Dinheirama - Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos

O Dinheirama é um site sobre economia, finanças pessoais e educação financeira, mantido por Conrado Navarro, que tem como objetivo fazer com que você administre melhor seu dinheiro e aumente o seu patrimônio.

Derivativos: um mercado fascinante, mas perigoso!

Publicado por Ricardo Pereira em 04.04.2008 na seção Derivativos

Finanças Pessoais do dia-a-diaNão é novidade que o Dinheirama esta sempre atento, ouvindo bastante seus leitores. Nos orgulhamos muito desse contato cada vez mais próximo e tentamos atender às solicitações sempre primando pela linguagem simples e descomplicada. O compromisso segue firme neste sentido.

Hoje vamos atender um pedido já realizado por diversos leitores: explicar e discutir o chamado Mercado de Derivativos. Trata-se de um assunto bastante abrangente, que, em um primeiro momento, pode parecer complicado. Assim, hoje vamos nos concentrar apenas em passar alguns conceitos básicos sobre o assunto.

Definindo o Mercado de Derivativos
Derivativo é um contrato definido entre duas partes no qual se definem pagamentos futuros baseados no comportamento dos preços de um ativo de mercado. O mercado de derivativos[bb] abrange um amplo leque de operações que estão sempre inseridas nos mercados a termo, de futuros, de opções ou de swap.

Em qualquer um deles, o investidor poderá negociar tanto commodities quanto ativos financeiros, como taxas de juro, índices de mercado etc. É comum vermos investidores à procura de operações com derivativos para especular e para buscar proteção. Esta segunda atitude caracteriza o investidor[bb] como um hedger.

Hedgers
Para eles, o mercado de derivativos oferece proteção e pouco risco. Funciona como uma espécie de apólice de seguro, em que o comprador paga um prêmio para limitar suas perdas. Se o investidor não precisar utilizar sua “apólice” de seguro, perderá apenas o prêmio pago para a contração do “serviço”. Acontecendo algum incidente, estará ele protegido.

Na prática, a forma de limitar as perdas significa travar um preço para o ativo. Assim, seja qual for o andamento dos preços dos ativos no mercado à vista, o investidor tem a garantia de determinando preço para esse mesmo ativos em certa data futura.

Se cair e ele tiver garantido um bom preço de venda, ganha dinheiro. Se subir e ele tiver garantido um baixo preço de compra, ele compra e vende. Se nada disso acontecer, suas opções “viram pó” e ele perde a oportunidade. No Brasil, o mercado de futuros é gerenciado e acontece através da BM&F - Bolsa de Mercadorias & Futuros.

Glossário simplificado
Concordo que a própria palavra derivativos pode causar estranheza. Esse mercado possui um linguajar específico, por vezes complicado. Vejamos o básico:

- Opção: é um direito de comprar ou vender um montante de um determinado ativo a um preço pré-estabelecido dentro de um certo intervalo de tempo. Pode ser comparado a um seguro, pelo qual o agente paga um prêmio e tem o direito, e não a obrigação, de exercê-lo. Leia mais;

- Put: termo em inglês que equivale a uma opção de venda. Ou seja, quem compra uma put tem o direito de vender um certo ativo por um preço pré-determinado;

- Call: expressão análoga à put, porém que corresponde à uma opção de compra;

- Opções americanas: diferentemente do que se pode imaginar em um primeiro momento, o termo não tem qualquer referência à geografia, mas refere-se às opções que podem ser exercidas em qualquer momento, ou seja, desde sua data de aquisição até sua data de vencimento. Leia mais;

- Opções européias: contrastam-se às opções americanas, podendo ser exercidas somente na data do vencimento;

- Prêmio da opção: valor a ser pago pelo investidor para adquirir uma opção. As variáveis que influenciam a determinação do prêmio são: preço e volatilidade do ativo objeto, tempo até o vencimento, taxa de juros e preço de exercício. Leia mais;

