Brasil: Impossível não falar de Corrupção
Publicado por Conrado Navarro em 25.08.2008 na seção Educação Financeira
Primeiro, calma, muita calma. Não aconteceu nada específico ou extraordinário que justificasse um título tão dramático como o usado neste artigo. Sou assim, gosto de chamar a atenção dos leitores, especialmente quando o assunto é sério. Corrupção é desses assuntos que me deixam bastante irritado. Chateado, até. Vejamos qual será sua reação depois de alguns importantes dados divulgados recentemente.
O André, leitor do Dinheirama, decidiu nos enviar um resumo de uma recente pesquisa realizada pelo Vox Populi/UFMG e publicada, com exclusividade pelo jornal Valor Econômico, que trata da corrupção desde o ponto de vista dos brasileiros. Ao todo, foram entrevistados 2421 cidadãos entre os dias 10 e 16 de maio de 2008, em todo o Brasil.
Uma conclusão óbvia, mas ao mesmo tempo chocante, me impressionou: os brasileiros consideram mais graves os efeitos colaterais e problemas causados pela corrupção quando esta é originada no governo ou nos empresários de nosso país. Por outro lado, quando atitudes cotidianas dos brasileiros são cercadas pelos “truques”, o brasileiro se sente mais vítima que bandido.
Quadro simplificado da corrupção
A corrupção no Brasil é muito grave: 77% dos entrevistados concordam com esta afirmação. Pois sabemos que ela existe, que ela prejudica o país e ainda assim não tratamos de combatê-la de forma mais entusiasmada? Ai começa minha indignação. Certo, 73% disseram ter percebido um aumento da corrupção nos últimos cinco anos. A indignação aumenta.
No entanto, um número interessante muda um pouco o foco da discussão: 75% dos participantes dizem que, na verdade, o que aumentou não foi a corrupção, mas a apuração de casos em que ela ocorre. A corrupção aumentou, mas os casos investigados e que se tornam públicos também. Será que a exposição é mesmo mostra de que os casos estão sendo levados mais a sério? A indignação dá lugar a uma reflexão.
Fico com a sensação de que este “conforto” é, além de passageiro, ilusório e perigoso. E, ufa, não estou sozinho: 82%, um dos maiores percentuais de concordância, acreditam que novas leis, com penas maiores e mais duras, devem ser criadas e aplicadas nos processos que envolvem a corrupção. Sinais de amadurecimento vêm acompanhados de dados intrigantes:
“Quanto mais próximos os atos corruptos estiverem do cidadão, mais inversamente proporcional é a lógica. Daí por que pagar propina para obter uma licença ou invadir uma terra pública são atos mais aceitáveis do que o achaque por parte de um policial ou o abuso do poder econômico de um empresário que financia ilicitamente uma campanha eleitoral.” (Maria Cristina Fernandes - Valor Econômico de 01/08/2008)
O que eu acho da corrupção?
Acreditar que atos cotidianos deliberados e associados à corrupção merecem menor destaque e importância que aqueles perpetrados pelas figuras públicas ou governo é a prova das distorções sociais, de valores e de educação vivida pela população brasileira. Sustento duas razões centrais para a questão da corrupção e seu quadro crônico no país:
1. O governo ainda faz pouco para fazer chegar ao cidadão a transparência necessária em suas decisões. Os inúmeros escândalos protagonizados pelo governo, as sabidas falcatruas políticas e a demora em se promover importantes reformas traduzem uma realidade cruel: a corrupção existe, assusta, mas não mobiliza nem o governo, nem a população. Há que se combater a impunidade, principal motor da corrupção.
2. Poucos brasileiros sabem explicar o que é o poder público, quais são suas responsabilidades e em que esferas ele atua. A educação incipiente contribui para formar superficiais indivíduos, cujos objetivos e interesses pessoais passam a se basear apenas nos princípios éticos transferidos pela nação durante sua formação. No país das filas duplas, das invasões de terra, do “está tudo certo” e dos assaltos aos cofres públicos, justificar sem ser punido ainda é mais fácil que trabalhar duro para conquistar algo. Ainda.
