Celso comenta: “Navarro, recentemente tive uma conversa, sobre questões que envolvem aposentadoria, bastante amistosa com um amigo. Somos jovens e fiquei com a impressão de que o verbo aposentar nos remete a um futuro muito distante, longe demais. Sei que pensar assim limita nosso planejamento de longo prazo. Gostaria de ler um artigo seu sobre a questão. Abusando das verdades de Pai Rico, aposentar é uma palavra ‘lenta’?”
Jovem que sou, reconheço a dificuldade de planejamento para o longuíssimo prazo. Encontrei-me diante deste ponto fraco há alguns anos e vislumbrei apenas duas alternativas para deixar de lado a dificuldade de enxergar longe: ou eu vivo o momento e deixo o futuro lá para o futuro ou passo a acreditar na idéia de que aposentar não significa que chegou a hora de “ficar velho”. Sou do tipo que acredita que tudo é relativo.
Ainda com vinte e tantos anos, qual o sentido de nos imaginarmos cheios de netos, bisnetos e com idade avançada? Soa como um exercício difícil demais para quem ainda convive em grande harmonia com seus avós e bisavós. A inexperência, situação humana essencial para o amadurecimento, é normal. Procuro, então, encarar o longo prazo como uma missão prazerosa, parte de um plano e não fruto da mera ação do tempo. Assim deve ser a relação entre dinheiro e futuro. Explico.
Aposentar?
Antes, entremos em um acordo. Vamos optar por deixar de lado a palavra aposentadoria e trocá-la simplesmente por futuro? Aposentar, seja lá o que isso signifique, pode não ser algo certo ou com o que lidamos diariamente. Já o futuro, ainda que visto apenas como o simples próximo minuto, sempre chega e está presente em nosso dia-a-dia!
Palavras trocadas, sentidos ambíguos e opinião diferente. Sou assim. Tudo para resumir uma filosofia de vida que tem transformado meu universo pessoal. Aprendi a ver a alternativa futura como simples consequência do ato presente. Sabe a conta que deixou de pagar hoje? Ela vence amanhã, quer queira, quer não. Puxa, isso é óbvio, não é mesmo? Será?
- Quando você quer parar de trabalhar?
- Quanto pretende acumular para tal momento?
- Quanto quer receber por mês? Por quanto tempo?
Um universo de possibilidades
Você pretende parar de trabalhar aos 50 anos, acumulando pelo menos R$ 1 milhão em dinheiro e vivendo com R$ 5 mil reais todo mês? Supondo que você já tenha R$ 10 mil e esteja com 25 anos, sua situação fica assim: você terá que investir, mensalmente, pelo menos R$ 1700,00 para chegar lá, já consideradas a inflação, a mordida do Leão (IR) e o uso de uma aplicação que renda 1% ao mês.
É possível? Claro! Atingir tal objetivo parece algo tão óbvio quanto a conta que vence amanhã? Pois deveria! Pensar no seu futuro financeiro de forma mais prática e pró-ativa garante que você quantifique melhor suas atitudes. Talvez seus planos sejam mais modestos que os apresentados neste artigo, mas isso não importa, você pode bricar à vontade com nosso simulador.
A questão central é cruelmente mais simples: aposentar-se significa viver diante de um padrão de vida determinado pelo seu esforço presente, não por uma ação externa no tempo. Significa decidir qual a melhor hora para usufruir dessa tranquilidade e como será sua vida dali em diante. A idade, prefiro assim, é apenas mais um detalhe. Ah, claro, o momento de responder às três perguntas propostas neste texto é agora!
Aliás, é sua careta diante deste texto que vai definir se todas essas palavras fazem algum sentido. Mais que isso, é sua reação que determinará se objetivos assim fazem parte de seu presente. Onde você quer chegar? Deixando de lado a astrologia e as crenças religiosas, pelas quais nutro profundo respeito, o fato é que seu futuro financeiro ainda não está escrito. Ele está em suas mãos, sendo moldado minuto a minuto como fruto de seu relacionamento com o dinheiro.
Ainda tentando definir aposentadoria?
