O Índice P/L (Preço por Lucro) - Parte I
Publicado por Ricardo Pereira em 18.07.2008 na seção Ações
É comum recebermos e-mails de leitores com a seguinte pergunta: como saber se o preço de uma determinada ação está alto ou baixo? Como saber se a ação está mesmo barata? Já abordamos por aqui o básico sobre as análises fundamentalista e técnica (grafista), mas como podemos colocar em prática o que aprendemos?
André Motta, fundador do blog Trader Sem Mistérios e nosso colaborador, já escreveu um artigo no Dinheirama sobre a arte de precificar ações (valuation) e explicou alguns de seus indicadores mais importantes. Seu artigo é bastante didático e completo, ainda que não seja extenso do ponto de vista técnico.
Para facilitar o entendimento, tendo como foco principal o investidor comum (aquele que não possui acessos a relatórios exclusivos e nem tem tanto tempo para vasculhar a internet à procura de muitas informações), vamos tratar hoje de um dos principais índices da análise fundamentalista: o índice P/L (Preço por Lucro).
Definição
O índice P/L apura a razão preço por lucro de uma empresa. O preço é sempre o valor por ação que está listado na Bolsa. Lucro é o ganho por ação, ou seja, o lucro líquido da empresa dividido pelo número total de ações.
Um exemplo simples: suponha que a empresa XYZ tem ações cotadas na Bolsa a R$ 20 por ação e possui um lucro projetado, anualmente, de R$ 4 por ação. Para encontrarmos o índice P/L montamos a seguinte regra:
P/L = 20/4 = 5
O número resultante do cálculo, neste caso 5, demonstra que o acionista teria de volta, em 5 anos, o valor investido naquela ação. O índice representa a capacidade de gerar lucros para seus acionistas e é usado para precificar seu potencial diante de seu setor. É preciso lembrar que alguns cuidados precisam ser observados quando pensamos nos parâmetros dos cálculos:
- Use sempre o preço mais recente da ação, de preferência do último fechamento;
- O lucro deve ser o ganho por ação projetado para o fim do ano corrente. Por isso a importância das reuniões entre gestores e acionistas.
Também cabe frisar que o índice P/L deve ser usado como um comparativo entre diversas empresas. Se analisado sozinho, sua eficácia é duvidosa, já que não há ponto de referência para saber se o tempo de retorno do investimento é mais interessante que a de outras concorrentes.
A Revista InvestMais de julho, em matéria assinada pelo especialista Carlos Martins, destaca ainda que:
- O cálculo de retorno é feito sob a afirmativa de que todo o lucro é do acionista. Na prática, apenas um percentual dele vai para as mãos do acionista;
- Admite-se que o lucro da empresa será constante. Obviamente, isso pode ou não ocorrer;
- Não é considerado o efeito da inflação.
Uma importante ressalva: como o índice P/L baseia-se nos lucros para relatar o prazo de retorno do capital investido, ele só pode ser calculado para empresas que operam no azul, isto é, empresas que estejam auferindo lucros – e não prejuízos. O entendimento deste índice é muito importante para a correta análise das empresas no mercado de ações.
Termina aqui a primeira parte do artigo. Voltarei a escrever sobre o assunto na quarta-feira, dia 30/07. Lá discutiremos mais alguns exemplos práticos e a interpretação do resultado dado pelo índice. Bom final de semana.
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Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.
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6 comentários
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Fala parceiro, tudo jóia? Mais um ótimo artigo. Direto, objetivo e muito fácil de compreender, está ai o pontapé inicial para textos mais técnicos e voltados aos que já participam do mercado de ações. Parabéns e obrigado pela colaboração de sempre. Sucesso!
Grande abraço do amigo e admirador.
O dinheirama tem ajudado seus leitores a gastar melhor e a pensar com a disciplina de um investidor, em outras palavras, sinto como se tivesse aprendido os primeiros passos em direção à riqueza. Posts como este, “para iniciados”, mostram como continuar caminhando… Espero com ansiedade pela continuação e, se não for abuso, espero também pela série sobre Retorno Total ao Acionista (vale a pena focar em dividendos?) :o)
Um abraço!
Muiiiiiiiito bom! Fazem muita falta esses artigos claros sobre os índices da análise fundamentalista. Parabéns.
Só pra fazer uma comparação que normalmente não é feita, você pode calcular o PL também de renda fixa. Por exemplo, na poupança você tem o retorno de 6% ao ano. Você demoraria cerca de 16,6 anos pra recuperar o dinheiro investido (considerando juros simples, como é calculado o PL).
Essa forma de cálculo não é bem o PL mas te dá uma (das várias) forma de comparar o retorno de outras aplicações.
Só para dar uma adiantada, um índice na faixa de P/L = 10 é o ponto mediano. Valores acima disso são empresas que estão crescendo e há especulação que no futuro os lucros aumentarão; consequentemente as ações podem ser consideradas caras. Já quando o índice é menor que 10, as ações podem ser consideras baratas. Mas cuidado, talvés as ações estejam descontadas pois há espectative de diminuição dos lucros.
Vale lembrar que alguns setores operam com P/L mais altos (como varejo e informatica), e outros tendem a ser mais baixos (como bancos e empresas de infra-estrutura por exemplo). Sempre compare empresas parceridas para ter uma melhor idéia.
[...] e razão de bons retornos. Esta breve introdução tem razão de existir: hoje continuarei o artigo sobre o índice P/L, um dos principais índices fundamentalistas usados para analisar empresas e ativos. Afinal, [...]