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Caderneta de poupança em tempos de inflação

Publicado por Ricardo Pereira em 13.06.2008 na seção Poupança

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Caderneta de poupança em tempos de alta inflaçãoTodos já ouvimos algumas frases emblemáticas em nossas vidas, não é mesmo? Algumas, com um sentido super afinado, podem ser atribuídas e usadas amplamente no dia-a-dia. Ao ler um dado divulgado recentemente pelo Banco Central, de imediato lembrei-me de uma dessas frases e fiz um pequeno exercício de imaginação.

“Há males que vêm pra o bem”, conhece? E se pensarmos no contrario, como que imaginando algum bem que se mal empregado se torna mal? A informação do BC dá conta que a caderneta de poupança apresentou saldo positivo em sua captação líquida do mês de maio. Simplificando, entrou mais dinheiro na poupança do que saiu.

Então o brasileiro começou efetivamente a poupar? Sim! Certo, mas o que isso tem a ver com os males ou com algo interessante que mal empregado pode estragar? A notícia, se analisada no contexto geral, é boa, mas podemos também mostra como o brasileiro ainda desconhece o mercado financeiro[bb] e, assim, não busca oportunidades de investir melhor e ter rentabilidades mais atraentes.

A inflação aparece para complicar a equação.
Se você acompanhou o Dinheirama nas últimas semanas, provavelmente percebeu que um tema vem sendo amplamente discutido: a inflação. Para o investidor[bb], ela é um dificultador enorme, pois o obriga a batalhar sempre mais, de forma a vencer o custo de vida.

Com saldo positivo de R$ 1,096 bilhão em maio, e compensando déficit de R$ 1,848 bilhão apurado em abril, a poupança registrou rentabilidade de 0,54%, enquanto a inflação, aqui medida através do IGP-M, chegou a 1,61%.

No acumulado do ano a poupança sustenta uma rentabilidade de 2,9%, enquanto o IGP-M chega a 4,74%. Isso significa que o retorno real da poupança é negativo, já que sua rentabilidade não é suficiente para cobrir a elevação no custo de vida.

Então trata-se de um péssimo negócio?
Se por um lado o brasileiro começa a poupar, ele ainda não percebeu que caderneta de poupança não deve ser o investimento mais utilizado em épocas de alta de preços e inflação. Outras alternativas, como os títulos públicos atrelados à inflação, são mais interessantes.

Em seu recente artigo “Inflação versus investimentos pessoais”, o Navarro adiantou-se na análise sobre o efeito que a inflação causa ao retorno sobre os investimentos:

“Fica fácil notar que, em média, só as aplicações em ações venceram o IGP-M medido até o mês passado. Isso significa que todo o retorno médio de suas aplicações, até agora, não conseguiu garantir a manutenção de seu custo de vida ou poder de compra. Essa razão, sozinha, já é um grande incentivo para que análises como as usadas neste artigo passem a fazer parte do cotidiano de mais brasileiros”

A frase foi dita em um contexto geral de investimentos[bb]. Vale lembrar que mesmo alguns fundos e os CDBs tiveram rentabilidade inferior à escalada da inflação, mais ainda sim com perdas menores que as da poupança.

Poupança como uma opção de reserva
Trate a caderneta de poupança como uma boa opção para um fundo de reserva. Um local seguro e de alta liquidez, que pode ser seu porto seguro em momentos de necessidade, evitando empréstimos e o uso indiscriminado do crédito pessoal. No entanto, não considere-a como seu principal investimento.

Já é possível encontrar investimentos com rentabilidades mais atrativas, cujos aportes iniciais são inferiores aos de pouco tempo atrás. Com R$ 100,00 já é possível conseguir bons resultados, como mostra o ótimo exemplo dado pela corretora Geração Futuro, que se especializou em oferecer oportunidades para pequenos investidores.

Outra possibilidade é juntar alguns amigos, parentes e colegas e montar um clube de investimentos. Já escrevemos sobre isso também. Confira o artigo “Clubes de Investimento são uma boa”.

Opte sempre pelo conhecimento
Ao optar por lutar e buscar melhores oportunidades para o futuro, você estará também se qualificando, estudando e crescendo com seu patrimônio. Quem fica parado, imaginando o que aconteceria se isso ou aquilo fosse diferente, peca pela preguiça, pelo medo. Ganha pouco, vê seu patrimônio estagnar.

Atitudes vencedoras fazem a diferença, afinal ninguém nasceu sabendo. Mais frases típicas e que estão na boca do povo. Agora precisam passar ao bolso. Despeço-me com um provérbio chinês que retrata o quanto nossas escolhas são importantes:

“Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo de plantamos”

Abuse das frases de efeito, mas só se elas realmente tiverem efeito prático em sua vida. E em seu bolso. Bom final de semana!

——
Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

2 comentários
  1. Imagem do comentarista

    [...] Todos já ouvimos algumas frases emblemáticas em nossas vidas, não é mesmo? Algumas, com um senti… [...]

  2. Imagem do comentarista
    Rogério

    Ricardo, inconscientemente estava gravado na minha memória que a poupança rendia a inflação mais 0,5% a.m, ou seja, fazendo um cálculo simplista, a inflação + a taxa de 6% a.a., um ótimo negócio para qualquer tempo. Imaginava que a taxa de 6% a.a. era uma forma de formar uma cultura poupadora e ajudar a segurar a inflação com menos consumo. Mas espantosamente descubro nesse momento que aquela minha visão acima não vale mais, como estou desatualizado! Agora o cálculo da poupança é baseado na TR mais 0,5% a.m, mas se formos olhar para o resultado final, o rendimento da poupança tem ficado pouquíssimo acima da inflação, e quando o indice mensal da inflação dá um “soluço”, a poupança fica abaixo do valor dela. Considero isso, um absurdo, estou sendo enganado…rs… Diga-me, estou correto, entendi corretamente como funciona? Se é isso mesmo, não é estranho criar esse artíficio que inibe a poupança interna? Gostaria que você me esclarecesse esse contexto todo, do cálculo, da comparação do rendimento da poupança com a inflação nos tempos atuais, e porque agora é assim… por gentileza. Obrigado!

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