28 fev Economia

Os vilões dos juros altos

Vimos as taxas de juros para as pessoas físicas subirem, na média, de 43,9% em dezembro de 2007 para 48,8% em janeiro deste ano. A pergunta que se faz é: quem são os vilões? Vamos começar com quem todo mundo coloca a culpa quando se fala de juros bancários: os bancos. Sim, eles têm sua […]

por Humberto Veiga
há 7 anos

Dinheirama - Finanças PessoaisVimos as taxas de juros para as pessoas físicas subirem, na média, de 43,9% em dezembro de 2007 para 48,8% em janeiro deste ano. A pergunta que se faz é: quem são os vilões?

Vamos começar com quem todo mundo coloca a culpa quando se fala de juros bancários: os bancos. Sim, eles têm sua dose de culpa na subida. Mas é uma dose justificável, porque há uma boa “janela de oportunidades” (traduzindo: a hora é boa) de ganhar um dinheirinho a mais e jogar a responsabilidade nas costas dos outros. Eles podem começar colocando a culpa no segundo na lista que é o Governo.

Agora, por que eles têm culpa? Dentre outras razões, porque a estrutura de negócios é pouco competitiva. Os consumidores desconhecem os produtos bancários e o significado econômico dos juros (eles sabem que o bicho é feio, e só). Desse modo, vamos dar uma subidinha porque ninguém, como diz um amigo meu, vai perder a oportunidade de faturar um dinheiro[bb] a mais sem muito esforço.

O segundo culpado é sim o Governo, que mais que dobrou o IOF, fazendo com que fosse agregado pelo menos mais 1,88% na taxa anual (ué, mas não subiu quase 5%?). Sobre ele fico por aqui.

Os bancos americanos também tiveram seu naco nesta alta. Primeiro, porque geraram uma instabilidade louca no mercado do mundo todo (o tal do globalizado) e fizeram com que o caminho das taxas de juros para o futuro ficasse indefinido. Com esta indefinição, o risco de emprestar por um período mais longo com uma taxa fixa aumenta e, para se garantir, o banco local tasca uns jurinhos a mais (farinha pouca, meu pirão primeiro).

O segundo efeito foi o seguinte: como a crise afetou a capacidade dos bancos de emprestar dinheiro (é mais ou menos assim: cada 1 dólar de prejuízo, são 10 dólares a menos que o banco pode emprestar), reduziu a concorrência que os bancos estrangeiros poderiam fazer aqui no Brasil (eis que surgem os primeiros culpados de novo em ação).

Vamos dizer que o quarto que vou citar, não é bem um culpado, mas um “incrementador” da transparência. É o seguinte: as operações de crédito que os bancos fazem para as pessoas físicas são sempre recheadas de tarifas bancárias (TAC, cadastro, etc.) e a nova regulamentação da cobrança destas tarifas está acabando com os artifícios de ganhar dinheiro[bb] com o desvio da atenção e colocando as receitas das operações de crédito nos devidos lugares.

Receitas de operação de crédito devem se dar pela taxa de juros, que deve ser comparável e não pelas tarifas, que “embananariam” qualquer comparação (a menos que nosso consumidor fosse um expert em cálculo de taxa interna de retorno).

Por fim, vem o quinto vilão que é ele, o próprio consumidor. Só neste mês de janeiro os empréstimos para as pessoas físicas cresceram em seis bilhões de reais. E daí? Daí que aumento na demanda tende a significar aumento no preço. Para ter uma idéia, esse montante é quase a metade do que as Casas Bahia venderam no ano passado inteiro. Muito desse empréstimo destina-se a cobrir as despesas que, apesar de defrontar-se com elas todos os anos, o quinto vilão não planejou a forma de tratá-las.

Como sobrou culpa para todo mundo, deixa a conta para o último da lista.

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Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. Autor do livro “O que as mulheres querem saber sobre Finanças Pessoais”, iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989 e ministra palestras e treinamentos aqui e no exterior. Beto mantém um blog onde publica comentários sobre o sistema financeiro e o universo das finanças pessoais: http://www.betoveiga.com/

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Humberto Veiga

Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. Autor do livro "O que as mulheres querem saber sobre finanças pessoais", iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1989 e ministra palestras e treinamentos aqui e no exterior. Beto mantém um blog onde publica comentários sobre o sistema financeiro e o universo das finanças pessoais: http://www.betoveiga.com

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  • http://www.infinitodigital.com.br Eduardo dos Santos Cunha

    Olá navarro como está? Espero que bem, estou aqui mais uma vez comentando e dando uns parabéns pelo seu blog que a cada dia está melhor.
    Hoje recebi de um amigo esse link [ http://www.barelli.ecn.br/index.php?acao=noticias&id=314 ] que mostra uma carta de pessoa chamada Delman ao bando Bradesco, bom não sei como está o seu tempo para ler isso, mas assim que for possivel por favor de uma lida, acredito que será interessante até mesmo para por no seu blog pois tem muita coisa nessa carta que as pessoas não sabem e a carta é escrita de uma forma sarcastica e muito inteligente.
    Espero que goste, grade abraço.

  • Renata

    Humberto, li seu livro recentemente (ganhei de presente de um amigo) e gostei muito das dicas. Fico feliz que esteja escrevendo também no Dinheirama, pra mim o espaço de educação financeira mais bacana da Internet.

    Reparei, por exemplo, que muitas dicas que você dá também já apareceram aqui, nos mais de 200 artigos do Navarro, Ricardo e cia. É muito bacana saber que vocês se conversam e trocam artigos, com o objetivo de nos ajudar. Parabéns Navarro, que seu sucesso seja cada dia maior. Você merece! O que faz aqui não tem preço.

    Abs guys!

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  • http://desempregozero.org/2008/06/07/ciro-gomes-x-economista-neoliberal-2/ RICARDO STYNJOVICH DA SILVA

    O credito ao consumidor é o combustível da economia.
    Logo,em minha opinião, o consumidor não é o culpado.

    O culpados poderiam ser os bancos, mas não são, pois todas os bancos são interligados através da FEBRABAN, e todas as suas taxas e aquiloquotas estão plenamente de acordo com as medidas do BANCO CENTRAL.

    Automaticamente, isso faz com que o grande culpado seje o BANCO CENTRAL DESTE PAÍS, que mantem a taxa CELIC, como a TAXA BÁSICA DE JUROS mais alta do planeta, que freiou o nosso desenvolvimento, na EUFORIA ECONOMICA que existia no planeta, no passado,(evitando que o BRASIL crescesse 9% igual a China, 8% igual o México, 7% igual a Argentina) – e não está BLINDANDO a nossa economia no atual cenario economico mundial, que é de CRISE.

  • Leonardo

    É lamentável a recusa do autor em comentar a responsabilidade do governo e do Banco Central na taxa de juros, que ele mesmo dolorosamente é forçado a reconhecer. Também passa longe de tecer qualquer observação sobre a razão do setor bancário brasileiro ser tão pouco competitivo.

    Se é parcial e enviesado assim em um artigo pra um website, imagine como é o conteúdo dos livros que publica.L