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Calculando a extensão e o perigo das dívidas

Publicado por Conrado Navarro em 25.03.2008 na seção Finanças Pessoais, Negociação

Finanças Pessoais do dia-a-diaCarol comenta: “Navarro, fico desesperada quando ouço falar dos altos juros do cheque especial, mas não consigo entender a matemática financeira que está por trás desses valores. Não sei como mensurar o poder contrário dos juros em meu dia-a-dia. Na verdade, não gosto muito de matemática, ainda mais financeira. Há alguma forma de entender esse universo sem ter que me tornar uma especialista? Obrigada.”

É muito comum notar o despreparo das pessoas quando lidam com cálculos de juros e diante de financiamentos. A grande dúvida que paira nessas horas diz respeito à característica do negócio. “Será que com esses juros estarei fazendo um bom negócio?” é a pergunta para qual poucos tem boas respostas. Para alento de todos, é possível demonstrar as implicações do negócio sem entrar a fundo no “economês” ou nos cálculos da matemática financeira[bb]. Que os economistas não me ouçam.

Apresentei, em um artigo publicado em agosto do ano passado, a Regra 72, uma conta simples capaz de medir a velocidade de nosso dinheiro quando pretendemos poupá-lo e investi-lo. Essa regra permite, usando a simples matemática de primeiro grau, que você calcule em quanto tempo seu patrimônio dobrará. Como? Divida 72 pela taxa de juros (rentabilidade do produto desejado) e o resultado será o tempo até seu investimento dobrar.

Mas o que isso tem a ver com a dúvida ligada aos juros, dívidas e compras financiadas?
A Regra 72 permite que você também visualize o poder dos juros que estão contra você. Como já deve saber, quando você toma dinheiro emprestado, seja lá por qual razão, paga, além do montante solicitado, juros pela concessão do empréstimo.

Vejamos como a simples divisão matemática de dois números pode evitar seu desastre: suponhamos que você entre no cheque especial, tomando dinheiro emprestado do banco a juros de cerca de 140% ao ano. Se dividir o mágico número 72 por 140, chegará ao valor aproximado de 0,5. Isso significa que sua dívida dobrará em 6 meses, ou 0,5 anos. Que tal a matemática empregada aqui? Parece um bom negócio? Só se for para o banco.

Leve o raciocínio para as dívidas mais comuns do dia-a-dia, mudando a base temporal: suponhamos que você decida pagar a fatura mínima do cartão de crédito e a taxa média utilizada seja de 9,5% ao mês (absurda, eu sei). Note que, diferentemente do exemplo anterior, a taxa agora está demonstrada em meses. Isso significa que a resposta da divisão de 72 por 9,5 será o número de meses necessários até que sua dívida dobre de tamanho. Neste caso serão necessários apenas 7 meses e meio. Assustador, não é mesmo?

Algumas observações
A Regra 72 não é uma regra precisa. Ela não leva em conta importantes variáveis financeiras como impostos, taxas de administração, performance, carregamento e inflação. Além disso, o cálculo leva em conta que o valor (investido ou devido) não sofrerá alterações durante o tempo considerado. Ou seja, amortizações e novos aportes não influenciam a conta realizada através da Regra 72.

O que interessa é que a simplicidade da regra permite que todos, sem exceção, tenham uma referência importante na hora de tomar uma decisão, seja ela de investimento ou endividamento. Eliana Bussinger, autora do livro “A Dieta do Bolso”, ilumina a questão:

“Vejo pessoas que compram a prazo simplesmente porque a prestação cabe no salário mensal. Elas nem se incomodam em saber sobre os juros! Se as pessoas usassem essa regrinha simples, facilmente perceberiam quando estão pagando por três geladeiras e levando uma só! Saberão quão rápido estarão enriquecendo os outros se desconsiderarem o fantástico poder dos juros em suas dívidas!”

Antes de aceitar o empréstimo oferecido pelas instituições financeiras, faça a simples conta apresentada aqui na Regra 72 e repare como o negócio pode ser (normalmente é) muito melhor para eles que para você. Caia fora, evite endividar-se nessas situações, tenha mais paciência, poupe e compre o produto sempre à vista, com desconto.

Saber se uma dívida é ruim não exige sempre a presença de um economista ou consultor financeiro. A matemática simples, ensinada com tanto amor e paciência pela professora dos tempos de escolinha, tem sua comprovada eficiência. Verdade, ela funciona. Se quiser conhecer mais sobre a Regra 72, clique aqui (em inglês). Para uma calculadora usando a regra, clique aqui (também em inglês).

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

2 comentários
  1. Imagem do comentarista
    Ana Paula

    Muito interessante o artigo!!!
    Fã de carteirinha do blog!!!

    Parabéns.

  2. Imagem do comentarista
    Celina

    Oi Navarro,

    O artigo é muito interessante e de fácil leitura e assimilação.

    O problema é fomos todos inoculados pelo virus do consumismo e fica muito difícil lidar com os sintomas diante da primeira vitrine ou da liquidação de inutilidades que inundam nossa casa e emagrecem os nossos bolsos.

    Parabéns por tudo o que você tem feito neste blog e muito obrigada pela atenção e cuidado com nossas finanças.

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