Sobre plano B, crises e oportunidades
Publicado por Ricardo Pereira em 13.08.2008 na seção Ações, Risco e Retorno
As recentes e já duradouras perdas que muitos estão enfrentando com a bolsa de valores trazem à tona um detalhe importante: quando miramos e executamos um bom planejamento financeiro pessoal, sempre há a necessidade de um plano B. Qual foi a última vez que você pensou nisso? Plano B, será que isso é mesmo relevante?
Saber perder, ou melhor, aprender a absorver a perda sem graves seqüelas é tão ou mais importante do que encontrar bons negócios através da sorte e dicas de investimento. O raciocínio é simples: a lição aprendida com uma queda vale para vida toda. Já a sorte, bom, ninguém consegue contar ela para sempre, não é?
Cuidado com a sorte e o excesso de expectativas!
Sabendo que o mercando financeiro não é um cassino, prefiro ver a sorte como um componente nem sempre fundamental para os bons negócios. Aliás, sorte no mercado de ações, para mim, é estar bem informado e atuando de forma completamente consciente. Por isso, procuramos sempre recomendar muito estudo e análise nos passos que podem levar na direção da independência financeira.
Muitos amigos que amargam resultados negativos esse ano embarcaram na onda do mercado de capitais esperando altas rentabilidades sem nenhum tipo de esforço, baseando-se apenas nas chamadas sensacionais, ou melhor, sensacionalistas de muitas revistas e publicações “especializadas”. Isso não é novidade. Prometiam-se ganhos fáceis, mas jamais a instrução de qualidade foi colocada como requisito indispensável para a vitória final.
Pior, ao imaginar apenas o sucesso fácil, ninguém se preparou para uma eventual reviravolta. E foi justamente isso que aconteceu. Aqui, recomendamos sim o investimento em ações, mas com foco no longo prazo e sempre pregando que a formação de opinião e a decisão fossem tomadas de forma consciente e embasada.
Cenário volátil no curto prazo
A crise norte-americana se mostrou maior do que muitos imaginavam e contaminou o resto do mundo. A tira colo, chegou por aqui o fenômeno inflacionário mundial, graças à alta especulação com o petróleo e ao aumento no consumo dos alimentos. O mercado de commodities, nas alturas por alguns meses, parece dar mostras de “cansaço”. Ainda temos um bom momento de volatilidade para atravessar, mas isso não se traduz apenas em más notícias.
Quem percebeu e estudou o cenário que teríamos pela frente resolveu investir por enxergar nessa crise grandes e boas possibilidades. Para essas pessoas, o planejamento e a pré-disposição em alongar para o futuro ganhos de peso são fatores importantes. Se a baixa vai perdurar por muito mais tempo? Difícil saber. Até quando a crise vai nos assolar? Difícil dizer.
Vejo, aqui e acolá, muitos investidores já chegando perto de assumir o prejuízo e resgatar o investimento. Cabe uma observação: o prejuízo só se concretizará quando você decidir se desfazer dos papéis e abandonar o investimento (vender suas ações). Caso contrário, você continua na luta e participando das oportunidades.
No que se fundamenta a necessidade de um plano B?
Se estamos conversando sobre eventuais possibilidades no atual cenário brasileiro, onde entra o tal plano B? A resposta é simples: o plano B consiste em vislumbrar possibilidades alternativas, ainda no planejamento, capazes de deixá-lo preparado caso surja algum tipo de problema. Se para nosso cotidiano precisamos sempre ter uma saída, imagine o que a falta de preparação pode fazer quando é nosso capital que está em jogo.
Transportar isso para o universo do investimento significa enxergar o investimento em bolsa de uma forma simples: todos deveríamos ter uma estratégia de saída, não é mesmo? “Se ganhei X% eu saio, se perdi Y% realizo a perda e evito maior exposição”. Assim aprendemos, com artigo sobre stop loss e stop gain, mas a prática não segue esta lógica.
Tudo bem, o investidor consciente enxerga na crise grandes possibilidades. Warren Buffett, ótimo exemplo para ilustrar este artigo, enfatiza que é nas crises que se encontram as melhores oportunidades. “Prepare-se para elas”, ele costuma dizer.