Odeio corrupção! A certeza da impunidade move muitas forças ocultas dentro de cada um de nós. As mesmas forças que, de repente, mostram-se alarmadas com informações como as publicadas pela pesquisa citada. Infelizmente, o sentimento passa rápido demais. Não deveria, mas passa. Mas, se dinheirama é uma palavra usada para representar todo o dinheiro desviado pela corrupção, Dinheirama é também esperança. Afinal, assim é o Brasil!
Crédito da foto para stock.xchng.
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15 comentários
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O principal problema sobre currupção é: quem deve combate-la? Na cabeça da grande maioria dos brasileiros, quem deve combater a corrupção são os políticos. Sim, eles mesmos, que são (em sua grande maioria) os próprios corruptos.
Então como fica? Será que eles criarão leis que os prejudiquem? Isso seria pedir de mais, ninguém joga contra si próprio.
Logo eu acredito que o combate da corrupção deva vir do povo, dos maiores prejudicados pela corrupção. Já vi uma reportagem de uma cidade onde os cidadãos se organizaram em uma ONG para fiscalizar a prefeitura e os vereadores, conseguindo um grande resultado com isso.
A população tem que, pelo menos, encontrar alguma forma de exercer grande pressão em cima dos políticos para que eles realmente trabalhem em benefício do país.
A grande arma que temos é a opnião pública. Temos que aprender a usuar isso. Mas é necessário grande organização e mobilização. Como é possível iniciar?
Talvez a resposta para o minha pergunta acima seja esta http://blog.improveit.com.br/articles/2008/08/24/uma-verdade-inconveniente-podemos-mais-do-que-parece-ainda-que-continuemos-a-ser-alienados
Pois é, meu querido Conrado…
Tá aí nosso maior problema… algo que começou a tanto tempo que sequer conseguimos imaginar um dia sem a maldita corrupção na história de nosso país.
Mas concordo com o Thiago aí em cima, quem deve combater a corrupção são os mesmos que a promovem… o que dificulta e muito nossa vida.
Por isso, a população deveria acordar de uma vez por todas, parar de vender seu voto ou de votar só porque fulano é seu amigo. Devemos votar nos que realmente merecem e devemos acima de tudo fiscalizar…
Só falta quererem começar neh?!
Na verdade a corrupção é fruto do modelo imposto, desde o Início dos tempos no Brasil. Vou citar apenas o absurdo que ocorre no Estado em que vivo. Alagoas.
Aqui, como em alguns estados brasileiros, desde às capitanias hereditárias os coronéis ditam as regras. O pobre Estado de Alagoas ainda hoje tem o domìnio de 27 famílias que ditam as regras e concentram a riqueza da região.A corrupção tomou proporções absurdas, imaginem os caros leitores que aqui foram destinados para o consumo de imóveis, veículos de luxo ,devaneios irresponsáveis, amantes de deputados, fraquias de luxo em shoping center etc… , por deputados eleitos pelos miseráveis e afins, a bagatela de R$ 300 milhões somente em corrupção. Assassinaram o estado de alagoas pelo descaso, pela impunidade e pela anuência da prostituida justiça brasileira.. aqui vale a máxima( Educar pra que? se assim está ótimo.) Não educar o povo passou a ser uma estratégia política de nossos pobres representantes.
Adriano Marques
O Adriano foi perfeito no seu comentário, no estado do Pará passamos pela mesma situação. Só pra ilustrar, a nossa governadora, por sinal do PT, empregou até sua cabeleireira como acessora particular.
Onde será que vamos parar?
Marcelo Alves
A corrupção é um mal que esta dentro de todos nos! Não venham dizer que não porque é!
Basta alguns acontecimentos em suas vidas, onde apareçam “oportunidades” de “meter a mão” em um dinheiro ou um bem que logo você o fará! Não existe voto consiente, não existirá o fim da corrupção nunca!
O que pode ser feito é diminuir a quantidade de acessores e sucessores no governo e exigir tudo em pratos limpos.
Criar uma ONG para criar leis e execultalas apartir de votações com participação do povo!
Caso contrario ela sempre fara parte de nossas vidas!
[...] UM PAÍS CORRUPTO Postado no 26/Agosto/2008 de caaoun Li no Dinheirama um post sobre a corrupção no Brasil. O post cita uma pesquisa feita recentemente sobre a corrupção do [...]
