O Brasil é conhecido mundialmente por centenas de coisas positivas, como a rica mistura cultural, a hospitalidade e, de uns tempos pra cá, pelo bom ambiente para os negócios. Ops, a palavra-chave negócios, independente do momento, é também responsável por aquele que é tido como um dos mais graves entraves ao crescimento do país: a alta carga tributária. É imposto para todo lado, para tudo e para todos.
Empresário ou apenas consumidor, o brasileiro reclama dos altos impostos cobrados em produtos e serviços. Com razão. O país, seja no âmbito municipal, estadual ou federal, arrecada muito, mas parece pouco eficiente na utilização desses recursos. Você sabe quanto os impostos representam ao fazer suas compras? Quanto do valor do carro popular zero quilômetro é tomado pelos impostos? E uma simples lata de refrigerante?
Isso traz outro questionamento importante: em se tratando de impostos, será que os governos fazem bom uso da arrecadação? O exercício de cidadania proposto a partir destas perguntas faz falta aos empresários brasileiros que abrem seus negócios sem levar em conta o impacto tributário. O mesmo acontece com o simples consumidor. Afinal, quem somos nós diante dos impostos?
A Ipsos realizou uma pesquisa em maio deste ano e descobriu que não estamos sozinhos diante da “ignorância tributária”:
- 83% dos consumidores não têm idéia de quanto da renda é destinada para os impostos;
- 86% dos entrevistados concordam que a qualidade dos serviços prestados pelo governo (saúde, educação etc.) é inferior ao que se espera;
- 95% consideram que há desperdício de dinheiro público.
Os dados resumem bem o sentimento do brasileiro. Nosso dinheiro é arrecadado de forma pouco transparente e é muito mal utilizado. Em recente reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o consultor tributário Clóvis Panzarani disse que:
“Nos países nórdicos, a carga tributária chega a representar quase 50% do PIB (no Brasil equivale a 38%) e ninguém reclama, porque há retorno para a sociedade por meios de serviços de saúde, educação. Aqui isso não acontece. Além de pagarem elevados impostos, os consumidores têm de pagar convênio médico e escola particular. O retorno do que a sociedade paga de impostos não é proporcional.”
Outro estudo da Ipsos, realizado a pedido da FIESP, revela que 39% das pessoas apontam a corrupção como principal fonte dos desperdícios do governo. Pagamento de altos salários (30%), gastos desnecessários com prédios públicos (16%) e máquina pública inchada (12%) foram outras causas muito citadas.
Certo, mas quanto pagamos de impostos nos produtos?
A ACSP (Associação Comercial de São Paulo) criou o Feirão do Imposto, um site onde é possível ver a partipação dos impostos nos preços de diversos produtos e também na arrecadação das três esferas de goveno. Quer ver alguns exemplos?
- O imposto representa 27,1% do valor de um carro popular zero quilômetro;
- No caso do refrigerante, a fatia é de 47%;
- Para a cachaça, a fatia é de 83,07%.
Consulte a tabela do Feirão do Imposto e confira outros produtos e seus percentuais. O país arrecada boas somas com os impostos, mas não os transforma em serviços de qualidade. Nas palavras do economista Emílio Alfieri, da ACSP, “o Brasil tem uma carga tributária de Primeiro Mundo com serviços de Terceiro Mundo”.
O Brasil e sua vizinhança
Por conta do imposto alto, os brasileiros acabam pagando mais que seus vizinhos (Chile e Argentina) em diversos produtos. Pesquisa do Instituto Gfk dá conta de que ao redor do país a carga tributária é menor: 19% no Chile e 29% na Argentina.
O que chama a atenção na pesquisa é que o número de concorrentes em setores como eletrodomésticos e eletroeletrônicos é maior nesses países. A carga tributária mais baixa facilita a concorrência e diminui os preços. Por exemplo, uma TV LCD de 40 polegadas custa, em média, US$ 848,00 no Chile. No Brasil, o valor é de US$ 1727,00. Lá são 33 marcas de TV disponíveis no mercado. Aqui são apenas 16.
Mas também é verdade que a combinação de dólar baixo, aumento de escala de produção e evolução tecnológica tem trazido preços cada vez mais baixos também por aqui, como ressalta a revista Exame desta quinzena. O Brasil está melhor que a Argentina (ufa!). No fundo, tudo que queremos é transparência nos gastos públicos e serviços de qualidade. Será que é pedir muito?
Crédito da foto para stock.xchng


















Provavelmente é.
Uma pena, mas é quem a gente bota no poder que perpetua essa merda.