George Soros, outro guru!
Hora do exemplo prático. Enquanto muitos lamentam a queda das ações da Vale, Soros admite que ele é um de seus ativos preferidos. Segundo matéria do Infomoney, os ativos da mineradora fazem parte da carteira do Quantum Fund. Ah, impossível não se lembrar daquela máxima que diz: “Fique ao lado dos vencedores”. Começa outra discussão: Soros é um investidor ou um especulador? Os dois?
Pois é, meu objetivo é mesmo fazê-lo pensar. Sozinho de preferência. Falei da crise, do cenário que vai continuar volátil, de figuras importantes, mas também falei de possíveis oportunidades. Tudo faz parte da reflexão sobre investir, ter um plano B e manter o sangue frio para aproveitar determinados momentos e crises. Para finalizar, algumas dicas:
- Defina períodos onde a análise de seu investimento seja testada, estude e mude sua carteira se necessário de tempos em tempos;
- Defina novos projetos e metas estabeleça o que é necessário para chegar lá. Mas tenha um plano B;
- Crie uma reserva financeira que lhe permita manter seus investimentos mais arriscados por um prazo maior, aceitando que uma crise pode atravessar seu caminho;
- Aprenda a admitir as derrotas, antes que seja realmente tarde. Vale o famoso axioma: “Valorize as pequenas perdas a fim de evitar as grandes”.
Como não poderia deixar de ser, aprenda a compartilhar as boas informações, o conhecimento e os ensinamentos que adquiriu e adquire diariamente. Só assim, além de novas amizades, muitas portas e oportunidades aparecerão, com ou sem crise. Até sexta!
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Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.
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11 comentários
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Essa crise é de tirar qualquer um do sério. Mas vejo o longo prazo como saída. É a melhor forma de recuperar o que foi perido. Que nem você mesmo disse Conrrado
“o prejuízo só se concretizará quando você decidir se desfazer dos papéis e abandonar o investimento”. Acredito que uma da razões de algumas pessoas se desfazerem dos seus papéis é a falta de planejmento, no sentido que ela não se preparou para perdas, acreditando que haveria apenas ganhos. Além disso outra exemplo de falta de planejamento é a pessoa ficar contando com aquele dinheiro investido para uma possível emergência. Ai não tem jeito mesmo.
parabéns pelo texto.
abraço
Daniel, obrigado pela visita e comentário. Estou como você, concordo que a visão agora deva ser de longo prazo e é nisso que estou apostando também. Apenas uma correção, o autor do artigo é o Ricardo, nosso editor de economia.
Ricardo, meu amigo, estamos juntos nessa. Concordo com sua visão e creio que existam sim algumas boas oportunidades, mas confesso estar meio assustado e com medo de muita gente “afinar” para o longo prazo e resolver realizar, o que levaria o mercado ainda mais para baixo. Vamos que vamos.
Abraços.
Ricardo, adorei o artigo. Comecei a investir na bolsa há poucos meses e perdi cerca de 10% do meu capital. Mas acho que entrei num momento interessante. Não lamento, pois essa perda está me forçando a estudar muito e adquirir o conhecimento necessário para sobreviver na Bolsa. Também creio que a longo prazo o balanço dos meus investimentos irá fechar positivo! =) Abraço!
Amigos do Dinheirama, boa noite. Muito obrigado pela participação através dos comentários. O feedback é indispensável.
Daniel, acho que você matou a charada. No momento o crucial é manter o foco e o planejamento. Trabalhar no longo prazo em cima dos objetivos.
Amigo e parceiro Navarro, o interessante de tudo isso é que podemos afirmar que a “coisa” só não foi pior, pela participação das pessoas fisicas no mercado, que estão segurando a peteca. Sinal dos tempos, agora é esperar e ver o resultado pois de certa forma essa participação em massa é reflexo de informações de qualidade ao alcance de todos. Nesse ponto, o Dinheirama contribuiu e incentivou a participação de mais pessoas, sempre lembrando que a preparação é indispensável para alcançar o sucesso.
