéns pelo blog e que continue assim.
    Abraço

  • Cleyton

    Imaginação fazendo dinheiro é o que chamados de empreendedor? Aliás, gostei da posição do Fábio, investimento deve ser uma “obrigação” e não um hobby. O q vocês acham?

  • Robertinho

    Navarro, mais uma vez você nos brinda com seus “acessos de civilidade e humanismo”, algo que o diferencia dos demais especialistas da área. Mais do que reunir artigos técnicos repletos de matemática, você procura relacionar-se com seus leitores de forma sincera, honesta. Putz, isso é algo difícil de se ver por ai!

    O texto de hoje está sensacional! A relação entre dinheiro e imaginação é aquela que quisermos construir, é como vemos e não como alguma teoria prega. Sua sensibilidade mostra que o sucesso de seu trabalho não veio por acaso, é fruto de muita imaginação. Sucesso e dinheiro pra ti camarada. Tamos ae. Abração.

  • Ignacio

    E ai Galera!!!!! Gastou demais no cartão? Na hora do sufoco, não há melhor solução do que colocar o orçamento na ponta do lápis. Acesse o Bem Simples e veja dicas para sair do vermelho. Abraços.

  • Fernando Rudeski

    Bem colocado a questão da imaginação. Porém, a imaginação pode até estar latente nas pessoas, mas se você não tem força para ir adiante, ou não confia em si próprio, esse discurso, a cerca do assunto, não passa de palavras vazias. Desculpa dar uma de psicólogo.
    Entretanto, muito obrigado pelos esclarecimentos.

  • http://www.yepgroo.com.br Carlos Righetti

    A imaginação é algo próprio. O que será a imaginação para um empreendedor sonhador, para um financeiro racional e para um publicitário divertido? Cada um tem seu propósito com suas imaginações. Imaginar ou sonhar? Quando você imagina está representando algo através das qualidades de um objeto ou de uma pessoa. O sonho é algo mais completo, pois envolve crenças, ciência, cultura. A quem diga que imaginar é sonhar de olhos abertos. Como dizia Freud, “sonho é a realização dos desejos”. E o que é o desejo? – talvez algo que mova o ser humano para se satisfazer. Então qual será o desejo de todos para ganharem dinheiro? Como o dinheiro ajudará a realizar tal sonho? O que você imagina quando está com dinheiro? E…o que a sua imaginação é capaz de fazer por você? Eu sou publicitário, acredito nos sonhos, acredito nos desejos, acredito na minha imaginação. Mas também acredito em razão. Uma vez escutei assim, “a razão te faz tomar atitudes, mas é a emoção que te faz caminhar para que a tal atitude seja tomada”. Então que a razão seja o dinheiro e a emoção seja a imaginação, o sonho.

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Quem já falou do Dinheirama?

Conheci o Dinheirama justamente numa fase "transitória" de minha vida... num momento onde estou em processo de total metamorfose e mudança de frequência mental. O Dinheirama está sendo pra mim uma carta de frequências, ajudando a sintonizar minha mente onde ela nunca esteve, no oceano de conhecimento da Educação Financeira, mar que nunca tive oportunidade de navegar no sistema educacional tradicional. Só devo agradecer!

Roberto William

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