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Inflação: definição e glossário para leigos

Publicado por Conrado Navarro em 15.7.2008 na seção Economia Geral

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Inflação: definição e glossário para leigosCarlos comenta: "Criadores do Dinheirama, tanto vocês quanto diversos veículos especializados têm falado muito sobre a inflação, sua corrosiva ação sobre nosso dinheiro e seus perigos enquanto fenômeno econômico. No entanto, alguns leitores, como eu, não conhecem a definição clássica para inflação e os principais índices usados para medi-la aqui no Brasil. IPCA, INPC, IGPs, pode esclarecer algo sobre isso? Obrigado."

É verdade! Dedicamos muitos artigos ao fenômeno da inflação, mas não nos concentramos em explorá-lo conceitualmente ou em sua esfera prática de análise e aferição. A definição clássica da inflação pode ser traduzida pelas palavras do Prof. U. W. Rasmussen, autor do livro "Economia para não-economistas":

"Há movimento inflacionário quando a demanda agregada aumenta mais rapidamente que a oferta agregada, gerando um aumento imediato nos preços de produtos, commodities e serviços. Ou seja, a demanda agregada não é acompanhada por uma oferta agregada equilibrada que mantenha os preços estáveis"

Em suma, preços altos são geralmente ocasionados por uma oferta estacionada de produtos, cuja demanda encontra-se em níveis crescentes. É o caso presente das commodities e dos alimentos: muitos países em desenvolvimento puxaram a demanda com força e não há, ainda, capacidade produtiva (oferta) capaz de suportá-la.

Repare que, nestes casos, a economia[bb] muito aquecida - o que traduz-se na população consumindo bastante - favorece o aumento dos preços, já que só se vê aumentar a demanda. A produtividade, traduzida em oferta, não acompanha. Assim, a arma chamada elevação dos juros (alta da taxa Selic) deixa o dinheiro mais "caro", o que tende a esfriar o consumo.

Então, caro leitor, quando você ler que o governo está aumentando os juros básicos da economia para tentar frear a inflação, lembre-se: ele quer deixar o crédito mais caro e, assim, diminuir a facilidade de consumo (demanda). É uma atitude econômica clássica. Cabe lembrar que a inflação pode ainda surgir a partir de excessivos aumentos de salários ou monopólios, onde os preços são elevados sem que a produtividade seja afetada.

IPC, IPCA, IGPMs etc...
Os chamados índices de preços são ferramentas muito importantes para acompanhar a evolução da inflação e seu impacto diante de um grande número de variáveis. Os principais órgãos e instituições que medem a alta dos preços são o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a FGV (Fundação Getulio Vargas) e a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Recente reportagem do jornal Folha de S. Paulo detalhou alguns dos principais índices de preços usados no Brasil. Confira.

INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), aferido pelo IBGE:

  • Retrata a alta nos preços ao consumidor no país, para faixa de renda familiar entre 1 e 6 salários mínimos. É medido do dia primeiro ao último dia do mês;
  • É o indicador mais usado nas negociações salariais e serve para corrigir o salário mínimo;
  • Participa da fórmula para o cálculo do reajuste de tarifas de telefone;
  • 7,28% é a inflação acumulada em 12 meses (até junho) pelo INPC.

IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), aferido pelo IBGE:

  • Retrata a alta nos preços ao consumidor no país, para faixa de renda familiar entre 1 e 40 salários mínimos. É medido do dia primeiro ao último dia do mês;
  • É o índice usado como referência para as metas de inflação do governo;
  • Usado nos reajustes de aluguéis e outros contratos;
  • Participa da fórmula para o cálculo de reajuste de tarifas de telefone;
  • 6,06% é a inflação acumulada em 12 meses (até junho) pelo IPCA.

IPC (Índice de Preços ao Consumidor), aferido pela Fipe:

  • Retrata a alta nos preços ao consumidor no município de São Paulo, para faixa de renda familiar entre 1 e 20 salários mínimos. É medido do dia primeiro ao último dia do mês;
  • É utilizado como indexador de aluguéis e contratos privados e públicos;
  • 5,84% é a inflação acumulada em 12 meses (até junho) pelo IPC.

IGPs - IGP-DI, IGP-M e IGP-10 - aferidos pela FGV:

  • Retratam a variação dos preços ao consumidor, no atacado e na construção civil no país;
  • O que muda em cada um deles é o período de coleta. O IGP-M é coletado do dia 21 de um mês ao dia 20 do outro; o IGP-10, do dia 11 de um mês ao dia 10 do outro; e o IGP-DI, do dia 1o. ao dia 30;
  • No cálculo destes índices entram o IPA (preços por atacado), com peso de 60%, o IPC (preços ao consumidor), com peso de 30%, e o INCC (custos da construção), com peso de 10%;
  • O IGP-M é usado para reajustar aluguéis e contratos privados, além de alguns serviços de TV a cabo. É também um dos componentes do indexador dos contratos de energia elétrica e participa da fórmula para o cálculo de reajuste de tarifas de telefone;
  • O IGP-DI é usado como indexador das dívidas dos Estados com a União. Além disso, também reajusta contratos privados e aluguéis e participa da fórmula para o cálculo de reajuste de tarifas de telefone;
  • 13,44% é a inflação acumulada em 12 meses (até junho) pelo IGP-M;
  • 13,96% é a inflação acumulada em 12 meses (até junho) pelo IGP-DI.

