04 abr Ações e Derivativos

Derivativos: um mercado fascinante, mas perigoso!

Não é novidade que o Dinheirama esta sempre atento, ouvindo bastante seus leitores. Nos orgulhamos muito desse contato cada vez mais próximo e tentamos atender às solicitações sempre primando pela linguagem simples e descomplicada. O compromisso segue firme neste sentido. Hoje vamos atender um pedido já realizado por diversos leitores: explicar e discutir o chamado […]

por Ricardo Pereira
há 6 anos

Finanças Pessoais do dia-a-diaNão é novidade que o Dinheirama esta sempre atento, ouvindo bastante seus leitores. Nos orgulhamos muito desse contato cada vez mais próximo e tentamos atender às solicitações sempre primando pela linguagem simples e descomplicada. O compromisso segue firme neste sentido.

Hoje vamos atender um pedido já realizado por diversos leitores: explicar e discutir o chamado Mercado de Derivativos. Trata-se de um assunto bastante abrangente, que, em um primeiro momento, pode parecer complicado. Assim, hoje vamos nos concentrar apenas em passar alguns conceitos básicos sobre o assunto.

Definindo o Mercado de Derivativos
Derivativo é um contrato definido entre duas partes no qual se definem pagamentos futuros baseados no comportamento dos preços de um ativo de mercado. O mercado de derivativos[bb] abrange um amplo leque de operações que estão sempre inseridas nos mercados a termo, de futuros, de opções ou de swap.

Em qualquer um deles, o investidor poderá negociar tanto commodities quanto ativos financeiros, como taxas de juro, índices de mercado etc. É comum vermos investidores à procura de operações com derivativos para especular e para buscar proteção. Esta segunda atitude caracteriza o investidor[bb] como um hedger.

Hedgers
Para eles, o mercado de derivativos oferece proteção e pouco risco. Funciona como uma espécie de apólice de seguro, em que o comprador paga um prêmio para limitar suas perdas. Se o investidor não precisar utilizar sua “apólice” de seguro, perderá apenas o prêmio pago para a contração do “serviço”. Acontecendo algum incidente, estará ele protegido.

Na prática, a forma de limitar as perdas significa travar um preço para o ativo. Assim, seja qual for o andamento dos preços dos ativos no mercado à vista, o investidor tem a garantia de determinando preço para esse mesmo ativos em certa data futura.

Se cair e ele tiver garantido um bom preço de venda, ganha dinheiro. Se subir e ele tiver garantido um baixo preço de compra, ele compra e vende. Se nada disso acontecer, suas opções “viram pó” e ele perde a oportunidade. No Brasil, o mercado de futuros é gerenciado e acontece através da BM&F – Bolsa de Mercadorias & Futuros.

Glossário simplificado
Concordo que a própria palavra derivativos pode causar estranheza. Esse mercado possui um linguajar específico, por vezes complicado. Vejamos o básico:

- Opção: é um direito de comprar ou vender um montante de um determinado ativo a um preço pré-estabelecido dentro de um certo intervalo de tempo. Pode ser comparado a um seguro, pelo qual o agente paga um prêmio e tem o direito, e não a obrigação, de exercê-lo. Leia mais;

- Put: termo em inglês que equivale a uma opção de venda. Ou seja, quem compra uma put tem o direito de vender um certo ativo por um preço pré-determinado;

- Call: expressão análoga à put, porém que corresponde à uma opção de compra;

- Opções americanas: diferentemente do que se pode imaginar em um primeiro momento, o termo não tem qualquer referência à geografia, mas refere-se às opções que podem ser exercidas em qualquer momento, ou seja, desde sua data de aquisição até sua data de vencimento. Leia mais;

- Opções européias: contrastam-se às opções americanas, podendo ser exercidas somente na data do vencimento;

- Prêmio da opção: valor a ser pago pelo investidor para adquirir uma opção. As variáveis que influenciam a determinação do prêmio são: preço e volatilidade do ativo objeto, tempo até o vencimento, taxa de juros e preço de exercício. Leia mais;

- Black & Scholes: modelo matemático, desenvolvido pelos economistas Fisher Black e Myron Scholes, mais difundido para a determinação do valor justo do prêmio de uma opção. O modelo funciona para opções de compra ou venda do tipo europeu. No caso de opções do tipo americanas, somente para aquelas sobre ações sem dividendos;

- Ativo objeto (ou base): designa o ativo primário dos derivativos. As opções, por exemplo, podem ser referenciadas em: ações, índices, moedas, contratos futuros, entre outros;

- Preço de Exercício: valor pelo qual a opção pode ser exercida. Ou seja, o titular de uma opção poderá comprar ou vender ativo base por um determinado preço de exercício;

- Virar pó: quando uma opção não é exercida, o investidor perde o valor total pago como prêmio. Diz-se, então, que a opção “virou pó”;

- Opção at the money: é uma opção que apresenta preço de exercício igual ao preço do ativo objeto no mercado à vista;

- Opção in the money: supondo uma opção de compra, é aquela em que o preço do ativo base no mercado à vista é superior ao preço de exercício, ou seja, caso exercida, o investidor apresentará lucro. Se for uma opção de venda, é aquela cujo preço de exercício está acima do preço do ativo objeto no mercado à vista;

- Opção out of the money: contrapõe-se à opção in the money. Em caso de ser uma opção de compra, o preço de exercício acima do preço do ativo no mercado à vista. Sendo uma opção de venda, o preço do ativo no mercado à vista é superior ao preço de exercício;

- Valor intrínseco: diferença entre o valor do ativo no mercado à vista e o preço de exercício;

-Combinação de opções: operação em que um mesmo investidor compra ou vende duas ou mais opções sobre o mesmo ativo objeto, mas com preços de exercício e/ou datas de vencimento distintas. São exemplos as travas – em que se aposta na alta ou na baixa do mercado – e o butterfly spread – em que o agente ganha se o preço do ativo objeto não apresentar grande volatilidade.

