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Como e onde o petróleo nos atinge?

Publicado por Mariana Prates em 31.7.2008 na seção Mulher

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Como e onde o petróleo nos atinge?O valor do barril de petróleo, na cotação internacional, tem batido recordes há meses. Em 2006, o Brasil havia atingido a tão sonhada auto-suficiência no petróleo, porém hoje ainda não há consenso sobre nossa real independência. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgou que, de janeiro a julho de 2008, o Brasil importou 14,9 milhões de barris de petróleo a mais do que exportou.

O que acontece aqui é que as plataformas nacionais de petróleo foram projetadas para processar petróleo leve (importado do Oriente Médio), enquanto a produção nacional é baseada no petróleo pesado. Isso faz com que a balança comercial seja negativa: o petróleo pesado, vendido pelo Brasil, é mais barato do que o nobre, importado. Pior: a projeção da Petrobrás é que esse déficit só será zerado em 2010.

Portanto, é necessário entender como o nosso bolso[bb] é e será afetado. Ao contrário do que muitos imaginam, não é somente o combustível que pode pesar, e sim um universo muito amplo de produtos, como asfalto, óleos, parafina, solventes, etc. Neste artigo vou falar sobre os amigos das mulheres: os cosméticos.

O petróleo está presente no processo de fabricação de cremes, xampus, condicionadores, maquiagem e etc. Derivados do petróleo mantêm a consistência dos batons, gloss e protetores labiais, fixam os produtos em pó na pele, dissolvem esmaltes, evitam a degradação rápida dos produtos, formam espuma e garantem a emoliência e a umectância. Além disso, o petróleo é matéria-prima para as embalagens plásticas.

Por esses motivos, a indústria mundial de cosméticos tem ficado de olho nos impactos do aumento do petróleo e tem lançado no mercado produtos alternativos, que visam não só driblar os custos cada vez maiores, mas também diminuir o impacto ambiental[bb]. Por exemplo, muitas empresas têm lançado produtos chamados “refil”, onde você compra a embalagem completa somente uma vez. Quando o produto acaba, é necessário comprar somente o produto e não o kit completo.

Para quem ainda não percebeu, grande parte dos fabricantes de cremes faciais trocou a embalagem plástica pela de vidro. As empresas estão aliando a necessidade que o mercado exige - de ter uma política de responsabilidade social[bb] - com a economia de se usar outros tipos de recipientes e embalagens.
Do outro lado, na demanda (que somos nós), ações também devem ser tomadas, como:

  • Trocar produtos importados. Empresas nacionais ou até mesmo multinacionais que instalaram fábricas no Brasil estão bastante competitivas e têm lançado produtos com tanta qualidade quanto os importados. E não podemos esquecer também das revendedoras – aquelas que andam com um catálogo debaixo do braço;
  • Abraçar a idéia dos produtos com refil. É uma ótima idéia;
  • Escolher produtos substitutos. Por conta da alta competitividade, as promoções estão cada vez mais comuns, e assim é possível sempre comprar com preços melhores;
  • Utilizar produtos artesanais. Nós sempre temos uma amiga que faz sabonetes, cremes, velas e etc. São ótimas opções baratas e ainda dá para fazer “pacotes” com preços mais baixos;
  • Juntar um grupo e comprar produtos nas perfumarias que vendem no modelo de atacado. A diferença de preço é muito significativa.

Por último, mas não menos importante, bom-senso. Não há necessidade de ter diversos cremes no armário. Conheço pessoas que adoram comprar potes novos, com cores bonitas, embalagens modernas e abrem sem ao menos acabar com o produto que já estavam usando (e que já era ó-t-i-m-o!).

Pequenas mudanças no dia-a-dia podem não fazer diferença no curto prazo, é verdade. Porém, no longo prazo a economia é grande. A conjuntura atual não é muito favorável, pelo menos para aqueles que contam um salário mensal que sempre poderia ser maior. Mas ainda é possível manter uma rotina financeira saudável, contanto que alguns pontos sejam ajustados. Que tal abraçar essa idéia?

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Mariana Prates é economista pela PUC-SP e pós-graduanda em Administração de Empresas pela FGV. Trabalha em precificação de Empréstimo em Folha e adora fazer planejamento financeiro para amigos e familiares.

Crédito da foto para stock.xchng.


Imagem de Mariana Prates

Mariana Prates

Economista pela PUC-SP, pós-graduanda em Administração de Empresas pela FGV e autora do livro "Dinheirama" (Blogbooks). Trabalha no departamento comercial da Editora Novatec e adora fazer planejamento financeiro para amigos e familiares.

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5 comentários

  1. Imagem do comentarista
    Ádamo

    Prezada Mariana,
    Boa sorte nos seus artigos.
    Interessante vc falar no 2º ou 3º milhão na descrição de seu perfil. Afinal, a inflação tá braba, logo 1 milhão de contos não vai dar pra muita coisa não.
    abraço,

  2. Imagem do comentarista

    [...] post que acabo de ler no dinheirama.. Recomendo a todo visitarem este blog e adicionarem o RSS deles… extremamente de primeira [...]

  3. Imagem do comentarista
    Rhamile

    Oi Mariana,
    Agradecemos a a sua colaboração.

    Rhamile.

  4. Imagem do comentarista

    Na verdade, o preço alto do petroleo atinge toda a hierarquia de produtos. Desde o sub-produto dele, até qualquer coisa que se movimente através de meios que utilizam gasolina/diesel.

    Essa cadeia toda mostra a extrema dependência em que nos encontramos, e apenas agora (meio tarde) começou-se a pesquisar alternativas. O problema é que até o desenvolvimento economicamente viável, e a queda do lobby do petroleo, o negócio vai longe, e a gente vai pagar mais caro.

    Uma complementação, o plástico da embalagem é a ponta do iceberg, porque existe muito plástico que a gente nem lembra, que vai ficar mais caro também (qualquer eletrodoméstico, informática, carros e etc). O troço vai ser feio no futuro.

  5. Imagem do comentarista

    Mari Mari...
    Acho que vc falou de mim quando mensionou as mulheres que tem vários cremes no armário e começam a usar outro sem que o primeiro tenha terminado... Ai!!!!

    Amiga, vc tem toda razão quando diz que temos que ter um consumo consiente, pq mais do que ter dinheiro pra comprar, precisamos lembrar do impacto ambiental que vive nossa humanidade.

    Tenho aprendido muito com os artigos que vc escreve!

    Continue nos presenteando com artigos de qualidade, sempre com assuntos importantes pra nossa sociedade!

    Beijos querida,

    Daniella Galliani

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