Cheque especial e cartão de crédito pra quê?
Publicado por Conrado Navarro em 08.07.2008 na seção Economia Geral, Educação Financeira
Em recente conversa com um conhecido, surgiu uma insossa discussão acerca do cheque especial. Ouvi, no calor de debate, que cheque especial e cartão de crédito não são como um empréstimo “normal”. Normal, como assim normal? Empréstimo significa pegar dinheiro dos outros e devolver com juros, certo? Quanto mais fácil o dinheiro chega, mais caro fica o prêmio. Simples assim.
O coro ganhou força e a conversa finalmente terminou em algo que deveria ser óbvio e, por isso, totalmente evitado: a facilidade oferecida pelo cheque especial ou pelo rotativo do cartão de crédito é o grande “diferencial” dessas modalidades, o que torna tais alternativas caríssimas. Até aqui, nenhuma novidade.
Advinhe qual é o primeiro recurso usado pelos endividados? Pois é, um dos mais caros, o cheque especial. Ora, dinheiro do cheque especial é empréstimo sim senhor. Mais, usar crédito fácil implica disposição (mais dinheiro ainda) para pagar caro pela “facilidade”. Admira que para uma parcela da população a coisa se transforme em uma bola de neve e termine quase sempre em enorme desespero?
Confesso estar me sentindo, mais uma vez, repetitivo. Mas o alerta é importante e algumas estatísticas comprovam que minha chatice e insistência ainda são necessárias. Antes dos números, a regrinha básica do uso consciente do crédito: dinheiro fácil é dinheiro caro. No final das contas, dinheiro caro custa muito mais do que só a dívida financeira. Quem vive a realidade de pessoas endividadas sabe do que estou falando.
Que tal alguns fatos recentes?
O financiamento caro (leia-se cheque especial e cartão de crédito) está com tendência de alta, conforme registra matéria recente do jornal Valor Econômico:
- O saldo do cheque especial subiu 20% nos primeiros cinco meses do ano, chegando a R$ 15,6 bilhões;
- No mesmo período, o uso do rotativo do cartão de crédito cresce a uma taxa de R$ 16%, para R$ 19,9 bilhões.
Como fica a inadimplência?
Os atrasos para pessoas físicas passaram de 7% em dezembro, para 7,3% em maio. No cheque especial, houve queda de 10,6% para 8,9% no período. Será que a queda representa mudança de consciência nos brasileiros? Tomara que sim. São boas notícias, sem dúvida, mas que tal falarmos do cartão de crédito? Nossa, a inadimplência no rotativo se aproxima dos 25%. É muita gente devendo!
Fuja do dinheiro fácil!
As dicas para evitar as armadilhas do crédito caro são simples, como você já deve imaginar. Aliás, a grande maioria delas (todas) você já conhece. Que tal colocá-las em prática ou fazê-las chegar a quem precisa de uma mão amiga?
1. Evite os estabelecimentos com fachadas muito coloridas e insinuantes, que normalmente trazem cartazes ou anúncios do tipo “Dinheiro fácil, entre aqui”. Este tipo de dinheiro é tão perigoso (leia-se caro) quanto o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito. Costumo dizer que o templo do dinheiro não são os bancos ou financeiras, mas o trabalho e a disciplina;
2. Investigue alternativas mais baratas de crédito e use-as para cobrir eventuais dívidas muito caras que estejam em andamento. Se você deve no cartão, então paga cerca de 10% ao mês de juros. Não sabia? Ora, busque um empréstimo tipo CDC, por exemplo, e troque a dívida muito cara por outra mais barata. Evite ao máximo usar o limite do cheque especial;
3. Ah, sim, prefira poupar e comprar à vista. A dica clássica, mas essencial. Dê um tempo para o consumismo e para as expectativas da sociedade. Pense mais em você e em seu futuro financeiro, coisa que a sociedade, seja lá o que ela represente, não faz - e não fará - por você.
Consumo consciente significa mais do que apenas comprar o necessário. Significa comprar o necessário em condições comerciais favoráveis, inteligentes para o seu bolso e que não prejudiquem seu fluxo de caixa futuro e seus investimentos. Você pode!
Crédito da foto para stock.xchng
Artigos relacionados
Assine os feeds
8 comentários
Deixe um comentário
Os comentários e o teor das palavras aqui colocadas são de total responsabilidade de seus autores. Serão sumariamente excluidos os comentários publicados com e-mail anônimo (ou falso), de cunho preconceituoso ou racista ou que não estejam de acordo com o mínimo bom senso. Se quiser criticar, deixar sua mensagem de descontentamento ou desprezo faça-o usando seu nome e e-mails verdadeiros. O Dinheirama reserva o direito de publicar e(ou) apagar qualquer comentário que julgar inoportuno. Participe com decência da discussão! Obrigado.





