- Black & Scholes: modelo matemático, desenvolvido pelos economistas Fisher Black e Myron Scholes, mais difundido para a determinação do valor justo do prêmio de uma opção. O modelo funciona para opções de compra ou venda do tipo europeu. No caso de opções do tipo americanas, somente para aquelas sobre ações sem dividendos;

- Ativo objeto (ou base): designa o ativo primário dos derivativos. As opções, por exemplo, podem ser referenciadas em: ações, índices, moedas, contratos futuros, entre outros;

- Preço de Exercício: valor pelo qual a opção pode ser exercida. Ou seja, o titular de uma opção poderá comprar ou vender ativo base por um determinado preço de exercício;

- Virar pó: quando uma opção não é exercida, o investidor perde o valor total pago como prêmio. Diz-se, então, que a opção “virou pó”;

- Opção at the money: é uma opção que apresenta preço de exercício igual ao preço do ativo objeto no mercado à vista;

- Opção in the money: supondo uma opção de compra, é aquela em que o preço do ativo base no mercado à vista é superior ao preço de exercício, ou seja, caso exercida, o investidor apresentará lucro. Se for uma opção de venda, é aquela cujo preço de exercício está acima do preço do ativo objeto no mercado à vista;

- Opção out of the money: contrapõe-se à opção in the money. Em caso de ser uma opção de compra, o preço de exercício acima do preço do ativo no mercado à vista. Sendo uma opção de venda, o preço do ativo no mercado à vista é superior ao preço de exercício;

- Valor intrínseco: diferença entre o valor do ativo no mercado à vista e o preço de exercício;

-Combinação de opções: operação em que um mesmo investidor compra ou vende duas ou mais opções sobre o mesmo ativo objeto, mas com preços de exercício e/ou datas de vencimento distintas. São exemplos as travas - em que se aposta na alta ou na baixa do mercado - e o butterfly spread - em que o agente ganha se o preço do ativo objeto não apresentar grande volatilidade.

- Cap: esta expressão de língua inglesa representa a fixação por parte do investidor de um patamar máximo para a flutuação de suas aplicações;

- Floor: estratégia equivalente ao cap, porém o agente estabelece um nível mínimo para a rentabilidade de seus papéis;

- Collar: representa a construção simultânea de um cap e de um floor. O intervalo entre eles é o collar.

- Swaps: são operações de troca de fluxo de caixa. Um investidor é remunerado por uma determinada aplicação e oferece outro ativo como forma de rentabilidade. Leia mais;

- Hedge: termo que vem do inglês e que significa salvaguarda. Também denomina administração do risco. Por exemplo, o ato de tomar uma posição em outro mercado (futuros, por exemplo) oposta à posição no mercado à vista, para minimizar o risco de perdas financeiras em uma alteração de preços adversa. Leia mais;

- Contratos futuros: trata-se de um compromisso de comprar ou vender determinado ativo numa data específica do futuro, por um preço previamente estabelecido. Leia mais.

Fundos e alavancagem
Alavancar é investir, em operações de risco, mais do que o patrimônio líquido do fundo. Isso só é possível usando os derivativos. São negociados contratos futuros e operações sem que haja cobertura financeira total, apostando em um movimento certeiro nas datas de vencimento.

Sim, é perigoso e pode ser arriscado. Se as operações de um fundo bastante alavancado forem malsucedidas, as perdas podem causar estragos consideráveis, inclusive superando o patrimônio do fundo. Lembre-se de consultar o prospecto de seu fundo e procurar por detalhes neste sentido*.

Por hoje chega. Agora que sabemos o básico, podemos avançar com calma. Mais à frente, vamos abordar de maneira enfática cada item de relevância do artigo. Enquanto isso deixe seus comentários e participe do Fórum Sociedade Dinheirama. Aproveite bem seu final de semana.

