Apesar dos juros em queda nos últimos anos, ainda é forte o coro daqueles que entendem que o Brasil somente justificará sua presença entre as grandes promessas dos países emergentes (o BRIC) quando reduzir seus juros a um patamar que estimule o forte crescimento. Por outro lado, há também o coro daqueles que afirmam que o problema do Brasil não está nos juros, mas sim no que fazem com esses juros.
Realmente, juros mais baixos estimulariam o investimento em produção. Mas, será que, com maior produção, o brasileiro conseguirá consumir? Talvez se engane quem pensa que os juros elevados estejam entre os maiores problemas do Brasil. Nossos juros são os maiores do mundo, mas o verdadeiro problema é que o brasileiro aceita pagá-los, gastando com eles, em média, 30% de sua renda mensal.
Não trato aqui do brasileiro que investe e empreende, mas sim do consumidor brasileiro que gasta e se endivida. Sim, é provável que você pague muito mais juros do que pensa. Eles estão embutidos nas prestações de sua casa, do carro, dos carnês de lojas e, menos escondidos, no extrato da conta que você deixou no vermelho recentemente.
Poderíamos consumir bem mais se deixássemos de pagar juros. Para isso, bastaria pacientemente poupar para depois gastar. Gastaríamos mais e teríamos um padrão de vida melhor. Já pensou se, ao consultar seu gerente do banco sobre um consórcio de imóveis ou um financiamento, ele lhe orientasse a aplicar recursos por alguns meses até ter condições de pagar um imóvel em construção – ao invés de financiá-lo?
Não é esse tipo de orientação que recebemos de nosso gerente, no banco. Aliás, lembre-se que ele é gerente do banco, e não de sua conta. Já percebeu como ele lhe empurra produtos que lhe causam um desconforto ao analisá-los? A consultoria normalmente oferecida por ele, seja de investimentos ou de produtos de crédito, apenas lhe traz uma alternativa, dentre as diversas que são lucrativas para a instituição, que se aproxima de sua necessidade. Não tem nada a ver com a melhor alternativa para seu bolso.
Nada de errado com a postura do banco, pois esse é o tipo de orientação esperada quando procuramos conselhos de quem vende algo. Você acha que seu corretor de imóveis lhe oferece sempre a melhor alternativa de moradia? Ou que o feirante lhe oferece sempre as melhores frutas da banca? Ou que a vendedora realmente acredita que aquela roupa está com um caimento impecável em você?
Bancos não são vilões do bolso de ninguém. O grande vilão é a falta de conhecimento. O sistema financeiro brasileiro oferece até mesmo a quem tem poucos recursos uma carta de produtos extremamente requintada e eficiente, desde que o cliente saiba pedir o que precisa. Quem não aprender a ler o cardápio, sairá do restaurante reclamando da cozinha, após comer apenas o couvert.
O primeiro passo para utilizar melhor os serviços de seu banco é entender que a agência bancária é uma loja de serviços. Sempre haverá algo muito bom para você, mas não necessariamente o melhor. Haverá produtos ruins também, para clientes menos exigentes. Por isso, o melhor caminho para explorar bem o que o banco tem a lhe oferecer é pesquisar antes, comparar alternativas, consultar os portais de outros bancos na Internet.
Brigue por menos juros e mais limites no cheque especial. Negocie a anuidade de seu cartão de crédito. Questione os custos dos financiamentos antes de aceitá-los. Exija investimentos com menores taxas de administração e carregamento. Questione os critérios de investimento de seus fundos. Pergunte sobre o funcionamento da corretora de valores de seu banco.
Os bancos estão brigando ferozmente entre si para captar clientes. Seu gerente irá batalhar para mantê-lo em sua carteira, não tema em apresentar produtos da concorrência na hora de barganhar. Quem tem conta em banco tem uma empresa madura e extremamente eficiente a seu dispor, mas talvez não tenha se dado conta disso. Está na hora de cobrar resultados de quem trabalha para você.
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Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro pessoal e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos e Dinheiro – Os Segredos de Quem Tem.
Crédito da foto para stock.xchng


















Gustavo, realmente os juros são culpados em qualquer caso de pessoas individadas. Não entrar no vermelho é não perder mais dinheiro do que já se perdeu, com certeza.
Agora, tenho que discordar - em partes - do fato de que os brasileiros aceitam pagar os juros. Aceitamos se você estiver falando de juros bancários e de crédit. Se for esse o caso, então sim, quem não sabe gastar certo paga juros, e o banco agradece.