Muitos preferem ver a aposentadoria como uma representação de um momento que acaba. Que dramático! Os mais inteligentes encaram-na como a hora em que poderão conviver com mais um daqueles momentos realmente interessantes de suas vidas: serão capazes de usufruir do resultado positivo advindo do esforço pessoal e familiar. É a recompensa.
Portanto, o problema não consiste em enxergarmos a idéia de aposentar como algo ruim, mas em deixarmos de pensar nela como uma fase importante e que requer nossa atenção ainda no presente, agora! Abro espaço para a sabedoria popular: “colhemos aquilo que plantamos”. Plantar o produto certo, no momento adequado, com os ingredientes certos e na terra apropriada são alguns fatores que influenciam o resultado final da colheita. Mas advinhe o que acontece quando não plantarmos nada…
Crédito da foto para Marcio Eugenio.


















É isso mesmo Navarro. Para mim a aposentadoria não é o “fim” , mas sim o inicio de uma nova jornada em minha vida. Hoje, nos meus vinte e poucos anos tenho minhas metas e meu planejamento definido de como atingir minha independencia financeira em no máximo 7 anos! Otimismo demais? Talvez. Mas meu plano me mostra isso, e a cada dia me empolgo mais com esta possibilidade. Normalmente vincula-se aposentaria com ociosidade e com a pergunta : O que eu faço agora? . Eu já consigo enxergar infintas possiblidades. Trabalhar por prazer e não por necessidade é uma delas. A idade? Como voce disse: “A idade será apenas um detalhe.”
Abraço e sucesso à todos aqueles que possuem este “não tão distante” objetivo !
Meu filho.
É interessante observar que aposentadoria é um assunto que vem despertando cada vez mais o interesse dos jovens.
Minha geração vivia no piloto automático, de casa para o trabalho e vice versa, sempre adiando as coisas boas da vida para quando a aposentadoria chegasse.
O paradoxo era que quando a aposentadoria chegava parecia ter trazido com ela a velhice e as pessoas, não raras vezes, acabavam enxergando um belo motivo para desistir de viver diante da falta de perspectivas fora da atribulação do trabalho que quase nunca realizava ninguem como pessoa.
Agora já sabemos que, dependendo do que tivermos feito para o bem ou para o mal de nossa saúde física, mental, espiritual, psicológica e financeira, podemos chegar aos cinquenta anos com todo o gaz e bastante estabilidade em todos os sentidos para aproveitar intensamente a recompensa pela missão cumprida.
Parabéns para você pelo carinho e atenção que tem dispensado aos seus leitores neste espaço e muito obrigada por ser esta parte maravilhosa da minha colheita.
Que Deus o abençoe sempre.
Existe um programa “Money” que calcula quanto vc deve despositar mensalmente pra ter o valor da aposentadoria que deseja. Foi o que fiz quando jovem e cumpri rigorosamente a meta. Antes disso, tinha feito um plano de aposentadoria e descobri que pagava 10% para a administradora do plano, apenas depositar em uma popança, contribui durante 3 meses quando descobri isso, encerrei o plano e comecei a contribuir eu mesmo, pois achei um absurdo, pagar 10% para a administradora, apenas fazer o deposito em poupança.Resolvi fazer eu mesmo, e fiz os depositos rigorosamente, como se fosse uma divida e nunca retirei nada por nenhum motivo. hoje praticamente vivo disso, após 30 anos de contribuição, passei pelos planos, Color, Bresser e outros que confiscaram e reteram os investimentos bancários, planos esses que muitos dizem que se arruinaram para mim, favoreceu, pois até hoje ainda estou vivendo com isso, embora tivesse contribuido para o INSS, com até 20 salários mininos na época, por 15 anos, hoje o que recebo de aposentadoria pelo INSS é vergonhoso, não chega a 5 salários, não fosse o que eu fiz ou seja aplicando mensalmente em poupança, o que recebo do INSS, não dá nem para pagar o meu IPTU. Assim, embora tenha-se que contribuir por muito tempo, vale a pena, pois 30 40 anos passam rapidamente. Gente faça a sua aposentadoria particular,que não se arrependerão no futuro. Vale a pena.
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