Parabens pelo site, visito ele sempre e tem contribuido muito para as minhas finanças. Hoje fui tranferir uma conta de uma agencia para outra (do mesmo benaco) e a moça me ofereçeu um titulo de Capitalização !! Como acompanho o site a tempos, sei q essa é uma furada !! Eu agradeçi a ela, mas começei a dar risada!! Penso em comprar titulos publicos, aliás , este poderia ser um tema interessante para discutirmos não ??
Abraço!
Gostei do artigo, é sempre bom lembrar o arroz com feijão das finanças pessoais: evite sempre pedir dinheiro emprestado, tenha um bom orçamento, SIGA este orçamento, e se precisar financiar algo, prefira poupar de antemão e pagar a vista.
Foi o que fiz para comprar meu computador: planejei comprar um mac em maio, comecei a poupar desde setembro do ano passado. Assim, fui guardando a cada mês o dinheiro em um fundo DI, rendendo um pouquinho, além de, na hora da compra, conseguir um desconto de 5% por ser uma compra à vista, outros 5% por ser em dinheiro vivo e ainda aproveitei uma promoção de queima-de-estoque! Resultado: não só economizei R$440,00 reais, como também evitei pagar juros.
Dicas simples e essencias, pena não ser seguidas pela maioria da população.
Decidi reformar meu quarto em Outubro/2006, mas em vez de comprar tudo no cartão e ficar devendo um ano inteiro, comecei a poupar e, somente em Junho desse ano é que finalmente consegui reformar o quarto. Porém, comprei todo o material a vista, consegui desconto de 5% e também paguei a mão-de-obra a vista. Resultado: ganhei descontos e não devo nenhum centavo a ninguém. Fui consciente, tive disciplina e tracei objetivos, sem contar a calma e paciência.
O mais engraçado é que, como as pessoas tem o hábito de sempre comprar tudo parcelado, etc, todos os meus familiares e amigos acharam que eu realmente tava com muito dinheiro, sendo que só consegui fazer isso graças ao planejamento financeiro - livre do juros do cheque especial e cartão de crédito.
Parabéns pelo site Conrado, tem sido de grande valia pra mim.
Um grande abraço!
O site é maravilhoso!!!! Como mencionado por FloripaSP nunca é demais lembrar aos leitores o básico acerca do planejamento financeiro e da necessidade de se fazer um oçamento. Tenho acompanhado diariamente os textos e verifico que são de grande valia para todos que procuram se planejar e tentar seguir um futuro sem dívidas, mas com investimentos crescentes.
Parabéns Navarro, Sucesso.
Olá Navarro,
Me senti a pessoa mais inteligente do mundo ao ler este artigo!!
Não estou incluída nas pesquisas com devedores tanto no cartão de crédito quanto no cheque especial, sendo que uma parcela do meu mérito eu devo a você.
É assim que a gente se sente quando começa a realizar nossos desejos com base no planejamento e disciplina…muito inteligente!
Um grande beijo
Sandra
Perfeito seu entendimento, se as pessoas vissem as imagens, entendessem os conceitos sob outro forma, ou seja a real, a mais simples, mutas vezes escondidas, poderiam usar melhor e conduzir seus interesses de forma menos onerosa, menos drástica.
Sim, os bancos cobram mais caro pelo empréstimo mais fácil de todos, o cheque especial, um simples rótulo para a cenda da mercadoria mais desejada, o dinheiro.
Parabéns pelo site.
Outro comentário, solicitei ao banco onde sou cliente, que eu não queria cheque especial, e que deveriam cancelá-lo. O gerente do banco relutou, disse que não havia jeito e que todas as contas tinham um valor pré-aprovado, em 2003 de R$ 200,00.
O banco tentou aumentar 3 vezes, mandou cartão de crédito etc.
O pior é que algumas pessoas caem em tentação, e lançam mão deste recurso, e se afundam novamente em dívidas.
eu me afundei igual a muita gente por aí,mas entao aprendi que o consumismo desenfreado tem alto preço alem do preço das etiquetas,mas estou na luta,to quase pagando todo,a minha saida foi quebrar os cartoes,fiz emprestimo consignado a menos de 2%,paguei as faturas e estou a 3 meses de quitar as parcelas,to quase la,mas vou ficar sem decimo terceiro,vou quitar tudo e voltar a viver em paz.