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EBITDA: Indicador Importante para o Investidor

Publicado por Ricardo Pereira em 14.5.2008 na seção Ações e Derivativos, Economia Geral

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Ferramentas importantes para o investidorMuitos termos técnicos começam a fazer parte de nosso dia-a-dia a partir do momento que decidimos mergulhar de cabeça no mundo dos investimentos[bb]. Conhecer de perto o que representam esses termos e siglas pode facilitar a avaliação de algumas empresas na difícil tarefa de encontrar bons fundamentos e negócios.

Um indicador financeiro bastante utilizado pelas empresas de capital aberto e pelos analistas de mercado é o chamado EBITDA, também conhecido como Lajida, cujo conceito ainda não é claro para muitas pessoas. A sigla corresponde a Earning Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization, ou seja, Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização.

O EBITDA representa a geração operacional de caixa da companhia, ou seja, o quanto a empresa gera de recursos apenas através de suas atividades operacionais, sem levar em consideração os efeitos financeiros e de impostos. Por isso, alguns profissionais chamam o EBITDA de fluxo de caixa operacional. Difere do EBIT, conhecido como o lucro na atividade, no que se refere à depreciação e amortização.

A importância do EBITDA
A utilização do EBITDA ganhou importância porque analisar apenas o resultado final da empresa (lucro ou prejuízo) muitas vezes não ilustra bem o potencial de desempenho em um dado período, já que muitas vezes os dados finais são influenciados por fatores difíceis de serem mensurados. Popularizada nos EUA dos anos 70, a análise através do EBITDA é muito comum também por analistas brasileiros, especialmente aqueles voltados para o mercado de ações[bb].

Como calcular o EBITDA?
Um primeiro passo é calcular o lucro operacional, que, de acordo com o critério utilizado no Brasil, é obtido com a subtração, a partir da receita líquida, do custo dos produtos vendidos (CPV), das despesas operacionais e das despesas financeiras líquidas (despesas menos receitas com juros e outros itens financeiros).

Depois, basta somar ao lucro operacional os juros, a depreciação e amortização inclusas no CPV e nas despesas operacionais. Note que estas contas não representam saída de caixa. Por exemplo, a depreciação de um equipamento quantifica a perda de sua capacidade produtiva graças ao uso ou tempo, e, portanto, a perda de seu valor para a empresa. Essa perda não é financeira, já que não há desembolso efetivo de recursos no período.

Por que é interessante usar o EBITDA?
Segundo especialistas, o indicador pode ser utilizado na análise da origem dos resultados das empresas e, por eliminar os efeitos dos financiamentos e decisões contábeis, é capaz de medir com mais precisão a produtividade e a eficiência do negócio. E isso é essencial na hora de investir, especialmente se levado em conta o longo prazo.

É muito comum notar o termo margem EBITDA sendo usado no mercado. Desta forma, o percentual pode ser usado para comparar as empresas quanto à eficiência dentro de um segmento. Mais interessante, a variação do indicador de um ano em relação a outro mostra aos investidores se uma empresa conseguiu ser mais eficiente ou aumentar sua produtividade.

Por outro lado, como ressalva, vale lembrar que o EBITDA pode dar uma falsa idéia sobre a efetiva liquidez da empresa, segundo comentários do consultor Carlos Alberto Zaffani. Além disso, ele ressalta que:

  • O indicador não considera o montante de reinvestimento requerido (pela depreciação), fator especialmente crítico nas empresas que apresentam ativos operacionais de vida curta;
  • O EBITDA não considera as mudanças no capital de giro e, portanto, sobrevaloriza o fluxo de caixa em períodos de crescimento do capital de giro;
  • O EBITDA nada apresenta sobre a qualidade dos lucros;

Para ver um exemplo de cálculo de EBITDA e como ele influencia os resultados das empresas, leia o artigo "EBITDA - Virtudes e Defeitos", do consultor Carlos Alberto.

Por retratar o "operacional da empresa", o EBITDA é utilizado como aferidor de desempenho na geração de recursos próprios decorrentes da atividade fim do negócio. Por isso desconsidera em seus cálculos toda e qualquer receita ou despesa não decorrente da operação principal da empresa.

Igualmente importante, ao desconsiderar os resultados financeiros, o EBITDA elimina, por exemplo, toda e qualquer dificuldade gerada em função de uma eventual desvalorização de moeda. As receitas oriundas de aplicações financeiras, assim como as despesas provenientes do aporte de recursos junto a terceiros não se vinculam ao objetivo principal do negócio, justificando, desta forma, a sua não inclusão no cálculo.