- Cap: esta expressão de língua inglesa representa a fixação por parte do investidor de um patamar máximo para a flutuação de suas aplicações;

- Floor: estratégia equivalente ao cap, porém o agente estabelece um nível mínimo para a rentabilidade de seus papéis;

- Collar: representa a construção simultânea de um cap e de um floor. O intervalo entre eles é o collar.

- Swaps: são operações de troca de fluxo de caixa. Um investidor é remunerado por uma determinada aplicação e oferece outro ativo como forma de rentabilidade. Leia mais;

- Hedge: termo que vem do inglês e que significa salvaguarda. Também denomina administração do risco. Por exemplo, o ato de tomar uma posição em outro mercado (futuros, por exemplo) oposta à posição no mercado à vista, para minimizar o risco de perdas financeiras em uma alteração de preços adversa. Leia mais;

- Contratos futuros: trata-se de um compromisso de comprar ou vender determinado ativo numa data específica do futuro, por um preço previamente estabelecido. Leia mais.

Fundos e alavancagem
Alavancar é investir, em operações de risco, mais do que o patrimônio líquido do fundo. Isso só é possível usando os derivativos. São negociados contratos futuros e operações sem que haja cobertura financeira total, apostando em um movimento certeiro nas datas de vencimento.

Sim, é perigoso e pode ser arriscado. Se as operações de um fundo bastante alavancado forem malsucedidas, as perdas podem causar estragos consideráveis, inclusive superando o patrimônio do fundo. Lembre-se de consultar o prospecto de seu fundo e procurar por detalhes neste sentido*.

Por hoje chega. Agora que sabemos o básico, podemos avançar com calma. Mais à frente, vamos abordar de maneira enfática cada item de relevância do artigo. Enquanto isso deixe seus comentários e participe do Fórum Sociedade Dinheirama. Aproveite bem seu final de semana.

Fontes importantes utilizadas para compor este resumo: jornal Valor Econômico, Infomoney e UOL Finanças. Você também pode aprender mais sobre opções com os livros:

*De acordo com a atual legislação brasileira sobre fundos de investimentos (FIF), para um fundo fazer alavancagem ele tem que se enquadrar na categoria “genérico”. Mas não são todos os genéricos que podem alavancar o patrimônio. Além disso, há a classificação da Associação dos Bancos de Investimentos (Anbid).

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Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Edgar de Souza

    Ricardo, parabéns, excelente artigo!
    Eu estou amadurecendo no mercado a vista, mas em breve pretendo iniciar nos derivativos.

  • Felipe Cypriano

    Bom artigo, já tinha lido praticamente todos esses termos. Mas ainda não aprendi exatamente todos, tenho que ler mais.

    Assim como o Edgar estou aprendendo a operar melhor as ações para depois entrar nas opções. Apesar de não operar, já começo a ler sobre o assunto para formar uma boa base de conhecimento.

  • Edgar de Souza

    Felipe, espero que estejamos no caminho certo!
    Forte abraço.

  • http://carteirasmallcaps.blogspot.com Fabricio

    Legal o artigo! Dúvida: assim como temos simuladores de ações, existe algum simulador de opções? Ainda não tenho coragem de entrar com dinheiro de verdade nesse mundo das opções…

  • http://dinheirama.com Ricardo Pereira

    Olá Fabricio, existe um simulador na BM&F que pode ajuda-lo para conhecer um pouquinho melhor esse mercado.

    Lá vai o link: http://simulador.bmf.com.br/

    Abração

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  • http://www.investmax.com.br Danilo

    Fabricio para diminuir bem o risco com opções existe um simulador de opções onde permite estressar todos os cenários e possibilidade.

    segue o link: http://www.investmax.com.br/iM/content.asp?contentid=689&i322

  • Euler

    Pessoal, encontrei um simulador de opções em tempo real, recomendo!
    Chama-se investOpções, o link é http://www.cilp.com.br
    Grande abraço

  • Fábio Novaes

    Ótimo artigo, principalmente para min que estou começando a estudar sobre o mercado de açoes, opções e derivativos para investir em 2010.
    Grande abraço.

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  • Rodrigo

    Pra maioria que frequenta o site pode parecer trivial, mas eu consigo entender pouca coisa. Eu sou leigo no assunto e continuo assim. Mesmo depois de ler isso. Como professor sei que a melhor forma de as pessoas entenderem é pela utilização de exemplos. Que tal?

  • Guilherme G.

    Esse mercado de derivativos deu o pontapé inicial à atual crise da dívida européia e americana, quando vários bancos resolveram “alavancar” seus dividendos já astronômicos. Essa operação deveria ser criminosa na minha opinião.

  • Luis Teles

    Azimov, o pontapé inicial foi dado pelo governo americano ao impor que os bancos emprestassem recursos a pessoas com péssimo historico de pagamento e ao fazer com que suas estatais (fannie e mac) comprassem esses titulos do banco. Como sempre, a ignorancia faz com que a culpa por crises sistemicas oriundas de governos ineficientes e com tendencias intervencionistas recaiam sobre àqueles que dinamizam a sociedade. Mas sao anos e anos de doutrinaçao que nao serao revertidos facilmente…