Ana Paula, perder faz parte do jogo não é? Mas no seu caso lembre-se que o importante é alcançar o objetivo final, que é o longo prazo, se continuar com a mesma disposição em se aperfeiçoar e estudar o mercado, tenho certeza que seu balanço trará resultados agradáveis.
Abraços
Olá, Enquanto lia este artigo do Pereira lembrei do único livro que li até agora voltado exclusivamente sobre mercardo de renda fixa:”Bem-vindo à Bolsa de Valores”, Piazza. Parece-me que foi escrito bem na época da euforia, dos grandes ganhos divulgados na mídia. O livro contagia aqueles menos esclarecidos, dá impressão que é muito fácil ganhar com a Bolsa. Em vários trechos do livro, o autor faz referências dos recordes do IBOVESPA, dos vários IPO que aconteceu em 2007 e que “isto é real”, dando a impressão ao leitor que certamente tudo isso acontecerá novamente, basta saber operar os stops. Em nenhum momento ele fala que estes ganhos extraordinários devem-se a um momento ímpar na economia mundial, onde por menos experiente que o investidor fosse, este teria grandes ganhos. É preciso ter dicernimento e bom senso ao ler estes livros e artigos especializados, ter cuidado para não se deixar se influenciar por qualquer opinião, principalmente quando estas aparecem de forma tão simplista como o livro citado.
abraços a vocês e obrigado pelo espaço.
Ádamo.
Errata: Parece óbvio o erro, mas onde escrevi “renda fixa”, leia-se “renda variável”.
Estou por demais feliz com essa crise, mas é melhor eu falar isso baixinho antes que eu apanhe de alguém que venha a escutar isso… Pra mim está sendo muito bom pois sempre apliquei 50% do meu potencial mensal em ações enquanto estamos em alta.. e agora, precisamente quando a bovespa perdeu o suporte dos 58.000 pontos eu simplesmente entrei com toda alavancagem que tinha na manga. Agora é só esperar e ter paciência. Quando subir, é só realizar o montante alavancado e comemorar. Fica aí uma dica pra todos.
Ola pessoal. Estou comecando agora a entrar na bolsa! Na verdade, vou fazer meu primeiro investimento daqui a pouco. Creio que para quem esta comecando, e para longo prazo, este eh um bom momento para iniciar, correto?
Estou entrando devagarinho, tentando cada vez aprender mais e saber o que estou fazendo. Por enquanto minha ideia ‘e longo prazo, e pensar que o dinheiro investido nao possa ser retirado, a nao ser daqui a anos.
abracos
Aproveitando o gancho do que disse o Ádamo, eu acho ótimo ter perdido esse momento oba-oba da Bolsa, pois teria ganhado dinheiro mas não teria entendido como! rsrs Eu já entrei perdendo e aprendendo que é preciso muito conhecimento, muita informação e também traçar uma estratégia e se posicionar. Já mudei minha estratégia incial, que deixava uma parte do capital para operar opções e estou focando no longo prazo.
Daniel, parabéns pelo seu primeiro investimento! Eu também estou feliz pois ontem fiz meu primeiro investimento que “deu certo”! rsrsr Abraços!
ADOREI ESSA MATERIA CLARO COLEGA , TENHO DÚVIDA SOBRE INVESTIMENTO , TENHO UMA PEQUENA QUANTIA NA POUPANÇA DEVO DEIXAR OU APLICAR EM OUTRO COISAS , POR EXEMPLO : RENDA OU BOLSA ???????
Olá Evando, como vai?
Existem vários detalhes para observar antes de tomar uma decisão sobre onde aplicar.
Primeiro o seu objetivo com relação ao investimento, para que ele servirá no seu futuro.
Se essa pequena quantia por exemplo é um fundo de reserva, isto é esta na poupança para ser utilizado em um momento de necessidade deixe-o por lá.
Agora se tem outros planos, existem algumas outras possibilidades.
Hoje em dia existem possibilidades de aplicações em renda variável a partir de R$ 100. Mas aí é preciso ficar muito claro que o risco passa a existir e ser um componente relevante dentro do seu planejamento.
Forte abraço