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Os ciclos brasileiros e alta da taxa Selic

3comentários

O ciclo de alta da SelicVocê já reparou que os juros estão em queda no Brasil? Calma leitor, não estou louco! Escrevo como investidor[bb], aquele que sempre encara o tempo, o longo prazo. No inicio do governo Lula (fevereiro de 2003) tivemos um pico de 26,5% na taxa Selic. Você se lembra? Pois é, aquele foi o primeiro ciclo de alta dos juros da gestão de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central.

De lá para cá, especialmente em maio de 2005, registramos o pico do segundo ciclo de alta, com a taxa de juros chegando a 19,75% e recuado até os 16%. Até os dois últimos aumentos, chegamos aos juros mais baixos desde a chegada do Plano Real: 11,25% ao ano. Agora estamos com 12,25% e a expectativa geral no mercado é que este terceiro ciclo de alta nos juros faça a taxa subir até os 14% ainda este ano, voltando para a casa de 12% no ano que vem.

A taxa ainda está alta? Provavelmente sim, diriam alguns mais cautelosos. Certamente sim, diriam alguns mais extremistas. O aumento é pontual e visa controlar a inflação, diriam alguns mais informados. Não há unanimidade, o que é interessante em uma democracia. Mas, ainda acho alta a taxa se levarmos em conta os demais países em desenvolvimento.

No entanto, se considerarmos o momento mundial e as questões abaixo listadas, veremos que o caminho tomado pode fazer certa diferença:

  • No médio prazo os juros estão mais baixos e essa tendência deve se manter;
  • O mundo passa por um momento de inflação elevada, com as commodities e os alimentos puxando o cordão inflacionário;
  • Em dois anos, a taxa básica chegou a cair 8,25 pontos;
  • O país deve manter o crescimento na casa dos 4,5% ao ano pelo menos no próximo biênio.

Alguns pontos – como o aumento da dívida pública e o próprio desaquecimento da economia – são negativos, é verdade, mas formam parte dos riscos calculados pela equipe do BC e do governo. O desaquecimento e o menor consumo, pensando na inflação, são justamente alguns dos efeitos desejados.

O interessante é verificar que os períodos de elevação da taxa estão sendo, na média, inferiores aos períodos de baixa. Seria essa uma versão tupiniquim da expressão do mestre Maquiavel, que diz que a maldade se faz de uma única vez e a bondade se faz aos poucos? O investidor[bb] esperto já percebe oportunidades de ganho com o Tesouro Direto.

Qual caminho a seguir?
Enxergo como grande passo para o governo – e enorme desafio – a intenção de melhorar o perfil de sua dívida. O país gasta muito mal e quase não investe em infra-estrutura. O PAC – Programa de Aceleração do Crescimento que planeja e projeta investimentos bilionários em infra-estrutura – ainda não decolou.

Para o historiador e brasilianista Thomas Skidmor, o crescimento do PIB brasileiro deveria ser ainda maior, especialmente se comparado a países como Índia e China. Segundo ele, um dos problemas é a taxa de investimento, de apenas 18% do PIB, que é insuficiente para melhorar as condições de crescimento alavancado a médio e longo prazo:

“Precisaria ser de pelo menos 20%. Tanto o setor privado como o setor público deveriam investir mais”

Em boa hora, o governo decidiu elevar o superávit de 3,8% do PIB para 4,3%, aproveitando o excesso de arrecadação. Faria melhor se elevasse ainda mais, para 5% do PIB por exemplo, para reduzir o endividamento público de modo mais acelerado e abrir espaço para juros menores no médio prazo.

Mudanças no perfil da dívida e nas metas de superávit permitem, com uma tacada só, reduzir os juros e a elevada dívida pública, além de permitir que o Brasil economize mais para poder investir. O ponto central continua nebuloso: apesar das inúmeras melhoras no cenário econômico nacional, ainda gastamos mal e investimos pouco.

Ironicamente, grande parte da população também é conhecida por poupar pouco, gastar mal e não reservar parcela significativa de sua renda para investimentos[bb] e planejamento do futuro. É o Brasil dos brasileiros. Mas tem saída, pode acreditar!

——
Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Adelmario

    “O investidor[bb] esperto já percebe oportunidades de ganho com o Tesouro Direto.”

    Essa esperteza seria apostar em Títulos que seguem a SELIC? Bem, no meu pensamento (e baseado nos noticiarios e Dinheirama) a SELIC sobe e a inflação desce, ou seja lucro real! =)

  • Pingback: Os ciclos brasileiros e alta da taxa Selic : InvestBlogs

  • aline

    Mas porque o nosso pais sempre com taxa Celic em alta?
    Talves poruqe muito nao saibam o que é taxa Celic,o governo age da melhor forma que beneficie a ele ,mas nos brasileiros parece que esta tudo bem ,comprar produtos com taxas de juros em alta .Afinal se preocupamos se da para pagar ,não quanto tem de juros ,e porque tanto juros?porque produtos tão altos?porque a inflação ja faz parte do nosso dia dia a muito tempo.
    Po

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Enxergo o Dinheirama como uma das principais fontes de informação sobre educação financeira e investimentos na internet. Não porque não existem outras iniciativas com informações úteis, mas sim porque o Dinheirama fala tanto ao público experiente quanto para o público iniciante nessas áreas, e nesse último caso, faz com uma didática admirável e extremamente difícil de se encontrar por aí. Me ajudou muito, me ajuda e ainda me ajudará bastante, com certeza.

Bernardo Pina

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