Vamos falar de dinheiro?
Publicado por Conrado Navarro em 26.08.2008 na seção Educação Financeira
Por onde passo e com quem quer que eu fale lá está o tabu. Falar de dinheiro de uma forma extrovertida, inteligente e subjetiva parece ser proibido! Nas empresas, especialmente na relação entre líderes e liderados, a situação se agrava ainda mais. O principal questionamento que surge à mente é: você tem medo de expor parte de seus apuros ou sucessos financeiros temendo represália, chacota ou deboche?
Que tal se você pudesse ouvir uma dica sobre investimento, acúmulo de patrimônio ou ferramenta de gestão financeira direto de algum colega de trabalho? Situações assim só não são freqüentes porque dinheiro parece ser assunto apenas para especialistas e gerentes de banco. Não é verdade! Falar de dinheiro significa compartilhar suas experiências e criar um canal aberto de discussão para também aprender.
Filtrar tudo aquilo que ouvimos e(ou) lemos é muito importante, claro, mas deixar de ouvir e compartilhar é seguramente um erro. Aceitar a conclusão de que falar de dinheiro é um tabu geralmente é mais cômodo do que passar a investigar seus detalhes e iniciar discussões que envolvam questões financeiras. Atitude, disciplina e comportamento são os caminhos que podem mudar este cenário. Considerar o dinheiro algo tão complicado e delicado, a ponto de nada comentar sobre ele, pode ser a razão para tamanha pobreza.
Pense de outro jeito: se você tem vergonha de seu próprio conceito sobre o dinheiro, de sua condição financeira ou de sua capacidade de poupar, a ponto de não externá-los nem às pessoas mais próximas, está aceitando e incentivando o sentimento de impotência diante do dinheiro que aparece (e desaparece) em suas mãos. A conseqüência será uma decisão de investimento insegura, pouco embasada e com grandes chances de se mostrar inapropriada - em pouco tempo.
Esqueça o sucesso enlatado…
A verdade é que quase ninguém quer discutir aspectos importantes das finanças, mas todos querem encontrar a fórmula para ficar rico. Um paradoxo intrigante, não acha? As milhões de maneiras de ficar rico são discutidas diariamente nos lugares onde há quem se interessa pelo assunto. Os autores que se aventuram a escrever livros sobre riqueza estão fazendo algo muito simples no seu dia-a-dia: estão falando sobre dinheiro, sobre como chegaram lá.
Suas obras são comentários, opiniões e experiências por eles vividas que podem demonstrar como é relevante importar-se com dinheiro e querer aprender mais sobre ele. Os autores passam seu tempo freqüentando seminários, eventos e relatam ali o que lhes parece ideal para despertar, em você, interesse no assunto. Será que os líderes de hoje sabem (ou querem) fazer o mesmo com seus colaboradores diretos e indiretos?
Cabe desafiá-lo a ir além das sentenças e chavões da moda, além do óbvio e mágico segredo destes mesmos livros. Seja como líder de uma família ou profissional, procure viver mais próximo do seu dinheiro e, assim, valorizar melhor as decisões que o envolvem. Aproveite melhor seu tempo e use-o para também disseminar oportunidades de colocar as finanças no centro de uma discussão. Experimente desafiar seus colegas e colaboradores a conversar sobre isso.
Pergunte mais. Explique mais. Arrisque mais. Experimente mais.
Tenha uma opinião formada sobre planejamento financeiro, suas vantagens para você e seus planos para o futuro. Conhecimento transformado em estratégia é o resultado mais importante que devemos perseguir se queremos dominar nosso dinheiro. Defenda seu ponto de vista com clareza, porém de forma receptiva e cordial. Prefira escutar e aprender também com os outros, além dos livros e revistas. Vale a pena.
Certas pessoas simplesmente não ficam à vontade para lidar e falar sobre dinheiro. Você é assim? Pode ser que haja um bloqueio que o impeça de pronunciar-se nestas ocasiões. Acredito nisso! Também acredito nos resultados de uma boa terapia.
Estes bloqueios podem ser a causa, mas nunca a desculpa. São estes mesmos bloqueios que o impedem de investir em algo mais arriscado? Que o impedem de falar aos filhos o quanto as contas estão altas e que a mesada deve ser melhor controlada? Que o impedem de criar coragem para começar a controlar seu orçamento, criar limites e se educar financeiramente? Se o problema é você, a solução também é você.
