Investimentos: entre o risco e a cautela
Publicado por Ricardo Pereira em 20.6.2008 na seção Finanças Pessoais
Nos últimos dias tenho recebido diversos e-mails e comentários de leitores preocupados com o atual momento econômico do país e do mundo. É verdade que motivos não faltam: crise hipotecária norte-americana que ainda de fato não teve seu final; crise do petróleo e dos alimentos que eleveram os preços no mundo todo; e o rumor de início de crise nos fundos de pensão dos EUA.
Está certo, o cenário mundial já esteve melhor do que nos dias atuais. A grande pergunta que fica é: o que o investidor deve fazer nesses momentos? A primeira - e talvez mais importante - coisa a fazer é manter a calma e analisar a situação olhando para o futuro e seu planejamento. Estou certo que dentro de sua estratégia havia uma hipótese de crise e estava prevista a possibilidade de um período com maiores dificuldades. Estou certo?
Não tinha um plano B? Respire fundo e procure manter a calma mesmo assim. A vantagem do plano B é que este pode permitir uma saída alternativa para crises já tão comuns nos dias de hoje. No mais, a informação de qualidade e a atitude podem fazer a diferença.
Momento de cautela
As boas práticas financeiras, aquelas que você já cansou de ler por aqui, ditam algumas decisões inteligentes que o investidor preparado deve considerar:
- Não aplique todo seu capital em um único papel;
- Jamais coloque todo seu capital no mercado de ações
, principalmente se tem planos de utilizar o dinheiro no curto prazo;
- Evite tomar decisões em períodos de forte emoção;
- Seu dinheiro sempre renderá mais se você pessoalmente dedicar um espaço na sua agenda para cultivá-lo.
Quando falamos em Brasil, os fundamentos econômicos continuam bons, com exceção de um único ponto crítico: a badalada inflação. A grande dificuldade, que também já não é nenhuma novidade, é que desta vez a inflação é um fenômeno importado.Com o desenvolvimento dos países antes chamados de Terceiro Mundo, a demanda mundial por alimentos aumentou drasticamente.
Imagine um casal que, da noite para o dia, recebe em seu lar outros três familiares. Em suma, a comida e as demais despesas da casa antes suficientes para duas pessoas agora terão que ser estendidas também aos novos integrantes da casa. Com um agravante: os outros três não possuem nenhuma renda.
Vou além: a China, que antes vivia basicamente uma alimentação tradicional à base de arroz, começou a adquirir e importar outro gostos alimentares, como carne, feijão etc. Se a demanda aumentou, como fica a oferta? Eis o X da questão. A oferta simplesmente se manteve no mesmo patamar, com alguns agravantes:
- Petróleo em alta, alavancando os preços de transporte e fretes;
- Fenômenos climáticos: em alguns pontos do mundo colheitas inteiras foram perdidas devido ao extremo calor, frio, enchentes etc;
- Subsídios agrícolas: o protecionismo dos países ricos, beirando a estupidez, deixa de incentivar os países com extenso potencial agrícola capazes de vitaminar a safra mundial e contribuir para uma melhor distribuição entre oferta e demanda por alimentos.
Você e seu dinheiro
Parece-me que esse é o momento certo para que algumas estratégias sejam refeitas. É hora de proteger seu dinheiro e seus investimentos. Lembre-se que investimentos de longo prazo não significa simplesmente montar uma carteira de ações e esquecê-la por um longo período. Investir pressupõe investir sempre e dessa maneira aproveitar o melhor que cada momento proporciona.
Hoje, em sua coluna na rádio CBN, Mauro Halfeld aconselhou um ouvinte a enveredar por uma estratégia onde um percentual de sua carteira de oito anos em ações fosse transformado em CDB. Obviamente, é um caso específico onde a pessoa está prestes a se aposentar, mas a argumentação – que visa a segurança em momentos de crise – parece fundamentada e inteligente. Conheça também seus livros sobre educação financeira e investimentos.
Chegou o final de semana. Aproveite o tempo para se divertir com a família e com quem ama, mas separe alguns minutinhos para sentar e conversar com a família sobre finanças, dinheiro e educação financeira. O futuro de todos agradece.
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Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Ricardo Pereira
Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Olá Ricardo,
obrigado pela resposta no e-mail. Agora eu gostaria de extender essa dúvida para uma forma que acredito ser uma alternativa, mas conheço pouco e as informações disponíveis na web também não demonstram clareza.
O POP (Proteção ao Investimento com Participação) da Bovespa, parece ser uma boa forma de se proteger nessa fase.
Eu gostaria de ter um artigo mais detalhado a respeito, com definições práticas, especialmente.
No portal disponível no site da Bovespa, não há demonstrações claras de funcionamento e valores de limite, etc.
Obrigado :)
Olá Marinho tudo bem?
É sempre um prazer conversar com os amigos por e-mail sinta-se a vontade para escrever sempre.
Veja só o POP já teve um breve artigo postado pelo Navarro em 2.007 http://dinheirama.com/blog/2007/03/26/popstar/
Vamos anotar sua sugestão de pauta e logo escreveremos sobre o assunto com mais detalhes.
Muito obrigado pelo apoio e força de sempre.
Abraço
o.O
E olha que eu pensava que era um exagero ver blogueiros do Iniciante na Bolsa de Valores, Mensalinho, etc. dizerem quase a todo instante coisas como "não nos responsabilize por seus investimentos mal-feitos" e similares.
É muita fraqueza responsabilizar os outros por uma besteira que você mesmo comete.
Mas enfim, acho que esta notícia pode ajudar a pensar.
[...] Nos últimos dias tenho recebido diversos e-mails e comentários de leitores preocupados com o atual... [...]
Olá Ricardo.
Ouvi dizer (no Jornal Hoje da Globo) que existem corretoras que administram carteiras de ações, sem que o investidor tenha que se preocupar em comprar e vender suas ações. Que isso fica a critério dos analistas da corretora.Cobrando por exemplo uma taxa de 3% ao ano. Até onde isso é verdade? e se for vale a pena?