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Gerente de banco: mocinho ou vilão?

8comentários

Finanças pessoais, investimentos e moeda fortePoucos dias atrás, conversando informalmente com uma amiga, de vida até certo ponto estruturada, renda alta e com certo planejamento financeiro, decidi questioná-la sobre sua maneira de lidar com investimentos[bb]. A resposta foi rápida e com ar de muita confiança: “Não me envolvo com os investimentos. Minha gerente do banco resolve tudo para mim”. Que? Como assim?

Na hora, preferi não dar sequência na conversa, mas imediatamente surgiu em minha mente a seguinte questão: Será o gerente do banco capaz de resolver todos os problemas de quem abre mão de acompanhar de perto a gestão de sua vida financeira?

Gerente, vendedor ou consultor?
Muitos que, como minha amiga, delegam plenos poderes ao gerente de sua conta confundem a verdadeira função desse profissional. O gerente do banco não é um consultor financeiro pessoal, mas sim um profissional com grande conhecimento de “como”, mas sem muito interesse pelo “por que”.

Em outras palavras, eles vendem bem o produto do banco, mas nem sempre se preocupam sobre sua adequação à sua situação financeira[bb]. Ao não perceber essa diferença, corre-se o risco de assinar e participar de péssimos negócios.

Quase todas as recomendações do gerente atendem aos interesses do banco. Afinal, ele é um vendedor e, como tal, trabalha e é recompensado a partir de metas a serem alcançadas.

Quer um exemplo básico do quanto os interesses do banco estão sempre em primeiro lugar? Que tal os constantes apelos feitos para que compremos os tão conhecidos títulos de capitalização? Como já vimos, aqui mesmo no Dinheirama, títulos de capitalização são uma furada.

Teste bem o seu gerente
Acredito, claro, que existam profissionais que fujam à regra, que aconselhem e apresentem boas sugestões aos seus clientes. No entanto, tais exemplos são mais raros. Repare na situação abaixo, que passa despercebida aos olhos de muitas pessoas:

Os juros aplicados sobre a utilização do cheque especial são muito altos. O consultor financeiro, compromissado com seu cliente, certamente recomenda outros meios de obtenção de crédito, com juros menores. O gerente do banco, quase sempre, se cala.

Os gerentes bancários são bons no relacionamento, mas pecam por mantê-lo superficial demais.
Já conversei, por diversas vezes, com gerentes que não sabiam explicar os tipos de fundos e produtos de acordo com perfis diferenciados de clientes. Conhecem o produto, mas ignoram o universo trazido à tona pelos clientes.

Ao confundir o trabalho do gerente com o do consultor, você corre o risco de investir seu capital em um fundo conservador demais (e com alta taxa de administração), já que a maioria dos profissionais do banco preferem usar a caderneta de poupança como benchmark. Vencer a poupança não é nenhum mérito, portanto preste bastante atenção quando for negociar seu futuro financeiro.

Tarifas, um negócio à parte.
Os bancos brasileiros faturam horrores com as mais variadas tarifas e serviços. Muitas vezes, eles escondem tarifas em seus serviços, que somente serão notados bem mais tarde, quando já é tarde demais. Com o objetivo de coibir essa ação, surge o CET – Custo Efetivo Total. Será que vai funcionar? Já vi que muitas tarifas estão sendo reajustadas antes da medida entrar em vigor. Enfim.

Um gordo saldo em sua conta e uma boa dose de pró-atividade podem facilitar sua relação com as tarifas. Se você não se mostrar presente no dia-a-dia de suas finanças, não adianta esperar nenhum tipo de ação do banco para facilitar sua vida.

Aliás, só há um verdadeiro vilão das finanças: o descaso e a falta do comprometimento pessoal, da vontade de investigar e discutir amplamente as possibilidades que uma economia estabilizada (mais ajustada) propicia. A culpa é sua. Minha. Nossa. Valeu o debate? Até sexta-feira.

——
Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • CPUINOVEr

    Eu acho que o gerente nem sabe o que é fundos. A impressão que eles passam, pelo menos em minha cidade é que são robôs programados para dizerem um texto pré-estabelecido. E nem são suaves o bastante na questão do trato com o cliente, optando por uma venda na maioria das vezes forçada.

  • Fernando

    Ótimo artigo Ricardo. Gostei porque mostra como andamos despreparados para conversar com nossos gerentes e demonstra que o interesse maior pelo nosso dinheiro deve partir de nós mesmos. Elementar, mas muito pouco praticado. Que fique o alerta. Tomara que as pessoas entendam o bem que vocês fazem aqui. Parabéns Navarro e equipe.

  • Felipe

    Na verdade eu acho q gerentes de bancos não entendem NADA de aplicações. Eles apenas executam o q esta escrito na tela do computador. Eles não tem iniciativa. Quem quizer ver seu dinheiro render, passe longe do gerente do banco. Eles estão la pelo lucro do banco e não pelo lucro do correntista.
    Uma lida no dinheirama vale mais do q um mês de conversa com um gerente.
    Parabéns pelo site Navarro. Leio todos artigos.

  • http://www.ealecrim.net Emerson Alecrim

    Eu era cliente de um dos maiores bancos privados do Brasil (um que começa com a letra B). O atendimento funcionava bem, mas para explorar a ignorância de que entende pouco de finanças. Por várias vezes precisei utilizar serviços específicos (como câmbio) e o gerente mal sabia como agir. Na última vez, lhe disse, em voz alta, que ele só sabia empurrar produtos do banco, mas na hora de ajudar o cliente, tinha mais má vontade que funcionários de determinados serviços públicos. Me alterei tanto no dia que até chamaram a segurança para me controlar. E olha que dificilmente perco a calma…

    Mudei de banco, e tive a sorte de encontrar um gerente muito bom. Ele esclareceu todas as dúvidas que eu tinha sobre aplicações financeiras, explicou pacientemente cada um dos produtos do banco e, com base no meu perfil, sugeriu investimentos. Dei fé e não me arrependo nem um pouco! Só para dar um idéia do profissionalismo desse gerente, em fevereiro o banco cometeu um erro e tirou um dos meus cartões do débito automático, fazendo com que eu atrasasse o pagamento da fatura. Para compensar o transtorno, ele não só devolveu os valores da multa como também me forneceu mais uma anuidade grátis.

    Mas isso é sorte. Os outros gerentes do banco não são tão atenciosos assim…

  • Diógenes

    Um amigo meu cheio da grana comprou petro conforme recomendação do seu gerente antes da queda de janeiro deixou seu gerente acompanhando, moral da historia o gerente mudou de cidade e não entrou em contato com ele .A petro cai de 84 ate 68 neste caminho ele não aguentou e vendeu por desespero perdeu 45 mil reais é isso que da fazer negocio sem conhecer do assunto.

  • http://www.reinaldo.pro.br Reinaldo

    Realmente existem muitos gerentes totalmente despreparados ou que são simples “robozinhos”, preparados somente para resolver os problemas do banco e não dos seus clientes. Para se ter uma idéia, já tive a péssima confirmação disso em dois bancos, onde simplesmente nenhum dos gerentes sabia me explicar como funcionava o sistema de cobrança de tarifas feito pelo seu banco (coisa que eu facilmente pesquisei no próprio site da instituição…) foi no mínimo engraçado, acabei EU mesmo explicando para eles como tudo funcionava… que coisa né?!… :-|

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Desde minha primeira leitura, o blog tem me conscientizado de tantas coisas que fazia errado na minha vida financeira, pensando que eu estava fazendo certo! Hoje repasso esses ensinamentos a amigos e parentes

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