Por fim, sugiro agendar um dia da semana para conversar com alguém sobre investimentos, dinheiro e seu poder de realização. Chame um amigo que gosta do assunto e discutam um pouco sobre o cenário atual da economia, o que os bancos andam oferecendo, os juros, as compras do mês, a inflação, a bolsa de valores e os descontos. Faça o mesmo com seus colegas de trabalho.
Comece devagar.
Crie e demonstre interesse através da leitura de periódicos, jornais, livros. Dedique-se, pelo menos um pouquinho, todo dia a ler uma ou duas notícias sobre economia e finanças na internet. Funciona mais ou menos assim: se você não sabe falar (e bem) de dinheiro ou compartilhar suas experiências financeiras, como poderá administrá-lo (e bem) ou estar disposto a aprender mais? Vamos falar de dinheiro?
Crédito da foto para Fotografar, Vender e Viajar.
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7 comentários
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Muito bacana o site!
O brasileiro precisa muito mesmo de educação financeira. Mas acredito que estamos no caminho certo. Parabens pelo blog!
Olá Navarro, muito bacana o artigo. Essa semana, em conversa de boteco, estávamos falando sobre finanças e um amigo, que trabalha num picareta de veículos, veio com umas charadas no mínimo intrigantes (pelo menos pra mim achava que estava começando a entender dessas coisas) e preciso de ajuda pra entender porque o puto não soube explicar depois. Digamos que eu empreste R$1000,00 pra pagar em 4 x de R$ 300,00, quanto eu pago de juros? Nas minhas contas pagaria R$1200,00, ou seja, 20% de juros, ele chamou isso de conta de padeiro e que eu acabaria pagando mais de 40%!! E se no terceiro mês tivesse R$600,00 pra quitar a dívida e fosse oferecido desconto de 2,5% e eu pudesse escolher entre quitar e investir os 300 a 5%a.m. (Não soube também dizer que investimento paga tudo isso), ainda valeria a pena quitar!? Isso faz algum sentido ou é papo de boteco mesmo?
Cleyton,
Sua questão já foi respondida aqui.
Navarro,
Concordo com sua opinião sobre a necessidade de se falar sobre dinheiro, mas no meu caso sempre tento restringir ao máximo o público (no máximo familiares próximos e namorada/noiva/esposa) pois sempre temos de nos atentar a pessoas más intencionadas que, ao saber que você tem/faz algum tipo de economia para o futuro, podem nos fazer algum tipo de dolo para nós ou pessoas próximas a fim de nos subtrair essa quantia que batalhamos tanto para conseguir.
Sim, sou bastante desconfiado acerca da integridade das pessoas mas hoje em dia penso que um pouco de precaução nunca é demais.
Ademais, continue assim. Tomara que algum dia eu consiga ter a sua consciência financeira.
Muito infelizmente concordo com o “prato”. Pelo que já observei por aí, dinheiro acaba sendo sim “assunto apenas para especialistas e gerentes de banco”, como você (Navarro) diz. Bom… Imagino que existam várias exceções. Eu, por exemplo, adoraria esse tipo de papo, mas dependendo do tipo pensamento do colega, do tipo de trabalho entre outras coisas, e conforme eu sentir que são essas pessoas, nem penso em comentar a respeito de $. Às vezes o que faço é “comentar não comentando” e, conforme o papo vai desenrolando e eu sentindo que o ambiente é propício, começo a trocar mais idéias. Mas, ainda assim, com um pé atrás. Às vezes uso uma forma não muito pessoal pra falar a respeito. Falar como se fossem os planos financeiros de um “amigo” ou de alguém que “ouvi falar”. Adoraria que não fosse assim, mas de fato é. Experiência (ou azar) própria.
Ainda assim sua postagem me deixou bem entusiasmado pra diálogos do tipo.
Por falar em dinheiro, não sei se vocês receberam o email fantástico “TRABALHO FÁCIL E HONESTO NA INTERNET”, “é totalmente diferente das chamadas pirâmides”? Isso me lembra uma máxima a favor da Igreja Universal (aquela famosa financeira): “Quem não sabe o que fazer com o dinheiro dê pra quem sabe”, “dinheiro não traz felicidade, então me dê seu dinheiro e seja feliz”, vou guardar pra dar umas risadas nos finais de semana… Educação financeira e legal (direito) deveriam ser obrigatórias nas escolas.
Abraço Navarro!
Aos poucos os brasileiros estão aprendendo a se educar financeiramente… E a internet tem contribuído muito para isso.
Abraço!
Dani Edson