EBITDA como instrumento de análise
Segundo estudo realizado pela Prof. Yumara Lúcia Vasconcelos, publicado em um artigo muito interessante chamado "EBITDA – REDESCOBERTA DO POTENCIAL INFORMATIVO DOS INDICADORES ABSOLUTOS", a leitura proporcionada pela análise do EBITDA apóia decisões diversas, a saber:

Mudanças na política financeira da empresa. Ora, se o ingresso efetivo de recursos, no período considerado para análise, encontra-se em nível insatisfatório comparativamente à capacidade operacional de geração de caixa da empresa, a política financeira, por certo, precisará ser reformulada caso a liquidez efetiva da empresa esteja baixa.

Visualização do grau de cobertura das despesas financeiras. Os resultados operacionais cobrem as despesas financeiras? Qual o percentual de segurança, ou seja, qual a parcela mínima de receitas a vista para cobertura destas despesas?

Monitoramento de estratégias financeiras empreendidas. De que forma repercutiu a estratégia financeira adotada? Quanto maior o volume de recursos gerados na atividade da empresa, melhor a flexibilidade dos gestores para tomada de decisões pertinentes à aquisição e alocação de ativos, assim como melhor será sua liquidez, se em adequada sintonia de prazos.

Pode ser utilizado como benchmark financeiro.
O analista não deve privar-se de analisar a empresa de forma dinâmica comparando seus indicadores, estáticos ou absolutos, com medidas de empresas congêneres.

Serve de base para avaliação de empresas, uma vez que evidencia a viabilidade dos negócios (termômetro de eficiência e produtividade). O EBITDA é a variável mestra em avaliações de empresa uma vez que reflete o puro desempenho do empreendimento no segmento econômico. Existe uma tendência por parte dos analistas em recomendar negócios com empresas que apresentam EBITDA positivo, afinal quanto maior a geração de recursos via operações da empresa, mais atrativo é o negócio, especialmente quando comparamos o indicador absoluto com o volume de investimentos operacionais. É forçoso lembrar ainda que o valor de empresa tem variado na razão direta de seu EBITDA.

O assunto é extenso e muito interessante. Com o passar do tempo - e seguindo sugestões de muitos de nossos leitores - nossos artigos começarão a abranger termos mais complexos. Não que a essência de abordar os assuntos de maneira didática vá desaparecer, longe disso, mas é fundamental irmos aumentando o grau de complexidade dos temas a fim de abrirmos os leques de possibilidades.

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Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.


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Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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13 comentários

  1. Imagem do comentarista

    grande artigo!! show de bola!!

  2. Imagem do comentarista
    João Henrique Amorim

    Fantástico.... é justamente o tipo de coisa que eu precisava ler :)

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    Marcio e João Henrique Amorim, obrigado pela força e incentivo.

    Tenho que confessar aos amigos do Dinheirama, que esse artigo uns 90% foi construído pelo Navarro. Tive problemas com a Internet no dia do envio e por descuído, enviei material errado para o post. Como sempre o Navarro, percebeu a tempo e fez uma bela edição.
    Obrigado parceiro :-)

  4. Imagem do comentarista
    Maria Auxiliadora

    Parabéns pela matéria, gostei muito !!!!!!!!!!!

  5. Imagem do comentarista
    Mariley Nossol

    Leitura de fácil entendimento, me ajudou bastante obrigada!!!

  6. Imagem do comentarista
    jorge augusto

    Seu Artigo é excelente!
    mais gostaria de saber mais sobre este indice financeiro,
    quais as maneiras legais de aumentar o EBTIDA da empresa?

  7. Imagem do comentarista

    [...] Muitos termos técnicos começam a fazer parte de nosso dia-a-dia a partir do momento que decidimos ... [...]

  8. Imagem do comentarista

    [...] Muitos termos técnicos começam a fazer parte de nosso dia-a-dia a partir do momento que decidimos ... [...]

  9. Imagem do comentarista

    Excelente este artigo, tirou todas as minhas dúvidas a respeito deste assunto.

  10. Imagem do comentarista
    Jaqueline

    Olá..sou estudante de ciências contábeis e pretendo fazer meu trabalho de conclusão de curso sobre esse tema. Gostaria de saber se podem me informar as referências?
    Obrigada

  11. Imagem do comentarista
    Flávio Viana Gomide

    Muito boa a explicação!

  12. Imagem do comentarista
    Maria Iza

    Muito bom! Estou começando a entender esse conceito tão importante, logo a empresa em que trabalho usá-o como principal regra de distribuição de Bônus para Elegíveis.

  13. Imagem do comentarista

    [...] partir de Copenhague, o EBITDA ganha um "C" passando a Ebictda (Earnings Before Interests, Taxes, Carbon regulation, [...]

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