O Preço Justo e as Carteiras de Ações
Publicado por Ricardo Pereira em 20.02.2008 na seção Ações
Chegamos à terceira parte do conjunto de artigos que pretende proporcionar ao leitor do Dinheirama conhecimentos mínimos para “entrar” no mercado de ações. Antes de mais nada, vale lembrar que as aventuras sem critérios nesse tipo de investimento podem oferecer grandes prejuízos. Se, mesmo depois de ler os artigos, algumas dúvidas persistirem (isso vai acontecer), corra atrás.
Lembre-se das ferramentas disponíveis na internet para buscar mais conhecimentos, procure doar-se mais às leituras técnicas, cursos, participação em fóruns específicos. Ao procurar uma corretora, crie a cultura de conversar com o seu gestor. Essa interação lhe proporcionará conhecimentos importantes, facilitando a utilização do home broker e a criação de sua própria carteira.
Hoje, como combinado, vamos abordar a formação de preço das ações e algumas carteiras sugeridas no mercado pelas corretoras e especialistas.
Como é formado o preço de uma ação?
De uma forma simplificada, os preços dos ativos são tidos como um reflexo das expectativas dos participantes do mercado. A alta ou baixa de um determinado preço tem como base o comportamento da empresa e o que os investidores esperam dela, seja no curto ou longo prazo. No site da Bovespa encontramos uma explicação mais detalhada e convincente:
“O preço da ação é formado pelos investidores do mercado que, dando ordens de compra ou venda de ações às Corretoras das quais são clientes, estabelecem o fluxo de oferta e procura de cada papel, fazendo com que se estabeleça o preço justo da ação
A maior ou menor oferta/procura por determinada ação, que influencia o processo de valorização ou desvalorização de uma ação, está relacionada ao comportamento histórico dos preços e principalmente às perspectivas futuras de desempenho da empresa emissora da ação.
Tais perspectivas podem ser influenciadas por notícias sobre o mercado no qual a empresa atua, divulgação do balanço da empresa (com dados favoráveis ou desfavoráveis), notícias sobre fusão de companhias, mudanças tecnológicas e muitas outras que possam afetar o desempenho da empresa emissora da ação”
Preço Justo
O preço justo não é uma estimativa do preço máximo, mas, nas palavras de Benjamim Graham, o “preço central” - o preço em volta do qual o preço de mercado oscila ao longo dos anos. O preço cotado em Bolsa tanto pode ficar acima do preço justo, apresentando um prêmio, quanto abaixo, configurando um desconto. Os dois preços podem até coincidir, caracterizando um belo, mas efêmero, encontro entre a teoria e a prática.
É natural não vender uma ação quando a mesma atinge seu preço justo, já que o preço de mercado pode passar deste ponto. Tome o preço justo como uma referência: ao exceder esse preço, a “gravidade” começa a operar em direção contrária. É hora de ficar mais esperto.
Características do preço justo
Como é uma estimativa, estabelecida a partir de uma avaliação em boa parte subjetiva, ele não ocupa uma posição certa, mas uma faixa móvel de possíveis valores. Na medida em que novas informações são processadas por analistas, essa faixa se desloca no tempo.
Como exemplo, imagine uma empresa de crescimento sustentado de lucro. Enquanto o período de alto crescimento for se prolongando, a tendência da faixa também será a de caminhar para cima.
Temos assim uma segunda razão para não vender uma ação de uma empresa de qualidade quando ela atinge seu preço justo: há boa possibilidade de que seu preço justo aumente ao longo do tempo - sempre acompanhado pelas oscilações do preço de mercado.
A visão de longo prazo
Essas mudanças na faixa do preço justo refletem os dados financeiros, de mercado e expectativas dos participantes do mercado, podendo variar e crescer ao longo do tempo. Como sempre dissemos, é importante que se escolham boas empresas para investir e não apenas bons momentos. Empresas sérias, cujo crescimento sustentado pode ser visivelmente observado, tendem a se valorizar e a oferecer melhores retornos aos seus acionistas, especialmente no longo prazo.
Carteiras de Ações
Agora que já esta mais claro como funcionam as análises que apontam o melhor caminho entrar com o pé direito no mercado de ações, vamos abordar alguns setores e papéis que podem trazer bons resultados ao longo do ano e, principalmente, no longo prazo.
Quem leu a edição de fevereiro da Revista EXAME descobriu que Mark Mobius, diretor da Franklin Templeton, é o maior investidor estrangeiro registrado na Bovespa. Segundo a reportagem, além de 10 bilhões de dólares aplicados por aqui, o investidor já fala em dobrar a aposta.