A economia brasileira é uma caixinha de surpresas, podemos dormir rico, e acordar pobre, e se formos dormir pobre acordaremos mais pobres ainda. O grande problema é que no Brasil não existem bons administradores do dinheiro público, e quem arca com as consequências é o consumidor, uma economia que enriquece banqueiros e sustenta um batalhão de funcionários públicos que parecem lobos selvagens ensima da sociedade que tem que pagar cada vez mais impostos para sobreviver num país onde a máquina pública gasta o dobro do que arrecada. O PIB brasileiro chega em torno de 1 trilhão de reais, e o governo gasta aproximadamente 1% desse dinheiro com a população. E o caos continua a assombrar o nosso bolso……
Prezado,
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Essa matéria, como de comum na discussão de carga tributária, é completamente enganosa. A primeira regra de carga tributária é olhar valores com base per cápita, e não bruta como no artigo. Aqui vão os números reais:
Noruega:
- PIB: US$ 335,3b
- Pop: 4.752.735
- PIB per cápita: US$ 70.548
- Carga tributária per cápita: US$ 35.274
Brasil:
- PIB: US$ 1.313b
- Pop: 186.757.608
- PIB per cápita: US$ 7.030
- Carga tributária per cápita: US$ 2.671
Como se espera o governo brasileiro fornecer o mesmo tipo de serviços (educação, saúde, segurança, infra-estrutura…) da Noruega com 1/13 da carga tributária? Impossível.
Está certo que o governo brasileiro é mais corrupto, mas somente com muita imaginação e eficiência será possível dar ao povo a qualidade de vida perto do nível nórdico. O Brasil precisa de muito crescimento econômico para ser comparado à Europa.
O que é certo é que a carga tributária é a mínima possível para fazer um país do porte do Brasil funcionar. Favor parar de reclamar, e começar a participar na verdadeira melhora do país. Pague seus impostos em dia.
Rafael, que raios de opinião é essa? Pagar impostos pra alimentar um governo corrupto? A última coisa que pode ajudar o Brasil agora é colaborar com a perpetuação desse mecanismo gerador de pobreza que a mídia insiste em chamar de “governo”.
Se meus impostos fossem usados pra saúde ou educação, eu pagaria impostos com prazer. No estado atual, eu sonego todos os que tiver oportunidade. Não alimente o golpe.
Não é opinião, é matemática.
Parabéns Jello. São exatamente pessoas como você que afundam o país a décadas. Ricos ficam mais ricos, e pobres ficam mais pobres.
Me explique como é possível dar boa educação, saúde e tudo mais com $2.671 por pessoa? Isso cobre o equivalente aos custos de escola particular, planos de saúde, previdência, e tudo mais? Nem de perto.
[...] O Brasil é conhecido mundialmente por centenas de coisas positivas, como a rica mistura cultural, a… [...]
Rafael, e como, exatamente, pagar os impostos em dia vai ajudar o país a melhorar? Se o valor é insuficiente como você afirma, pagar em dia não muda nada, pelo contrário, afinal, quem paga em atraso paga com juros e multa portanto paga mais, o que na sua visão acaba sendo mais interessante.
Tenho certeza que o problema é a má gestão do dinheiro arrecadado. Há histórias suficientes de hospitais sendo construídos superfaturados e a subsequente falta de contratação de pessoal e falta de equipamentos para fazer o hospital funcionar. O mesmo com as escolas. Hoje em dia ninguém mais quer ser professor, principalmente de escola pública, devido não só aos baixos salários (agora vai passar a ser R$950,00, o mínimo para a carreira) mas ao sucateamento das escolas. Se ao invés de se construir pontes monumentais como essa aberração nova em São Paulo, o dinheiro fosse investido em outras áreas mais relevantes (saneamento, educação, saúde), certamente a qualidade de vida seria bem melhor. Aliás, como já foi. Houve época no Brasil em que estudar nas escolas públicas era tão bom ou melhor do que nas particulares (que eram ainda poucas e não tinham como objetivo principal fazer novos ricos e sim educar corretamente). Certo que a população era menor, mas a arrecadação era proporcionalmente bem menor também e isso era possível.
E a culpa disso tudo é da sociedade que não exerce controle sobre a administração pública como é seu direito e dever. A democracia sazonal do brasileiro é de dois em dois anos, por um dia, o de eleição. E só.
Eu acho que em matéria de administração realmente é caótico, mas o povo colabora demais com a própria falta de inteligência, interesse, vergonha, o governo sai do povo, e quanto pior mais o povo gosta, mais é reeleito, o que pode demonstrar a amnésia nacional. Ou será que ninguém poderia colocar em voga as merdinhas feitas pela gestão anterior para que não caísse tanto no esquecimento o tipo político que outrora estava administrando o seu dinheiro?