Todos nós, principalmente Clubes de Serviços, Entidades Religiosas, Ongs, devemos exigir e não pedir o fim da corrupção. Leis mais duras nossos políticos não fazem, porque conhecem a história da Revolução Francesa. O sr.
Guilhotim inventou a Guilhotina e por ela foi executado.
Todos eles temem uma nova ditadura militar, mas nada fazem para que tal fato não ocorra.
Bem!
Este negócio de ser corrupto acredito que todos nós tenhamos um pouco.Mas com certeza quando voce só pensa nesta possibilidade já estará se sentindo um verme,e tem pessoas que convivem bem com isto.Quando pegos, entregam até a mãe,ainda mais com esta possibilidade de falar e ter a pena reduzida.O dinheiro quanto mais, melhor; é o que todo mundo pensa.
Deve haver um equilíbrio. É claro se o cara presisar de um avião para trabalhar deverá ter,assim como o seu sustento.Agora numa sociedade aonde tem gente passando necessidades os que são avio~es que se cuidem!
A respeito ainda de meu pobre Estado Alagoas.tenho uma nova!!!! O STJ esta semana deliberou sobre o fim do Nepotismo. Tudo é festa mesmo. O magistrados ja estão se mobilizando e o pior, são criativos, ja estão fazendo o nepotismo cruzado. ( mando a minha parentada pra fora) e ( recebo a parentada do colega de fora) , pronto, simples assim.Somos tolos mesmo. penso que o colega CARLOS ORLOWSKI foi muito feliz. a coisa é seria mesmo. só a pena de morte ou um arrojado golpe militar. vou mandar me curriculum para o exército, pois estarei portejido para trabalhar de forma correta ( meu primeiro ato ) contsruir um presídio e colocar os parlamentares sem roupa ) com Bunda na janela e abrir visitas publicas e visitas intimas no corredor das janelas. Esse sria um exmplo para abrandarmos nossa dor e revolta…. tenho dito
LEI SÊCA PRO DINHEIRO.
Não é bem um comentário. É uma tese.
Tenho comigo a tese de que o Legislativo, se quiser, poderia criar uma lei sêca para o dinheiro. Ou seja, todas as pessoas não poderiam portar, guardar, estocar em espécie a quantia maior que R$ 10 mil. Lugar de dinheiro seria a rede bancária e não em malas, cuecas e cofres residenciais. Eu pergunto. Porque um indivíduo tem 1, 2 ou mais milhões em casa? Só pode ser pra corromper ou ganho sem nota. Certo? Duvido que esses caras de Pau do legislativo vão aprovar uma lei dessas? Um abração.
Olá Conrado,
Gostei muito do seu blog e das suas idéias, temos muito em comum, pode ter certeza.
Visite o meu blog e veja o que acha dele, de repente você gosta.
leyomudeomundo.blogspot.com
Abraços Amigo!
Leyo!
O pessoal não entendeu o que o Conrado disse, só uns dois que comentaram pegaram a idéia.
O problema não são os políticos, o governo… nada disso
O problema eh a cultura brasileira como um todo!
Todos aqui falaram de exemplos de corrupção pelos governantes, mas quantos aqui não furam fila, passam no vermelho, quando ganha troco a mais não devolvem, da um cano no trabalho e inventa uma desculpa, dirige depois de beber, paga pra se livrar do policial, compra dvd/cd pirata, compra naquela “Loja baratinha” coisas contrabandeadas…
O que quero dizer é que somos corruptos e ponto.
Os governantes são os representantes do povo, nada mais do que isso.
Sou obrigado a concordar com tudo o que foi expostos.
Só me reservo o direito de discordar da população em uma coisa, justamente naquilo que ela mais concorda.
A criação de novas leis mais severas com penas duras não reduz criminalidade. O que reduz de fato é a punição daqueles que comentem crimes. As penas já previstas são brandas, poderiam ser agravadas, mas não são aplicadas. Se o fossem certamente teríamos uma redução da corrupção.
O criminoso só comete o crime por ter certeza de que não vai ser pego. Se tiver certeza do contrário não comete o crime.
“Você acha que os políticos são corruptos? Sim? Por R$10,00 você diria que não?”
Li isso hoje no Bobagento, que não tem nada a ver com o DInheirama, e lembrei-me deste artigo.