Ufa! Conhecendo melhor a inflação e seus principais índices, você pode ficar mais atento em relação aos contratos que assina, às principais reportagens do noticiário econômico nacional e seus investimentos[bb]. Entender porque o Dragão assusta tanto é elemento fundamental para tentar mantê-lo adormecido (ou domesticado, como sempre querem os governos). Que tal? O artigo foi útil? Esperamos que sim. Até a próxima.

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Crédito da foto para stock.xchng


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Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças e é mestrando em Produção (Economia e Finanças) pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: twitter.com/Navarro

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11 comentários

  1. Imagem do comentarista
    anderson

    parabéns mais uma vez pelo post....
    vou pedir novamente para abordarem o seguinte assunto: como posso saber o quanto estou realmente ganhando em minhas aplicações? qual a taxa de juro que utilizo para reduzir do percentual q rende minhas aplicações?

    abs
    Anderson

  2. Imagem do comentarista
    Mauricio

    Esse post foi uns dos melhores.
    Explica e desmistifica o fantasma da inflação.
    Agora ficou tudo bem mais claro.
    O que acho mais absurdo é que sei que não era uma dúvida só minha. Vejo a "Ótima Bernades" todo dia na TV dizendo que o Governo vai aumentar as taxas de juros para domar a inflação e todos abrem a boca desesperados e não sabem o que realmente significa e nenhum desses meios de comunicação se compromentem em instruir e explicar o que de fato ocorre.

    Obrigado ;)

  3. Imagem do comentarista

    Incrível o artigo. Solucionou muitas das minhas dúvidas.

  4. Imagem do comentarista
    Daniel Pondé

    Sim, concordo com o Maurício. Esse post foi um dos melhores pois além de elucidar as idéias dos leigos digamos que "deu uma pincelada" naquilo que os "entendidos do assunto" ja sabiam. Parabéns!

  5. Imagem do comentarista

    Eu que vivi nos anos 70 e 80, já tinha me esquecido deste conceito...

    Abs,
    Marcelo

  6. Imagem do comentarista
    Fábio

    Excelente!

    É incrível como eu até hoje nunca soube direito o que é a dita inflação. Agora pronto, entendi de uma vez por todas.

    Parabéns pelo ótimo conteúdo como sempre.

  7. Imagem do comentarista
    Ricardo

    Nossa! Artigo extremamente útil e esclarecedor! Pude compreender melhor sobre a inflação e os principais índices praticados. Parabéns!!!

  8. Imagem do comentarista
    Ricardo

    TENHO UMA DÚVIDA: SABERIAM ME RESPONDER?
    Ok, entendi. Recapitulando: 1) quando há um aumento na demanda de consumo (população consumindo mais) e a produtividade fica estacionária, há um aumento nos preços dos produtos e serviços = inflação. 2) O governo tentar frear a inflação aumentando os juros, ou seja, tenta diminuir o consumo deixando o crédito mais caro. 3) O índice INPC retrata a alta dos preços ao consumidor, na faixa mais pobre da pop. (renda familiar entre 1 a 6 salários mínimos). É atraves do INPC que o salário mínimo é corrigido, certo? Aí que está: a correção do salário mínimo (aumento dele) vai aumentar o poder de consumo da pop. Mas aí dá inflação e para evitá-la o governo vai lá e CREU: dificulta o consumo, jogando os juros lá nas nuvens. ISSO VIRA UM CÍRCULO VOCIOSO... Sinceramente, não faz sentido pra mim…

  9. Imagem do comentarista

    [...] Para quem é mais jovem e não sabe nada sobre a tal da “inflação” que vem sendo destaque dos noticiários destes últimos dias, o Navarro lá no DInheirama, fala de forma simples a respeito de algo que até hoje é motivo de trauma em nossos pais e avós, a inflação. Leia o post “Inflação: definição e glossário para leigos“. [...]

  10. Imagem do comentarista
    fernando

    se possivel me dar uma bao informação sobre esta tema:«o impacto de preço na inflação do mercado».me pediram aquilo na escola e um trabalho investigativo.porfavor me ajude.obrigado.

  11. Imagem do comentarista
    Neto

    Por favor, se puderem me auxiliar, agradeço muito.

    Preciso saber a definição para CHOQUE DE RESERVA?

    Crato

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