Agora, existe os juros imbutidos nos preços, que não tem como a gente não pagar (ICMS, PIS, Cofins, ISS). Estes acredito que são os grandes vilões do Brasil para fazer frente no BRIC. Acredito que sejam estes os culpados quando se fala que os juros no país são altos.
Porém, com inteligência, faz-se as contas para não pagar os evitáveis (bancarios, etc), para guardar dinheiro para pagar os inevitáveis (os que pagam o salário da máquina pública).
PS: li rapidamente o Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, adorei, e fiz uma planilha enorme pra ver aonde estava indo o meu sagrado salário. Parabéns.
Grande Gustavo. Parabéns pelo post.
Só queria contar uma coisa que aconteceu comigo hoje. Vi o post falando sobre juros (tarifas) eachai pertinente compartilhar.
Fui ao banco hoje e pedi, cordialmente e com um grande sorriso no rosto, ao meu gerente que cancelasse minha conta corrente, pois não estava usando os serviços que ela me oferecia e não estava mais aguentando aquela taxa chatinha de pacotes básicos de serviços e nem a anuidade do cartão.
Adivinhe o que ele fez? Na mesma hora mandou cancelar essas duas taxas.
Moral da história: que com educação e uma boa conversa, você pode conseguir muita coisa.
Primeiro. Fiquei sem pagaras taxas. Segundo. O gerente consegui com que eu ficasse com minha conta aberta. Terceiro.Todos ganharam.
Em qualquer pais desenvolvido os impostos abocanham boa parte da renda da populacao. Esses impostos sao necessarios para o bem estar do povo. O problema eh que no Brasil parte do que eh arrecadado acaba nos bolsos de algum corrupto ou eh mal administrado. Penso que esse problema somado aos juros elevadissimos sao o grande entrave para o pais.
Tudo bem Gustavo.
Eu já fui pego no passado por esses serviços “bons para o banco”. No caso foi
um título de capitalização. Na época eu não sabia exatamente seu funcionamento.
O Navarro me ajudou bastante, me esclareceu diversas dúvidas. Atualmente, estou melhor preparado. De vez em quando, paro e converso um pouco com minha mãe e minha irmã sobre primeiro conhecer o serviço ou produto e se realmente for bom para o bolso, comprá-lo ou não.
Passamos a adotar o seguinte filtro: Não recebemos nenhuma oferta por telefone. Sempre dizemos que não estamos interessados no produto.
Certa vez recebi um telefonema de uma agência bancária, e eles diziam: “Você foi selecionado pela nossa agência entre centenas de outros participantes para aderir ao nosso plano (Acho que era seguro de vida)”. Então eu falei para eles: -”Amigo, me desculpe, mas deve ter alguma coisa errada aí. Você está invertendo o paradigma. Sou eu que decido se escolho vocês ou não, entre diversas outras empresas que eu possa pesquisar. Se você quiser deixar o endereço do site, com certeza, quando eu precisar desse serviço, irei pesquisar pela sua agência e de diversas outras, para utilizar o que realmente for mais interessante e econômico para meu bolso”. Logo depois ele viu que eu não ia querer e finalizamos a ligação.
O que aprendi é que com banco e juros, todo cuidado é pouco. Agradeço a você Gustavo, por deixar isso bem claro em seu texto. Foi muito esclarecedor.
Um abraço.
Olá,
Achei um verdadeiro “achado” este site. Parabéns!!
Venho buscando, há muito tempo uma ferramenta que pudesse despertar interesse do meu filho, hoje com 24 anos, pois não é muito adepto a leitura convencional. Tratando-se de internet, acredito que finalmente terei sucesso, alertando-o para a necessidade do conhecimento e planjamento e gestão de suas finanças.
Já lhe comprei livros, alertas sobre juros embutidos em financiamentos de produtos e de bancos e etc e tal…
Obrigada, e um grande abraço.
Aline Carla
Olá Gustavo, também já tive como experiência a “dor de cabeça” gerada pelos juros do banco, tanto como taxa de serviços que nunca usei e paguei por muito tempo. O banco tem pra oferecer diversos produtos, mas é preciso que você saiba qual o melhor produto para seu perfil e realmente exigir que seu gerente faça o melhor plano e comparar com a concorrência, pois o maior erro é “aceitar calado” pagar taxas desnecessárias. Um grande abraco!
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