Você deve estar pensando: se mesmo com um principio de crise, um investidor desse porte resolve manter e aumentar suas aplicações no país, é porque realmente os sinais de nossa economia são promissores. Seguindo esse raciocínio, que tal conhecermos sua carteira?
- PETROBRAS (PTR4) - 13%
- VALE (VALE5) - 8%
- ITAÚ S/A (ITSA4) - 6%
- AES TIETÊ ( GETI4) - 3%
- BRADESPAR (BRAP4) - 3%
- GERDAU METALÚRGICA ( GOAU4) - 3%
- UNIBANCO (UBBR11) - 3%
- OUTROS - 21%
O percentual acima representa 60% do patrimônio do fundo Templeton Latin America, administrado por Mobius. Os dados são de dezembro de 2007. Note que trata-se de uma carteira interessante e bastante diversificada, o que acaba funcionando como “vacina” contra possíveis crises localizadas em setores específicos.
A mesma Exame também chama a atenção para algumas empresas, observadas pelo ângulo do negócio (Análise Fundamentalista) por 21 analistas do mercado financeiro, com bom potencial de crescimento:

A maioria das corretoras oferecem suas análises e sugerem carteiras baseadas no perfil do investidor. Neste artigo usamos alguns exemplos e sugestões do mercado especializado. Nada o impede de manter certas preferências, desde que você não crie raízes desnecessárias e perigosas.
Recomendamos, mais uma vez, que você não invista por impulso ou simpatia. Procure ter suas próprias opiniões, não aceite nada que não tenha fundamento. Claro, potencial de crescimento não significa crescimento certo. Assim, por mais que haja um cenário positivo em torno de um papel, lembre-se que, a partir do momento de sua ordem de compra, a responsabilidade pelo resultado é toda sua.
Os sites abaixo foram utilizados para embasar este artigo:
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Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para Marcio Eugenio.
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7 comentários
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Excelente artigo Ricardo. Parabéns.
Falando com alguns amigos, eles me dizem que o mercado de opções dá um maior retorno em relação ao mercado de ações, mas possui um risco 10x maior. Você tem alguma dica ou livro para iniciantes neste mercado? Já li alguns artigos aqui no dinheirama que fala sobre o mercado de Opções, mas queria me aprofundar mais antes de começar a investir.
Tenho pouco dinheiro para aplicar e, conforme indicações de amigos, para mim o ideal seria o de opções no lugar de ações.
Desde já fico grato.
Ricardo, parabéns!
Vale ressalter que Warren Buffet foi/é discípulo de Benjamim Graham…!
Emmanuel: que tal o mercado fracionário?
Olá Emmanuel, como vai?
Muito obrigado pelo apoio de sempre.
Bem quando falamos em mercado de opções uma grande se não a maior referência tem um nome MAURICIO HISSA ou BASTTER como mais comumente é reconhecido. Inclusive, em nossa barra lateral há um link do livro justamente de opções da coleção Expomoney, vale a pena a leitura. Para comprá-lo, clique aqui.
Prometo para breve aqui no Dinheirama novos textos sobre opções. Que tal?
Nosso amigo Xico fez um comentário interessante. Que tal o mercado fracionário de ações?
Xico, obrigado pela visita. Sua interação sempre acrescenta muito. Valeu.
Algumas pessoas (com anos no mercado financeiro) afirmam que quando algumas corretoras lançam essas listas com upside, geralmente querem se desfazer de um papel, fazendo com que pessoas comuns empolguem-se e acabem aumentando a liquidez do papel no mercado. Esse é um ponto de vista válido?
Olá Fabricio obrigado pelo comentário.
Não acredito hoje em dia, com a grande cobertura que temos diariamente sobre o mercado acionário, que uma corretora opte por fazer esse papel, não pelo menos sem ter sua credibilidade abalada.
Muitas pessoas hoje aprofundam os estudos e já possuem suas próprias conclusões, aliás esse é o ideal.
Mas, o seu alerta, de certa forma reforça nossa argumentação aqui no Dinheirama, de que o estudo e o preparo para iniciar esse tipo de transação é fundamental.
Forte abraço.
Excelente artigo, Ricardo. Parabéns.
Sou novo no mercado de ações e gostaria de conhecer, aprofundar um pouco mais nas operações trades. Você tem alguma dica ou livro para iniciantes neste assunto?
Desde já, agradeço.
Falando em preço justo, com a compra da bolsa de new york a bolsa de futuros americana que é a maior bolsa de mercadorias do mundo e tem convenio com a BM&F, vai elevar o valor de mercado da nossa bolsa de mercadorias em 70% ou mais ou estou enganado?