Fontes importantes utilizadas para compor este resumo: jornal Valor Econômico, Infomoney e UOL Finanças. Você também pode aprender mais sobre opções com os livros:

*De acordo com a atual legislação brasileira sobre fundos de investimentos (FIF), para um fundo fazer alavancagem ele tem que se enquadrar na categoria “genérico”. Mas não são todos os genéricos que podem alavancar o patrimônio. Além disso, há a classificação da Associação dos Bancos de Investimentos (Anbid).

——
Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
Quem é Ricardo Pereira?
Leia todos os artigos escritos por Ricardo

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

8 comentários
  1. Imagem do comentarista
    Edgar de Souza

    Ricardo, parabéns, excelente artigo!
    Eu estou amadurecendo no mercado a vista, mas em breve pretendo iniciar nos derivativos.

  2. Imagem do comentarista
    Felipe Cypriano

    Bom artigo, já tinha lido praticamente todos esses termos. Mas ainda não aprendi exatamente todos, tenho que ler mais.

    Assim como o Edgar estou aprendendo a operar melhor as ações para depois entrar nas opções. Apesar de não operar, já começo a ler sobre o assunto para formar uma boa base de conhecimento.

  3. Imagem do comentarista
    Edgar de Souza

    Felipe, espero que estejamos no caminho certo!
    Forte abraço.

  4. Imagem do comentarista

    Legal o artigo! Dúvida: assim como temos simuladores de ações, existe algum simulador de opções? Ainda não tenho coragem de entrar com dinheiro de verdade nesse mundo das opções…

  5. Imagem do comentarista

    Olá Fabricio, existe um simulador na BM&F que pode ajuda-lo para conhecer um pouquinho melhor esse mercado.

    Lá vai o link: http://simulador.bmf.com.br/

    Abração

  6. Imagem do comentarista

    [...] Não é novidade que o Dinheirama esta sempre atento, ouvindo bastante seus leitores. Nos orgulhamos… [...]

  7. Imagem do comentarista

    [...] O mercado de derivativos abrange um amplo leque de operações que estão sempre inseridas nos merca… [...]

  8. Imagem do comentarista

    [...] oportunidade, esta sim para o investidor mais experiente e disposto a correr maiores riscos, é o mercado de derivativos. Ainda segundo a revista Exame, os poucos fundos que aplicam no mercado de futuros e na BM&F [...]

Deixe um comentário

Os comentários e o teor das palavras aqui colocadas são de total responsabilidade de seus autores. Serão sumariamente excluidos os comentários publicados com e-mail anônimo (ou falso), de cunho preconceituoso ou racista ou que não estejam de acordo com o mínimo bom senso. Se quiser criticar, deixar sua mensagem de descontentamento ou desprezo faça-o usando seu nome e e-mails verdadeiros. O Dinheirama reserva o direito de publicar e(ou) apagar qualquer comentário que julgar inoportuno. Participe com decência da discussão! Obrigado.






Para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários,
cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual comentou.

Assine nossos feeds

5380 assinantes | O que é isso?

Se preferir, receba os artigos por e-mail:

::

Dinheirama recomenda

  • Capa do livro Aprenda a Operar no Mercado de Ações
  • Capa do livro Casais Inteligentes Enriquecem juntos
  • Capa do livro Os Segredos da Mente Milionária
  • Capa do livro Terapia Financeira
  • Capa do livro Investimentos Inteligentes
  • Capa do livro Bem Vindo À Bolsa de Valores
  • Capa do livro Técnicas de Investimento para o Mercado de Ações
  • Capa do livro Pai Rico Pai Pobre
  • Capa do livro O Investidor Inteligente
  • Capa do livro O Homem Mais Rico da Babilônia
  • Capa do livro Mercado Financeiro Produtos e Serviços
  • Capa do livro Os Axiomas de Zurique

Estou lendo

Os cabeças de planilha - Luis Nassif

Arquivo

Parcerias exclusivas

  • Via6
  • Uêba - Os Melhores Links
  • Lucre Mais - Dinheirama

Copyright © 2008 Conrado Navarro, Dinheirama. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade

Wenetus Interactive